Mobile World Congress 2011

por Jacson e Risa

Integração, ecossistemas e desempenho foram as palavras-chaves que marcaram o Mobile World Congress 2011. O evento ocorreu em um momento crucial, logo após as vendas de smartphones ultrapassarem pela primeira vez as dos computadores pessoais. Em 2010, foram 100,9 milhões de celulares vendidos no mundo inteiro, contra 92,1 milhões de PCs. Aliado a essa estatística, o número recorde de visitantes do congresso neste ano evidencia uma tendência: o mercado móvel estÁ cada dia mais forte. E os produtos desse segmento evoluem rapidamente, a ponto de estarem cada vez mais perto dos os computadores tradicionais em matéria de hardware.


Fomos até Barcelona, na Espanha, conferir isso de perto, ansiosos para ver os últimos lançamentos e, é claro, testÁ-los. A expectativa era grande em torno de alguns produtos, como o Optimus 3D, o primeiro smartphone 3D do mundo; o Xperia Play, o muito falado "Playstation Phone" e o Xoom, o tablet da Motorola que marca a estreia do Android Honeycomb. No meio do caminho, como não poderia deixar de ser, vimos muitas outras coisas interessantes nos mais de 58 mil metros quadrados de exposição.

{break::Impressões sobre o evento}Depois de muitos rumores e especulações, conferimos bem de perto e podemos garantir: o Xperia Play é real. Uma pena ainda não termos acesso à Playstation Suite, o que deve aumentar muito o apelo do smartphone. Pudemos testar apenas jogos tradicionais para Android, que não são lÁ uma grande novidade, o que diminuiu um pouco a nossa empolgação. Mas não podemos negar: ter um joystick deslizante à disposição é muito legal e acaba de vez com os problemas de ter que controlar os personagens na tela, diminuindo o campo de visão.


Por falar em games, ficou claro que essa é uma grande aposta das empresas, em uma filosofia de aliar o entretenimento à produtividade. Isso, inclusive, foi a cara de todo o evento: milhares de executivos engravatados circulavam por meio de estandes com bonecos do Android "oferecendo" balinhas de maçã verde e pelúcias de "Angry Birds" que, para decepção de muitos, estavam lÁ só pra fazer inveja mesmo - nada de brindes para o pessoal.

A sensação do congresso foi a troca de buttons do Android. Distribuídos livremente em quase todos os estandes de fabricantes e parceiros do Google, o acessório fazia parte de uma coleção com cerca de 80 modelos e não demorou muito para que se instalasse um "trÁfico" de buttons. Confessamos que tentamos entrar nessa, mas fomos ultrapassados pelos profissionais da Área.

Tinha gente pegando dezenas deles de uma só vez, para trocar com os visitantes de outro hall. Quando chegÁvamos para pegar os nossos, só haviam balinhas verdes no lugar. Alguns eram mais procurados que a figurinha do Ronaldo na Copa de 98 e a coisa toda chegou a um ponto em que, no final do evento, os estandes exibiam plaquinhas com a afirmação "não temos mais bottons". De qualquer forma, juntos, conseguimos uns 20. E alguns adesivos também.


Androids para todos os gostos

A sacada do pessoal do Google foi muito bem bolada. Conseguiu emplacar a marca de uma forma simpÁtica e virou o símbolo da feira. Algo totalmente compatível com a situação do próprio mercado, como pudemos observar: a maioria dos grandes lançamentos é baseada no sistema operacional.

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Colecionar buttons virou um negócio muito sério

No estande da HTC, por exemplo, fomos informados de que não havia nenhum novo aparelho com Windows Phone 7, portanto, só nos restou a alternativa de fazer um hands-on com um smartphone mais antigo. Na Área da Microsoft, havia alguns aparelhos com o sistema, mas nenhuma grande novidade - o atrativo eram palestras a cada 45 minutos sobre as funcionalidades do sistema, uma das quais chegamos a acompanhar.


Dispositivos baseados em Android com poderosos recursos multimídia dominaram o evento

A RIM, aclamada no segmento corporativo e desenvolvedora do BlackBerry OS, exibiu alguns de seus smartphones - como o BlackBerry Torch - e o seu tablet PlayBook, mas nada diferente do que jÁ foi visto na CES. A HP arriscou e demonstrou dispositivos únicos, com o WebOS, mas estavam praticamente intocÁeis. Por fim, a Nokia, agora parceira da Microsoft, não tinha um estande no congresso. Passamos pela Intel, onde vimos tablet com MeeGo e cogitamos um hands-on, mas o sistema ainda parece muito inacabado, com uma interface grÁfica pobre e confusa. Simplesmente não rolou.

{break::Nosso veredicto}Difícil definir os destaques individuais de um evento que trouxe tantas novidades. Por isso nem tentaremos! São produtos para todos os gostos e que trazem grandes diferenciais entre si, ao mesmo tempo que possuem uma base comum, plataformas baseadas em sistemas operacionais Android, seja o Gingerbread, nos smartphones, ou o Honeycomb, nos tablets.


Logo, tendo que descrever um grande destaque para o Mobile World Congress 2011, em nossa opinião este seria o Google, ou melhor, o Android, sistema operacional presente na maioria dos lançamentos expostos no evento. Embasar essa alegação é fÁcil, basta analisar o que cada empresa trouxe de novo para o evento para constatar que os principais gadgets rodavam Android.

A Sony Ericsson apresentou três novos aparelhos, o Xperia Play, smartphone destinado aos gamers e que incorpora um "controle" de Playstation deslizante, o Xperia neo, com câmera de 8MP e tecnologia para melhorar a qualidade de imagens capturadas em ambientes escuros e aumentar o brilho da tela, e foco no usuÁrio que demanda aplicações multimídia, e o Xperia pro, que possui teclado QWERTY e um editor de documentos, propositalmente para atender o mercado corporativo. Além desses aparelhos, A Sony Ericsson trouxe o Xperia arc, um show de design, com sua carcaça curva e as mesmas tecnologias presentes no Xperia neo.

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A Samsung apresentou o Galaxy S II, smartphone que fez muito sucesso no Brasil em 2010 e que promete se manter como um dos produtos mais desejados do mercado em 2011, sobretudo por sua robusta configuração e belo design. O tablet Galaxy Tab 10.1 foi outro destaque no estande da Samsung, pois substituiu o Tab original trazendo vÁrias modificações importantes no conceito do aparelho. Para começar, o tablet cresceu e agora possui 10.1", contra apenas 7" do seu antecessor, além disso, a nova versão não faz chamadas telefônicas, apesar de suportar um chip SIM para conexão de dados. A Samsung teve ainda o Wave 2, equipado com o sistema operacional proprietÁrio Bada, porém este deve continuar encontrando problemas pela falta de apps e fraco ecossistema do SO, estÁ aí o exemplo do Symbian que não nos deixa mentir.


A LG pode ser considerada a empresa que trouxe mais inovações nos produtos apresentados durante o MWC. O Optimus 3D da LG é o primeiro smartphone com tela 3D estereoscópica a chegar ao mercado. Para melhorar ainda mais o produto a LG incorporou as tecnologias dual channel e dual memory, possibilitando maior banda para transferência de dados. JÁ no segmento de tablets a LG apresentou o Optimus Pad, que possui capacidade de capturar imagens em 3D, utilizando as duas câmeras na parte traseira do dispositivo, porém sem tela 3D para visualização, o que, convenhamos, é meio sem nexo. De qualquer forma, são boas iniciativas, afinal, toda inovação tecnológica depende de um pontapé inicial e o fato de a LG ter agregado a tecnologia 3D pode ajudar ainda mais a acelerar o interesse em geral por esta tecnologia.

A Motorola não trouxe nada que jÁ não havia sido apresentado na CES, nem por isso deixou fazer um mega sucesso no evento. O Xoom, tablet da empresa, possui um belo design e foi considerado um dos principais gadgets da CES, tendo ganho diversos prêmios, e continua se destacando por ter sido o primeiro da nova geração de tablets. JÁ o smartphone Motorola Atrix é um capítulo a parte. O gadget em si possui um belo design, é leve, tem leitor de impresões digitais para bloquear e desbloquear o aparelho, até aí nada de muito excepcional. O destaque é o ecossistema criado pela Motorola para tornar o aparelho diferenciado, que inclui dock para o carro, dock compacto para uso conectado ao computador ou à televisão, funcionando como uma espécie de media center, e ainda, um dock que possibilita acoplar o Atrix, transformando o smartphone em um notebook.

O que ficou claro é que os grandes players parecem estar convergindo para um lugar comum. Definiram o Android como sistema operacional ideal, tanto para smartphones, quanto tablets. Nos smartphones, uma ou outra usa um processador diferente (como a Samsung, que usa um processador próprio e a LG, que equipou seu Optimus 3D com o OMAP4 da Texas Instruments). Mas quando o assunto são os tablets, o Tegra 2 da NVIDIA é praticamente unânime. Alguns ainda são baseados em Froyo, mas o Honeycomb jÁ estÁ aterrisando, mostrando que o robozinho estÁ pronto para combater em um mercado dominado, até então, para a Apple.

Para finalizar e não dizerem que ficamos em cima do muro, iremos listar nosso Top 5 dos assuntos e produtos que mais nos chamaram a atenção durante o Mobile World Congress 2011. Deixando claro que não temos pretensão de eleger os melhores e piores de nada, até porque a lista engloba produtos, software e um acontecimento de mercado, assuntos que nunca seriam listados juntos em um Top qualquer coisa.

  1. Android, e seu mercado negro de Pins
  2. Tablets, você ainda vai ter o seu
  3. Xperia Play e o seu inovador controle deslizante
  4. Optimus 3D e suas vÁrias tecnologias
  5. Galaxy S II com seu design e super tela

Menção honrosa para a parceria entre a Nokia e a Microsoft, que, para o bem ou para o mal, foi uma grande jogada.

O smartphone Atrix e o tablet Xoom, ambos da Motorola, assim como o Xperia Arc da Sony Ericsson e o PlayBook da BlackBerry, não entraram na disputa pois foram lançados na CES 2011.

Os repórteres viajaram a Barcelona a convite da Sony Ericsson

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