ANÁLISE: Razer BlackShark V2 USB - O retorno do que já foi o melhor headset da Razer

Um dos melhores e mais confortáveis headsets da faixa de preço

O antigo Razer BlackShark já foi considerado por muitos como "uma pérola no mar de lama que são os fones da Razer".

Tendo uma assinatura mais neutra e detalhada do que qualquer outro fone da Razer quando fora lançado em 2012, o primeiro Razer BlackShark foi um dos fones menos populares da empresa, pois não tinha iluminação, não tinha múltiplos alto-falantes, não tinha conector USB, não tinha "Surround 7.1" e seu design era copiado diretamente de fones de aviação em vez de ter um design "gamer". Fora que também tentava monetizar em cima do recém lançado Battlefield 3 (tanto que teve uma edição especial):

Porém, entre aqueles que tiveram oportunidade de testar os vários fones da Razer na época, não havia dúvida: este foi, por muito tempo, o melhor headset que a Razer tinha. Apesar disso, ele obviamente foi um fracasso comercial, pois quem queria Razer comprava outros fones mais "bonitos" e cheios de recursos, enquanto quem sabia que ele era o melhor fone da Razer normalmente tinha juízo suficiente para comprar fones ainda melhores de outras marcas.

Deem um pulo até 2020, e temos um mercado completamente diferente de 2012. Oferecer fones com baixa qualidade sonora já não é mais uma opção. Há muita concorrência e diversas marcas lançando fones realmente competentes no mercado - HyperX, Cougar, SteelSeries, Logitech, Sennheiser, Cooler Master, Galax e várias outras.

A Razer de 2012 não teria condições de competir no mercado atual, e a atual Razer sabe muito bem disso, tanto que atualmente vemos saltos enormes em termos de qualidade nos mouses e teclados da marca. E, para mostrar que o mesmo está ocorrendo em headsets, ela trouxe de volta uma versão melhorada do BlackShark com o Razer BlackShark V2 USB.

Ah wetto, mas e quanto ao Razer BlackShark V2 X?

Não vou fazer análise do Razer Blackshark V2 X, pois não vale o tempo. A Razer tentou fazer uma versão "mais barata" do mesmo fone, mas barateou demais. O conforto é ridiculamente inferior, a construção é inferior, o áudio é inferior e o preço acaba não sendo tão inferior quanto a perda de qualidade. É mais vantagem comprar concorrentes como o Cougar Phontum S, Pichau P851 ou Galax Xanova Juturna do que o modelo Blackshark V2 X.

Pode parecer o mesmo fone duas vezes na imagem acima, mas ao vivo nota-se que o projeto é outro - os materiais usados são outros... Enfim, o BlackShark V2 X acaba atrapalhando a situação da Razer, pois induz clientes ao erro e a pensarem que a única diferença dos dois seria o "USB" quando, na verdade, são dois fones totalmente diferentes. Esta análise não é válida para o BlackShark V2 X.

- Continua após a publicidade -

O BlackShark V2 X é um fone completamente diferente do V2 USB

Construção Externa

Um erro bastante comum entre o público gamer é pensar que fones "mais pesados" e/ou com mais peças de metal são "melhor construídos e mais resistentes". Mas isso não é verdade.

Fones exageradamente pesados, além de serem consideravelmente menos confortáveis, acabam sendo ainda piores em questões de quedas, pois o maior impacto e velocidade de queda causados pelo peso acaba danificando peças internas, como engates, fios e os próprios alto-falantes. Não é bom derrubar fone algum no chão, mas se ele for pesado o estrago será maior.

Embora sejam impressionante os materiais usados no Corsair Virtuoso, por exemplo, não considero a sua construção boa, pois seu peso é extremamente prejudicial ao conforto. Há metal sendo utilizado em peças que não precisavam , fora que custa quase R$ 2.000 e possui uma construção totalmente em courino sintético - e nem mesmo um par de almofadas extras.

O que torna um fone bem construído não é a quantidade de metal ou o peso dele, mas sim o uso inteligente de materiais nas peças certas

É possível, porém, fazer um fone que seja leve e bem feito, desde que utilize metal apenas nas peças necessárias - o que pode dar uma falsa impressão de fragilidade nas fotos ou na primeira vez ao pegar, mas após analisar a fundo, nota-se que é um fone extremamente bem construído. Um exemplo disso é o Sennheiser GSP 300. Outro é o Razer BlackShark V2 USB.

- Continua após a publicidade -

Embora muitas pessoas se assustem ao ver as finas barras de metal que seguram cada lado do fone, elas não são frágeis como aparentam em imagens. Pelo contrário, ao manusear o fone e aplicar força contra as mesmas, não consigo ver fragilidade alguma, apenas um design muito interessante e inteligente para manter o peso do fone baixo e ter uma estrutura resistente ao mesmo tempo.

Realmente gostaria de ver mais fones no futuro utilizando este mesmo tipo de encaixe, embora ele seja realmente feio visualmente e dê a impressão de "fragilidade". O restante da construção do fone é em um plástico de alta qualidade, enquanto na haste do fone há uma tira de alumínio para manter o arco no lugar e impedir que quebre.

Ao contrário do que parece, a estrutura do BlackShark V2 USB é extremamente resistente e bem feita

Quanto ao conforto, estou utilizando este fone há 6 meses, das 9:00h até quase 23:00h (pois, como muitas pessoas agora, faço Home Office), e não tenho dúvidas de que o Razer BlackShark V2 USB é um dos headsets mais confortáveis que já usei.

O Razer BlackShark V2 USB é um dos headsets mais confortáveis que já usei

O clamping (a força que o fone possui contra a orelha) é extremamente baixo, os ajustes de altura que ele possui nas laterais suportam muitos tamanhos de cabeça, desde pequenas até a minha cabeça XGG, o que poucos headsets fazem.

- Continua após a publicidade -

As almofadas de malha esportiva são fantásticas para quem usa o fone por longos períodos, e a estrutura bastante leve acaba sendo o ingrediente final para tornar seu conforto mais que excelente. Eu tenho uma cabeça "avantajada" e utilizo óculos, então infelizmente sofro com muitos fones que outras pessoas consideram confortáveis.

Ressaltando, temos aqui almofadas em malha esportiva (uma malha sintética de nylon), as quais eu considero o melhor tipo de almofada para fones gamer. Há várias marcas que utilizam esse tipo de almofada, as principais sendo a SteelSeries e Logitech. E dentre estas, a qualidade das almofadas do Razer BlackShark V2 USB é tão boa quanto a dos fones da SteelSeries e um pouco melhor que a da Logitech.

"Wetto, como é o isolamento?"

Almofadas de malha esporitva não isolam muito bem, mas calma! Embora o courino sintético de concorrentes seja muito melhor na questão de isolamento, ele é um material inferior nas questões de durabilidade e conforto. A malha esportiva é um material por onde ar pode passar com maior facilidade, além de ser lavável. Ou seja, é algo melhor para quem sofre em ambientes quentes, além de ser mais higiênica. Mas a principal vantagem é que malha esportiva não desgasta com o tempo, diferente do courino sintético.

Ou seja, você perde sim um tanto de isolamento, mas o ganho em durabilidade e conforto é muito maior. Além disso, isolamento em um fone nem sempre é algo favorável, pois para ter isso, pode ser necessário que o clamping seja forte, o que prejudica o conforto para quem tem uma cabeça "maior" e/ou usa óculo. E nem vamos entrar na questão de acústica aqui, pois há toda a questão de fones semi-abertos e abertos, mas esse é um assunto longo demais e o Razer BlackShark V2 USB é um fone fechado.

Fones com melhor isolamento não são "melhores" do que outros, pois muitas vezes sacrifica-se conforto e durabilidade

A parte interna do arco do fone também é em malha esportiva, o que, além de proporcionar excelente conforto, faz com que a durabilidade da mesma seja muito alta. Ou seja, novamente, não vai descascar com 2-3 anos de uso igual a outros headsets com courino sintético (incluindo headsets da própria Razer).

Mas se há uma parte que irá desgastar com o tempo neste headset, essa parte provavelmente será o logo da Razer na parte superior, este sim é feito em courino sintético:

Então esse fone tem uma construção quase perfeita, mesmo parecendo ter falhas?

Não, longe disso. Ele tem uma falha, a qual para muitas pessoas pode acabar parecendo uma vantagem, protuberando da parte de baixo da concha esquerda:

Este é um controle de volume analógico, controlado por um potênciometro analógico. E se há um problema extremamente comum em headsets que utilizam isso é um lado ficar mais alto que o outro, dependendo da configuração do volume, ou até com o tempo um lado deixar de funcionar.

Antes que gritemos e peguemos as forquilhas e tochas, esse é um problema geral, que ocorre com qualquer headset com esse tipo de controle de volume analógico. Ocorre com os Sennheiser G4ME One, ocorre com o Corsair HS70, ocorre com o HyperX Cloud Stinger, etc...

Só há duas formas para este problema não ocorrer:

  • Não utilizar controles de volume; OU
  • Implementar um controle de volume digital, seja através de botões ou encoders digitais (ex: Logitech G633, G933, Corsair Virtuoso, Void Wireless, XPG Precog). A forma mais fácil para saber se o controle de volume do seu headset é digital é ver se o controle de volume dele altera o volume do Windows. Se alterar, ele é digital.

O primeiro, obviamente, irrita gamers pois o controle de volume é uma função vista por muitos como "essencial", enquanto o segundo é incompatível com o conector 3.5mm (TRRS, P3) e pode não funcionar quando usado no PS4 e PS5 via USB.

É possível, porém, "contornar" este problema de forma inteligente: oferecendo ao consumidor dois cabos diferentes - um para conexão analógica (com controle de volume analógico) e outro para conexão digital (com controle de volume digital). É isso que fazem concorrentes como o XPG Precog e o Logitech G633.


Créditos: XPG Precog Review - Back2Gaming.com

Julgando o preço do Razer BlackShark V2 USB, ele poderia muito bem ter implementado essa solução, que eliminaria completamente esse problema e tornaria sua durabilidade ainda maior. E é justamente a falta dessa solução que eu considero como o "maior ponto fraco de sua construção". Faltou um cabo removível e múltiplos cabos.

Falando sobre cabos, o Razer BlackShark V2 USB possui um cabo 3.5mm TRRS (P3) de 1.8 metros. Ele pode não parecer grande coisa nas imagens, mas este é o melhor cabo que já vi sendo usado em um headset ou headphone. Normalmente, eu não sou de comentar sobre cabos, pois a maioria não é nada especial, mas este é diferente da maioria.

É difícil explicar em texto, mas este é um cabo de nylon trançado com grande ênfase em flexibilidade e baixo peso, e é o cabo de nylon mais fino que já vi em um headset. Quem já teve um Razer DeathAdder Elite sabe exatamente como é o cabo desse mouse.

Ele é extremamente leve, muito mais do que os cabos de nylon de outros headsets, mas mesmo assim não aparenta fragilidade como cabos de borracha. A impressão é que este cabo conseguiu misturar a durabilidade de um cabo de nylon trançado com quase a mesma flexibilidade de um paracord. Isto torna o headset mais fácil de manusear, diminui a impressão de peso do mesmo e torna mais prático para utilizar ele em outros dispositivos como celulares (e o conector em L também ajuda!).

Claro, assim como qualquer outro cabo, se você não tomar cuidado, é bem fácil criar "nós" nele, mas este é um preço que se paga pela flexibilidade do mesmo. O importante é que o cabo é tão leve e tão flexível que a impressão é quase a mesma de estar usando um headset wireless.

Qualidade Sonora

Resumindo toda e experiência com o Razer BlackShark V2, ele faz "OK" para sua faixa de preço, e esse é um ponto onde não sei se devo parabenizar ou criticar ele. É o mesmo nível de qualidade sonora que o SteelSeries Arctis 5 (que inclusive está mais caro) e é o que se espera de um fone de R$ 700~1.000.  Mas é um nível consideravelmente menor do que fones como o Sennheiser GSP 500 (R$ 1.400) ou HyperX Cloud Orbit (R$ 1.800).

Os graves estão presentes, mas a apresentação deles é um tanto bagunçada - em algumas músicas ficam ótimos (especialmente quando a batida encaixa em uma frequência específica), mas em outras podem ficar em segundo plano. Há bastante "massa, volume" nos graves, mas assim como vários outros fones desta faixa de preço, eles não possuem muita "velocidade" ou "controle".

Há um pico acentuado nos médios graves - em um momento o contrabaixo em uma música está bem no plano de fundo, em outro, quando atinge a faixa do pico, acaba ficando tão alto a ponto de afogar outros sons.

Uma leve equalização através do software ajuda a amenizar bastante este problema, mas esperava graves um pouco melhores em controle e precisão para um fone de quase R$ 1.000, tal como há na linha Sennheiser GSP 5XX e 6XX por exemplo. E sem comparação com o HyperX Cloud Orbit, que está em um nível bem acima - se bem que estes são fones com o dobro do preço...

O que realmente me agradou neste fone foram os médios - extremamente limpos, claros, bem detalhados e agradáveis. E ficam ainda melhores se você fizer a equalização para remover esse pico dos graves que o fone possui. Vozes são bem reproduzidas e claras, e instrumentos possuem um ótimo nível de detalhe.

Nos agudos, ele também é consideravelmente competente, um pouco mais do que eu esperava. Ele não possui recuo nos mesmos como muitos outros headsets gamer e da própria Razer possuem, e isso, em conjunto com seus excelentes médios, acaba fazendo dele um excelente fone para músicas, jogos e uso geral.

Agora, o que realmente não me impressiona nele é a questão do palco sonoro. Embora seja bastante fácil notar as direções de sons com o mesmo, a "sensação de ambiente" dele não é muito ampla. Nesse quesito, acho ele um pouco inferior ao Revolver S e G633.

Ainda assim, o desempenho em jogos é muito bom, embora não chegue a ser "excepcional". No Cyberpunk 2077, por exemplo, ele é extremamente realista e natural sem ligar o Surround, mas a localização de sons deixa a desejar, embora acredito que em parte isso seja culpa do próprio jogo.

Ligar o Razer THX Spatial Audio faz com que os sons do Cyberpunk 2077 se tornem mais amplos, mais fáceis de localizar quando começa um tiroteio, mas acaba deixando o áudio mais "fake". E nota-se uma perda de detalhamento nos sons e qualidade especialmente nas músicas do jogo.

Já o HyperX Cloud Orbit, no mesmo teste usando seu sistema Waves NX, consegue ter uma boa sensação de espaço, localização, não soa fake e não há perda alguma de detalhamento. Por isso, acho que o THX Spatial Audio faz um trabalho competente em tornar sons mais fáceis de localizar, mas acaba sacrificando muito a naturalidade sonora, algo que os algoritmos Dolby Surround (Revolver S, G633, G933) e principalmente o Waves Nx (Cloud Orbit), não fazem.

Então, fica sob escolha do usuário ligar o THX Spatial Audio e ter um áudio mais "fake", porém com maior facilidade para localizar sons, ou desligar este efeito para ter um som mais "realista".

O que é interessante é que o próprio sistema da Razer auxilia você a ligar/desligar ele de acordo com o jogo/aplicativo que está usando - o que é muito bom. Infelizmente, a maioria dos concorrentes não possui algo assim para gerenciar o que vai usar ou não a simulação de Surround, enquanto no Razer Synapse você pode deixar esse efeito ligado para jogos competitivos, desligado em jogos offline ou que não sejam em primeira pessoa, etc...

É muito mais prático do que ter que abrir o software da marca e ficar ligando/desligando toda vez, assim como ocorre nos concorrentes.

Enfim, a qualidade sonora do Razer BlackShark V2 USB é realmente boa e ele tem todo o direito de competir com fones dessa faixa de preço como o Sennheiser GSP 300, Logitech G Pro X, HyperX Cloud Revolver S e SteelSeries Arctis 5.

Então wetto, qual o melhor desses aí dessa lista?

Sinceramente, essa faixa de preço é complicada. Os headsets de R$ 700~1.000 são basicamente os produtos "intermediário premium" do mundo dos headsets. Similar ao que ocorre nessa categoria em smartphones, a maioria possui um preço inflado, nenhum pode ser considerado "high-end" e o "custo x benefício" é baixo. E não há "claro vencedor" em termos de áudio entre eles.

O maior problema dos fones da faixa dos R$ 700~1.000, e que também ocorre com o Razer BlackShark V2, é que não há uma "melhora considerável" quando comparados com headsets da faixa dos R$ 400~500. Claro, há mais recursos, o microfone tende a ser melhor, alguns possuem materiais melhores, mas na questão de áudio, não acho que fones como o Razer BlackShark V2 USB, SteelSeries Arctis 5, Corsair HS70, Logitech G Pro X e outros sejam superiores a fones como o Cougar Phontum S (R$ 400) ou Galax Xanova Juturna (R$ 350~400).

Você só começa ver diferença mesmo quando pula para fones como o Sennheiser GSP 500 (R$ 1.400), HyperX Cloud Orbit (R$ 1.800) ou então algo como um Philips Fidelio X2HR com um bom DAC e microfone externo (cerca de R$ 1.100 importando).

Ou seja, para quem já possui um bom headset da faixa dos R$ 350-500 (ex: Phontum S, Juturna, Cloud, Cloud II, Revolver, Alpha...), se você quer fazer um upgrade considerável em termos de qualidade sonora, eu recomendo que pule os fones de R$ 700~1.000. Não espere que o Razer BlackShark V2 USB ou qualquer outro headset desse valor seja um "upgrade" em qualidade sonora em cima do seu HyperX Cloud Alpha, por exemplo.

Já se você não possui um bom headset, ou então utiliza algum headset de baixa qualidade que custa entre R$ 100~300, daí sim acaba sendo vantagem pensar em comprar um headset de R$ 700~1.000 como o Razer BlackShark V2 USB.

Recursos e Extras

O Razer BlackShark V2 não possui muito em termos de "extras". O único extra que há é uma pequena bolsa de pano para carregar o fone, a qual também não aparenta ser de alta qualidade. Para um fone de R$ 700~900, ele certamente poderia ter mais extras - dois cabos diferentes, almofadas extras (embora as almofadas dele já sejam extremamente duráveis)...

Um dos recursos do Razer BlackShark V2 USB é a sua placa de som USB, a qual você pode usar no PC, PS4, PS5 e dispositivos Android com conexão USB, ou então pelo seu cabo 3.5mm, o qual pode ser conectado no controle do PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X e Nintendo Switch.

Infelizmente, apenas headsets "autorizados" pela Microsoft podem ser conectados e funcionarão nas portas USB do Xbox One e Xbox Series X, e o BlackShark V2 USB não faz parte desta lista. Não vou penalizar o BlackShark V2 USB, ou qualquer outro headset USB, pela Microsoft querer lucrar em cima de custos de licença para "headsets autorizados". 

Enfim, esta placa USB é vendida também separadamente, embora fico meio receoso em recomendar ela para o público geral, pois ela não aparenta ser muito "potente" - apenas o suficiente para alimentar fones fáceis de amplificar como o Razer BlackShark V2 USB e outros headsets de 32 OHMs. Quem tentar conectar um Philips Fidelio X2, AKG K240 MK II ou algo que precise de mais "energia", vai acabar se decepcionando.


Vamos agora falar sobre o software, e podemos pular toda a parte do Surround, pois já discutimos ela previamente. Então, restam apenas duas abas: melhoria e microfone.

O uso do termo "melhoria", sinceramente, é equivocado, pois o que fazemos nesta parte não é necessariamente "melhorar o áudio do fone", e sim ajustar sua equalização e usar alguns efeitos, o que nem sempre resulta em "melhorias". Mas enfim, temos alguns recursos interessantes aqui.

O recurso "ref. de graves" faz exatamente o que promete: dá um tanto mais de "impacto" e "massa" aos graves, mas ao custo de nitidez dos médios e agudos. Então, não é algo que eu recomendaria usar em jogos.

O recurso de "normalização de som" é sinceramente o mais interessante deste menu e algo que qualquer headset com software deveria ter. Mas antes que achem que isso é "grande coisa", o que esse efeito faz é nivelar o volume para que não hajam momentos onde volumes estão muito baixos ou muito altos.


Fonte: MP4gain.com

É possível ajustar o nível de força do efeito para que faça desde pequenos ajustes de volume (o que é interessante), nivele um bom tanto (o que pode ser necessário em alguns momentos) ou deixe tudo no mesmo volume (o que pode ser muito ruim em jogos).

Este é sim um efeito que pode ser muito interessante em alguns momentos (ex: jogos e vídeos do Youtube com volume baixo, assistir aquele streamer que grita demais sem estourar seu tímpano...), mas é algo que também pode ser feito com qualquer fone usando programas como o Equalizer APO. Não é algo "milagroso", não vai tornar seu gameplay melhor, mas é um recurso que todo headset com software deveria ter e a maioria não possui.

O efeito "nitidez de voz" não teve os resultados que eu esperava. Ele não chega a "anular sons de fundo e deixar apenas as vozes" como faz o Nvidia RTX Voice e nem funciona muito bem. Ele apenas faz alguns ajustes de frequências que supostamente deveriam deixar vozes mais claras, mas o resultado é ruim.

Prosseguindo, temos a aba de microfone, e alguns efeitos são realmente interessantes.

O "Vol. Microfone" é auto explicativo, a opção "Intensif Microfone" aplica um ganho de volume em todo o áudio captado pelo microfone, incluindo ruídos de fundo. Por isso, preferencialmente não deve ser usada (e nem precisa com o BlackShark V2, mas pode ser necessário com outros headsets conectados na placa).

O ajuste de "Gate de Voz" é algo simples que todo headset gamer também deveria ter. O que ele faz é impedir que sons abaixo de um certo volume ativem o microfone. Ou seja, o que ele faz é deixar o microfone "mudo", ligando-o apenas quando há um som com um certo nível de volume e assim impedindo que muitos ruídos de fundo sejam captados. Claro, isto não é nada novo e muitos programas e jogos possuem esta opção integrada, mas é bom ter isso também no software do próprio headset.

Já em "Melhorias", a primeira opção, "normalização de voz", faz exatamente o mesmo que a mesma opção para áudio, só que agora para o microfone.

 


Fonte: MP4gain.com

Isso pode ser interessante para dois casos:

  • Pessoas que querem falar extremamente baixo no microfone e que ele capte mesmo assim (ex: alguém jogando às 2 da manhã com família no quarto ao lado)
  • Pessoas que tem o (mal) costume de gritar no microfone e não querem estourar o tímpano de seus amigos/audiência, pois o nivelamento de volume vai fazer seu grito ter o mesmo volume que sua voz normal.

A segunda opção, Nitidez Vocal, faz alguns ajustes nos médios e agudos, o que pode ser interessante dependendo da tonalidade da sua voz, especialmente para pessoas com vozes mais "graves".

E a terceira opção é a Redução de Ruído Ambiente, a qual funciona muito bem. Não chega perto da "maravilha" da redução que é o Nvidia RTX Voice e achei um pouco pior que a redução do Sennheiser GSP 550, mas ainda assim faz um serviço bem feito sem deixar o usuário com uma voz de "pato esganado" como faz esse efeito na maioria das placas de som da Realtek.

Equalização do Microfone tem algumas opções pré-definidas, mas o melhor é você ajustar (ou não) de acordo com a sua voz e como você quer transmitir ela para outros, seja aumentando os graves, reduzindo os agudos, etc, etc... Vai ser muito subjetivo.

E a última opção é o Monitoramento do Microfone, a qual liga um retorno para que você possa escutar sua própria voz enquanto fala, o que pode ser interessante para verificar como está a captação, se há ruídos no ambiente, para escutar quando alguém grita o seu nome no fundo, auxiliar cantores, etc... Há um pequeno atraso neste retorno, mas não é nada que atrapalhe muito.

Todas estas configurações de microfone são coisas que podem ser feitas com qualquer headset através de programas como o Voicemeeter Banana, mas você precisa saber o que está fazendo ou seguir longos tutoriais para fazer o mesmo, enquanto no software da Razer basta clicar para ativar/desligar todos estes efeitos.

O que o software da Razer oferece não é de forma alguma algo "exclusivo", mas é esta facilidade de juntar todos estes efeitos interessantes em uma única interface de fácil uso que acaba sendo sua vantagem - e que falta no software de muitos concorrentes.

Conclusão

O primeiro Razer BlackShark já foi o melhor fone da Razer e, embora eu não tenha testado todos os modelos atuais da marca, posso garantir que o Razer BlackShark V2 USB é um dos melhores dela, senão o melhor.

Uma construção simples, mas extremamente leve e bem feita, o que ajuda muito no conforto do fone; almofadas de malha esportiva; uma assinatura sonora extremamente agradável e mais equilibrada do que se espera de fones da Razer; um bom microfone; uma ótima gama de recursos em seu software e um excelente cabo de nylon flexível, o melhor que vi entre headsets até agora.

A única falha deste headset, e que infelizmente ocorre por motivos de praticidade tanto nele quanto em diversos outros, é possuir um controle de volume analógico, o qual na nossa unidade já está apresentando "mal-contato" conforme é girado, deixando um lado mais alto do que o outro em certos volumes. Infelizmente, isso é algo que sempre irá ocorrer quando empresas implementarem controle de volume analógico, independente de marca e modelo. Não serão todas as unidades que terão problemas, mas um número considerável sofrerá disso.

Ocorre com alguns fones da Corsair, Logitech, Cooler Master, SteelSeries, Sennheiser, etc... Qualquer marca que colocar um controle de volume por potênciometro mecânico vai ter problemas com o tempo (fones com controle de volume digital via botões, encoders mecânicos ou encoders ópticos, não costumam ter problemas).

Mas a Razer poderia ter resolvido este problema com o cabo do fone destacável e incluso dois cabos, um com um controle de volume digital e conector USB, e outro com conector analógico e controle de volume analógico, similar ao que há em alguns concorrentes (ex: Logitech G633, XPG Precog). E pelo preço de R$ 700~800, isso não seria pedir demais.


Créditos: XPG Precog Review - Back2Gaming.com

Já na questão de áudio do Razer BlackShark V2 USB contra outros headsets de sua faixa de preço, não há um claro "vencedor".

HyperX Cloud Revolver S é bom, Logitech G Pro X é bom, Razer BlackShark V2 é bom, mas nenhum é consideravelmente melhor do que o outro. Quem quer áudio de melhor qualidade do que estes fones, deve procurar o HyperX Cloud Orbit, Sennheiser GSP 500 ou compre um fone como o Philips Fidelio X2HR (e um bom DAC para usar ele, senão pode parecer pior do que realmente é).

Mas, considerando o conjunto entre conforto, construção, recursos adicionais (software, surround, extras) e microfone, o Razer BlackShark V2 surpreendentemente acaba sendo um dos melhores nessa faixa de preço. A simplicidade de sua estrutura, a qualidade de suas almofadas, seu extremo conforto, os recursos de seu software... Tudo isso acaba gerando um fone realmente respeitável, algo que muita gente (eu incluso) não esperava da Razer.

Eu não recomendaria o Razer BlackShark V2 USB para pessoas que possuem foco extremo na questão de isolamento sonoro. Ele não "vaza propositalmente áudio", mas a sua estrutura, que faz pouca força contra a cabeça, e suas almofadas de malha esportiva, embora sejam as razões para o conforto deste fone ser absurdamente bom, são também as razões para seu isolamento sonoro não ser nada "especial".

Pessoas ao seu redor não vão escutar o que você está ouvindo em volumes médios, mas o fone não vai impedir o vazamento em volumes altos e nem lhe "isolar dos ruídos do ambiente". Se você quer isso, o HyperX Cloud Alpha é uma melhor escolha.

Porém, eu recomendo muito ele para quem possui foco em conforto, especialmente para usos prolongados (6 horas diárias ou mais). Se este é o seu foco, não há dúvidas: ele é o melhor da sua faixa de preço.

Se você possui foco em conforto para usos prolongados, o Razer BlackShark V2 USB é o melhor headset de sua faixa de preço

Seu preço inicial era próximo dos R$ 1.000, o que era terrível, mas atualmente é possível encontrar o Razer BlackShark V2 USB variando entre R$ 700~800.

Embora este seja um valor bastante alto, ele é uma das melhores escolhas desta faixa de preço, e embora eu ache que há alguns outros fones consigam ter vantagem em alguns jogos (ex: G633 e Revolver S), estas vantagens não são significantes o suficiente para ignorar sua alta durabilidade e extremo conforto devido ao baixo peso e estrutura extremamente bem planejada.

Se eu tivesse que escolher um headset até R$ 700 reais hoje, este seria o Razer BlackShark V2 USB. Apenas acho que, assim como outros headsets dessa faixa de preço, ainda há algumas falhas e espaço para melhorar.


PRÓS
Almofadas e arco superior em malha esportiva, mais confortável e muito mais durável do que o courino sintético
Excelente cabo, extremamente leve, flexível e ainda assim aparenta ser durável
Excelente conforto, simplesmente um dos headsets mais confortáveis do mercado graças ao baixo peso e qualidade das almofadas
Excelente microfone
Ótima qualidade sonora
Software extremamente completo, com opções interessantes para áudio e microfone
CONTRAS
Assim como qualquer headset com controle de volume analógico, o controle de volume começa a apresentar problemas com o tempo e uso
Pelo preço, poderia ter cabo removível e múltiplos cabos, o que também resolveria o problema acima
Tags
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 200 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.