ANÁLISE: AMD Ryzen 4000 em ação! Testamos o Acer Nitro com Ryzen 5 4600H

Excelente autonomia, baixo aquecimento e boa performance mostram a força dos Ryzen versus a Intel

A linha Acer Nitro é uma das mais populares entre os gamers em notebooks, com configurações que abrangem vários dos chips de performance com custo acessível do mercado. O modelo de testes dessa análise é o Acer Aspire Nitro 5 AN515-44-R5YZ, o primeiro modelo gamer equipado com AMD Ryzen 4000 que vamos testar por aqui no Adrena.

Site oficial do Aspire Nitro 5 AN515-44-R5YZ

A principal novidade da série 4000 da AMD, codinome Renoir, são modelos baseados em tecnologias do Zen2, com os modelos final H e HS sendo os dedicados aos produtos gamers, diferente dos modelos final U que já testamos em modelos de uso cotidiano, o HP Probook X360. Já na parte de gráficos temos a GTX 1650, modelo de entrada da linha Nvidia GeForce que já entrega um nível interessante de performance para games competitivos e qualidade intermediária em games de campanha.

Principais especificações do modelo testado:

- Nvidia GeForce GTX 1650
- AMD Ryzen 5 4600H
- Tela de 15,6" IPS 144Hz FullHD (1920x1080)
- 1x16GB DDR4 @3200MHz
- 512GB SSD M.2
- 355 x 236 x 19 mm
- 1.7kg
- Preço: a partir de R$ 5.399

- Nvidia GeForce GTX 1650
- AMD Ryzen 5 4600H
- Tela de 15,6" IPS 144Hz FullHD (1920x1080)
- 1x16GB DDR4 @3200MHz
- 512GB SSD M.2
- 355 x 236 x 19 mm
- 1.7kg
- Preço: a partir de R$ 5.399

Design

A linha Acer Aspire Nitro já é tradicional no mercado e passou por diversas evoluções. O projeto mais recente reduziu as margens em torno da tela, o que reduziu o tamanho do dispositivo comparado a gerações anteriores. Não é um aparelho leve, mas não está mal considerando o padrão de notebooks gamers.

O Nitro tem um visual gamer com linhas chamativas, com alguns ângulos um pouco diferentes e os LEDs do teclado na cor vermelha, mas não fica nada "excessivamente gamer". O destaque é o display, que agora traz um painel de 144Hz, algo que faz toda a diferença para quem vai jogar games competitivos. O painel também se sai bem nos contrastes, cores e luminescência, com um bom IPS visível de qualquer ângulo.

Porém a redução nas medidas do notebook trouxe um retrocesso que faz bastante diferença dependendo do uso: saiu o leitor de cartões. Profissionais de olho em um notebook para usar com câmeras e filmadoras podem sentir muita falta dessa porta, e vão depender de um leitor externo.

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O design do Nitro é bastante prático para ser aberto e deixa acessível várias possibilidades de upgrades, como a instalação de um HD ou SSD no formato SATA, além de um upgrade no SSD NVMe. Também é possível corrigir um erro: a Acer equipa esse notebook com apenas um módulo de RAM, formando apenas um single-channel. Instalar uma segunda memória duplica a quantidade de canais de comunicação entre as memórias e o CPU, e ao longo dos testes, em alguns cenários, testamos a diferença que isso representa no desempenho.

O design mais enxuto infelizmente fez uma vítima: o leitor de cartões não está mais presente entre as conexões. Isso não é algo que afete todos os usuários, mas profissionais de fotografia e vídeo muitas vezes fazem extensivo uso desse recurso que vai fazer falta e, potencialmente, forçar a compra de um adaptador USB para dar acesso aos arquivos de suas câmeras e filmadoras.

Aplicativos

Rodamos uma bateria de testes, começando pelas aplicações profissinais e testes sintéticos buscando medir performance do sistema em diversas atividades, desde games até renderização de vídeo, renderização 3D e outros usos profissionais.

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3DMark

A tradicional ferramenta de benchmarks trás uma visão geral da performance do sistema encarando ciclos pesados tanto para chip gráfico quanto processador. Rodamos duas variações, que incluem o tradicional Firestrike e o mais moderno Time Spy, que faz uso da nova API DirectX 12.

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Esports

Jogos do estilo competitivo são exigentes tanto no chip gráfico, que precisa fazer os quadros, quanto para o processador, que precisa ter alto desempenho para dar conta de um gameplay com taxas elevadas de quadros.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: em jogos competitivos o ideal é buscar a taxa mais alta de quadros, de preferência acima dos 100fps 

Counter Strike: Global Ofensive
O game competitivo é baseado em DirectX 9 e apesar das baixas exigências de performance na parte da placa de vídeo, por se tratar de um eSport, o ideal é alcançar altíssimas taxas de quadros, algo que traz alta carga tanto a CPU quanto GPU.


Rainbow Six Siege
Game recebeu uma atualização que disponibilizou a APU Vulkan. Apesar de leve, é um jogo exigente em CPU para atingir altas taxas de quadro.


Games pesados

Aqui temos jogos com altíssima carga no chip gráfico, especialmente devido ao alto nível de estresse causado por gráficos avançados. Nesse segmento se encaixam games com perfil de gameplay em apenas um jogador, normalmente com taxa de quadros menores que os games competitivos e com enfoque na experiência imersiva e na história.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: acima de 60fps é o ideal para monitores que operam nessa frequência. Quanto mais próximo dos 30fps, pior vai ficando a fluidez e, abaixo dos 30, o jogo começa a ficar "não jogável."

 


Assassin´s Creed Valhalla
O game de mundo aberto da Ubisoft é muito exigente no hardware, tanto na complexidade das cidades e seu estresse para o processador quanto os detalhes dos modelos e sua carga na placa de vídeo. Baseado no motor gráfico AnvilNext 2.0, o mesmo implementando inicialmente em AC: Unity


GTA V

Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


Red Dead Redemption 2
Novo game da RockStar, com belíssimos gráficos e uma boa referência para medir o comportamento de sistemas. Nosso teste considera o game rodando na API Vulkam, que se comportou melhor tanto em placas AMD como Nvidia.


Autonomia

Notebooks para jogos não costumam se destacar na duração de bateria de autonomia, resultado de telas amplas e componentes de alto consumo e cenários como telas de alta taxa de atualização do Nitro, e considerando tudo isso é impressionante ver o Nitro entregando o resultado que medimos:

Em aplicações leves em um loop, com navegação na web, mexer em planilhas e videoconferências, parte do teste Office do PCMark 10, conseguimos impressionantes 10h de bateria com o Windows em modo econômico, desabilitando o brilho do teclado e brilho do display no mínimo. Isso torna possível carregar apenas o Nitro para um uso de um dia inteiro em atividades leves, sem levar o carregador. Obviamente para games isso muda, com a autonomia caindo para algo na casa das 2 horas e a performance sendo bastante prejudicada.

Aquecimento e ruído

Com a chegada de um Ryzen 4000H para testes, a primeira curiosidade é ver como o chip da AMD se comporta comparado aos modelos Intel Core H e suas temperaturas beirando os 100ºC em alta carga. E mesmo com as frequências de operação mais altas dos Zen2, os resultados são bem positivos.

O Ryzen 5 4600H fica na casa dos 75ºC, semelhante ao que víamos na geração 3000H, e bem abaixo dos 95ºC+ dos Intel Core e seus boosts agressivos. Isso impacta positivamente nas temperaturas da GeForce, já que no Nitro - e em vários outros projetos de notebooks gamers - há contato entre as estruturas de resfriamento passivo tanto de CPU e GPU. Aqui também é interessante destacar o bom resultado do projeto da Acer, sendo que a linha Nitro costuma se sair muito bem no arrefecimento dos chips sem gerar muito ruído na operação.

Gameplay em vídeo

Conclusão

A mesma evolução que os processadores Ryzen passaram em seus modelos para desktop vem ocorrendo também nos notebooks. O problema é o delay: a adoção do Zen2 chegou com os Ryzen 3000, lançados nos computadores de mesa em 2019 no Brasil, mas só agora vemos as fabricantes de notebooks trazerem modelos gamers com essa arquitetura para os notebooks de alta performance.

O atraso da chegada de novas gerações Ryzen faz com que melhorias demorem muito a chegar

Esse atraso penaliza bastante a linha Ryzen, que fica muito defasada frente aos modelos Intel, e faz com que apenas agora chegue ao mercado nacional os Zen2, que encurtaram bastante a diferença na disputa com os Intel Core, e sabe-se lá quando vamos ver o Zen3, que fez a AMD superar a empresa rival, aparecer em algum notebook de alto desempenho aqui no Brasil.

Em poder de processamento, o Ryzen 5 4600H é excelente para trabalho. Em vários momentos ele cola em modelos Core i7, graças a configuração semelhante de seis núcleos e 12 threads, e chega a passar perto do Core i7-10875H, um modelo octa-core, em alguns cenários.

A geração Ryzen 3000H é a primeira claramente competente para disputar com a Intel em notebooks de alto desempenho

Para games, o uso da GeForce GTX 1650 faz com que esse notebook entregue um bom nível de desempenho em games mais leves, mas sofrer em alguns mais pesados. Ele tem condições de entregar uma boa taxa de quadros em games competitivos, segurando algo próximo dos 60fps em Warzone, mais de 140fps em Rainbow Six Siege e uns 80fps em PlayerUnknown's Battlegrounds. Jogos mais pesados em chip gráfico, como Red Dead Redemption 2 e Assassin's Creed Valhalla podem ser jogados em 1080p e qualidade intermediária, com uma taxa suficiente para um bom gameplay mas sem conseguir manter 60fps. Nesses cenários, é possível jogar travando em 30fps, diminuindo a qualidade ou a resolução para alcançar os 60fps, ou deixar os frames oscilarem. Todas as alternativas são válidas.

O uso de apenas uma memória não trouxe um impacto grave na performance, algo evidente pela baixa diferença em vários testes, mas mostrou algumas oportunidades de ganho de desempenho com o upgrade. Os cenários mais relevantes são os games competitivos com alta carga em CPU, onde temos ganhos de até 18% em casos como o Counter Strike chegando a melhorar 17%. Felizmente a arquitetura Zen2 usa cache para tornar o processador menos dependente das memórias RAM, e o resultado é um impacto menos negativo quando temos uma configuração menos eficiente de RAM.

Notebook tem bom desempenho em games competitivos, mas GTX 1650 precisa maneirar nos gráficos em games mais pesados

Mas o elemento que mais claramente me agradou é a eficiência desse conjunto. O Ryzen 5 4600H claramente é mais eficiente que rivais Intel Core na produção de ruído e aquecimento, com o Acer Aspire Nitro sendo bastante discreto até em alta carga, mérito também da alta eficiência do chip GeForce de entrada nesses aspectos. Outro ponto positivo da eficiência do conjunto foi a surpreendente duração de bateria, mesmo com a tela de 144Hz presente no produto.

Com todos esses elementos, o Nitro segue uma recomendação fácil de produto para quem um notebook gamer, e a combinação GeForce GTX 1650 e Ryzen 5 4600H formam uma ótima dupla para games leves e competitivos, além de ótimo desempenho em aplicações profissionais como renderização 3D ou vídeos. O ponto negativo acaba caindo sobre os preços, com rivais equipados com GTX 1650 e Core i5 trazendo preçocs mais acessíveis, caso de outros modelos do próprio Nitro e também empresas rivais como o Lenovo e o Ideapad Gaming 3i, um modelo que não testamos por aqui, então difícil recomendar sem termos testado por aqui.

PRÓS
Design com bordas finas em torno da tela
Tela de 144Hz com boas cores e contrastes
Baixo nível de ruído e ótima autonomia
Bom desempenho em games competitivos
Boa performance em aplicações profissionais do Ryzen
Facilidade de abrir para manutenção e upgrades
CONTRAS
GTX 1650 não segura 60fps em games mais pesados em 1080p
Retirada do leitor de cartão
Preço mais alto que outros modelos com mesmo chip gráfico
Memórias em single-channel
Tags
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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