Eu devia jogar Monster Hunter Rise? Análise de alguém que nunca jogou MH

A curva de aprendizado é longa, mas será que vale a pena encarar?
Por Diego Kerber 20/06/2021 16:25 | atualizado 20/06/2021 18:12 comentários Reportar erro

Monster Hunter é uma franquia que andava no meu radar, mas nunca juntava coragem de encarar. Principalmente, a vontade de experimentar voltava, mas era só ficar algumas horas com ele nos vídeos de gameplay ou testes de hardware do Adrena para, ahm... sentir que ia dar trabalho entrar no mundo do game.

Enfim com a chegada de Monster Hunter Rise, e o envio de uma cópia pela Nintendo Brasil, juntei coragem e acumulei as horas pra superar a barreira de entrada na franquia. 20 horas depois, ainda tenho um monte para fazer e descobrir no game, mas já me sinto mais confortável para falar se vale a pena entender o game e contar o que tem de legal lá no outro lado.

A escalada

Monster Hunter Rise é um jogo bastante japonês. Isso é notável tanto na estética, na cultura, na música e até na forma de fazer jogos. E isso criou uma barreira inicial para eu encarar o game. Não tanto no sentido cultural, já que a grande quantidade de animes televisão foi mais que o suficiente para introduzir a alguns aspectos culturais, mas principalmente na meticulosidade e quantidade de menus.

A primeira coisa que chama a atenção no Monster Hunter Rise são os belos gráficos - dentro do que o Switch pode oferecer - com personagens e localidades com visuais riquíssimos, além de animais e monstros com designs criativos e interessantes. Mas a segunda coisa que você vê são menus, e parece que eles nunca vão terminar.

O processo de descoberta de todos os elementos do jogo é longo. Vai um bom tempo para você entender todas as interfaces, onde você faz cada coisa e, mesmo horas jogando, você ainda vai dar de cara com outra coisa que ainda não tinha visto. É um belo quebra-cabeça que, para mim, foi uma barreira gigantesca. Quantos menus ainda faltam para eu me divertir?

Vai um bom tempo para entender todos os elementos do jogo e, principalmente, todas as interfaces

Partindo para as missões você descobre um dos pontos altos do jogo, na minha opinião: o gameplay. A mecânica de combate é muito complexa e interessante, com um conjunto de 14 armas para o jogador escolher. Mas a alternância entre as armas não é uma simples mudança de status como velocidade e dano. Cada uma muda completamente o estilo de jogo ao trazer um conjunto de movimentos próprios. Sim, mais uma vez a franquia intimida o jogador com os excessos.

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O combate com os monstros é muito bom. A luta contra criaturas mais fortes envolvem longos confrontos, que necessitam de um balanço entre as horas que você tem que pressionar, aproveitando um momento de fraqueza do inimigo para inflingir o máximo de dano, ou hora de recuar, porque sua vida está baixa, você está cansado, está envenenado, sua arma perdeu o fio... é, tem muita coisa pra gerenciar.

Nessa porradaria solta o gameplay é muito satisfatório. Fui tomar gosto pelo Transmachado - o nome é ótimo, e a localização em português brasileiro está de parabéns pela criatividade em vários momentos - é uma arma que pode ser um machado ou uma espada. Não foi pouco o tempo que precisei para dominar essa arma, especialmente pela capacidade dela de se transformar tanto em machado quanto espada, mudando sua velocidade, alcance e até tipo de dano que inflige. 

A briga com os monstros é uma dança em que você precisa dominar a arma em uso, sua velocidade, alcance e possibilidades. O jogador precisa constantemente observar a posição do monstro, entender seu padrão de ataque - que vai mudar no decorrer da luta, refletindo o estado de fúria ou cansaço - e escolher os momentos mais adequados para se defender ou atacar. São vários detalhes, e ajustes de posição do jogador, direção e também qual golpe usado são cruciais para maximizar o dano, de preferência atingindo a parte mais sensível do corpo do inimigo.

Se por um lado a movimentação lenta do personagem força o jogador a ser mais tático na luta, os Cabinsetos compensam trazendo agilidade e tornando o jogo mais divertido porque, bom, ganchos com cordinhas sempre tornam os jogos mais divertidos, e essencialmente eles são isso. O jogador pode usar os Cabinsetos para subir, dando muita verticalidade ao jogo, para se mover rapidamente, para recuperar o equilíbrio após uma pancada ou até para se lançar contra o monstro em um ataque aéreo. 

Depois que você entendeu onde está tudo na vila que serve como hub do jogo - que está bem melhor de navegar, eu nem joguei direito o World e já vi a evolução em Rise -  conseguiu escolher a missão, conseguiu separar os itens que precisa para a caçada, entendeu o que está na caixa e o que está carregando com você, entendeu como alternar entre eles enquanto está tomando porrada e enfim entendeu a hora de atacar e a hora de recuar, uma coisa acontece: você acha a tal da diversão.

Chegando no topo

Não vou mentir, eu precisei me esforçar. Não no sentido heróico de sacrifício pessoal, mas no sentido millennial preguiçoso e impaciente que vai trocar de canal se não ficar interessado nas três primeiras falas de uma série, ou vai pular a faixa depois dos dois primeiros acordes da música. Foram umas 5 horas para parar de ficar confuso e, pra ser sincero, o jogo clicou de verdade depois de 10 horas.

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Foi ali pelos dois dígitos que enfim eu parei de me sentir tentando juntar todos os elementos que formam Monster Hunter e realmente começar a apreciar o jogo em si. Foi quando deu para se sentir confortável o bastante para, no meio da luta, admirar seu Amigato e Amicão - sim, o jogo é bastante japonês e mascotes ultra-carismáticos é um dos pontos altos de disso - tomando um pau do monstro enquanto você recuou para tomar uma poção de cura. Ou eles te carregando em um carrinho de mão quando foi você quem tomou a surra e desmaiou.

Com enfim uma arma dominada, você também consegue agora planejar e executar ataques mais completos. Tipo esperar o monstro atacar, aí usar a janela em que ele se reposiciona para rolar para baixo dele e emendar um X - seguido do rolamento no Transmachado isso faz um golpe estilo estocada de baixo para cima - depois um A - vai fazer o movimento contrário de cima pra baixo em diagonal - e depois encaixar o X+A - se você está com o Transmachado na forma espada, e com a barra suficientemente carregada, isso irá fazer um movimento devastador de estocada com uma vibração, infligindo muito dano. Acho que a descrição do que eu dei da sequência deixa bem claro o quanto cada arma é rica em possibilidades, assim que você supera a barreira que é entender as combinações.

Com essas mecânicas dominadas, o maior problema para começar Monster Hunter se torna o maior motivo para continuar jogando: a variedade absurda de possibilidades. Dominar o Transmachado foi árduo, mas agora que entendi como usá-lo, dá muito mais vontade de experimentar o quanto o jogo vai mudar, e o que mais vou poder fazer, se optar pelas demais armas do repertório. O quanto vai mudar o padrão do próximo monstro, qual a poção que eu preciso levar para encarar um Grande Izuchi ou onde vou conseguir um determinado item para fazer aquela armadura maneira porque, a essa altura, o game virou festa.

Vale a pena?

Eu não acho que dá para recomendar Monster Hunter Rise para qualquer jogador. Vejo um grau de comprometimento alto no início, até todas as mecânicas serem abstraídas pelo jogador e enfim ele poder parar de se sentir sendo oprimido pela quantidade de tutoriais e menus que serão lançados nele no começo.

Mas superado o susto inicial, eu legitimamente estou me divertindo muito agora, com minhas 20 horas de gameplay acumuladas. Enquanto no começo eu tinha vontade de gritar quando MAIS UM PERSONAGEM aparecia pra me ensinar MAIS OUTRA COISA PRA FAZER, agora entrei em um estágio que eu mesmo estou pesquisando na internet outro possível combo para a arma, ou onde tem um item para a próxima evolução da minha armadura.

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A complexidade que assusta na entrada é o ponto negativo no começo se torna o ponto forte depois

E é impressionante quanta profundida o jogo tem. Me sinto ainda raspando só a superfície, e não estou errado: em média você precisa de umas 20h pra fazer só a campanha principal, mas se quiser explorar mais de tudo que o jogo tem para oferecer vai passar fácil das 100 horas, e pode ultrapassar as 200 horas se quiser pegar tudo que há para ser pego, usando de referência os dados do How Long to Beat.

Quanto a plataforma, mesmo com o jogo vindo para o PC e essa sendo minha plataforma favorita para games, Monster Hunter Rise caiu muito bem para o portátil. Não tive problemas com performance e os gráficos estavam em ótimo nível. A possibilidade de jogar missões maiores ou menores encaixou muito bem com a vibe "pega joga um pouco e larga" do console da Nintendo e a exploração e coleta de recursos no mapa casam bem com aquele gameplay com atenção compartilhada com a televisão.

O que eu não fiz, e não senti falta, foi do multijogador. É possível realizar missões cooperativas, mas para mim o Switch é plataforma para jogar sozinho ou para multijogador de tela dividida, e não senti nenhuma falta de jogar com outras pessoas. Não descarto o potencial que esse jogo tem para ser jogado com amigos, mas nesse caso acho que aí prefiro esperar por sua versão para computador, com todo o poder gráfico adicional e o maior foco que tenho quando jogo com amigos. A versão para Nintendo Switch já está disponível agora, enquanto a versão para computadores deve chegar no começo de 2022, ainda sem uma data definida. 


RECOMENDA? SIM Complexo de ser aprendido, game é extremamente satisfatório depois de dominado
PRÓS
Gameplay interessante
Muitas armas para testar e dominar
Monstros, armas e itens variados
Excelente trabalho de localização para PT-BR
Bons gráficos...
CONTRAS
... para o que é possível no Switch
Menus muito complicados
Começo truncado com muitos tutoriais
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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