ANÁLISE: Ducky Channel One 2 SF - Pequeno em tamanho, gigante em recursos

Um dos mais completos e melhores teclados 65% do mercado

A Ducky (oficialmente "Ducky Channel") é uma marca que dispensa apresentações para quem acompanha o ramo, pois sempre foi tida como referência e tem uma importância histórica no mercado de teclados mecânicos.

Embora muitos não saibam disso, a Ducky foi literalmente a marca que inventou a maioria dos efeitos de iluminação que vemos em teclados modernos.

Enquanto teclados, como o primeiro Razer Blackwidow em 2012~2013, tinham apenas o efeito "respiração", a maioria dos modelos "gamer" não tinham iluminação e teclados mecânicos RGB nem existiam. A Ducky foi a responsável por criar a maioria dos efeitos "básicos" que vemos hoje com o seu Ducky Shine 3 - desde os modos "reativo", "ripple", "cobrinha" e muitos outros que hoje quase qualquer teclado mecânico iluminado possui.

Há um tempo atrás, fizemos uma review do Ducky One 2 Mini V1. Embora pareça diferente e tenha mais teclas, o Ducky One 2 SF é quase idêntico em suas configurações, seja macros, configuração de camadas de iluminação, funções FN pré-definidas, DIP switches... A carcaça e cabo também são quase idênticos, mudando apenas o fato do Ducky One 2 SF ter uma capa inferior fosca, contra a carcaça branco glossy do Ducky One 2 Mini V2.

O Ducky One 2 SF é quase idêntico ao Ducky One 2 Mini V2. A principal diferença é a presença das setas, Delete e Page Up/Page Down

Ou seja, entre o Ducky One 2 Mini V2 e o Ducky One 2 SF, não há diferença de qualidade e recursos. A maior diferença está na questão de preferência do usuário.

Construção Externa

A principal característica do Ducky One 2 SF é o fato dele ser um teclado do tipo 65%. Ou seja, ele tem as teclas principais, setas e algumas teclas de navegação (Page Up, Page Down, Delete).

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Peço que não procurem "lógica" por trás destes termos "60%" e "65%", pois estes são apenas nomes criados para conveniência. Não há nenhuma matemática exata por trás deles - há teclados 60% com setas, há teclados 65% como o Ducky Miya Pro que possuem mais teclas, etc... Há muita confusão e discussão sobre os termos corretos, mas não se preocupem com isso.

O motivo para existirem teclados "65%" é bastante simples: algumas pessoas utilizam bastante as teclas de navegação (setas) e Delete para funções do Windows, especialmente para gerenciar arquivos no Explorer, além destas também serem necessárias para alguns jogos e aplicativos. A ideia é ter quase a mesma largura de um teclado 60%, mas com maior facilidade de adaptação para quem está vindo de um TKL ou Full-Size.

Basicamente:

  • O teclado não tem F1, F2, F3... e termina onde o Enter direito termina: 60% (mesmo se tiver ou não setas)
  • O teclado não tem F1, F2, F3... e é alongado um pouco para direita para caber só algumas das teclas de navegação: 65%

Claro, há outros tamanhos de teclados além destes, mas não quero gerar confusão, então vou apenas explicar a diferença de 60% e 65%.

Por isso, os teclados nesta imagem são, de cima para baixo, 65% (Ducky Miya Pro), 65% (Ducky One 2 SF), e 60% (Blitzwolf BW-KB1), mesmo alguns tendo largura e quantias de teclas diferentes.

A carcaça do Ducky One 2 SF é basicamente a mesma que o restante da família Ducky One 2, fora o fato que o plástico neste modelo agora é fosco em vez de glossy, como é em todos os outros modelos desta família de teclados. Uma capa de plástico escura no topo, e uma capa traseira branca.

A qualidade da carcaça do Ducky One 2 SF é razoável, com um plástico ABS e não chega a ser um teclado reforçado como o Ducky Mecha Mini. Mas também não vejo problemas, nada que afete muito, como é o caso do Blitzwolf BW-KB1,  cuja construção é tão leve e instável ao ponto de afetar a resposta das teclas.

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Atrás do teclado, temos quatro pés de borracha, bastante finos mas ainda assim "grossos", e também um ajuste de altura com duas opções, ambas emborrachas. Simples, mas bem feito.

Chegando às keycaps, a Ducky utiliza uma fonte bastante simples, com ótima legibilidade e todos os caracteres são posicionados acima, para que fiquem bem iluminados (caracteres na parte inferior ficam mal iluminados em teclados mecânicos, pois o LED normalmente é posicionado na parte de cima).

As keycaps são PBT Double-Shot e são de alta qualidade. Não tenho certeza se são as melhores entre keycaps para teclados iluminados, mas certamente a qualidade do plástico é superior às keycaps PBT Double-Shot que a Razer e Cooler Master vendem separadamente em kits, além de serem muito melhores do que keycaps ABS Double-Shot encontradas em teclados mais baratos.

Quanto ao conector do teclado, este é um tipo USB-C, o mesmo cabo do teclado podendo ser usado para conectar a celulares, recarregar celulares e transferir dados sem nenhum problema. O Ducky One 2 SF não possui stress relief (sistemas para evitar que o conector quebre caso o usuário acidentalmente puxe o cabo).

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Um exemplo de stress-relief é o que o Razer Huntsman TKL possui: um conector USB-C que encaixa em "guias" na lateral. Isso dificulta um pouco a remoção do cabo e também torna mais difícil achar um cabo que sirva nele (o que pode atrapalhar muito quem quer cabos custom), mas se por acaso o usuário puxar o cabo por acidente, ele pode acabar quebrando e tendo que ser substituído. Mas o importante é que o conector USB-C não vai quebrar.

Créditos da imagem para Windows Central: Razer Huntsman Tournament Edition review

O cabo do Ducky One 2 SF é fácil de trocar e o teclado é compatível com todos os cabos USB-C que testei, mas ainda assim é bom tomar cuidado para não bater nele e nem puxar o cabo acidentalmente - basicamente todos os mesmos cuidados que devemos ter quando colocamos um celular para carregar.

Quanto aos extras do teclado, há apenas algumas keycaps coloridas adicionais (que possuem cores sortidas em cada teclado, pode vir azul, amarelo, vermelho...) e uma barra de espaço referente ao ano do zodíaco chinês, que vai de Março de um ano até Março do próximo ano. Por isto, este teclado acompanha uma barra de espaço adicional referente ao Ano do Boi (Março de 2021 até Março de 2022). Também há um removedor de keycaps em metal bastante prático e fácil de usar.

É curioso ver que o conjunto acompanha teclas que este teclado nem possui (ex: Enter do numérico), mas isso é normal, a Ducky sempre usa o mesmo kit de acessórios em todos os teclados.

Construção Interna

Abrir o Ducky One 2 SF não é fácil como o seu irmão Ducky One 2 Mini. Ao invés de apenas remover alguns parafusos, precisamos remover toda a capa superior usando um cartão de crédito ou outro pedaço fino de plástico para destravar as travas de plástico que ele possui. É muito fácil quebrar estas travas se não abrir com cuidado, mas se você quebrar apenas uma ou duas, o teclado ainda vai fechar normalmente. E ele normalmente só é difícil para abrir a primeira vez.

Abrindo o Ducky One 2 SF, nos deparamos com uma PCB extremamente parecida com a do Ducky One 2 Mini V1, o que não é nenhuma surpresa. A mesma MCU Nuvoton NUC123SD, baseada no processador Cortex M0, capaz de alcançar até 72 MHz, com 68 KB de ROM e 20 KB de SRAM, e três controladoras de LEDs MB15043GP também estão presentes.

Pode parecer besteira, mas é justamente por não economizar nestas peças, como fazem teclados mais baratos (que na maioria dos casos, possuem uma MCU para tudo), que a Ducky consegue ter efeitos de iluminação mais "bonitos" do que muitos concorrentes mais baratos. Essa é uma das razões para ter tanta memória interna (5 perfis editáveis, com FN Layer editável) e também é uma das razões pelo alto preço destes teclados.

As soldas são extremamente bem feitas, a PCB é bem organizada, e o controle de qualidade da Ducky é bastante rigoroso, por isto é extremamente raro ver defeitos de fabricação nestes teclados.

Normalmente em reviews eu não falo sobre switches e sensação tátil, já que vários teclados são disponíveis em múltiplos switches diferentes, e a sensação tátil de um HyperX Alloy FPS com Cherry MX Red e um Corsair K70 RGB com Cherry MX Red não é muito diferente. Claro, fatores como estabilizadores, backplate, carcaça e keycaps podem influenciar, mas depende o caso.

O próprio Ducky One 2 SF é vendido em uma grande variedade de switches, e a análise precisa ser válida para todos:

  • Cherry MX Red - Linear leve
  • Cherry MX Silent Red - Linear leve com sistema de redução de ruído
  • Cherry MX Brown - Tátil leve
  • Cherry MX Blue (indisponível no Brasil) - Clicky leve
  • Kailh Box Brown (indisponível no Brasil) - Tátil leve
  • Kailh Box Red (indisponível no Brasil) - Linear leve
  • Kailh Box White - Clicky leve com menor tatilidade
  • Kailh Box Jade - Clicky com maior tatilidade

Entre todos estes, há apenas um switch realmente "raro" de ver em teclados mecânicos, pelo menos fora de teclados custom (montados pelo próprio usuário), que é o switch Kailh Box Jade, o qual é justamente o switch que temos neste teclado. E é por ele ser um switch raro, que vamos falar sobre ele.

Primeiro de tudo, os switches Kailh Box não são switches baratos. A Ducky não está realmente "economizando" com eles. Estes são switches de alta qualidade com um design interno selado, no qual o sistema de ativação está em um compartimento interno separado da mola. O sistema de clique é uma clickbar em vez de um click jacket, como é na Cherry MX Blue/clones, e o encaixe do switch tem uma forma de "caixa" para evitar que líquidos entrem.

Os contatos dos switches, responsáveis pelo acionamento deles, ficam dentro da caixa branca com essa peça verde que podem ver na imagem acima. A peça verde é uma alavanca de plástico, que empurra dois contatos, fechando circuito e fazendo com que seu computador note que a tecla foi pressionada. Por este sistema ser selado dentro de uma caixa no interior do switch, eles são chamados de "Box" (e não apenas por causa do encaixe da keycap, que também parece uma caixa).

O resultado é que todos os switches Kailh Box possuem certificado IP56 Waterproof, o que significa que se cair água ou refrigerante, eles não vão deixar de funcionar. Mas é importante mencionar que o restante do teclado (PCB, estabilizadores, LEDs) não possui proteção do tipo, portanto o Ducky One 2 SF não é de forma alguma um teclado "resistente a líquidos". A única forma de fazer isso seria juntar estes switches em conjunto com uma backplate especial, similar ao que o Corsair K68 possui.

O Kailh Box Jade, junto com seu irmão Kailh Box Navy (que é o mesmo switch, porém com uma mola com maior resistência), são considerados alguns dos melhores switches do tipo "Clicky" do mercado, e testando aqui consigo entender o motivo. O switch requer um pouco de força para acionar, mas depois de acionado, a força diminui, ou seja, ele é resistente para acionar, mas depois disso, se torna leve, quase tanto quanto um Red ou Brown.

É um switch perfeito para quem quer ter certeza de quando apertou a tecla e ter segurança para não pressionar as teclas erradas, mas sem chegar ao ponto absurdo das teclas serem "pesadas demais" ou dos dedos do usuário cansarem enquanto segura alguma tecla. Resistente antes de pressionar, leve depois de pressionada. Vocês podem ver no comparativo que ele é pouca coisa mais resistente do que Red/Brown/White (notem os números depois de 2mm, que é depois do clique), e bem menos do que Black:

Para digitação, é um switch simplesmente fantástico, especialmente para quem precisa digitar valores em planilhas do Excel e não quer colocar os números errados (meu caso), ou então simplesmente quer ter certeza e sentir muito bem as teclas que pressionou, o que é bom para jogos também.

Novamente, não entendam mal. Este não é um switch "pesado" (inclusive este termo é horrível, pois só tem conotação negativa). Ele só tem resistência de início, após isto ele se torna leve. Ele não é como a Cherry MX Green que eu já tive e que me dá pesadelos até hoje - ele requer um pouco de adaptação nos primeiros dias, mas após isto não há problema algum.

E se você tem medo que a resistência dele seja "demais", é só escolher o Kailh Box White, que é a mesma coisa porém com sistema de feedback tátil e molas mais leves. Qualquer um dos dois é sinceramente muito melhor do que switches Blue normais.

Recursos

É curioso, mas embora não pareça, teclados como o Ducky One 2 Mini e Ducky One 2 SF são alguns dos teclados com maior quantia de recursos no mercado. O manual de 20 páginas (apenas para a parte em inglês) é uma boa prova disso. Não vamos adentrar cada um de seus recursos, mas vamos mostrar os seus principais, começando por um de seus recursos mais simples e inovativos da Ducky: a paleta de cores.

Para escolher uma cor para todo o teclado no Ducky One 2 SF, você não precisa instalar um software, ou então apertar alguma combinação de botões diversas vezes até chegar na cor certa. Para escolher uma cor, basta apertar FN + ALT + Espaço, o que abre este "menu" chamado "paleta de cores".

Agora, basta apenas apertar a cor que você quer que o teclado fique. A intensidade do brilho varia de acordo com a posição das teclas (ex: CTRL é um vermelho fraco, ESC é o vermelho mais forte). E para deixar o teclado "quase desligado", basta apenas selecionar a tecla Delete, que deixa ele em um branco com o menor brilho possível.

Simples, fácil e extremamente prático, é algo que eu gostaria que todo teclado tivesse, mas infelizmente a Ducky tem patente em cima do recurso, por isso só ela possui.

O sistema de escolha de cores via paleta da Ducky é fantástico

Prosseguindo, o sistema de macros do Ducky One 2 SF permite que você modifique o FN Layer (a função das teclas depois de segurar FN), algo que infelizmente nem todo teclado permite. Você pode alterar as funções escritas embaixo da maioria das teclas - se FN + O ser "Pause" não é algo útil para você, você pode colocar outra tecla mais interessante (ex: alguma tecla multimídia, print screen, etc...) ou uma sequência de letras ou texto.

Isso que permite que você crie suas próprias combinações, conforme as suas necessidades. Teclados 60% e 65% já tem poucas teclas, mas se você puder configurar para que FN + Setas troquem o volume, FN + TAB faça um Print Screen, FN + Enter abra a calculadora e outras combinações que você pode querer, o problema da falta de teclas deixa de ser tão grande.

Teclados 60/65% já possuem poucas teclas, e se você não puder configurar o que as teclas FN fazem, eles se tornam muito limitados. O Ducky One 2 SF permite esta configuração

Infelizmente um dos principais fatores que separam os "melhores" teclados 60% e 65% dos teclados baratos desta categoria é justamente a capacidade de editar o FN Layer. E depois que você aprende fazer isso e se acostuma com atalhos customizados ao invés de ter que depender das combinações estabelecidas pela fabricante, teclados 60/65% sem este recurso se tornam insuportáveis.

A configuração de macros é simples de entender se você entender a lógica de programação que há por trás quando você grava uma macro. Basicamente, ao gravar a macro, você vai fazer as seguintes etapas:

  1. Abrir o sistema de macros
  2. Selecionar a tecla que você quer gravar a macro
  3. Escolher uma função de acordo com a lista do manual, ou então escrever o texto que você quer colocar nesta macro
  4. Finalizar a gravação
  5. Fechar o sistema de macros

A etapa 3 pode parecer confusa, mas tudo o que você vai fazer nela é gravar a macro que você quer, seja trocar uma tecla por outra ou fazendo com que uma tecla faça diversas funções. Parece complicado, mas não é.

Antes de começar, precisamos selecionar um perfil editável. O Ducky One 2 SF possui 6 perfis em sua memória interna, dos quais apenas 5 são editáveis. Você pode selecionar eles apertando FN + ALT + 1, 2, 3, 4, 5 ou 6. O perfil padrão (FN + ALT + 1) não é editável, por isso você deve trocar para o Perfil 2 ou qualquer outro menos o primeiro.

Vamos então fazer uma macro onde eu troco a tecla "Page Up" pela tecla multimídia "Aumentar Volume":

  1. FN + ALT + TAB por 3 segundos (abrindo o sistema de macros)
  2. Pressione Page Up (assim selecionando a tecla que terá a macro)
  3. Pressione FN + Windows + B (esse comando e muitos outros estão escritos no manual) para configurar a tecla como "Aumentar Volume"
  4. Pressione FN + ALT (finalizando a gravação)
  5. Pressione FN + ALT + TAB (fechando o sistema de macros)

Ou então uma macro onde ao apertar "FN + Delete", o teclado escreve "Hello World":

  1. FN + ALT + TAB por 3 segundos (abrindo o sistema de macros
  2. Pressione FN + Delete (assim selecionando a tecla que terá a macro)
  3. Digite normalmente "Hello World"
  4. Pressione FN + ALT (finalizando a gravação)
  5. Pressione FN + ALT + TAB (fechando o sistema de macros)

Parece complicado e já sei que muitas pessoas vão estar falando "um software seria muito melhor", mas calma, não é tão complicado quanto parece, e depois que você entender a lógica que há por trás do sistema de macros, verá que ele é bastante simples e prático de usar.

Também, ao abrir o sistema de macros, o teclado sempre mostrará em branco as teclas que estão com macros gravadas, o que ajuda para gerenciar e também deletar macros que você pode não querer mais.

Para deletar uma macro, basta apenas:

  1. FN + ALT + TAB por 3 segundos (abrindo o sistema de macros
  2. Pressione a tecla branca com a macro que você quer apagar
  3. Não faça nada, você vai apenas finalizar a gravação e a tecla vai "resetar" à função padrão
  4. Pressione FN + ALT (finalizando a gravação, dessa forma você vai resetar)
  5. Pressione FN + ALT + TAB (fechando o sistema de macros)

No meu Ducky One 2 SF, estas são as macros que tenho configuradas:

  • ESC foi trocado pelo Til, e o Til pelo ESC
  • FN + Setas para Cima e Baixo ajustam o volume
  • FN + Setas para Esquerda e Direita avançam/voltam as músicas
  • FN + Espaço é Play/Pause

São macros extremamente simples, mas que infelizmente nem todo teclado 60/65% permite que o FN Layer sejam configuradas - mas que eu posso fazer no Ducky One 2 SF.

Aliás, softwares nem sempre são a solução, pois existem outros sistemas operacionais além do Windows. Há usuários que podem querer usar os teclados em Linux, Mac, Android ou até mesmo em consoles (ex: PS4/PS5/Xbox One/Xbox Series X/S) nos quais não terão acesso a um software, e terão que retirar o teclado e procurar um computador Windows para modificar as configurações.

Tudo isso para algo que em um teclado Ducky poderia ser feito em poucos segundos sem desconectar o teclado.

É isso que torna os teclados Ducky diferentes (e para algumas pessoas, é o que torna eles "melhores") de outros teclados 60% que estão no mercado: tudo pode ser programado pelo próprio teclado, sem instalar nada.

Outra função que este teclado possui são as camadas de iluminação. Basicamente, além dos efeitos normais do teclado, você pode definir as teclas, cores e efeito (estático ou respiração) para duas camadas de iluminação - uma acessível apertando FN + ALT + B e outra via FN + ALT  + G.

O vídeo abaixo demonstra exemplos de efeitos e como gravar cada uma das camadas do Ducky One 2 Mini. Este mesmo tutorial é válido para o Ducky One 2 SF.

E o teclado ainda possui alguns outros recursos, embora a análise já esteja comprida demais, então não vamos nos aprofundar neles:

  • Ajuste de debounce (atraso de ativação das teclas, afim de evitar double-click)
  • Desligar/ligar a tecla Windows
  • Função "simular mouse" ao apertar FN + WASD para mover o cursor e FN + Q e FN + E para apertar os botões esquerdo/direito do mouse
  • Funções de mini-games no próprio teclado
  • Troca entre 6KRO e NKRO para maior compatibilidade com BIOS e sistemas operacionais sem suporte a NKRO
  • Trocar a função/posição das teclas ESC, Caps Lock, Ctrl Esquerdo, Windows, ALT Esquerdo, ALT Direito e FN, permitindo que você possa, por exemplo, colocar o Caps Lock como "FN".

Conclusão

Não há como negar que o Ducky One 2 SF, assim como seu irmão Ducky One 2 Mini V2, é um excelente teclado compacto. Switches de altíssima qualidade, seja os Cherry MX ou Kailh Box, construção interna impecável, estabilizadores bem feitos, keycaps de alta qualidade, LEDs 3528 RGB com alto nível de brilho e fáceis de consertar, excelentes efeitos de iluminação, o melhor sistema de macros via hardware que já vi, um sistema de camadas de iluminação via hardware e uma quantia absurda de configurações adicionais.

São poucas coisas que poderiam tornar este teclado melhor. Uma delas seria uma carcaça melhor (o que é o caso do Ducky Mecha SF, que tem uma carcaça de alumínio) e outra seria, além de ter a mesma configuração via hardware, também ter configuração via software e compatibilidade com o Aurora, assim como seus irmãos Ducky One 2 TKL e Ducky Shine 7 possuem atualmente.

Há muitos teclados 60% e 65% no mercado, mas são poucos os que conseguem ter metade do que este teclado tem e fazer tão bem quanto ele faz, especialmente a questão de configuração via hardware, o que é extremamente importante especialmente para pessoas que usam outros sistemas operacionais além do Windows ou não querem ter mais um software rodando em segundo plano o tempo todo apenas para escolher as cores do teclado.

Existem outros concorrentes para o Ducky One 2 SF no Brasil? Claro que há. Alguns dos concorrentes deste teclado são o HyperX Alloy Origin 60 (que tem uma das melhores iluminações graças a LEDs 5mm instalados nos próprios switches), Razer Huntsman Mini (que tem o melhor software, mas de longe a pior iluminação pois seu switch atrapalha a passagem de luz) e o Husky Blizzard.

Destes, o mais popular atualmente é o Husky Blizzard, por estar custando na faixa dos R$ 350-400 e oferecer ABNT2 (é o primeiro 60% ABNT2), switches mecânicos Gateron removíveis e software.

O teclado da Husky chega no mesmo nível? Não, mas faz muito bem para seu preço. As keycaps são muito inferiores, há menos opções de switches e mesmo havendo software, não há como editar o FN Layer, então você acaba tendo que tirar a função principal de alguma das poucas teclas que o teclado tem para colocar uma macro... Mas o preço e ABNT2 são atrativos.

A Ducky nunca foi uma marca "Custo x Benefício", ela sempre foi uma marca "high-end" e isso se traduz tanto na qualidade dos teclados, recursos e oferta dos switches, sendo uma das poucas empresas no mercado oferecendo teclados 60% e 65% com opções de switches Cherry MX e Kailh Box, que são switches caros. E este é um dos motivos pelo alto preço.

Atualmente, o Ducky One 2 SF está à venda no Brasil com valores de R$ 756,88 até R$ 805,88 (dependendo o switch) na loja PlayerID, em versões branca e escura.


PRÓS
Iluminação extremamente forte (mais do que a maioria dos teclados 60%) e possui uma grande gama de efeitos e configurações de iluminação
Disponível em uma grande variedade de switches
Excelente construção interna
Keycaps PBT Double-Shot de altíssima qualidade
O melhor sistema de configuração de macros via hardware que já vi
Switches de alta qualidade Cherry MX ou Kailh Box
Permite edição do FN Layer
CONTRAS
Mesmo havendo macros via hardware, a ausência de software pode afastar alguns usuários
Preço
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 200 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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