ASUS PRIME A520M-E: é boa essa placa-mãe baratinha da ASUS para CPUs Ryzen?

Placa tem projeto básico buscando competir entre as mais baratas do mercado para CPUs Ryzen 3000 ou superiores
Por Fabio Feyh 02/05/2021 17:54 | atualizado 02/05/2021 17:56 comentários Reportar erro

Recebemos para análise a placa-mãe ASUS PRIME A520M-E, modelo com o chipset mais barato da AMD quando falamos da série 500, o A520. Já fizemos reviews de várias placas-mãe com chipsets de alto e médio custo baseadas na linha AMD 500, leia-se X570 e B550, porém ainda não tínhamos feito de nenhum modelo de placa-mãe com o modelo mais barato, o AMD A520. Como principais diferenças sobre os chipsets posicionados acima dele, o A520 não traz suporte a overclock do processador e também não tem tecnologias como PCIe 4.0, além é claro dos projetos das fabricantes de placas-mãe buscarem preços mais baixos, logo, produtos mais simples em componentes, tecnologias e acabamento.

Site oficial da ASUS PRIME A520M-E

ASUS PRIME A520M-E é compatível com processadores da série Ryzen 3000 até Ryzen 5000. Dependendo o fabricante e modelo, a placa pode trazer suporte para mais processadores soquete AM4, já que  a maior limitação do suporte ou não está associado ao tamanho da BIOS e quanto ela suporta de informações.

O suporte aos modelos Ryzen 1000 e 2000 não é oficial, mas pode existir em algumas placas A520

Estamos falando de uma placa de baixo custo em formato Micro-ATX. De acordo com o site oficial com suporte a memórias de até 4600MHz, frequência ainda bastante alta. Esse modelo tem uma conexão de rede de 1GbE, conexões USB 3.2 Gen2 e também uma HDMI 2.1 com suporte a 4K 60Hz, interessante para quem vai montar o PC com um processador com gráfico integrado.

No Brasil atualmente a placa custa R$599, valor que antes era comum em placas intermediárias, mas é o que temos no momento. É possível encontrar modelos da mesma linha PRIME da Asus por cerca de R$500, e algumas placas de outros fabricantes custando ainda menos.


Tecnologias

Assim que batemos no olho em uma placa-mãe como essa, fica visível a busca do fabricantes em cuidar com o preço final que ela vai custar, pelas limitações em tecnologias, componentes e acabamento, colocando apenas o essencial para o funcionando de um computador, o que é algo bem natural e faz sentido para esse perfil de produto. Essas limitações não necessariamente transforam as placas em modelos ruins, eles apenas buscam o que é mais importante para o público e geral que deseja montar um computador, ainda assim com o que existe de mais importante a plataforma.

Abaixo as principais tecnologias destacas direto no PCB da placa.

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O Chipset A520

A AMD fala que o soquete AM4 é o que existe de mais "flexível" e com a melhor longevidade do mercado. SIM e MAIS OU MENOS. Abaixo, temos a tabela oficial da empresa com os chipsets lançados até agora.

Reparem que nenhum dos chipsets e, consequentemente, mainboards com eles suporta mais do que 3 gerações, ao menos oficialmente - sempre destacando que a Intel tem suporte a 2 gerações com um mesmo soquete por padrão. A diferença é que a AMD não muda o soquete - simplesmente impossibilita o uso de toda a linha de processadores, com o argumento de que o tamanho de BIOS não suporta uma quantidade maior de dados de processadores. Mas as fabricantes de mainboard podem contornar isso colocando BIOS com maior capacidade de dados, e logo suporte a uma quantidade maior de processadores, até mesmo toda a geração de modelos AM4 se assim for o desejo.

Mas novamente, em teoria, dependendo da placa e fabricante é possível ter suporte para toda a linha. Tanto é verdade que volta e meia vemos modelos suportando CPUs que não tem suporte oficial.

Placas com chipset A520 suportam oficialmente apenas modelos Ryzen 3000, 4000 e 5000, igual o modelo B550

Voltando a compatibilidade, inicialmente a própria B550 passou por muitas críticas já que, de forma oficial e que acontece com alguns modelos, não suporta gerações anteriores aos Ryzen 3000 e nem mesmo os modelos 3000G, com vídeo integrado. Ou seja, pode não ser possível conectar um Ryzen 5 3400G. Aliás, conectar vai ser possível, sendo que é o mesmo soquete AM4, mas pode não funcionar dependendo  do modelo e marca.

Limitações do chipset
O chipset A520 tem algumas limitações frente ao B550, modelo posicionado acima dele. Entre as principais o fato de placas com chipset A520 não suportarem overclock de CPU, assim como não suportarem PCIe 4.0, ficando limitado a velocidade do PCIe 3.0, mas que na prática, pouco muda, especialmente para esse perfil de produto.

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Nem acho que é uma grande perda em tecnologias para esse perfil de produto, focado em baixo custo. Talvez um problema maior seja justamente os projetos com componentes baratos de algumas empresas, que podem gerar um problema dependendo dos demais componentes do sistema, como um processador Ryzen 7 ou 9, que não é indicado para esse perfil de placa-mãe pelo TDP mais alto, consequentemente forçando mais os componentes da placa.


Fotos

Como não poderia deixar de ser, um projeto bem simples, em formato Micro-ATX. A placa é bem básica, já que busca competir no segmento de baixo custo, característica de modelos com esse chipset. Ela sequer possui dissipadores sobre os controladores de fases, com sistema de 4+2 VRM (CPU + Gráficos integrados).

Tem um slot PCI-Express 3.0 x16 e um M.2 PCIe 3.0, além de 4 conexões SATA. No quesito memórias, apenas 2 slots, mas é o suficiente para um dual channel. Não tem conectores para fitas RGB e é limitada também em conexões para FANs, que estão disponíveis na linha superior, modelos TUF. A linha Prime é o que a Asus tem de mais simples e barata, logo várias tecnologias não estarão presentes.

O painel traseiro conta com conexões USB 3.2 Gen 1 e até uma Gen2, além de HDMI, DVI e VGA para vídeo, por fim uma LAN de 1 GbE.

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BIOS

Como sempre destaco, a ASUS, em minha opinião, é uma das melhores quando se trata da interface e opções de suas BIOS, sem muitas alterações ao longo dos últimos anos e com opções visando facilitar a vida de usuários sem experiência. Esse modelo inclusive traz suporte para a tecnologia Resize BAR após atualização da bios versão 1401 ou mais recente. Essa tecnologia pode trazer um ganho de desempenho quando combinada com uma placa de vídeo que também tenha suporte.

BIOS DOWNLOAD - Asus PRIME A520M-E

 


Sistema Utilizado

Veja abaixo os detalhes do sistema utilizado na bateria de testes. Foi usado o mesmo em todas as plataformas, com exceção da placa-mãe.

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram os mesmos hardwares para os testes:

- Processador: AMD Ryzen 5 3600 [análise]
- Placa de vídeo: GeForce RTX 2080 Ti [análise]
- Memórias: 16GB G.Skill TrindentZ RGB 3200MHz (2x8GB) CL14 [site oficial]
- SSD Seagate FireCuda 520 500GB PCIe4 [site oficial]
- Cooler: Noctua NH-U12S  [site oficial] / CM MasterLiquid ML240L V2 RGB
- Fonte de energia (PSU): Thermaltake Toughpower 850W GOLD PSU

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 "2004" 64 Bits com Updates
- GeForce 460.xx

Aplicativos/Games:
- 7-Zip 2.x
- AIDA 5.xx
- ATTO Benchmark 4.x
- Cinebench R20
- wPrime 1.55
- 3DMark Fire Strike Ultra (DX11 - 4K)
- Red Dead Redemption 2 (Vulkan)
- Shadow of Tomb Raider (DX12)

CPU-Z
Abaixo algumas telas do CPU-Z, com detalhes da placa-mãe e parte do sistema utilizado nos testes. As memórias estão com frequência de 3200MHz, a máxima indicada pela AMD para o processador utilizado.

Para usar a frequência máxima das memórias, é necessário definir o perfil XMP na BIOS

Overclock
Como já destacamos na introdução, placas-mãe com chipset A520 não suportam overclock do processador.


Temperatura dos controladores de fases

A foto a seguir mostra como ficou o comportamento da placa em relação a temperatura dos VRMs no meio do teste do Blender. A placa atingiu 65º graus, temperatura bem acima dos 39º graus da TUF B550. Apesar de ainda dentro de um nível aceitável, mostra a diferença de um projeto sem nenhum dissipador frente a modelos com dissipador como a B550 TUF, além é claro da qualidade dos componentes. Utilizando um Ryzen 7 com TDP semelhante, a tendência é que a placa ainda segure bem, porém ao colocar um CPU com TDP superior a 65W, talvez o sistema apresente instabilidade ou queda de desempenho, novamente, algo esperado para um projeto que busca acima de tudo brigar no que existe de mais barato da plataforma.


Testes

Consumo de energia
Fizemos os testes do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema. Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso (IDLE).

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistema com vídeo integrado rodando o 3DMark, obtivemos os seguintes resultados de consumo:


Testes de desempenho
Temos uma série de testes de desempenho com o sistema, que você pode conferir abaixo.
Comparamos a placa com outros modelos do mercado, utilizando os mesmos componentes e fazendo exatamente os mesmos testes - com exceção de overclock, que é diferente em cada placa-mãe/sistema!

AIDA64 
Iniciamos os testes de desempenho em aplicações com o AIDA64 e seu teste de memórias, mostrando o resultado de leitura, escrita, cópia e latência. Confira abaixo:

ATTO Disk Benchmark
O ATTO é um bom aplicativo para teste de desempenho de unidades de armazenamento, sendo um dos mais utilizados para essa finalidade. Abaixo colocamos os testes do SSD FireCuda 520 que é baseado em PCIe 4.0, como esperado, funcionando normalmente, mas com desempenho limitado a conexão PCIe 3.0 do slot M.2 da placa. Essa situação acontecerá com todas as placas-mãe com chipset A520.

CineBENCH R20
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Adicionamos aos comparativos o teste Multi Core:

7-Zip
O software de compactação 7-Zip se tornou um dos mais populares do mundo por se tratar de um aplicativo de código aberto. Ele possui também um benchmark interno que vem sendo muito utilizado para métrica de performance. Abaixo, o desempenho dos sistemas com ele:

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, obtemos os resultados abaixo:

3DMark
Tratando-se de testes de desempenho gráfico do sistema, começamos com o 3DMark no modo Fire Strike Ultra, que usa resolução 4K:

Red Dead Redemption 2
Game da RockStar, com belíssimos gráficos e uma boa referência para medir o comportamento de sistemas. Nosso teste considera o game rodando sobre a API Vulkam.

Shadow of Tomb Raider
O mais recente game da franquia da Lara Croft, Shadow of Tomb Raider, traz ótimos gráficos, exigindo muito do sistema, mesmo os de alta performance.


Conclusão

A ASUS PRIME A520M-E é um produto de baixo custo e suporte as tecnologias mais básicas do mercado para quem busca montar um sistema com processadores Ryzen 3000 até Ryzen 5000. Em nossos testes ela não deu boot com processadores das gerações Ryzen 2000 ou Ryzen 1000, diferente do modelo TUF B550M-Plus que testamos, ao menos não até a versão de BIOS disponível durante nossos testes. As empresas tem seguido seu próprio caminho nessa questão de suporte a processadores, com alguns suportando mais processadores, e outros menos.

Se a ideia é montar um sistema visando um upgrade futuro para uso com um CPU mais potente, dependendo a linha, pode não ser o modelos mais indicado, especialmente se a ideia é utilizar um CPU de TDP mais alto como um Ryzen 7 5800 por exemplo. Essa placa é indicada para uso com CPUs de no máximo 65W, tanto pela qualidade dos componentes utilizados, como pelo restante do projeto que sequer traz dissipadores para os controladores de fases.

Projeto é bastante simples em componentes e tecnologias

Como toda A520, não será possível overclockar o processador, porém ainda é possível usar memórias com frequência altas. Logicamente não tem muito sentido o uso de memórias com frequências muito altas, mas é possível usar kits intermediários e ter bons resultados, especialmente quando combinado com um processador com gráficos integrados.

Em se tratando de tecnologia, o A520 não tem suporte para PCIe 4.0 como os chipsets acima dele, mas como já destaquei acima, não é algo que faz falta já que na prática essa tecnologia tem mostrado benefícios apenas em testes sintéticos de SSDs, de resto, não faz grande diferença. E vale destacar que é possível conectar um SSD PCIe 4.0, porém ele vai ficar limitado as velocidades da versão PCIe 3.0, mas novamente, não tem sentido o investimento para limitar o que esses produtos mais tops oferecem.

Como outras tecnologias que a PRIME A520M-E traz, uma conexão de rede de 1GbE, sistema de áudio com 7.1 canais baseados no chip Realtek ALC 887, conexões USB 3.2 Gen1 e uma Gen 2. Ela ainda traz uma HDMI 2.1, o que não deixa de ser curioso já que modelos bem mais caros não trazem suporte a essa versão mais recente do HDMI. Ainda em vídeo, mais uma DVI e outra VGA.

Baratinha, mas ainda tem modelos mais baratos que oferecem praticamente o mesmo

Para quem busca uma placa-mãe barata com suporte aos modelos Ryzen 5000, será natural pensar em uma A520 pelo preço delas frente aos modelos B550. É possível encontrar placas-mãe A520 com preço pouco acima de R$400, já uma B550 dobra de preço. Em se tratando da PRIME A520M-E especificamente, seu preço médio de R$599 é alto frente a outros modelos com esse chipset, já que poucas serão indicadas para uso com modelos de processadores Ryzen acima da linha Ryzen 5 com TDP superior a 65W. Ainda vale a pena ficar de olho nas B450, que podem trazer projetos melhores e preços semelhantes.

Finalizando, é uma placa-mãe "OK" e só, sequer chama atenção frente as demais placas com chipset A520 da própria Asus, especialmente pelo que oferece e pelo que custa.

PRÓS
Suporte as tecnologias necessárias para um bom computador
Suporte para memórias de alta frequência
CONTRAS
Não suporta modelos Ryzen 2000 e anteriores
Projeto bastante simples e limitado
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

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