Análise: Hitman 3 evolui e traz as melhores fases da trilogia

Mapas mais complexos e algumas mudanças na fórmula são bem-vindos
Por Diego Kerber 13/02/2021 00:11 | atualizado 18/02/2021 20:32 comentários Reportar erro

Enfim chegamos ao fim do novo ciclo de Hitman, iniciado com o game de 2016. Essa nova fase do agente 47 trouxe desconfianças com o formato episódico, que felizmente foi deixado de lado, e também essa partição em três games. O mês de janeiro de 2021 marcou a chegada do último game da série e podemos agora olhar para o título (bem como seus antecessores) e trazer nossas impressões sobre essa aposta da IO Interactive.A plataforma de testes usada para essa análise foi o PC. Falando nisso, já testamos o game no nosso computador da Crise e o jogo se sai muito bem  mesmo em hardwares limitados.

Mais do mesmo, aprimorado

Se você jogou algum dos outros dois títulos da trilogia Hitman, não vai ser pego de surpresa com o que está aqui no terceiro game. A essência foi mantida, com o grande destaque ficando para a complexidade dos mapas. O jogador tem total liberdade para explorar as localidades das missões, com muito espaço para explorar cenários cheios de possibilidades. E sem dúvidas esse é o ponto forte dessa trilogia e que o terceiro game leva ao seu ponto mais alto.

Game mantém e até aprimora os pontos fortes da franquia

Explorar as fases é a parte mais legal de Hitman III. Você precisa descobrir cada uma das áreas, seus caminhos, abrir atalhos e entender como se aproximar de suas vítimas de forma eficiente. Também vai um tempo de estudo para saber os diferentes disfarces disponíveis, a quais áreas eles te dão acesso e quais personagens é melhor evitar passar perto, porque vão perceber que você é um invasor.

Algumas das missões até brincam com a fórmula de uma maneira que os games anteriores não fizeram, mostrando um potencial ainda não explorado em sua totalidade, na minha opinião. Enquanto em um dos mapas há uma investigação paralela (Death in the Family) que o jogador pode realizar, resolvendo um mistério, há outra missão (Apex Predator) em que o planejamento "descarrilha" e o Agente 47 é obrigado a improvisar. Aqui temos um gostinho de como Hitman poderia ser se largasse seu molde de "cutscene seguida de briefing e jogador em ação no mapa" e derrubasse essas barreiras entre enredo e gameplay para uma experiência mais unificada.

Algumas fases saem um pouco da fórmula repetida ao longo da trilogia

Fechar a fase não acaba com seu potencial, já que o jogo incentiva em muito o replay. Cada vez que o jogador encerra uma missão, ganha novas variantes do desafio, com novos pontos de início desbloqueados, além de disfarces iniciais extras e até a possibilidade de encontrar itens escondidos.

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Outro motivo para jogar novamente são as conquistas. Cada mapa possui uma grande quantidade de oportunidades, como disparar gatilhos específicos, itens exóticos ou linhas narrativas, além de formas malucas de eliminar seus alvos. Para os jogadores "complecionistas", esse game é um prato cheio, e é bastante divertido tentar realizar assassinatos muito específicos como eletrocutar seu alvo durante uma sessão de fotos, usar o chifre de um unicórnio ou derrubar estruturas inteiras em cima de seus incautos contratos.

O alvo que escapou do Hitman

Se por um lado a IOI soube trazer os pontos fortes de Hitman em uma crescente no decorrer da trilogia, infelizmente alguns problemas estruturais nunca foram resolvidos. O principal deles, para mim, foi nunca realmente ter conseguido criar uma experiência imersiva.

Algumas barreiras sempre impediram isso de acontecer, sendo que a principal delas foi a inteligência artificial dos NPCs. Se por um lado a grande quantidade de pessoas nos mapas traz a real sensação de estar em um grande baile, uma cidade povoada ou em uma balada lotada, basta parar e observar o comportamento dessas pessoas para perceber a programação bastante limitada. Cada um anda em trilhos bastante delimitados e aparentes.

Isso acontece bastante no gameplay. Ao ouvir um barulho, todos os NPCs tem reações parecidas e bem artificiais. Em alguns momentos, parecem não perceber o que está logo ao seu lado, em outros, parecem onipresentes e com respostas instantâneas ao menor sinal de vacilo do jogador. Eventualmente, você começa a ver com clareza os gatilhos bastante óbvios da programação da inteligência artificial, e a ilusão de um gameplay mais orgânico se perde.

Isso também é sensível nas oportunidades que vão surgindo ao longo das missões, quando você escuta conversa entre NPCs ou encontra informações pelo mapa. Enquanto essas oportunidades criam vários dos momentos mais divertidos do game, com tudo de mais insólito para ser usado contra seus alvos, elas acabam virando uma passo-a-passo de como resolver a missão. Algumas vezes, fica aquela sensação de ler um detonado para fechar um jogo, além dos personagens seguirem os scripts de forma muito notável e pouco imersiva.

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Conteúdo, se você curte replay

Hitman 3 manteve a boa variedade de localidades que já marcaram Hitman e Hitman 2. Os cenários variam bastante tanto no layout, nos desafios e também no próprio visual, garantindo que o jogador não vai sentir uma mesmice quando ir de um para o próximo. No game são ao total seis:

- Dubai
- Dartmoor
- Berlim
- Chongqing
- Mendoza
- Os Cárpatos

Na prática, eu diria que existem cinco fases, já que Os Cárpatos atua mais como um fim "jogável" da narrativa, com um trajeto bem mais linear e menos complexo que os outros mapas.

Aqui entramos em um ponto que pode ser crucial na decisão de compra desse game. Dependendo de sua agilidade para realizar as missões (eu levo em torno de 45 minutos a 1 hora), esse game pode ser bastante curto. 

Novamente o fator de replay é muito importante para realmente tirar proveito do jogo. Realizar as mesmas fases novamente, mas com novos níveis de dificuldade, ou tentando pegar as conquistas usando métodos mais específicos, ou jogar o modo contratos, para enfrentar novos desafios criados pela comunidade, é um jeito de ampliar as possibilidades de diversão no game.

Jogar novamente os mesmos mapas têm muito potencial de novidades, mas não tem o mesmo efeito que a primeira "run"

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O problema é que nenhum mapa tem mais o mesmo brilho depois do primeiro gameplay. Mesmo mudando os alvos, os métodos ou adicionando novas camadas de desafio, a exploração deixa de ser um dos fatores de entretenimento. Sem o fator novidade, não é tão divertido explorar um mesmo mapa depois da segunda, ou talvez terceira vez. Isso sem contar que, após descobertos os atalhos, alguns mapas fiquem bem fáceis de serem navegados.

Conclusão

Hitman 3 traz um final satisfatório para a trilogia, com um enredo que com certeza não surpreende, mas que impele o jogador a querer ver o seu desfecho. O nível de qualidade gráfica e polimento do jogo me agradou bastante, a complexidade das fases atingiu um novo nível de qualidade e a IOI conseguiu entregar uma boa experiência com o último título do "Wold of Assassination", esse reboot da série.

Esse é um jogo fácil de recomendar para fãs do gênero stealth que curtem explorar meticulosamente os cenários e investigar todas as possibilidades para executar seus assassinatos. Os pontos em que ele falha é na inteligência artificial dos NPCs e na falta de uma sensação mais orgânica para a realização das missões, que ainda tem um jeitão de "vários gatilhos de programação". 

Algo que me frustrou foi a falta de localização. O game não recebeu textos muito menos dublagem para o português brasileiro, então a barreira da língua é algo que pode ser um impeditivo para alguns jogadores.

Esse game não é o final da franquia, o que não pega ninguém de surpresa, e espero que algumas coisas que foram experimentadas aqui ganhem mais espaço em futuros títulos, como missões que vão se "transformando" na medida que as coisas vão dando errado, ou missões paralelas interessantes como acontece na possibilidade de elucidar um mistério. Hitman tem muito potencial se abandonar a forma pronta que foi muito usada ao longo dessa nova trilogia.

Ele também depende de um pouco de replay para ter seu potencial realmente explorado, o que é uma pena, pois a experiência não chega ao mesmo nível da primeira vasculhada em cada mapa.


RECOMENDA? SIM Game melhora os pontos fortes e traz alguns de seus mapas mais criativos
PRÓS
Bons gráficos
Rodando leve no PC
Mapas complexos e interessantes
Reviravoltas nas missões
Alto potencial de replay das missões
CONTRAS
Inteligência artificial bem artificial
Falta de criatividade no enredo
Curto se você não for fã de replays
Sem localização para o português
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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