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REVIEW | Elden Ring platinado e 170 horas depois: é tudo isso mesmo?

Os problemas conhecidos ainda persistem, mas Elden Ring vai além deles

Existem games em que você consegue dar sua opinião 10 horas depois de jogar, outros após 30 horas, e ainda outros com mais de 100 horas, como é o caso de Elden Ring. O novo título da FromSoftware é um daqueles em que é preciso se debruçar em diversos detalhes que são encontrados mediante muita, mas muita exploração e observação. Esse é o motivo de não termos publicado nosso veredito até agora.

Elden Ring já está disponível há pouco mais de um mês, e seu sucesso é inquestionável. A opinião que vocês verão aqui se baseia em mais de 170 horas de experiência com a "platina" conquistada na Steam, ou seja, todas as conquistas adquiridas. E mais: por um fissurado em souls-like que já platinou os três Dark Souls e Sekiro, e também já terminou Demon's Souls e brincou um pouco em Blood Borne em PlayStation de amigos, já que é um PC gamer.

Terras Intermédias, aí vou eu! 

A maior e mais notável feature do jogo é seu mundão gigantesco. Depois de sair do Cemitério à Deriva e chegar em Limgrave, primeira grande área das Terras Intermédias, a sensação de Zelda: Breath of the Wild é inevitável. Até a forma de sair do local inicial e chegar na vastidão da primeira área parece muito como se fosse uma homenagem ao jogo da Nintendo. Para mim, a similaridade entre os jogos para por aí. Inclusive, ambos me trazem à memória a icônica situação de Mufasa apresentando seu reino ao Simba, em O Rei Leão, com a diferença de que nada é nosso (mas pode vir a ser).

De todos os lugares que seus olhos conseguem ver na distância, pode ter certeza que você conseguirá chegar lá. Com exceção de alguns poucos pontos específicos, tudo é alcançável. Isso traz um forte chamado a exploração, é inevitável. Se já era prazeroso explorar os mundos menores dos outros jogos criados por Hidetaka Miyazaki e a FromSoftware, Elden Ring eleva isso de uma forma que a desenvolvedora nunca fez antes e poucos jogos conseguem ainda hoje.

Todo progresso entre as diferentes áreas acontece de forma muito orgânica. Tanto na transição cavalgando no Torrente de Limgrave à terra do desespero chamada Caelid, como passando pelo Castelo Tempesvéu e chegando à Liurnia. Isso também vale para os momentos em que você entra nas minas (cavernas), ou acha uma porta em um paredão que o leva para uma das inúmeras catacumbas, tudo é muito fluído.

As Terras Intermédias trazem uma sensação de grandiosidade em praticamente qualquer lugar. Você se sente pequeno e indefeso diante de toda a imensidão desse mundo. Fora a incerteza de ir naquele determinado canto, já que não dá para saber o que o aguarda. O jogo traz diversos chefes de campo, muitos deles na forma de dragões, além dos inimigos que são mais fortes do que aqueles que são comuns. Além disso, o período da noite traz surpresas nada agradáveis, mas sempre há recompensa.

O senso de aventura grandiosa explorando as Terras Intermédias é sem igual.

Ainda sobre grandiosidade, lugares como o Castelo Tempesvéu, a capital Leyndell e seus entornos, Academia de Raya Lucaria, Monte Gelmir, e a região subterrânea da Cidade Eterna Nokron, são lugares que exigem ser admirados, tamanha é a beleza de cada um deles. Além desses lugares, Caelid é um local que causa um certo impacto. Dependendo de como você chega lá, ou é desesperador (por estar despreparado), ou é impactante por ver a mudança brusca de paisagem e monstros.

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Elden Ring conta com muitas dungeons menores. São dezenas de catacumbas, cavernas, minas, fortes e ruínas que adicionam muito conteúdo por si só. Dá para perceber que o layout delas é uma mistura de diversos cantos de outras dessas dungeons, mas algumas se destacam por terem suas peculiaridades. Mesmo assim, não é algo que você irá abusar. A exploração desses lugares é altamente recomendado, pois as recompensas, muitas vezes, valem o esforço. Fora tudo isso, existem as Torres Pedrilhantes, que só são abertas, se seus quebra-cabeças forem resolvidos.

Os ambientes são muito variados. Desde campos verdes, terras desoladas, vegetações variadas, cavernas, região nevada e mais. Além disso, existem também as mudanças climáticas com chuva, neblina, neve, horários diferentes do dia e tudo isso adiciona muito nas diferentes atmosferas que o jogo traz. É muito difícil abusar um ambiente. Elden Ring traz um design de mundo que faz jus a tudo aquilo que a FromSoftware já criou, especialmente no primeiro Dark Souls, considerado uma obra-prima em level design. Vale ressaltar que tudo é muito bonito. Com certeza você irá parar para tirar fotos a todo momento.

A majestade dos semi-deuses e a reciclagem

Junto com o design de mundo, a FromSoftware acertou em cheio no design dos chefes principais. Elden Ring traz algumas das melhores lutas contra chefes de todos os seus jogos. General Radahn, por exemplo, é um espetáculo à parte. Malenia e sua melancolia o deixará furioso depois de ver do que ela é capaz. Maliketh e seu cenário o deixarão de boca aberta. Hourah Loux e seu estilo diferente causam um impacto. Enfim, todos com suas apresentações épicas embalados por trilhas sonoras também épicas.

Enquanto Miyazaki e sua equipe acertaram muito nessas lutas principais (como sempre), deixaram a desejar nos chefes secundários. São dezenas deles, chegando perto dos 100 mini chefes. Pelo fato do mundo do jogo ser muito grande, eles precisaram preenchê-lo. Repetir os inimigos normais, tudo bem, qual jogo não faz isso, não é mesmo? Porém repetir chefes... Aí a coisa muda de figura.

As apresentações dos chefes principais sempre são um show à parte

Os chefes encontrados nas dungeons mencionadas acima vão voltar uma hora ou outra. Okay, até aí tudo bem. O problema mesmo é que alguns deles retornam várias vezes, chegando a torná-los banais no fim das contas. Aquele mini chefe que deu tanto trabalho nas primeiras horas, acaba se tornando somente um inimigo mais forte lá na frente. O que mais me frustrou em relação a isso, foi a reutilização de um grande chefe, que inclusive garante conquista ao derrotá-lo. Esse foi muito aleatório e desnecessário para mim.

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Infelizmente a FromSoftware não aprendeu com Sekiro: Shadows Die Twice, adicionando um modo em que podemos enfrentar somente os chefes isolados. Isso é algo que agregaria mais ainda ao pós jogo. Pode ser que o jogo ainda ganhe um modo assim, já que o próprio Sekiro recebeu esse modo cerca de um ano depois.

Coop melhorado e mais simples

Um dos maiores anseios de jogadores de "soulsborne", era conseguir jogar todo o jogo em coop. Infelizmente isso nunca foi possível. Mas, em Elden Ring, dá para aproveitar muito mais, já que as áreas são gigantes. Em Dark Souls, por exemplo, só era possível chamar um amigo, caso o chefe daquela região ainda existisse. Isso não é mais necessário em Elden Ring, pelo menos não nos campos abertos. Dá para chamar um amigo e aproveitar bastante da região, com a limitação de fazer tudo a pé, já que não é possível chamar o Torrente em coop.

Evocar um aliado é mais simples agora. É necessário somente o item Remédio de Dedo Invocador Enrolado para revelar os sinais no chão. Esse item pode ser criado através de sistema de crafting, que é bem simples por sinal. Com duas Flores de Folha Caída é possível criar um item desse, e essas flores são encontradas facilmente pelo mapa.

Para ser invocado para outro mundo, também é algo simples. O Dedo Enrolado do Maculado é um item infinito que está disponível bem no início do jogo. Em relação ao coop, quero destacar dois itens que simplificam muito o auxílio para quem está sendo invadido, ou até mesmo uma invasão ao seu mundo. 

Solaire ficaria orgulhoso com o coop de Elden Ring

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O Anel de Cifra Branco é um item que chama o jogador mais próximo para auxiliá-lo quando você é invadido. Já o Anel de Cifra Azul responde solicitações de ajuda, o levando até o jogador invadido. O problema desse último é que, quando você é invocado, o jogo nunca o coloca onde quem precisa de ajuda está, cabe a você procurar nas redondezas. Esses itens podem ser adquiridos no hub do jogo. Tudo isso, nos Dark Souls pelo menos, era possível através de pactos específicos, que não existem mais em Elden Ring.

Afinal, tá mais difícil ou mais fácil que os outros jogos?

Existe um debate acerca da dificuldade de Elden Ring em relação aos outros jogos da FromSoftware. Em geral, o jogo é "menos difícil", sim. Porém parte dessa facilidade está em conseguir fugir de muitas situações difíceis ao montar no Torrente, mas isso só se aplica nos momentos em que é possível chamar a montaria, claro. Dentro de masmorras, qualquer que seja, isso não é possível.

Nesses momentos, cabe ao jogador usar sua habilidade em se virar naquelas situações em que ele é encurralado por diversos inimigos, por exemplo. Já as batalhas contra chefes trazem aquela dificuldade já conhecida por quem jogou os outros títulos. Mas, se você nunca experimentou um título da FromSoftware, se prepare para morrer muitas vezes contra os semi-deuses. Muitos dos mini chefes de diferentes dungeons derrotei na primeira tentativa. Porém isso é muito improvável contra os chefes principais.

Deixando o coop de lado, agora existem as evocações (summons). Elas são bem úteis e mudam muito as dinâmicas das lutas. Esse ponto pode ser um fator que vai tornar o jogo mais fácil, dependendo de suas escolhas. Tem summon que não faz diferença, já outros tiram até a graça, sendo bem sincero. Mesmo "nerfado" com patch, o mímico "upado" para +10 é muito apelão. Chefes secundários não são um problema para ele sozinho. Sim, o jogo ainda está desbalanceado em relação ao uso de algumas habilidades.

Outro fator que mostra que Elden Ring está mais fácil comparado com os outros jogos criados por Miyazaki, é o New Game + (NG+). Diferente dos jogos Souls e Sekiro (lembrando, não joguei muito Blood Borne), os status dos inimigos não mudam tanto assim. Eu terminei o primeiro jogo no nível 120 com 140 horas, explorando cada canto possível. No NG+, o Sentinela da Árvore, o cavaleiro montado já no início, foi tão fácil que me pegou de surpresa. 

Mesmo avançando mais, os chefes não ficavam tão mais fortes. A segunda run foi tão fácil, que até perdeu um pouco a graça. Só continuei mesmo pra conseguir o resto das conquistas que havia perdido. Falando nisso, "platinar" Elden Ring é consideravelmente mais fácil que os outros títulos da FromSoftware. É possível conseguir quase todas as conquistas em uma primeira run, com exceção dos diferentes finais. Portanto, não existe tanto desafio assim, basta explorar muito que não perderá as chances de conseguir as conquistas. Esse é um assunto que geraria outro artigo.

Dificuldade é algo relativo, mas Elden Ring é menos desafiador em geral para o veterano do gênero

O mundo aberto de Elden Ring permite o jogador avançar muito, sem necessariamente seguir a missão principal. Isso faz com que você fique tão forte que, ao voltar para onde deveria ir, seu nível já é bem acima do exigido. Isso é algo que facilita o jogo, com o preço de quebrar a cara avançando para onde não deveria ir e morrendo para inimigos que não deveria estar enfrentando. Portanto, se quer dificuldade, comece um novo jogo com outra classe ao fazer tudo o que é possível antes.

Uma obra prima sem nota máxima

Elden Ring é o aperfeiçoamento da fórmula criada pela FromSoftware lá atrás com Demon's Souls. Traz um mundo tão instigante e intrigante, que vai levar um tempinho para jogos de mundo aberto divertirem tanto assim de novo, principalmente aqueles "ubisoftizados". Mais uma vez, eu não me empolgava assim desde Zelda: Breath of the Wild. Assim como no título da Nintendo, Elden Ring o faz querer ir até os confins para ver o que tem lá, sempre terminando com recompensas.

Trilha sonora, design de mundo e design de chefes são todos excelentes. Os combates estão mais fluídos do que nunca. O hitbox nesse jogo é algo absurdo de tão preciso (dá só uma olhada nesse exemplo). As dezenas de weapon arts, magias e encantamentos, além das summons, elevam as estratégias de combate como nunca antes. Elden Ring é o título que mais oferece sets de armaduras diferentes, então o "fashion souls" aqui é o maior de todos. A variedade de armas também é muito grande. O power stance (uso de duas armas iguais elevando o dano com ataques únicos) de Dark Souls 2 está de volta, e isso traz ainda mais variedade aos combates.

Não tive nenhum problema ou bug grave durante minha experiência, e olha que joguei desde que Elden Ring foi lançado, antes dos patches. Nem o famoso bug de não conseguir montar no Torrente, seguido de morte, não aconteceu comigo. A lore é algo que tem me deixado bastante intrigado e sigo com a comunidade descobrindo todas as pontas soltas (VaatiVydia, estamos no aguardo, viu?). Mas nem tudo são mil maravilhas.

Apesar de ser um dos melhores jogos que joguei na vida, Elden Ring tem seus problemas e não é perfeito como estão pintando por aí. O problema de desempenho, com os stutters como já mostramos aqui, nunca foi corrigido. Por outro lado, não foi algo que tornou minha experiência impossível. A IA dos inimigos continua nada inteligente. Alguns deles são cegos e surdos mesmo com você ao lado. Às vezes, controlar o Torrente é um tormento (mas qual cavalo é fácil de controlar, né?), ele vai se jogar do precipício se não tomar cuidado.

A reciclagem de chefes é algo extremamente desnecessário, a não ser que a lore o justifique, o que não perece ser o caso. Isso tira a importância de muitos desses chefes secundários e alguns são até memoráveis. Ainda é possível apanhar através de paredes, principalmente por ataques de impacto e isso é um problema antigo e frustrante. O jogo está consideravelmente mais bonito que Sekiro, mas os NPCs ainda são uns robôs sem vida (pelo menos o voice acting é excelente) em pleno 2022.

Fora tudo isso, tem o fato de que o jogo ainda não teve seu desenvolvimento base terminado. Uma prova disso, é o penúltimo (e maior) patch. Ele trouxe mais NPC, continuação de quests de NPCs, que antes não progrediam, e trilha sonora para alguns ambientes. Vale lembrar um agravante para nós: os problemas na localização em PT-BR que foram corrigidos depois. Se isso não é um indicativo de que o jogo não estava pronto, não sei o que seria então.

Portanto, com tudo isso em mente, Elden Ring consegue a proeza de ser uma obra-prima que faz história na indústria de games, sem conseguir uma nota máxima. 10? Não, não vale, mas eu super/ultra/mega recomendo.

Elden Ring está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S|X  e PC via Steam.


RECOMENDA? SIM Elden Ring é o ápice da experiência acumulada por Hidetaka Miyazaki e a FromSoftware em 13 anos
PRÓS
Design de mundo incrível
Batalhas memoráveis contra chefes principais
Variedade de armas e magias
Trilha sonora épica
Exploração inteligente
Coop facilitado
É um jogo de Hidetaka Miyazaki
CONTRAS
Problemas de desempenho persistem
Burrice artificial de alguns inimigos
Reutilização de mini chefes
Conteúdo básico sendo adicionado
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  • Redator: Raphael Giannotti

    Raphael Giannotti

    Entusiasta de JRPG, viveu a era de ouro do gênero nos anos 90. Fã incondicional de Zelda e Final Fantasy, hoje garimpa as bibliotecas de PC em busca de jogos épicos como esses. Enquanto não acha, zera tudo (ou quase) o que vê pela frente. Hobby atual: jogar o máximo de souls-like e metroidvania. Jornalista formado pela UFMA, gamer desde 1991.

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