ANÁLISE: AMD Ryzen 5 5600G - um bom CPU intermediário com ótimos gráficos integrados

Modelo não se distancia do processamento do Ryzen 5 5600X e Vega 7 consegue encarar jogos leves
Por Diego Kerber, Fabio Feyh 03/08/2021 20:27 | atualizado 03/08/2021 20:28 comentários Reportar erro

O processador AMD Ryzen 5 5600G é um modelo intermediário que se diferencia de modelos como o Ryzen 5 5600X pela presença de gráficos integrados, mas também tem 6 núcleos e 12 threads como seu "irmão". Inicialmente ele foi lançado apenas para integradoras, porém está chegando também ao mercado DIY (Do It Yourself, faça você mesmo). Seu destaque é a presença de um competente processador Zen3 - o mesmo usado na série Ryzen 5000 sem gráficos - e um gráfico integrado baseado em Vega.

Site oficial do AMD Ryzen 5 5600G
Análise AMD Ryzen 7 5700G

Diferente de outras gerações que traziam para a série G uma tecnologia mais antiga que a presente na linha sem gráficos, dessa vez os Ryzen 5000G trazem os mesmos núcleos de processamento Zen3 presentes nos Ryzen 5000 "não G", e também a mais moderna litografia de 7 nanômetros feitos pela TSMC.

O AMD Ryzen 5 5600G chega com o preço sugerido de US$ 259, brigando de frente com o Intel Core i5-11600K e seus US$ 262, porém consideravelmente acima dos US$ 182 cobrados no Core i5-11400. No Brasil ainda não encontramos nenhum modelo disponível para compra, nem sabemos qual será o preço praticado.


Especificações técnicas

Comparativo

AMD Ryzen 5
5600G
Intel Core
i5-11600K
Intel Core
i5-11400
AMD Ryzen 7
5700G

Preços

Preço no lançamentoU$ 259,00 U$ 262,00 U$ 182,00 U$ 359,00
Preço atualizadoU$ 259,00 R$ 2.470,00 R$ 1.289,90 U$ 359,00

Especificações

CodinomeZen3 Rocket Lake-S (Cypress Cove) Rocket Lake-S (Cypress Cove) Zen3
SoqueteAM4 LGA1200 LGA1200 AM4
Fabricação em7nm 14nm 14nm 7nm
Instruções64-bit 64-bit 64-bit 64-bit
Núcleos6 6 6 8
Threads12 12 12 16
Clock3900 MHz3900 MHz2600 MHz3800 MHz
Clock (Turbo)4400 MHz4900 MHz4400 MHz4600 MHz
DesbloqueadoSim SIM NÃO Sim
Canais de memóriadual-channel dual-channel dual-channel dual-channel
MemóriasDDR4 @ 3200MHz DDR4-3200 DDR4-3200 DDR4 @ 3200MHz
Cache16 12 12 16
PCI Express3.0 4.0 4.0 3.0
Canais PCI Express24 20+24 (CPU+chipset) 40 24
TDP65 125 65 65

Vídeo Integrado

GPUVega 7 Intel UHD Graphics 750 Intel Gen12 Xe-LP Vega 8
Clock1900 1300 1200 2000
Nº de Cores7 32 24 8
DirectX12_2 12.1 12 12_2
Monitores suportados3 3

Características Gerais

Acompanha cooler?Wraith Stealth NÃO NÃO Wraith Stealth

Processador Intel Core i5-11600K 11ª Geração, Cache 12MB, 3.9 GHz (4.9GHz Turbo), LGA1200 - BX8070811600K

Processador Intel Core i5-11600K 11ª Geração, Cache 12MB, 3.9 GHz (4.9GHz Turbo), LGA1200 - BX8070811600K


Cezanne em desktop

Os Ryzen 5000G tem como destaque introduzir a tecnolgia de processadores Zen3 em seus produtos com gráficos integrados. Na essência, o Cezanne traz as estruturas do Rennoir (Ryzen 4000G) atualizados com esses novos núcleos de processamento.

O Zen3 promete um ganho médio de 19% nas instruções por clock (IPC) comparado ao Zen2, usando de referência modelos de oito núcleos com o clock fixo em 4.0GHz no comparativo.

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Mesmo sem reduzir a litografia, melhorias da arquitetura no Zen3 evoluem a performance dos Ryzen 5000

Mesmo mantendo a mesma litografia, os 7nm FinFET da TSMC, melhorias no cache prefetching, motor de execução, branch predictor, micro-op cache, front-end e armazenamento de dados foram os fatores que contribuíram para essa evolução.

Outro ponto relevante foi a reorganização do complexo computacional da AMD (CCX). Na primeira e segunda geração da microarquitetura, o complexo contava com quatro núcleos que compartilhavam estruturas, como cache L3, e se comunicavam com outros núcleos via Infinity Fabric.

O Zen3 modifica essa estrutura, colocando um total de oito núcleos em um mesmo CCX. Essa união também aumentou a quantidade de cache, já que basicamente unifica os dois 16MB disponíveis nos CCXs anteriores em um único cache de nível L3 com 32MB acessível por todos os núcleos, sem o Infinity Fabric envolvido nessa comunicação.

Essa reestruturação reduz as latências de comunicação entre memórias e núcleos e também entre núcleos, pois reduz a necessidade de utilizar o Infinity Fabric, que realizava essa ponte entre diferentes CCXs e também com estruturas externas, como a memória RAM. Essa mudança traz impactos principalmente em cenários que dependem de baixa latência, como é o caso dos games.

Melhorias dos Zen3 impactam principalmente em cenários que dependem de latências e performance por thread, como é o caso de games

Falando em Infinity Fabric, a operação da memória é relevante para acelerar essa comunicação, e de acordo com a AMD, os clocks de 4000MHz são um patamar que pode ser possível de atingir, algo que na geração anterior se situava na casa dos 3800MHz. Como todo aumento de frequências, estamos falando de um overclock que poderá apresentar resultados diferentes de um modelo para o outro. 

Os processadores Ryzen 5000G precisam reestruturar algumas porções para acomodar os gráficos integrados, bem como rebalancear aspectos de consumo de energia, comparado aos modelos Zen3 sem os gráficos. O resultado é que eles possuem metade do cache L3 comparado com um processador "não G". O design foi trabalhado sobre os CPUs Rennoir (Ryzen 4000G), então outro efeito colateral foi o PCIe, que continua na versão 3.0 com 24 linhas de comunicação.

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Fotos

O Ryzen 5 5600G assim como o Ryzen 7 5700G segue o formato tradicional dos processadores soquete AM4. Por ter sido lançado depois das placas-mãe já comercializadas com suporte para esses novos modelos, é necessário uma atualização de BIOS das placas compatível para o suporte ao processador.

CPU chegou depois das mainboards, update de BIOS da placa-mãe é obrigatório


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes:

Máquinas utilizadas nos testes:
Todos os sistemas utilizaram componentes com mesmas características técnicas para os testes, com exceção da placa-mãe, que varia de acordo com a plataforma. Veja a configuração utilizada:

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- Placa de vídeo: GeForce RTX 3080 [análise]
- Placa-mãe: Gigabyte X570S AERO G [site oficial]
- Memórias: 16GB G.Skill TridentZ @ 3200MHz (2x8GB) CL14
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s [análise]
- Cooler: Noctua NH-U12S [site oficial]
- Fonte de energia (PSU): Cooler Master V850 [site oficial]

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- GeForce 471.xx

Aplicativos/Games:
- 7-Zip [site oficial]
- Adobe Premiere [site oficial]
- Blender [site oficial]
- CineBench R20 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- V-Ray [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.x [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Assassin´s Creed Odyssey (DX11)
- Battlefield V (DX12)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- Red Dead Redemption (Vulkan)
- The Division 2 (DX12)

CPU-Z/AIDA64
Através do CPU-Z e AIDA64, vemos algumas informações técnicas do processador, como modelo, clocks, número de núcleos e threads, etc. As memórias utilizam a frequência máxima indicada pelo fabricante do processador, no caso, 3200MHz.


Overclock

Fizemos dois overclocks com o Ryzen 5 5600G, um deixando o processador em 4.6GHz e outro em 4.7GHz. No caso do clock em 4.6GHz, a tensão foi definida em 1.35v e o sistema se comportou normalmente em todos os testes, já no clock mais alto, que fizemos apenas para ver como ele estabilizaria em 4.7GHz, foi necessário subir a tensão pare 1.43v, sendo que o sistema aumentou ainda mais como é possível ver no print abaixo. Foi justamente o OC maisx alto que foi para os gráficos.

Overclocks muito altos não são recomendados para uso continuo do sistema, especialmente se a placa-mãe e cooler não são de alta qualidade. Frequência alta com tensão alta tende a diminuir o tempo de vida dos componentes, além de gerar instabilidade dependendo da aplicação utilizada.

OBS.: Faça overclock por sua conta e risco, e evite deixar o CPU com tensões altas por muito tempo.


Consumo de energia

Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e placa de vídeo, podendo variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Temperatura

Começamos pelos testes de temperatura, com o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Iniciamos com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando tarefas, além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos o sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

"A temperatura varia de acordo com o programa utilizado. Mesmo o wPrime estressando todos os núcleos sendo uma boa opção para ver o comportamento desse cenário, alguns programas podem exigir ainda mais do processador e, consequentemente, esquentar mais o mesmo. Como exemplo, citamos o Blender."


Testes sintéticos

Abaixo, temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes. Os testes consideram diferentes cenários de uso do processador e de outros componentes associados a dar mais desempenho ao sistema.

Procuramos testes de benchmarks para mostrar vários cenários bem distintos, desde uso profissional como o editor de vídeo Adobe Premiere até testes em jogos.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos, independente da arquitetura e do número de núcleos/threads. Já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

Adobe Premiere CC
Mais um teste de renderização de vídeo, em um cenário real renderizando com o Adobe Premiere CC 2020 sem uso de GPU:

AIDA64 Latency
O software AIDA64 tem vários testes de performance. Separamos um que mostra um cenário diferente dos demais: a velocidade de latência das memórias, que quanto menor o resultado, melhor.

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

CineBENCH R20
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core, já na versão R20 lançada em março de 2019:

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU. Quanto menor for, melhor é o desempenho.

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

7-Zip
O software de compactação 7-Zip se tornou um dos mais populares do mundo por se tratar de um aplicativo de código aberto, possuindo também um benchmark interno que vem sendo muito utilizado para métrica de performance. Abaixo, o desempenho dos sistemas com ele:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, na versão Fire Strike default e Ultra (4K).


Teste em games


Agora, vamos para os games. Selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre a mesma config dos componentes utilizados.

Assassin´s Creed Odyssey
O game da Ubisoft baseado na tecnologia DirectX 11 é uma referência de software que demanda alto desempenho tanto do chip gráfico quanto do processador - resultado do mapa amplo e complexo recriando a região da Grécia Antiga.


Battlefield V
Como um dos games com a melhor qualidade gráfica já lançados, o Battlefield V faz parte de nossa bateria de testes. Abaixo o comportamento dos sistemas rodando o game da DICE.


Counter Strike: Global Ofensive
O game competitivo é baseado em DirectX 9 e apesar das baixas exigências de performance na parte da placa de vídeo, por se tratar de um eSport, o ideal é alcançar altíssimas taxas de quadros, algo que traz alta carga tanto a CPU quanto GPU.


Cyberpunk 2077
Um dos maiores sucessos dos últimos tempos em games para PC é o Cyberpunk 2077, que agora faz parte de nossa bateria de testes. O game está rodando sobre a API DirectX 12.


GTA V
Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


Red Dead Redemption 2
Novo game da RockStar, com belíssimos gráficos e uma boa referência para medir o comportamento de sistemas. Nosso teste considera o game rodando sobre a API Vulkam, que se comportou melhor tanto em placas AMD como Nvidia.


Rainbow Six Siege
O game de tiro tático da Ubisoft usa o motor AnvilNext e tem ótimo port para a API de baixo nível Vulkan. É um game bem otimizado para hardwares de entrada, mas que demanda muito poder computacional do processador e baixíssimas latências para atingir taxas de quadros elevadas.


Gráficos integrados

Rodamos uma bateria de testes para verificar o desempenho do processador e seus gráficos integrados, comparado com outros processadores na mesma situação ou placas de vídeo de entrada, como a RX 550.

Como havíamos verificado também no Ryzen 7 5700G, o 5600G não tem grandes avanços em gráficos comparado a outros modelos de APUs anteriores, mas o salto em performance de processador traz benefícios notáveis em vários de nossos testes graças a essa margem maior de desempenho no CPU, movendo o gargalo para a GPU e assim nós enfim podendo ver o máximo da performance da iGPU Vega, em alguns cenários.


Gameplay em vídeo


Conclusão

Enquanto o Ryzen 7 5700G é uma opção para quem queria um processador potente, mas também precisava de gráficos integrados, o Ryzen 5 5600G consegue ser um interessante modelo do segmento intermediário, valendo a pena para quem não tem uma placa de vídeo dedicada, seja porque não tem, seja porque não pretende comprar.

Para jogos mais leves, a iGPU Radeon Vega 7 deu conta de alguns títulos, com até mesmo um Warzone sendo viável de se jogar em uma faixa de desempenho discutível de 45fps. Não é um gráfico potente, mas que vai dar conta de jogos leves e, principalmente nesse contexto de preços altos nas placas de vídeo dedicadas, tornar viável segurar um tempo até realmente adquirir uma placa.

Quando colocamos uma placa de vídeo dedicada, ou quando os testes são focados em performance de processador, temos novamente um CPU competente, ficando muito do tempo na mesma balada do Ryzen 5 5600X em testes de multithread, como aplicações profissionais e renderização pesada. A diferença aumenta um pouco mais nos games, onde vemos uma vantagem de 10 a 15% para o 5600X, um resultado que é ótimo considerando que isso ainda o mantém entre alguns dos melhores CPUs para jogar.

O Ryzen 5 5600G traz um forte concorrente para o segmento intermediário e equipado com gráficos integrados de alto desempenho

No momento só conhecemos o preço sugerido no exterior, e com ele temos uma realidade muito interessante. Os US$ 259 colocam ele abaixo do preço praticado no Intel Core i5-11600K e do Ryzen 5 5600X, atualmente, que é na faixa dos US$ 279. Apesar de ter 10% menos desempenho, ele vem com um custo 10% menor e com gráficos integrados, o que podem tornar ele a opção mais interessante. Claro, isso é tudo especulação no preço oficial, algo que não vem sobrevivendo ao teste da realidade, ultimamente.

PRÓS
Bom nivel de performance tanto em GPU quanto CPU
Baixo consumo e aquecimento
Preço competitivo mesmo versus CPUs sem gráficos integrados
CONTRAS
Reduções em cache para acomodar a iGPU e por consequência...
...desempenho levemente abaixo do 5600X
Sem evoluções na performance do chip gráfico integrado
Não tem suporte para PCI-Express 4.0
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

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