ANÁLISE: Cougar Puri - Um teclado simples e bem feito

Uma boa escolha para quem quer um teclado gamer ABNT2

O Cougar Puri foi lançado em 2017 e, embora esteja se tornando cada vez mais raro no mercado, ele é um teclado single-color, ou seja, tem LEDs que só emitem uma cor: branco.

"Um teclado agora em 2021 que só tem uma cor, enquanto tem tanto teclado RGB no mercado!?"

Calma, há um bom motivo para ele ainda estar em atividade. Além de reduzir o custo de produção de um teclado, há outra vantagem que teclados single-color brancos costumam ter sobre teclados RGB:

Teclados RGB não conseguem fazer a cor branca corretamente.

"Como assim, eu consigo colocar a cor branca no meu teclado!"

O que acontece é que quando você seleciona a cor branca em um teclado RGB, os espectros de cores que existem dentro de um LED RGB são ligados com a mesma intensidade (ex: 255-255-255).

Dentro de um LED RGB, há 3 pequenos emissores de luz: um Vermelho (Red), um Verde (Green) e outro Azul (Blue), por isso "RGB". A mistura dessas cores em igual intensidade, resulta em um "branco".

Até aí tudo bem, mas há alguns problemas: esta mistura não costuma ser uniforme e também o design do switch, ângulo de visão e a difusão do LED podem afetar a cor "branca".

E o que isso significa? Que o branco costuma puxar para uma cor, seja para o verde, vermelho, azul ou às vezes até dois deles.

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difusão e ângulo de visão também podem fazer com que você veja múltiplas cores ao mover sua cabeça ou olhos, o que pode causar vertigem e não é agradável para o usuário.

Claro, o resultado da cor branca em teclados RGB nem sempre é igual. Alguns teclados são mais competentes do que outros para reproduzirem a cor branca, especialmente quando são usados sistemas para direcionar e misturar as cores, tal como o que há nos switches ópticos da Razer ou no Logitech Romer-G.

Esta peça transparente não é um LED. O LED, na verdade, é instalado embaixo desta peça e a única função dela é direcionar a iluminação para deixar ela mais forte e focada, que também resulta em uma melhor cor branca, embora ainda assim não seja tão fiel quanto um LED branco.

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Fatores como o tipo de LED utilizado, o design do switch e também a presença, ou não, de difusores de luz afetam muito a cor branca de um teclado RGB. Por isso o Razer Huntsman V2 Analog tem um branco decente, embora puxe um pouco para o vermelho, o Sharkoon Purewriter RGB tem um branco horrível que chega a dar vertigem ao mover a cabeça e o Fallen Gear ACE RGB acaba fazendo um roxo claro em vez de realmente ter a cor branca... E eu poderia dar muitos outros exemplos...


De cima para baixo, esd p/ dir: Razer Huntsman V2 Analog, Sharkoon Purewriter, Fallen Gear ACE e Cougar Puri

Até por isso que existem fitas de LED chamadas "WRGB", nas quais, além do RGB, há um emissor de luz exclusivamente para a cor branca. Teclados não usam isso porquê adicionaria mais complexidade ao circuito e tornaria o custo maior para resolver um problema que poucas pessoas notam.

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A cor branca é sem sombra de dúvidas a pior cor para teclados RGB reproduzirem, por isso que alguns teclados RGB não possuem a cor branca entre as cores selecionáveis ou então você precisa selecionar ela manualmente escolhendo algo como "255-255-255" no software do teclado.

Teclados RGB não costumam fazer a cor branca corretamente, e por isso muitos teclados sem RGB costumam ter a cor branca

E é por isso que muitas empresas oferecem (ou ofereciam) teclados em duas opções: RGB ou Branco. Exemplos de empresas assim são a Cougar, Logitech, Gamdias, Cooler Master, Corsair, Ducky... Embora algumas destas empresas (infelizmente) já tenham deixado de vender teclados com LEDs brancos.


A Logitech oferecia o Logitech G610 na cor branca e o Logitech G810 em RGB

Agora que vocês finalmente entendem os motivos pelos quais o Cougar Puri possui "apenas a cor branca" (pelo menor custo e por teclados RGB não conseguirem fazer a cor branca corretamente), podemos começar a análise.

Construção Externa

O Cougar Puri é claramente inspirado nos teclados da Ducky, mais especificamente no Ducky One 2 Full-Size Single-Color, tendo teclas multimídia no topo do numérico, embora em uma ordem diferente.

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No Cougar Puri temos, em ordem: abrir media player, diminuir volume, aumentar volume e mudo. Há outras teclas multimídia acessíveis via FN pressionando do F5 ao F12, incluindo Play/Pause, avançar/voltar música e algumas teclas de navegação.

Assim como qualquer teclado mecânico usando switches Cherry ou baseados no design Cherry, a parte inferior da tecla fica menos iluminada do que o topo, pois é no topo que está o LED. Até por isso alguns teclados possuem escritas apenas em cima e a impressão dos caracteres é invertida no Cougar Puri, assim como também é em teclados como o Razer Blackwidow, Corsair K70 e muitos outros. Mas você não precisa apertar SHIFT + 5 para fazer o 5, apenas a impressão das teclas que está diferente.

O teclado possui bottom row em tamanho padrão, ou seja, as teclas CTRL, ALT, Windows, Espaço e outras teclas nesta mesma linha seguem o padrão que a maioria dos teclados do mercado utilizam e diferente de teclados de marcas como Corsair, Logitech e Razer*.
PS: Teclados mais recentes da Razer seguem o padrão do mercado.

Isso permite que vários kits de keycaps sejam compatíveis com este teclado, incluindo os kits de keycaps double-shot ABNT2 que surgiram agora em 2021 na Aliexpress:

Falando em keycaps, elas são o ponto mais fraco do Cougar Puri. Estas são keycaps ABS Laser, aparentemente feitas pela iOne. A qualidade das keycaps da iOne é mediana, a pintura não costuma desgastar com o tempo e nem costumam quebrar com o uso, mas o material não é de alta qualidade e também não são double-shot. Para o preço atual do teclado, de R$ 300, são apenas medianas - mas para o preço antigo, de quase R$ 600, são inaceitáveis.

Assim como as teclas, o logo da Cougar também acende e é um pouco mais forte do que o restante das teclas - não tanto ao ponto de ser irritante, mas se o brilho do teclado fosse só um pouco mais forte, certamente seria.

Os LEDs do teclado possuem um tom de branco frio, um tom de branco com uma leve puxada para um azul claro, mas não ao ponto de ser uma cor distorcida como é o caso do branco de teclados RGB. É um tom de branco bonito, o mesmo que há em teclados como o CM Quick Fire TK, Logitech G610 e Ducky One 2 Single-Color, e muito mais bonito do que o branco amarelado (branco quente) do Sharkoon SGK2 ou Gamdias Hermes E2.

O Cougar Puri tem três níveis de brilho em vez de cinco como o Quick Fire TK ou Ducky One 2, porém os níveis 4 e 5 deles são insuportáveis aos olhos, enquanto o nível 3 do Cougar Puri é bastante aceitável. A iluminação dele é boa e um brilho ainda maior seria desnecessário.

Falando sobre a sua carcaça, ela é extremamente sólida, mais do que eu esperava. Pesando 1.4 kg, o Cougar Puri é um teclado relativamente pesado, algo que está se tornando cada vez mais raro entre teclados gamer. Também algo raro é ver um teclado com uma case superior de plástico no lugar de deixar a backplate exposta.

Não há "vantagem" em concorrentes que possuem backplate exposta, o famoso "teclas flutuantes". Um HyperX Alloy FPS não é mais durável do que um Cougar Puri pela parte frontal ser "alumínio" (Alloy FPS) em vez de "plástico" (Puri), pois, na verdade, ambos possuem backplates de metal. A única diferença é que no caso do Cougar Puri, ela está protegida por uma capa de plástico.

O design de "teclas flutuantes" (teclados sem capa frontal) só facilita a limpeza, mas, ao mesmo tempo, também facilita a coleta de sujeira no teclado, a qual pode entrar justamente pelas laterais abertas. E se sujeira for a preocupação, não seria melhor prevenir que ela entre?

Atrás do teclado, temos dutos por onde o cabo pode passar e também pés de ajuste de altura emborrachados. Há cinco borrachas para manter o teclado no lugar, o que em conjunto com seu peso, acaba dando uma excelente impressão de solidez durante o uso. Ele simplesmente não sai do lugar por nada.

Se há algo que achei estranho neste teclado foi ele usar o conector Mini USB. Sim, ele foi projetado em 2017, mas conectores deste tipo já estavam se tornando cada vez mais raros nesta época, e hoje é um dos únicos teclados que ainda usa.

Chegando finalmente no seu único e mais interessante extra, o Cougar Puri possui uma capa de proteção magnética, esta feita em acrílico (plástico com uma grossura razoável), na qual o nome da Cougar e também o seu logo possuem transparência, o que gera um efeito muito bonito.

Além de caber perfeitamente no teclado, pois tanto o seu corpo quanto a sua capa foram projetados especialmente um para o outro, impedindo que entre sujeira pelas laterais. Os parafusos de fenda usados para a montagem da carcaça frontal do teclado conectam-se com os ímãs presentes na capa, fazendo ela encaixar com um pouco de força e prevenindo que saia do lugar.

É "apenas um extra", mas é a atenção a extras deste tipo que conseguem dar um ar "premium" a este teclado que, sinceramente, não vejo nem mesmo em teclados muito mais caros. Nem mesmo teclados topo de linha da Razer, Logitech, Cooler Master ou Corsair possuem algo assim. A Ducky tem algo "parecido", mas é apenas uma capa de plástico similar a uma garrafa PET, extremamente fino e frágil, usado apenas para proteger o teclado dentro da caixa.

Construção Interna

Considerando a construção interna e a construção das keycaps, este teclado aparenta ser feito pela veterana iOne. A iOne é uma OEM (Original Equipment Manufacturer) responsável por teclados da Razer, HyperX (alguns), Cooler Master (alguns) e diversas outras marcas. Uma das características é que ela não costuma "limpar" a PCB dos teclados para deixar ela "bonitinha" para fotos, por isso podemos ver bastante fluxo de solda - mas o serviço de soldas da iOne é bem feito e a consistência do controle de qualidade também é boa, e no final é isso que importa.

A fabricante do Cougar Puri e do Cougar Vantar MX não aparenta ser a mesma. Vamos então abrir ele.

Além dos parafusos de fenda que há na parte frontal, temos também algumas travas de plástico extremamente finas e frágeis e, ao abrir ele, mesmo tomando todo cuidado, todas quebraram. O teclado ainda fecha corretamente e não fica com frestas abertas, mas a impressão é que parece que o teclado foi projetado para que estas peças quebrem caso o usuário tente abrir ele...

Enfim, o que temos aqui dentro do teclado é uma PCB bastante típica da iOne: escura, com uma quantia razoável de fluxo de solda (o que não é de forma alguma algo ruim) e soldas bem feitas. A iOne não costuma "deixar a PCB bonitinha" como algumas outras marcas fazem por estética, mas não há problema algum nisso.

O conector Mini-USB é conectado em uma PCB externa, e, caso for da vontade do usuário, é possível conseguir cabos USB para colocar no lugar deste conector. Melhor assim do que se fosse soldado direto na placa.

A MCU (controladora) do teclado é uma Vision VS11K15A, a qual parece ser usada também no Cougar Puri TKL e em alguns outros teclados da iOne, como o Tesoro Gram MX.

Conforme havia dito, a solda de todos os switches é bem feita. Há apenas um pouco de resíduo de fluxo de solda manual em três switches, mostrando que talvez estes switches tenham tido algum problema na montagem (mas que foi resolvido) ou que a solda foi avaliada como "inadequada" durante o processo de Controle de Qualidade (QC).

Não há problema em ver isso. Isto apenas prova que o controle de qualidade da iOne é rigoroso, o que é algo bom.

Os switches do teclado são switches Cherry MX RGB. Neste modelo que recebemos para análise, há o Cherry MX Blue, embora também existam outras versões deste teclado com Cherry MX Red e Cherry MX Black.

Os Cherry MX dispensam apresentações, são switches mecânicos tidos como referência pelo mercado, com alto nível de qualidade e baixo índice de problemas.

Conclusão

O Cougar Puri foi projetado para ser um teclado simples, com uma construção sólida, switches Cherry MX de alta qualidade, e apenas um extra, que é a sua capa frontal de acrílico, a qual foi absurdamente bem planejada e é um dos melhores extras que já vi em um teclado.

Seu maior problema é que por muito tempo o seu preço estava extremamente caro, oscilando entre R$ 550-600, valores pelos quais há concorrentes de igual nível de qualidade, porém com maior quantia de recursos, tal como software e RGB, especialmente modelos da Corsair, HyperX, XPG e Logitech.

Mas agora que seu preço foi reduzido para R$ 289,88, o teclado consegue finalmente se destacar. Ele pode não ter RGB ou software como alguns de seus concorrentes, mas entre um teclado Cherry MX e outros switches de qualidade inferior desta faixa de preço (PS: Kailh e Gateron não são inferiores), não há dúvidas sobre qual terá melhor durabilidade.

Seu maior concorrente é o Pichau P631 (disponível em Kailh Red e Kailh Brown), outro ótimo teclado que possui RGB, software e keycaps double-shot. E a briga entre os dois é acirrada.

Falando sobre a minha opinião pessoal, entre os dois eu prefiro o Cougar Puri especialmente por ter uma construção mais sólida e a opção de switch Blue. As keycaps Double-Shot posso adquirir externamente e sou bem indiferente ao software e RGB, pois se quero macros, uso o software do mouse, e sempre deixo o teclado em apenas uma cor. Só acho RGB realmente interessante quando o teclado possui suporte ao Aurora, algo que nenhum dos dois possui. A capa frontal é um extra muito bem vindo e as teclas multimídia dedicadas também.

Se você quer deixar o teclado apenas na cor branca, siga a minha dica: não compre teclados RGB, compre teclados com LEDs brancos como o Cougar Puri e também tome cuidado pois há alguns teclados com LEDs brancos no mercado que puxam para o "branco amarelado" (ex: Sharkoon SGK2, Gamdias Hermes E2. O termo correto é "branco quente"), o que algumas pessoas podem não gostar.

Para quem está atrás de um teclado mecânico ABNT2, com uma construção sólida, switches de alta qualidade e um preço acessível, o Cougar Puri está sendo atualmente uma ótima escolha. Resta apenas saber se ele vai continuar ou se vai voltar a custar quase R$ 600 novamente...


PRÓS
ABNT2
Boa construção externa
Cabo removível e com saída ajustável
Capa de proteção extremamente bem feita
Ótima construção interna
Switches Cherry MX
CONTRAS
Keycaps ABS Laser
Não vai agradar quem quer um teclado com muitos recursos
Preço oscila de R$ 300 (o que ele vale) até R$ 600 (o que ele não vale)
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  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 200 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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