Hands-on: Diablo III Beta

A sensação é de reencontrar um amigo de infância, que hÁ muito tempo você não vê. 10 anos depois (estou considerando o lançamento da expansão "Lord of Destruction") "Diablo" começa a dar as caras novamente. O game faz parte da tríade de games da Blizzard aclamados por muitos dos gamers, junto com "Starcraft" e "World of Warcraft". Eu tive a honra/privilégio/sorte de ser um dos beta testers desse game, que consegue ser um clÁssico, antes mesmo de ser lançado. Vamos ao hands-on!


Um jogo online

O terceiro jogo da série Diablo vai ser online, forçando o login na internet para jogar. Isto não significa que uma LAN Party com o jogo seja impossível, mas é bom jÁ ir pensando na conexão à internet para todo mundo. A empresa também anunciou que controlarÁ a venda de itens entre os jogadores, que poderão utilizar dinheiro real, que serÁ feita através da "Casa de Leilões", sendo que a Blizzard fica com parte do dinheiro na negociação.

 
  


Estas duas mudanças são mais uma adequação ao contexto atual, não representando uma quinada da série. "Diablo III" não vai virar um MMORPG, por ser online todo o tempo, nem vai virar um caça-níquel com a venda dos itens. A "Casa de Leilões" serve mais para tornar oficial um mercado que jÁ existia: a venda de itens entre jogadores. A vantagem é que, oficializado, a Blizzard pode controlar melhor estas transações, e até evitar golpes.

Chega de papo, vamos abrir o jogo!


Escolha seu personagem

O novo Diablo traz cinco possibilidades de classes para seu personagem, além de ser possível definir o sexo dele. Isto é ótimo para alguns que, como eu, adora jogar com characters do tipo sorcerer (feiticeiro), mas por uma opção da Blizzard foram forçados a "vestir uma saia" e jogar com a sorceress (feiticeira) em "Diablo II". Seu personagem pode ser um monk (monge), um demon hunter (caçador de demônios), um wizard (feiticeiro), o wich doctor (médico bruxo) ou barbarian (bÁrbaro), e assim como nos jogos anteriores, isto irÁ definir quais golpes você poderÁ evoluir e usar.



Na jogabilidade, o caçador de demônios lembra a assassin de D2, o médico bruxo se assemelha ao necromancer, o mago lembra a sorceress e o bÁrbaro... bom, este costuma dispensar apresentações. É a classe que se manteve desde o game anterior. O moge não tem um equivalente muito claro, se comparado ao game anterior, quem quiser saber mais sobre, pode ver neste link.

A novidade é que a combinação mana/life não serÁ igual para todos. No caso do moge, a mana dÁ lugar ao Spirty (alma), que na prÁtica da na mesma que o bom e velho MP, consumindo esta energia para liberar habilidades de ataque ou defesa. Em outros casos, a diferença é maior, como no bÁrbaro que acumula fúria (fury), à medida que bate em inimigos. É esta fúria que você irÁ gastar ao soltar golpes mais poderoso ou utilizar alguma habilidade especial do personagem.


- Continua após a publicidade -

No caçador de demônio temos a maior mudança: ele tem "duas manas". No hatred (ódio) você tem a energia para habilidades ofensivas, e em discipline (disciplina) você tem seus pontos para suas habilidades mais tÁticas, como preparar armadilhas.

{break::Menu/Gameplay/GrÁficos}
Os menus e atalhos

Sempre que temos uma nova versão de uma série que gostamos muito, as mudanças que serão feitas nos preocupam. Neste aspecto, fãs do bom e velho Diablo, não hÁ o que temer: a Blizzard trouxe novidades, mas manteve intocado os aspectos principais do jogo. A interface é muito semelhante ao dos jogos anteriores, trazendo pequenas modificações e, na maioria, muito acertadas.

  

O menu segue dividido entre o inventÁrio (inventory), habilidades (skills), as missões (quests) e, para não dizer que nada mudou, o menu com as características do personagem virou o menu hero, no lugar do character mas o atalho com o botão "C" continua sendo um atalho para esta janela. Abrindo as características do seu personagem, temos um submenu com ainda mais detalhes.

Na parte de baixo, fica um menu mostrando os pontos de vida e a mana (ou outra energia complementar do personagem), a barra de progressão da experiência para a troca de level, botões para acessar cada um dos menus, as habilidades equipadas nos botões esquerdo e direito e os atalhos demarcados nos botões 1 a 4.

Alguns botões de atalho sofreram mudanças, principalmente no caso da série numérica de 1 a 4. Agora você pode definir um golpe ou um item para ser usado em cada número. Assim o 1 pode ser uma skill de ataque, o 2 uma habilidade defensiva e o 3 as poções de vida. Esqueça aquela bagunça que era reorganizar seu cinto de poções: o atalho irÁ puxar todas as suas life potions, até elas acabarem em seu inventÁrio. Os botões F1-F12 aparentemente não fazem mais nada.

Ao passar o mouse sobre um item em seu inventÁrio, ele jÁ coloca os atributos do item lado a lado com os do item atualmente equipado em seu personagem, facilitando muito a comparação entre eles (antes era olhar um, olhar outro, olhar um...). Os itens equipados, por sinal, aumentaram. Agora serÁ um para a cabeça, um para os ombros, um para o torso, um para a cintura, um para as pernas, um para os pés, um para os braços, um para as mãos, dois anéis e algo para o pescoço... UFA! O figurino vai ser algo complexo em Diablo III. Isto que nem incluí nas minhas contas a arma para uma mão e o escudo ou acessório para outra.

- Continua após a publicidade -


Gameplay

Muito pouco mudou aqui, e acho que poucas vezes gamers ficarão tão felizes em saber que um lançamento não vai trazer novidades. A visão aérea, o desenvolvimento de skills e os ataques lançados com o botão esquerdo e direito continuam, assim como um modo campanha dividido em quatro atos (serÁ que novamente veremos uma expansão com um quinto?) com uma história bem trabalhada.

Dois fatores chamam a atenção, e me incomodaram muito: os pontos das características do personagem foram se distribuíndo automaticamente, a cada passagem de level e as habilidades foram sendo desbloqueadas, a partir do momento que atinjo certo nível, no lugar de me forçar a escolher quais eu queria evoluir. Esta distribuição dos pontos é a base da construção das estratégias dos personagens em Diablo II, então creio que isso possa ser apenas uma limitação inserida pela Blizzard neste beta. Caso contrÁrio, é uma simplificação que tira muito da graça de evoluir um personagem.

Outra facilidade é que agora é possível vender seus itens do campo de batalha, como o uso do objeto "caldeirão de John" (do lado dele temos algo que parece ser um slot para o Horadric Cube, que pelo jeito vai fazer sua aparição neste game também). Pode ser masoquismo meu, mas gostava de ter que fazer espaço no inventÁrio e escolher bem o que carregar, para então ir para a cidade e vender os itens. É o fim daquela frase de multiplayer: "espera aí, vou voltar pra cidade vender os itens".

Quando o personagem morre, também, a vida ficou mais fÁcil (desculpem a frase maluca).  Nada de ter que ir buscar seu corpo com os itens, como acontecia no jogo anterior. Agora você renasce no começo do cenÁrio, ao invés de surgir na cidade, e com todos os seus itens equipados. De prejuízo, fica mesmo o monetÁrio: você perde parte do dinheiro que carregava. Lembrando que testamos o jogo na dificuldade normal, a única disponível. Pode ser que mude em outros níveis. De qualquer forma, parece que não vai existir mais aquele "parto" que era buscar seus itens no seu "corpo anterior", passando pelo campo de combate.

  

Falando em deslocamentos, isto segue praticamente inalterado, com cidades no estilo "safe house" e vÁrios caminhos pelos quais você se desloca a pé. De tempos em tempos surgem os waypoints, que depois de acionados possibilitam o transporte instantâneo entre eles, como jÁ acontecia em "Diablo II".

GrÁficos

Não julgo este o ponto mais marcante do jogo, afinal Diablo nunca se propôs a ser um marco da qualidade grÁfica em jogos, no estilo Crysis. Mas sem dúvida temos uma grande evolução no comparativo com Diablo II e, principalmente, muito aceitÁvel para o contexto dos games mais recentes. A Blizzard mostra novamente um capricho no desenho de seus personagens e na construção dos cenÁrios, o que promete trazer uma ótima imersão dos jogadores no modo campanha. A mudança dos itens equipados no personagem modificam a sua aparência, melhorando a verossimilhança e prometendo muita customização dos heróis no jogo.

A Blizzard também parece ter caprichado ainda mais nos detalhes, o que com certeza vai agradar os fãs. As runas continuaram influenciando nas armas, mas agora também irão modificar o efeito das skills do personagem, com direito a animações diferentes também.

{break::Conclusão}Diablo III não é um jogo revolucionÁrio, ao menos esta é a impressão que temos ao ver o beta. Ele mantém um processo evolucionÁrio da série, que vem trazendo melhorias no gameplay e nos grÁficos, sempre acompanhando o desenvolvimento da indústria dos jogos.

Pelas impressões do beta, a Blizzard manteve o capricho com o game, mantendo a qualidade da apresentação que víamos desde o primeiro jogo, uma das razões do sucesso da série. Outro fator de sucesso da série continuou: a jogabilidade. Os controles continuam muito semelhantes, e a possibilidade de evolução do personagem, algo que realmente prende os jogadores em Diablo, deve continuar no mesmo estilo, apesar do Beta aparentemente limitar bastante este aspecto.

 

O enredo parece seguir o estilo dos demais jogos, possivelmente algo como "abriu uma passagem para o inferno e você vai lÁ bater no capeta". Falta saber qual é o grande desfecho deste game, jÁ que depois de destruir todas as soulstones dos demônios no game anterior, a Blizzard vai precisar ser criativa para trazer um novo inimigo. No beta, pouco da história aparece, jÁ que assim como nos jogos anteriores, você vai descobrindo progressivamente o que estÁ realmente acontecendo ao longo de cada ato.


A voz de Deckard Cain é tão marcante que serve até para trotes telefônicos

Adianto que alguns velhos conhecidos farão aparições, como Deckard Cain, com sua voz inconfundível, que lê o texto em cada anotação dele que você encontra pelo caminho. A velha Tristam também tem sua aparição, assim como uma nova Tristam. Mas chega por hora, não quero fazer spoiler. Até porque o enredo é mais um dos fatores que fizeram desta franquia o que ela é hoje. O jeito é esperar mesmo para o ínicio de 2012, quando enfim saberemos o que a Blizzard preparou.

Assuntos
Tags
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.