ANÁLISE: F1 2021 Deluxe Edition: melhor do que nunca, mas o mesmo de sempre

Game anual da Codemasters refina trabalho em diversos quesitos, mas faltam novidades que justifiquem o preço mais alto
Por Wikerson Landim 16/07/2021 17:30 | atualizado 16/07/2021 18:02 comentários Reportar erro

Não sou nenhum piloto profissional ou coisa do tipo, mas jogos de corrida estão entre os meus preferidos. Dessa forma, a franquia F1 da Codemasters sempre teve a minha atenção, sendo dos poucos títulos que faço questão de jogar logo nos primeiros dias.

Entretanto, ainda que a série tenha mostrado uma evolução mais significativa no F1 2019, F1 2020 e F1 2021 foram capazes de nos apresentar algumas boas novidades. Os modos “História” e “Minha Equipe” são dois bons exemplos disso.

O primeiro parece chegar à sua maturidade na edição deste ano, com uma história divertida (porém, curta), enquanto o segundo acrescenta desta vez um modo para dois jogadores simultâneos offline, com direito a divisão de tela.

F1 2021 é a despedida da gestão da Codemasters sobre a franquia. Daqui em diante quem assume é a EA – e talvez você não se lembre, mas F1 já foi dela. Quem jogou F1 2002 no PC, no Xbox ou no PlayStation 2 não irá se assustar ao ver a logo da empresa canadense na tela antes da vinheta de abertura do game – exatamente a mesma da transmissão de TV.

Será que vale a pena investir seu dinheiro em F1 2021? Aqui vão as nossas impressões.

Modos online acessíveis e divertidos

Não foi fácil jogar os modos online de F1 2021 durante o acesso antecipado. Inúmeras vezes os servidores não estavam disponíveis e, quando funcionavam, o número de jogadores ainda era restrito. Contudo, dia após dia as coisas melhoraram a ponto de haver uma normalidade no primeiro dia de lançamento da versão Standard.

Além de corridas simples, com ou sem classificação, você pode criar ligas online, como nas versões anteriores. Uma adição interessante aqui é a possibilidade de seguir o cronograma da temporada e disputar corridas online no exato final de semana em que elas acontecem. O GP de Silverstone marca a estreia desse modo.

Em linhas gerais, a partir do momento que os servidores se mostraram estáveis e o número de jogadores cresceu, as coisas ficaram mais divertidas.

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Vale lembrar que não há crossplay em F1 2021, apenas cross-gen. Ou seja, jogadores de PS4 podem enfrentar os de PS5, e os de Xbox One podem enfrentar os de Xbox Series S|X.

Sobre uma possível adição de crossplay ainda em F1 2021, não há informação oficial sobre o assunto. Publicamente, os desenvolvedores do jogo afirmam que essa é uma questão que “está sendo estudada”, mas não há promessa de que isso vá acontecer nessa versão.

Meu palpite: é muito mais um “vou ver e te aviso” para não desestimular quem espera por isso do que algo que realmente vá acontecer.

Jogue para gerar Pitcoins

Existe um temor de que a entrada da EA no controle de F1 2021 transforme o game em uma espécie de “FIFA das pistas”, com a oferta de itens que possam ocasionar mudanças de desempenho e performance, comprometendo o equilíbrio do jogo. Até o presente momento não há nada nesse sentido.

O que existe são as “Pitcoins” (um excelente nome, diga-se de passagem), a moeda do jogo. A partir da sua pontuação semanal você pode trocar seus resultados por itens cosméticos – macacões, capacetes, luvas, liveries e comemorações – que não influenciam na performance. Enquanto as coisas ficarem nesse campo, como opcionais, tudo bem.

Porém, dentro desse segmento há o chamado “Passe VIP”. Sendo VIP você consegue recompensas extras a cada nível conquistado e para ser VIP há duas formas: comprar Pitcoins com dinheiro real ou conquistá-las na raça. Novamente, não há benefício competitivo, apenas estético.

Para os gráficos, a palavra é “refinamento”

Realizamos essa análise jogando a versão de F1 2021 para PlayStation 5, portanto vamos observar os gráficos sob esse ponto de vista. Enquanto no PC as tecnologias de Ray Tracing e DLSS da NVIDIA prometem melhorias de performance de até 65%, no PS5 há um claro refinamento em relação ao PS4.

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Elementos como textura do asfalto, formação de poças d’água e condições de luz e sombra estão nitidamente melhores mesmo em relação ao F1 2020 quando jogado em um PS5. Porém, afirmar que há melhorias nesse quesito é um pouco demais. Há o refinamento de um trabalho que já era considerado muito bom.

“Mazespin”, diversão e equilíbrio nas disputas

Se eu fosse escolher um aspecto apenas para destacar em F1 2021 seria a evolução da inteligência artificial. O nível dos pilotos adversários continua sendo ajustável e, ainda assim, a sensação que se tem é mesmo de que o jogo “aprende” com a forma com que você joga.

Ao jogar como iniciante, as primeiras corridas podem parecer fáceis, mas o nível sobe à medida que você se destaca. Já nos modos mais avançados, fica a sensação de que alguns incidentes ocorrem apenas para que você não fique muito para o final. É uma espécie de “handicap do bem” em prol da competitividade e da diversão.

Uma prova de que a inteligência artificial foi bem trabalhada está no comportamento do piloto russo Nikita Mazepin – ou “Mazespin”, pela quantidade de vezes que ele roda na pista. Por vezes em corridas no modo MyTeam vi a bandeira amarela surgir na tela comunicando que alguém havia rodado (e era ele, claro), um sinal de sintonia entre o desempenho dele nas pistas e no jogo.

Braking Point: Dirigir Para Sobreviver in-game

O modo história de F1 2021 atende pelo nome de Braking Point – ou Ponto de Frenagem, na tradução direta. Aqui, a Codemasters acerta ao trazer de volta o antagonista Devon Butler, personagem surgido no F1 2019 e que rapidamente despertou a antipatia de todos pelo seu jeito arrogante de ser. Ele continua sendo um ótimo “vilão” e dá um clima interessante às disputas.

As cutscenes do modo claramente bebem na fonte de Drive To Survive, documentário produzido pela Netflix e que mostra os bastidores da temporada de F1 (se você ainda não viu, assista; as três temporadas disponíveis são ótimas). Essa decisão, além de dar ritmo ao game e garantir um bom roteiro, certamente garantirá algumas boas horas de diversão e é um dos pontos altos desta edição.

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Todavia, poderia ser um pouco mais longa e inteligente em alguns momentos - as cutscenes estão preparadas apenas para a sua conclusão, mas um resultado acima do esperado acaba passando batido, o que coloca a trama um pouco fora de sincronia. Exemplo: uma das missões pede para que você chegue em décimo, pelo menos. Nela, consegui pódio, mas isso não importa: o pós corrida me dá apenas "parabéns" pelo "1 ponto conquistado". E mais: algumas cenas, como a de comemoração no pódio, são exatamente as mesmas do ano passado - poderiam ter feito algo diferente, não?

Modo MyTeam: “Hoje não, hoje não! Hoje sim?”

Entre as novidades mais interessantes trazidas no F1 2020, a inclusão do modo MyTeam foi a mais interessante entre todas elas. Pela primeira vez os jogadores puderam criar a própria equipe e contratar pilotos para disputar uma temporada do Mundial de F1.

A fórmula deu certo, mas nessa edição ela apenas se repete, sem adições de mecânicas ou recursos. A novidade, porém, é a possibilidade de fazer isso em dupla, graças a um modo que divide a tela ao meio. A função é “offline”, ou seja, Player 1 e 2 ligados à mesma máquina – nada de online aqui.

Em outras palavras, se você jogou esse modo no F1 2020, prepare-se para jogá-lo novamente aqui, mas com pilotos e carros atualizados. Um ponto polêmico a ser mencionado – e que também se repete em relação a 2020 – é a impossibilidade de utilizar as principais estrelas como pilotos da sua equipe logo no início.

Em suma: ou o jogador evolui a ponto de ter condições financeiras de contratá-los ou nada feito. Não parece ser muito justo, tendo em vista que você pagou para jogar com eles, não é mesmo?

Explicando: a versão Deluxe traz como conteúdo adicional sete pilotos históricos – Ayrton Senna, Michael Schumacher, Alain Prost, Felipe Massa, David Coulthard, Nico Rosberg e Jenson Button. Seria legal ter qualquer um deles na sua equipe, não é mesmo? Porém, logo no início eles nem sequer aparecem como opção de contratação – já que sua equipe é pequena e ainda não tem dinheiro.

Aliás, falando nos pilotos clássicos, vale mencionar também os carros lendários – eles não estão presentes no jogo, nem mesmo para treinos livres. Os únicos veículos disponíveis são mesmo os carros da F1 2021 e da F2 2020, o que é uma pena.

Conteúdo adicional será gratuito

As pistas de Portugal (Portimão), Itália (Ímola) e Arábia Saudita (Gidá), que estarão presentes no calendário da Fórmula 1 deste ano, ainda não estão disponíveis para os jogadores. Segundo a EA, elas serão liberadas ao longo do ano como uma atualização gratuita. Porém, ainda não foi informada uma data de quando isso acontecerá.

As pistas de Portugal (Portimão), Itália (Ímola) e Arábia Saudita (Gidá) serão liberadas ao longo do ano como uma atualização gratuita.

As corridas curtas aos sábados, chamadas de Classificação Sprint, novidade que será testada esse ano nos GPs da Inglaterra (Inglaterra), da Itália (Monza) e do Brasil (Interlagos) não estão presentes aqui – e não haverá nenhuma atualização para incluí-las no game ao longo do ano.

Os testes consistem em transformar o treino de qualificação em uma corrida de 100 km (o equivalente a um terço de uma prova normal) como forma de definir o grid de largada para o dia seguinte.

O dedo da EA: mudança nos preços

Em julho de 2020, quando F1 2020 chegou aos consoles e ao PC, os preços de lançamento naquela ocasião foram os seguintes:

  • F1 2020 Deluxe (PS4) – R$ 289,90
  • F1 2020 Deluxe (Xbox One) – R$ 297,45
  • F1 2020 Deluxe (PC) – R$ 127,99

Para este ano houve um aumento substancial no preço, especialmente na versão para PC. Tudo bem que devemos considerar que praticamente todos os jogos subiram de preço nesse período em razão de uma série de fatores, e que também há a nova geração de consoles em cena, mas a diferença entre os valores das versões Deluxe é significativa.

  • F1 2021 Deluxe (PS4/PS5) – R$ 368,99
  • F1 2021 Deluxe (Xbox One/Xbox Series S|X) – R$ 369,00
  • F1 2021 Deluxe (PC) – R$ 329,00

Portanto, se há interferência direta da EA em alguma etapa do processo, certamente é na distribuição, já que a empresa canadense costuma cobrar bem mais caro pelas versões especiais dos jogos das suas franquias. E essa deve ser a realidade daqui em diante. A contrapartida positiva é a possível inclusão do game no EA Play mais cedo. Porém, no momento a versão para PC só está disponível na Steam – o jogo não está listado na Origin da EA, por exemplo.

Vale a pena?

F1 2021 é provavelmente uma das melhores versões do game já feitas pela Codemasters, porém isso não significa que exista uma evolução notável em relação ao jogo lançado em 2020.

A edição deste ano é provavelmente a “despedida” da Codemasters como gestora de todas as mecânicas do jogo, uma vez que na versão do ano que vem deveremos ter um game com mais “cara de EA”, com todos os prós e contras que isso possa significar.

Se por um lado é possível ver um refinamento gráfico em elementos como textura do asfalto, formação de poças d’água e condições de luz e sombra, por outro há circuitos que poderiam ter recebido atualizações estéticas – Monza, por exemplo, passou por reformas em alguns setores já há quatro anos e elas ainda não foram aplicadas no game.

As pistas novas e as estrelas do passado, atrativos que justificariam a ansiedade dos fãs pelo novo game, não são jogáveis desde o início – e isso é frustrante.

A inteligência artificial se mostra aprimorada em relação ao comportamento dos demais pilotos e à adaptação do nível de dificuldade à sua capacidade de pilotagem – o que pode ser mais divertido para quem ainda não está familiarizado com os jogos da série.

Para os fãs da franquia, entre os quais eu me incluo, F1 2021 já seria uma “compra certa”, independentemente dos pontos negativos que traz ou da ausência de novidades mais impactantes. Porém, para quem jogou F1 2020 de forma mais casual não há muita razão em pagar o “preço cheio” por essa versão.

Fãs de jogos de corrida certamente vão gostar de F1 2021 – afinal, é um ótimo trabalho e ainda uma referência entre os games do gênero. Porém, que fica aquela sensação de estar muito próximo da vitória e ser ultrapassado antes da linha de chegada, tal qual Rubens Barrichello em 2002, isso fica.

F1 2021 foi adquirido pelo editor para esta análise. Jogamos a versão do PlayStation 5, com controle DualSense e volante Logitech G29 Driving Force.


RECOMENDA? SIM Melhor game de F1 já feito. Diversão garantida, mas longe de ser perfeito. Upgrade só vale para os fãs.
PRÓS
Continua sendo um dos melhores games de corrida disponíveis
Melhorias na inteligência artificial
Modo Minha Equipe pode ser jogado em dupla
Modo Braking Point com ótima dinâmica
Refinamento gráfico perceptível na nova geração
CONTRAS
Impossibilidade de usar pilotos lendários logo no início
Ausência dos carros clássicos
Preço da versão para PC em relação a 2020
  • Redator: Wikerson Landim

    Wikerson Landim

    Jornalista desde 2003 e atual Editor dos sites Adrenaline e Mundo Conectado. Em quase duas décadas, foi editor de diversos sites de tecnologia, games e entretenimento, além de produtor de conteúdo para sites corporativos. Nas horas vagas assumo o volante para dirigir caminhões no Euro Truck e em todos os jogos de corrida que surgirem pela frente. Para relaxar, nada melhor do que jogar um FIFA ou testar um eletrônico novo.

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