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ANÁLISE | The King of Fighters XV retorna aos melhores momentos da franquia, mas ignora inovações

Volta de personagens clássicos e mecânicas de jogo evoluídas em relação ao game anterior são alguns dos destaques da nova versão da franquia de luta

Eu não sei vocês, mas para mim basta falar em “The King of Fighters” que automaticamente a minha memória viaja para os anos 90, quando o título era um sucesso em fliperamas e em videolocadoras que tinham um Neo Geo à disposição.

De lá para cá foram muitos títulos e experimentações – e muitas das novidades fizeram com que o game se perdesse em sua essência. As coisas começaram a entrar nos eixos em The King of Fighters XIV, lançado em 2016, e este novo The King of Fighters XV chega para consolidar o fato de que investir no saudosismo e naquilo que funcionou (e ainda funciona) na franquia parece ser mesmo o melhor caminho.

Um novo jogador entra no ringue

Comecemos pelo modo história. Os eventos de The King of Fighters XV seguem a linha do tempo do que ocorreu no jogo anterior. Trama à parte – ela é bem simples e boba e dispensa muitas explicações – o torneio para definir quem será o novo “rei dos lutadores” recomeça e passa mais rápido do que aquecer uma lasanha no micro-ondas.

Seu trio enfrentará três outras equipes durante as eliminatória, depois quartas-de-final, semifinais e finais. Após isso, vem a surpresa com o subchefe e o chefão do game – que vamos optar por não revelar aqui quem são para não estragar sua surpresa. O fato é que apenas 8 lutas depois e o modo História está concluído. Diverte, mas é curto demais – o que não é uma exclusividade dessa versão.

Poucas inovações: nível gráfico não vai além do esperado

Em termos gráficos podemos considerar The King of Fighters XV como uma versão “plus” do jogo anterior. Há um certo refinamento em termos de iluminação e sombras, mas artisticamente os jogos são muito semelhantes entre si, o que faz com que o jogador tenha uma sensação de estar jogando algo “datado”.

The King of Fighters XV refina o que havia de bom no game anterior, mas há pouca inovação gráfica.

As atenções dos desenvolvedores recaíram sobre as animações nas lutas – o que é positivo. Os elementos estão mais visíveis e menos “explosivos”, por assim dizer. Em outras palavras, vemos mais ação em primeiro plano em vez de apenas frames de explosões ou algo do gênero para encobrir a ausência de animações.

Familiaridade é a palavra-chave para definir o game graficamente. Você terá a nítida sensação que está diante de um velho companheiro de longa data. É positivo para quem gosta do apelo à nostalgia, mas frustrante para quem esperava algum tipo de inovação.

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Modos online são o foco, mas avaliação agora é prematura

Houve muitos problemas em The King of Fighters XIV relacionados ao modo online, especialmente no console da Sony. Isso ocorreu devido ao fato que os servidores retornavam os comandos com um lag alto, o que tornava a experiência frustrante especialmente para os jogadores mais familiarizados com os comandos. Felizmente, não vimos nada disso nessa versão.

As partidas online são o foco principal do jogo e os lags em conexão foram resolvidos.

Testamos o game no PlayStation 5 – com uma cópia disponibilizada para a imprensa desde o dia 11 de fevereiro – e esse problema em específico não apareceu com frequência, porém aqui vale uma ressalva: durante esse período de testes, devido ao número limitado de jogadores testando o jogo, frequentemente tivemos que buscar adversários em outras regiões – com conexões díspares, muitas vezes. Problemas como esses praticamente sumiram após o lançamento oficial do game, quando a base de players aumentou.

Infelizmente, jogamos menos do que gostaríamos as partidas online. Na semana anterior ao lançamento a espera era de até 30 minutos para encontrar um adversário. No final de semana de lançamento esse cenário ficou muito mais animador, mas a situação só deve chegar a um nível ideal à medida que mais jogadores adquirirem o título (assim, talvez esperar mais uns 30 dias para adquirir o jogo não seja uma má ideia).

Vale lembrar que não há crossplay, apenas crossgen entre PS4 e PS5.

Os clássicos estão de volta

No total há 39 lutadores disponíveis em KoF XV, e mais lutadores serão adicionados via DLC ao longo do tempo. O número é menor do que em KoF XIV, quando tínhamos 50, mas ícones da franquia, como Andy Bogard, Terry Bogard, Joe Higashi, Robert Garcia, Ryo Sakazaki e Mai Shiranui estão presentes para as batalhas 3v3. Veja a lista completa:

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  • Team Hero: Shun’Ei, Meitenkun e Benimaru;
  • Team Rival: Isla, Dolores e Heidern;
  • Team Sacred Treasures: Kyo, Iori e Chizuru;
  • Team Fatal Fury: Terry, Andy e Joe Higashi;
  • Team Art of Fighting: Ryo, Robert e King;
  • Team Orochi: Yashiro, Shermie e Chris;
  • Team Super Heroine: Athena, Mai Shiranui e Yuri;
  • Team Ikari: Leona, Ralf e Clark;
  • Team G.A.W.: Antonov, Ramon e King of Dinosaurs;
  • Team Secret Agent: Blue Mary, Vanessa e Luong;
  • Team K’: K’, Maxima e Whip;
  • Team Ash: Ash Crimson, Elizabeth e Kukri;
  • Team Krohnen: Krohnen, Kula Diamond e Angél.

A mecânica MAX, que aumenta o poder de golpes comuns e quebra a guarda dos oponentes, também está de volta, agora com a adição do “MAX rápido”, que pode ser ativado com um comando de ataque. Esse recurso amplia o leque de possibilidades de ataque, inclusive para jogadores menos experientes: com comandos “simples” eles podem emendar combos e causar mais dano.

Outra mecânica reincorporada à franquia é o Rush, recurso que permite fazer combos básicos somente pressionando repetidas vezes o botão de soco fraco, finalizando com um golpe especial. Além disso, há ainda o Shatter Strike para combater os ataques inimigos. Todas essas adições, além de tornarem o game mais inclusivo e acessível, também são validações de elementos de jogos anteriores que já contavam com a simpatia dos jogadores.

E mais: mate a saudade da história da franquia com mais de 300 músicas que passaram pela série ao longo dos anos. Há um modo no qual é possível configurar quais delas você quer ouvir durante as lutas, um verdadeiro passeio pela evolução de KoF.

Vale a pena?

Jogar The King of Fighters XV traz aquela sensação agradável de rever um velho amigo depois de uma longa data. A essência do game foi mantida e a inclusão de novas mecânicas torna o título mais acessível para novos jogadores – não tanto como outras soluções poderiam proporcionar, mas há avanços aqui. O modo História poderia ser melhor, mas esse nunca foi um ponto de destaque na franquia – não foi dessa vez.

Para fãs da série, The King of Fighters XV é indispensável e tem futuro promissor.

Porém, em termos de gameplay o resultado é um dos jogos mais divertidos da série – o que é um elogio e tanto. A trilha sonora é outro ponto alto e que certamente vai despertar as suas melhores memórias.

Para fãs da série, The King of Fighters XV é indispensável e tem futuro promissor. Para os novatos, essa é uma oportunidade de entender por quais motivos a franquia da SNK tem destaque há tanto tempo.

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The King of Fighters XV está disponível para PC, PS4, PS5, Xbox Series S e Xbox Series X. O game foi gentilmente cedido pela Koch Media e análise foi realizada na versão de PlayStation 5.


PRÓS
Mecânicas de combate bem elaboradas
Ótima ambientação e fidelidade a conceitos do Kung-Fu
Combinação de mecânicas novas e antigas funciona bem
CONTRAS
Posicionamento de câmera
Visual apenas aprimorado, sem muitas inovações
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  • Redator: Wikerson Landim

    Wikerson Landim

    Jornalista desde 2003 e atual Editor dos sites Adrenaline e Mundo Conectado. Em quase duas décadas, foi editor de diversos sites de tecnologia, games e entretenimento, além de produtor de conteúdo para sites corporativos. Nas horas vagas, assume o volante para dirigir caminhões no Euro Truck e em todos os jogos de corrida que surgirem pela frente.

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