ANÁLISE: Super Mario 3D World + Bowser Fury

Enfim no Switch o game tem uma chance maior de brilhar
Por Diego Kerber 21/04/2021 10:48 | atualizado 22/04/2021 14:18 comentários Reportar erro

Super Mario 3D World + Bowser Fury é um game exclusivo para Nintendo Switch que coloca o icônico mascote da Nintendo em um misto da mecânica tradicional da série Super Mario, com elementos bidimensionais e progressão linear de fases, com camadas adicionais de três dimensões em alguns momentos. Originalmente lançado no Wii U, o game ganhou melhorias e novos conteúdos em sua versão para o console portátil da Nintendo.

Joguei o game até o final no Nintendo Switch, sem ter experimentado o game no Wii U. As impressões dessa análise são de alguém tendo o contato com o jogo pela primeira vez.

Se tem algo que um game do Mario sempre pode contar é com seu legado, e Mario 3D World usa bem mecânicas e elementos de games anteriores. Os inimigos, muito do tempo, já são velhos conhecidos, você vai acumular moedas para juntar mais vidas, dar cabeçadas em cubos para pegar itens e correr antes que o tempo acabe, para saltar em uma bandeira no final da fase.

Mario 3D World mistura muito bem mecâncias clássicas com novas adições

Isso tudo vai ter uma excelente ressonância com alguém que jogou os tradicionais Super Mario do SNES, mas não é preciso enxergar as referências para se divertir nele. Na realidade, acho que ele brilha nos momentos que adiciona mais a experiência dos games anteriores, e aí que entra o 3D em seu nome.

Diferente de um Mario 64 ou um Mario Galaxy, onde você tem uma câmera que se movimenta de forma mais ampla, Super Mario 3D World tem um mapa que é tridimensional, mas em vários momentos brinca com mecânicas bidimensionais, trazendo de volta a nostalgia dos games do Nintendinho e do Super Nintendo com trechos em que você joga totalmente em 2 dimensões (algo que a franquia já brincou em outros games como Super Mario Odyssey) até outros momentos que, apesar de serem em 3D, o posicionamento da câmera e do cenário fazem o jogador pensar muito mais de forma bidimensional.

O game traz uma boa variedade de mapas, com layouts e mecânicas próprias que dão variedade ao jogo. As fases variam bastante entre si, com algumas envolvendo saltar entre plataformas moveis, outras desviar de barras, outras com alguns desafios de física e equilíbrio. A grande variação entre elas garante que seja impossível ficar entediado, já que a próxima fase vai ter um desafio bastante diferente da anterior.

A grande variedade de desafios das fases garantem que o jogador não sentirá monotonia

- Continua após a publicidade -

Outro elemento importante são os power-ups, vários deles novamente atacando a nostalgia com habilidades de games anteriores, como a Flor de Fogo, Flor Boomerang e a clássica estrelinha que deixa ele invulnerável. As adições desse game são o Super Guizo e a Duplicereja. No primeiro, Mario e Cia vestem uma roupa de gatinho e ganham duas habilidades, uma de meter as unhas nos inimigos, outra de meter as unhas nas paredes e subir um pouco mais pelo mapa. Na segunda, cada vez que o personagem pega a Duplicereja tem sua quantidade duplicada no mapa (sim, pode ir para bem além de 2). Assim é possível mover objetos que necessitam de peso de mais pessoas para agirem, além de exponenciar a capacidade de pegar objetos e bater em inimigos do mapa. Como os controles de todos são unificados, também é fácil perder rapidamente esses personagens extras.

O desafio está em um bom balanço. Há eventualmente algumas fases mais difíceis, mas é possível pular várias das mais complicadas, com caminhos que bifurcam e dão duas fases possíveis para avançar. Se você passar mais trabalho que o normal em alguma, o game tem um "modo penico" que entra em ação: o jogo entrega uma caixa com uma Super Folha Invulnerável que torna viável morrer apenas caindo para fora do mapa. Passada a fase, você mantém o modo Super Folha, mas perde essa invulnerabilidade. Quem não quer o "arrego", basta ignorar a caixa. Apesar de ser possível zerar as vidas, a mecânica de game over não segue mais o estilo dos jogos antigos, e você pode dar quantos "continue" quiser.

O principal elemento que me incomodou foi o combo de ações no mesmo botão. Correr, dar o ataque e agarrar estão todos no mesmo botão, fazendo com o que muitos acidentes aconteçam. O mais comum é você acidentalmente lançar seu amigo parar fora do mapa quando, na verdade, queria correr ou atacar um inimgo.

O desafio acaba ficando por conta do próprio jogador, boa parte do tempo. Os 300 segundos de cada fase mais que sobram pra fechar os níveis, mas começam a ficar mais limitados se você quiser juntar todas as estrelas, moedas e os carimbos colecionáveis. Esses itens adicionais, inclusive, costumam estar em pontos mais desafiantes do mapa, deixando por conta do jogador aumentar a dificuldade da fase tentando "pegar tudo".

O game conta com modo multijogador. É possível jogar em até 4 pessoas no modo local ou online, mas aqui acho que o jogo não saiu muito bem em escalonar para mais pessoas. Até dois jogadores ainda dá para avançar de forma confortável, mas é só encher mais a tela para ficar difícil de coordenar o caos que o jogo vira. Constantemente alguém vai muito na frente, ou muito atrás, e a tela vai ficando uma bagunça com jogadores sendo reposicionados, esbarrando ou jogando uns aos outros para fora das plataformas que já são desafiantes sem isso, tornando a experiência inferior ao gameplay até 2 jogadores.

Além do jogo do Wii U, a segunda parte do título já indica outro conteúdo: o Bowsers Fury é uma adição ao game com um gameplay de mais ou menos 6 horas, realizando puzzles para derrotar o Bowser em um mapa que lembra mais a experiência do Mario Odyssey. Além do controle mais livre da câmera, também há um gameplay para dois jogadores com assimetria, dando um papel mais fácil para o segundo jogador. Como já acontece no Odyssey, isso é um prato cheio para jogar com uma criança ou alguém que não domina bem os controles, por exemplo.

Super Mario 3D World é uma experiência sólida e divertida, com o grau de qualidade e inventividade que esperamos de um bom "jogo do Mario". Apesar de não se sair bem em muita gente, a experiência para um ou dois jogadores é excelente, e deve estar no radar de quem curte os games do encanador italiano, com pontos extras para quem quer um pouco de nostalgia, mas não é pré-requisito.

- Continua após a publicidade -

Com alto custo e raramente em promoção, os games firts party do Switch são um desafio ao orçamento

Alguns dos pontos negativos não são exclusivos desse game. O custo dos games na plataforma da Nintendo é altíssimo, então quem estiver interessado no game deve estar preparado para desembolsar R$ 299. Mesmo meses após o lançamento, ele segue nesse valor, e não é fácil achar os games first party para Switch em preços convidativos. Para quem encarar o custo, vai ter um bom game com algo em torno de 8 a 14 horas de entretenimento.

Super Mario 3D World é uma experiência sólida e divertida, com o grau de qualidade e inventividade que esperamos de um bom "jogo do Mario"

Bowser's Fury é uma adição interessante, com a sensação de "fase extra" para o 3D World, porém acho esse conteúdo insuficiente para justificar a compra por alguém que já jogou o 3D World no Wii U. Apesar de ser divertido, é pouco para fazer alguém encarar o custo de um jogo cheio por um pouquinho a mais de conteúdo. Mas considerando a adoção baixa do Wii U comparado ao sucesso do Switch, foi ótimo ver o game vindo para a plataforma mais nova da Nintendo, aumentando o número de jogadores que podem ter acesso a esse ótimo game.


RECOMENDA? SIM Mario 3D World + Bowser Fury manda bem unindo mecânicas clássicas e novidades
PRÓS
Excelente variedade de fases
Inimigos e mecânicas interessantes
Boa quantidade de fases
Todo o carisma de Mario e trupe
Multiplayer para até 4 jogadores
Localizado em português
CONTRAS
Mesmo botão para correr, agarrar e atacar
Jogar em mais que 2 jogadores fica uma bagunça
Alto custo de um firts party da Nintendo
Tags
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.