Como foi a evolução dos consoles (Parte 1)

No Brasil os video games fazem parte da vida dos brasileiros desde os anos 80
Por Risa Lemos Stoider 14/01/2010 14:00 | atualizado 19/11/2019 17:43 Comentários Reportar erro

Atari, "Nintendinho", Mega Drive, Playstation... esses nomes são familiares entre muitas pessoas. Aqui no Brasil, desde a década de 80, os jogos eletrônicos fazem parte da vida dos jovens e têm evoluído cada vez mais rÁpido. Sim, o tempo passa depressa... mas a história dos videogames jÁ registra mais de 50 anos!

Este artigo busca resgatar um pouco da trajetória dos consoles de mesa. Nesta primeira parte, conto as origens mais remotas, passando pela trajetória de sucesso do Atari e do Odyssey, até a crise que abalou o mundo dos videogames, em 1984. 

 

{break::Antes de se chamarem "videogames"} 

1952 - Jogo-da-velha é primeiro game eletrônico

OXO. Esse é o nome do primeiro jogo eletrônico da história, ao menos pelo que se sabe até então. Consistia no famoso jogo-da-velha, que rodava em um computador EDSAC (Electronic Delay Storage Automatic Calculator) e fazia parte de um trabalho para a Universidade de Cambridge, de Alexander S. Douglas, para ilustrar interações entre humanos e mÁquinas.

1958 – Físico cria bombas atômicas e um game

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O primeiro jogo eletrônico do qual se conhecem mais detalhes foi criado pelo cientista Willy Higinbotham para entreter os visitantes do  Brookhaven National Laboratories, no estado de Nova Iorque. Em plena guerra fria, era comum a curiosidade das pessoas pelo poderio nuclear dos Estados Unidos. Para tornar as visitas mais interessantes, Higinbotham criou um jogo de tênis simples que era mostrado em um osciloscópio (aparelho que serve para medir e tornar visíveis as variações periódicas de uma corrente elétrica) e processado por um computador analógico.

 

 

 

O jogo fez sucesso entre os visitantes e tornou-se a atração principal do laboratório. Mais tarde, o físico aperfeiçoou sua criação e adaptou o jogo para ser mostrado em um monitor de 15 polegadas. O projeto recebeu o nome de Tennis Programming, também conhecido como Tennis For Two, mas nunca foi patenteado pois Higinbotham acreditava que sua invenção não tinha potencial algum. 

 

 

No fim das contas, Higinbotham ficou mais conhecido pela sua participação no Projeto Manhattan e o desenvolvimento das primeiras bombas atômicas do que pela concepção do ancestral dos videogames modernos. O cientista Morreu em 10 de novembro de 1995 sem receber nenhum centavo pela invenção do jogo eletrônico.

1962 – O primeiro minicomputador é fabricado

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Nem sempre houve consenso sobre quem foi o inventor do primeiro game. O reconhecimento jÁ foi atribuído a Martin Graetz, Stephen Russell e Wayne Wiitanen, do Massachusetts Institute of Technology. Os cientistas inspiraram-se nos primeiros livros de ficção científica de E. E. "Doc" Smith e criaram o Spacewar em 1962.

 

O jogo simulava conceitos de física, como aceleração e gravidade, através de algoritmos. Com jogabilidade simples, continha também elementos que acabaram como sucesso em games da década de 70, como Pong.

 

O objetivo dos cientistas era chamar a atenção do público para o minicomputador DEC PDCP-1, o primeiro jÁ inventado. Era um aparelho simples e sem grandes atrativos, com 4KB de memória e processador de 8 bits. O que levaria as pessoas a querer conhecer a mÁquina? Exatamente isso: Spacewar!.

1968 – O videogame é patenteado

O engenheiro eletrõnico Ralph Baer fugiu da Alemanha nazista em 1938 e foi morar nos Estados Unidos, onde trabalhou mexendo com rÁdio e televisão e patenteou diversas invenções.  Na Sander Associates, em 1966, Baer teve a idéia de criar uma mÁquina barata que divertisse as pessoas através de jogos eletrônicos.

 Assim, ele criou o Brown Box, uma mÁquina que rodava jogos eletrônicos através da TV. Em 1968, a invenção foi patenteada e mostrada a empresas americanas de eletrônicos, como a Magnavox, que se encarregou de lançar no mercado, pela primeira vez, um console de videogame caseiro. Foi a primeira vez em que o videogame foi encarado como produto comercial.

 

O Brown Box rodava jogos rudimentares de tênis, futebol, vôlei e tiro. O aparelho tinha, inclusive, uma espingarda que funcionava com células fotoelétricas, a precursora das pistolas dos videogames modernos.

{break::Década de 70: os primeiros consoles}

Ralph Baer, após patentear o primeiro console caseiro, permitiu um boom da indústria, responsÁvel pelo surgimento de clÁssicos como o Pong e o Atari. Foi na década de 70 que os videogames ganharam apelo comercial e começaram a invadir os lares de milhares de famílias.

1972 - Magnavox Odyssey 100

O Odyssey chegou às prateleiras americanas em 1972 com uma oferta inicial de 12 títulos, a maioria esportivos. Os jogos vinham em placas de circuito, uma espécie de cartucho rudimentar.

O aparelho também acompanhava placas de plÁstico colorido semitransparentes que simulavam o campo do jogo quando colocadas na tela da televisão, além de cartões para a marcação dos pontos. Um opcional do console era o Shotting Gallery (Galeria de Tiro), com quatro jogos e um rifle eletrônico.
Aproximadamente 85.000 unidades do Odyssey e 20.000 rifles foram vendidos no ano do seu lançamento.

1972 - Pong

Nolan Bushnell, formado em Engenharia Eletrônica pela Universidade de Utah, era fã do jogo Spacewar e resolveu criar uma versão arcade do jogo. Transformou o quarto de sua filha em uma oficina e, trabalhando com a empresa Ampex, desenvolveu seu projeto, batizado de Computer Space, em 1971.

A mÁquina foi lançada no mercado um ano antes do Odyssey e foi um fracasso devido ao seu custo elevado: não vendeu mais de 1.500 unidades.

Em 1972, Bushnell uniu-se a seu amigo Ted Dabney para fundar a Atari. O primeiro jogo desenvolvido pela companhia foi o arcade Pong, um ping-pong eletrônico similar ao Table Tennis do Odyssey.

O aparelho vendeu cerca de 10 mil unidades. Com o sucesso da plataforma, a Atari, a Magnavox e a Coleco começaram a desenvolver versões caseiras. Somente a cadeia de lojas Sears vendeu 150.000 unidades do produto e a partir de então surgiram 27 clones do aparelho, alguns autorizados e outros piratas.

1976 - Channel F

O Channel F foi desenvolvido em 1976 pela Fairchild Consumer Products e introduziu uma inovação no mundo dos games: os cartuchos programÁveis. Agora, para trocar de jogo, bastava introduzir um cartucho diferente no aparelho. O mecanismo é semelhante ao do Odyssey, com a diferença que as suas placas de circuito mudavam a programação do próprio aparelho, ou seja, o jogo não vinha gravado no cartucho em si.

O console tinha uma biblioteca de 26 jogos. Pela simplicidade extrema, o aparelho não foi bem-sucedido e teve vida curta.

 

Por outro lado, foi o primeiro videogame utilizado como parte de um programa de TV, em uma emissora independente de Los Angeles (canal 11). O jogo utilizado era o Shooting Gallery, inspirado no título do Odyssey. As crianças deveriam dizer "POW" quando quisessem que a arma disparasse e ganhavam prêmios de acordo com o número de alvos acertados.

1977 - Atari 2600

A Warner Communications comprou a Atari em 1976 e, no ano seguinte, lançou no mercado o Atari 2600. Com 128 bytes de memória e processador de 1.19 Mhz, tornou-se um ícone cultural da época e é lembrado e colecionado até hoje.

Os jogos eram em cartuchos, assim como no Channel F, sistema que foi utilizado até a popularização dos CDs na década de 90. O sucesso foi tanto que 14 clones do aparelho surgiram, como os que você confere nestas imagens:


A quantidade de jogos lançada foi tão grande, que não impediu o surgimento de muitos jogos medíocres. Dessa forma, os consumidores desistiram do console. O Atari naufragou sete anos após seu lançamento e levou toda a indústria de videogames junto, no episódio conhecido como o crash dos videogames de 1984.

Mas é claro que o aparelho trouxe também vÁrios clÁssicos, apreciados até hoje pelos entusiastas dos games antigos. Quando se fala em Atari, logo vêm a cabeça nomes como Enduro, Pitfall, River Raid, Atlantis, H.E.R.O, Frostbite, Seaquest, além de muitos outros.

O console foi lançado no Brasil pela Polivox entre 1981 e 1982. Na época, ele jÁ não era mais fabricado nos Estados Unidos, portanto, a empresa continuou faturando com os direitos autorais dos produtos lançados no Brasil.

Durante os anos de sucesso, a empresa faturou cinco bilhões de dólares nas vendas do console e dos periféricos. Cerca de 500 jogos foram lançados para o sistema.

1978 - Odyssey 2

A segunda geração do Odyssey chegou ao mercado em 1978, com um controle parecido com o do Atari e um teclado utilizado em jogos educativos. O console era tecnicamente inferior ao Atari e, por isso, a Magnavox apelava no marketing. Para conquistar o público, a empresa estampava em seus produtos frases, digamos... empolgadas demais, como "Infinitamente mais sofisticado do que os videogames comuns e arcades".

No Brasil, o Odyssey 2 foi lançado em 1983 pela Philips, chamado, simplesmente, de Odyssey, jÁ que o primeiro console, desenvolvido por Ralph Baer, não foi lançado no país.

O aparelho nunca superou o Atari 2600 em vendas, sendo descontinuado com o crash de 1984.
 

 

 

{break::Década de 80 – Os mercado de games entra em crise}

Nos anos 80, o reinado do Atari 2600 foi ameaçado pelo Intellivision e o console afundou junto de toda a indústria dos games, que só foi se reerguer a partir de 1985, com a Nintendo. O crash de 1984 marcou uma divisão de Águas na história dos videogames e, depois desse período, a supremacia no mercado que, até então, era dos americanos, passou a ser dos japoneses.

1980 - Intellivision

O Intellivision chegou ao mercado pela Mattel em 1980, com grÁficos e resolução superiores à do Atari 2600. Com 12 jogos disponíveis inicialmente, as primeiras 200 mil unidades do aparelho foram vendidas em tempo recorde.

 

A empresa ainda prometeu lançar um periférico que transformaria o console em um computador de 64Kb de memória. A expansão foi lançada somente para testes e abandonada antes do lançamento nacional em 1982 devido ao alto custo de produção.

Em 1983, a Mattel lançou o 2600 System Charger. O acessório permitia usar os cartuchos do concorrente Atari 2600 no Intellivision, o que triplicou a biblioteca de jogos disponíveis. O aparelho também foi copiado, como seus antecessores. Ao todo, sete clones do console foram fabricados.

No Brasil, o Intellivision foi lançado em 1983 pela Sharp. Não fez muito sucesso no país por ser o mais caro da época: o Odyssey era o mais barato e o Atari 2600 ficava entre os dois.

O Intellivision vendeu mais de três milhões de unidades só nos Estados Unidos. Foi descontinuado com o crash de 1984.

1982 - Arcadia 2001

O Arcadia 2001 foi lançado pela Emerson em 1982, mas sobreviveu apenas dois anos devido ao crash de 1984. Embora mais potente do que o Atari 2600, tinha grÁficos inferiores aos do Intellivision, lançado dois anos antes.

Os cartuchos eram fabricados em dois tamanhos e a biblioteca de jogos não passou dos 35 titulos. Os games se resumiam a clones de arcades e de sucessos do Atari 2600. Apesar de não ter sido exatamente um sucesso, o console também ganhou seus clones, o que era bem comum na época. Foram 19 versões, lançadas em vÁrios países. No Brasil, porém, o Arcadia 2001 nunca apareceu.

1982 - Colecovision

O Colecovision foi lançado pela Conneticut Leather Company em agosto de 1982 com o melhor hardware da sua geração. Estranhou o nome da empresa? Pois é, ela fabricava couro. Isso mesmo, couro! Mas quase foi à falência nos anos 70 e, então, resolveu entrar no mercado de games, abalando a supremacia do Atari 2600. 

O console vinha com o clÁssico game Donkey Kong e sua biblioteca inicial de jogos contava com 12 títulos. Sua qualidade grÁfica era comparÁvel à dos arcades da época.

A empresa foi pioneira ao anunciar uma expansão de hardware para o console, que nunca chegou ao mercado, porém. Um adaptador para rodar jogos do Atari 2600 foi lançado e rendeu vÁrias ações judiciais sem sucesso da Atari.


O Colecovision vendeu seis milhões de unidades em menos de dois anos, mas acabou com a produção paralisada após o crash de 1984.

 

1982 - Atari 5200

O Atari 5200 SuperSystem foi lançado em setembro de 1982 para tentar derrubar o Colecovision. Seu processador era o mesmo do computador pessoal mais poderoso da época: o Atari 400/800. Sua capacidade grÁfica era superior à do Intellivision, mas perdia para o Colecovision.

O maior problema que o console enfrentou foi o controle mal desenvolvido. Era pouco prÁtico e quebrava com facilidade, o que fez um aparelho de videogame fracassar, pela primeira vez na história, por causa de seu controle.

 

1982 - Vectrex

O Vectrex, lançado pela GCE em novembro de 1982 era diferente de todos os outros consoles por um motivo: suas imagens eram vetoriais e não originadas de pixels. O hardware consistia em um processador Motorola de 1,5MHz e um chip de som poderoso. Foi o primeiro e único console da história a vir acompanhado de um monitor, de 9 polegadas.

Apesar da inovação técnica, a tela dos jogos era monocromÁtica, o que afastou os consumidores. Nem os plÁsticos coloridos para colocar em frente à TV, como no Odyssey, resolveram o problema.

O Vectrex teve pouco mais de uma dúzia de jogos originais e saiu de linha com o crash de 1984. Não fez sucesso nos Estados Unidos e não chegou a ser lançado no Brasil.

{break::O crash de 1984}

A maior crise no mercado dos videogames da história ocorreu em 1984, quando as pessoas simplesmente pararam de comprar os consoles e os jogos. Devido ao aumento dos games considerados medíocres para os consoles, as pessoas começaram a preferir investir nos computadores pessoais.

No final de 1983, qualquer empresa decidiu que poderia lucrar com a ajuda dos videogames. Até mesmo lanchonetes contratavam empresas para produzir games com o único intuito de promover seus produtos. O resultado dessas investidas eram jogos horríveis, que começaram a desapontar os jogadores.

Um computador custava cerca de 50 dólares a mais que um videogame e não só rodava jogos, como oferecia uma série de aplicativos que faziam a diferença para o consumidor. A vantagem tornou-se evidente e as empresas americanas de videogame que dominavam o mercado acabaram indo à falência.

A crise durou cerca de um ano. Em 1985, os japoneses começavam a reerguer o mercado, com o lançamento do Nintendo Entertainment System. Mas essa é outra história, que fica para a parte 2 deste artigo. Até a próxima!

Leia a segunda parte do artigo neste link

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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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