O que é ARPANET? Veja as imagens do início da Internet

Confira nossa retrospectiva fotográfica dos primórdios do que se tornaria a internet
Por Mauro J. Barreto 17/05/2010 19:07 | atualizado 20/11/2019 10:49 Comentários Reportar erro

Você sabe que dia é hoje? Pois é, hoje comemoramos o Dia Mundial da Internet, essa rede que facilita tanto nossa vida nos dias de hoje - ou não. E para homenagear os - muitas vezes esquecidos - responsÁveis pela tecnologia por trÁs do que hoje parece tão comum, organizamos esta retrospectiva fotogrÁfica da ARPANET.

 

Nunca ouviu falar da ARPANET? Nunca é tarde. A dita cuja foi nada mais, nada menos, que o "embrião" da Internet - basicamente a primeira rede de transporte de dados, que interligava laboratórios de universidades norte-americanas. Colocada em funcionamento em 1969, a rede cresceu muito no decorrer de uma década - se espalhando pelos quatro cantos dos EUA, para depois se transformar na Internet e assim conquistar o mundo.

Ainda hoje, existem pessoas que acessam a Internet através da linha telefônica, a gloriosos 56 kbps, mas no princípio esta era a única forma de transporte de dados - considerada, logicamente, algo revolucionÁrio para época. Na figura acima, vemos o cientista Vinton Cerf acessando a ARPANET na África do Sul, através de um modem destampado (que pode ser visto ao fundo) ligado a um telefone no melhor estilo anos 70/80.

 

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Nesta foto, temos um close do modem usado por Vinton Cerf na cena anterior. O aparelho estÁ sem tampa, pois se tratava de uma exibição da ARPANET em funcionamento para cientistas da África do Sul. Como essa geringonça funcionava, só estando lÁ para saber...  Mas eu acho que estou vendo uma liga de borracha prendendo o fone ao modem, não?


A ARPANET foi implantada gradativamente através de vÁrios nós (nodes). O primeiro nó foi desenvolvido por Vinton Cerf (novamente na foto acima), Steve Crocker, Bill Naylor, Jon Postel e Mike Wingfield, que desenvolveu a interface de hardware entre a UCLA e o IMP (Interface Message Processor). Ah, eles eram estudantes universitÁrios na época...


Nesta foto, os cientistas aparecem muito pensativos e concentrados ao lado do SIGMA 7 - um grande computador, com nome de vilão do Megaman X, que era responsÁvel pela hospedagem e anÁlise de performance da ARPANET. O primeiro sistema operacional utilizado neste servidor tinha um nome curioso: SEX.


A primeira transmissão de dados que serviu como teste para a ARPANET consistiu na transmissão da palavra "LOG" de uma universidade a outra. O cientista Leonard Kleinrock (foto) conta o que aconteceu: "O 'L' e o 'O' foram transmitidos sem problemas, mas quando chegou no 'G', o sistema todo travou! Que começo! Mas a segunda tentativa funcionou perfeitamente!"

 

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O filme de 1967 "O Cérebro de Um Bilhão de Dólares" traz Michael Caine (foto) como um espião do MI-5 que investiga a atividade comunista ajudado por um supercomputador Honeywell - o mesmo utilizado pela UCLA para se conectar à ARPANET anos depois.

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Essa galera esperta da foto foi responsÁvel pela criação do IMP (Interface Message Processor), que nada mais era do que um circuito telefônico que conectava computadores independente do sistema operacional utilizado neles. Bastante útil e engenhoso eliminar a compatibilidade de sistemas para que a idéia de uma rede de computadores se tornasse viÁvel, não é mesmo?

 

Este foi o computador utilizado para enviar as primeiras mensagens da ARPANET, o SDS-90, com o Professor Kleinrock ao seu lado. Que tal um "PCzinho" desses para navegar na Internet nos dias de hoje?


Kleinrock explica em um diagrama como o primeiro nó da ARPANET foi implementado entre um computador da University of California, Los Angeles e um computador do Stanford Research Institute.

 

Nos balões: O processador de interface de mensagens (IMP) agia como um roteador, fazendo as mensagens navegarem de um computador ao outro. Seis computadores Honeywell RP-61R processavam os dados. Suprimento de energia pesado de 115V alimentava os componentes. Seis grandes ventoinhas estabilizavam a temperatura interna.

 

Nos anos 70, cerca de um novo nó era adicionado à ARPANET por mês. A primeira interface de rede de alta-velocidade surgiu ainda no início da década, com 100 kbps, operando entre um computador no MIT (Massachussets Institute of Technology) e a ARPANET. A interface, desenvolvida por Bob Metcalfe, operou por 13 anos sem interferência humana.

 

A Intel lança em 1971 o 4004, que seria o primeiro "computador em um chip", combinando memória e processamento no mesmo chip, o que ajudou a reduzir tamanho das mÁquinas e o custo, além de ter sido importante na transição dos tubos e transistores para os circuitos integrados.

 

O computador Alto, desenvolvido pela Xerox PARC em 1973, foi o primeiro a trazer interface grÁfica de usuÁrio e a ter conexão Ethernet. Não foi um sucesso de vendas, mas fez sucesso nas universidades atendidas pela ARPANET, também devido ao seu tamanho compacto. Nessa época, o trÁfego na ARPANET jÁ era de 3 milhões de pacotes de dados diÁrios.

 

Um pequeno diagrama da ARPANET. Destaque para os IMPs (Interface Message Processor), jÁ mencionados anteriormente, que funcionam como uma sub-rede entre eles próprios, para então oferecer conectividade aos computadores conectados.

 

O objetivo deste especial não foi exatamente o de nos aprofundarmos na história ou nos detalhes da ARPANET, mas sim de mostrar através de algumas imagens como as coisas evoluíram nestes 40 anos desde que a primeira mensagem de texto foi enviada de um computador a outro.

Hoje isso parece tão banal - podendo ser feito até mesmo através de plataformas móveis como celulares - que nem imaginamos como as pessoas se comunicavam em um passado não tão distante assim. Por isso, saudamos a Internet em seu Dia Mundial, deixando esta singela homenagem aos pesquisadores responsÁveis pelo início do desenvolvimento da tecnologia de transmissão de dados, tão essencial em nosso tempo.

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  • Redator: Mauro J. Barreto

    Mauro J. Barreto

    Formado em Jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) em 2008, Mauro Barreto trabalha na redação da Adrenaline, em Florianópolis, desenvolvendo pautas, produzindo artigos, entrevistas e atualizando o site com notícias sobre os segmentos em que a Adrenaline atua. Também assina a coluna "Mundo Tech", onde comenta sobre assuntos relevantes do mercado de Games e Tecnologia. Até hoje é viciado em Street Fighter II e não troca seu iPod por nada.

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