ANÁLISE: Ducky Miya Pro Sakura - Um teclado lindo em todos os aspectos

A aparente simplicidade esconde o quão bem construído esse teclado é

Primeiro de tudo: o Ducky x Varmilo Miya Pro Sakura, na verdade, não foi projetado e nem produzido pela Ducky. Ele é de autoria da chinesa Varmilo, uma "concorrente" e parceira que possui foco em teclados sem iluminação. Embora ela não seja tão popular quanto a Ducky, é uma marca tão consagrada quanto em termos de qualidade.

Enquanto a Ducky vende algumas cores da versão 65% deste teclado, a Varmilo, além de vender o mesmo teclado sobre o nome Varmilo VA68M, também vende os modelos Full-Size e TKL, tal como o "Varmilo VA108M Sakura", que é a versão completa com numérico:

O Miya Pro também é vendido em diversas outras cores (algumas apenas pela Varmilo), sendo que a construção e recursos são os mesmos entre estes. Então, esta análise também é válida para as outras cores:


Mas apenas o modelo Sakura pode ser encontrado no Brasil atualmente. E o quão diferente este teclado vai ser de outros modelos da Ducky e outros teclados 65% que há no mercado? É o que vamos descobrir.

Construção Externa

O Ducky Miya Pro Sakura é sem sombra de dúvidas um dos teclados mais lindos que já vi. As fotos na internet não fazem jus ao quão bonito ele é ao vivo.

Há apenas três cores principais na construção do Ducky Miya Pro Sakura: branco, rosa quartz e rosa choque, junto com alguns leves detalhes em cinza. O corpo do teclado é totalmente em Rosa Quartz - até mesmo as borrachas para manter o teclado no lugar são rosa.

- Continua após a publicidade -

O acabamento é em plástico ABS Fosco e, por incrível que pareça, ele pesa 1,03 KG, sendo muito mais pesado do que o esperado para um teclado deste tamanho. Peso normalmente não é um indicativo de qualidade de construção, mas no caso do Ducky Miya Pro, acaba sendo.

A sua case é ridiculamente bem feita para uma case de plástico e extremamente grossa para um modelo desse tipo, sem nenhum flex (não entorta ao mexer) ou impressão de fragilidade. Quem subestimar ele ou comparar com outros teclados que possuem case de plástico, vai receber uma surpresa.

Há quatro bons pés de borracha na parte inferior para manter ele no lugar, assim como também dois pés de ajuste de altura, todos aparentando qualidade.

Na parte traseira do teclado, há um conector USB-C, o qual é um pouco mais largo do que o conector original para suportar uma maior variedade de cabos caso for de interesse do usuário, já que o mercado de cabos custom está se tornando cada vez mais popular.


- Continua após a publicidade -

Uma das coisas mais estranhas do Ducky Miya Pro é a sua largura. Diferente da maioria dos teclados 65% que há no mercado, o Ducky Miya Pro possui espaçamento entre as teclas principais e as teclas de navegação, assim como teclas dedicadas na direita para o Page Up e Page Down.

Isso, faz com que sua largura seja de 33,7 centímetros, pouco menos do que maioria dos teclados TKL (36 centímetros). Já outros teclados 65% costumam colocar apenas uma coluna adicional de teclas na direita do Enter e acabam tendo um comprimento menor.

Mas qual o motivo disso? O Ducky Miya Pro é um teclado mal projetado? Não, obviamente não.

Um problema comum de teclados 65% é que para que eles possam ter esse layout e apenas uma coluna adicional, algumas teclas possuem tamanho diferente do que o padrão do mercado.  O Shift Direito normalmente é menor, as ALT Gr, CTRL Direito, Menu e FN são menores ou estão faltando para caber as setas, as teclas Page Up  e Page Down estão em um "Row" (e portanto possuem uma altura fora do padrão) completamente diferente...

O resultado disso é simples: a maioria dos teclados 65% do mercado requerem kits de keycaps feitos de forma especial, enquanto o Ducky Miya Pro é compatível com quase qualquer set de keycaps Cherry MX.

Diferente de outros teclados 65%, o Ducky Miya Pro é compatível com quase qualquer set de keycaps MX, por isso seu layout "estranho"

- Continua após a publicidade -

Já nas keycaps, o Ducky Miya Pro, diferente de maioria dos teclados mecânicos que vemos hoje no mercado gamer, não possui translucência. Em outras palavras, as teclas não possuem partes transparentes para passar luz.

Isso é algo ruim? De forma alguma! A razão para não ter translucência é porque, diferente de quase todos os teclados gamer, o que temos aqui não é nem impressão Laser ou impressão Double-Shot, e sim um processo chamado Dye Sub, onde a tinta é injetada na própria keycap, similar a como são feitas tatuagens em pessoas.

Há três formas de ter "desenhos detalhados" em teclados, através de pad-printing (tinta aplicada apenas na superfície), adesivo (apenas um adesivo) e Dye-Sub (onde a tinta é injetada no plástico). E é possível fazer uma comparação com três coisas bastante comuns para que vocês entendam a diferença de qualidade e durabilidade cada uma:

Assim como double-shot, este método também é totalmente resistente a desgastes do caractere/desenho com o tempo, diferente de laser, laser com infill, adesivos ou pad-printing que são usados em teclados mais baratos.

Também, as keycaps do Ducky Miya Pro são feitas em plástico PBT de alta qualidade e são relativamente "grossas" comparadas com teclados comuns.

E quais as vantagens do Dye-Sub? Bom, duas: a primeira é que você consegue ter cores vivas nas teclas sem depender de iluminação para isso. Se compararmos a legibilidade das keycaps do Ducky Miya Pro Sakura com as keycaps de um teclado iluminado (o caractere é semi-transparente), fica óbvio qual dos dois é mais visível.

Mesmo o teclado de baixo (BlitzWolf BW-KB1) estando com os LEDs ligados no máximo da cor rosa, pelo fato de eu estar em um ambiente claro, as letras do Ducky Miya Pro são visivelmente mais nítidas e definidas.

A segunda é que é possível ter designs detalhados com cores diferentes, como é o caso da barra de espaço do Ducky Miya Pro:

Não é possível ter keycaps tão detalhadas e com diversas cores diferentes em processos de produção Laser ou Double-Shot* - normalmente keycaps desse estilo só podem ter um tom ou transparência.
*Existem algumas keycaps double-shot bem detalhadas e cheias de cores, mas não é normal e nem viável usar este método de impressão para fazer isso.

Há duas vantagens para Dye-Sub em keycaps: cores mais destacadas em ambientes claros e a possibilidade de ter artes mais detalhadas e coloridas nas keycaps. A desvantagem é não permitir que luz passe

Ainda assim, o Ducky Miya Pro possui iluminação, mas apenas na cor rosa. Isso produz um efeito bastante interessante em suas teclas, chamado de backglow, que é quando apenas o fundo das teclas fica iluminado.

E também produz outro efeito chamado Light Bleed (sangramento de luz) quando os LEDs estão ligados nas teclas rosas.

O que acontece é que a cor rosa da iluminação acaba sendo ampliada pela cor rosa da própria keycap, gerando este efeito. Isso ocorre com qualquer keycap colorida, independente o teclado.

Há quem goste deste efeito, há quem não goste. Pessoalmente, não sou fã do efeito em ambientes claros, mas ele fica interessante em ambientes escuros. Por isso, eu prefiro deixar a iluminação ligada apenas nas teclas brancas, o que é possível configurar através do teclado.

Aliás, eis a iluminação do teclado no escuro. Não é possível ver o que está escrito nas letras, mas o visual é simplesmente fantástico.


Enfim, a construção externa do Ducky Miya Pro pode parecer simples, mas, na verdade, é muito caprichada. Uma case de plástico de alta qualidade bastante reforçada e keycaps de alta qualidade em plástico PBT com uma impressão Dye-Sub extremamente detalhadas e bem feitas.

Construção Interna

Como já havia dito, este teclado não é produzido pela Ducky, por isso o que veremos no interior dele não deve ser considerado para avaliar outros teclados da marca. Ele, na verdade, é produzido pela Varmilo, e vemos várias menções a esta marca no interior do teclado.

Embora não seja tão conhecida quanto a Ducky, a Varmilo é uma das empresas mais respeitadas entre teclados sem iluminação, e certamente é isto que vemos dentro do seu interior.

Ao abrir o teclado, damos de cara com esta espuma escura, a qual é idêntica à espuma usada para proteger headsets, HDs e outros equipamentos em suas caixas:

Há algumas vantagens na utilização desta espuma. Primeiro, ela diminui a ressonância ao digitar, dando um som um pouco menos "agudo" aos switches. Não chega a reduzir o nível de ruído consideravelmente, mas torna o barulho diferente. Outra coisa é que ela também previne o famoso "Filco Ping", o "barulho de mola" ao apertar certas teclas, que é a ressonância entre o switch e a backplate.

Também, por estar basicamente em cima da PCB, ela acaba protegendo a PCB contra ações do tempo e umidade, assim como gerando alguma proteção caso caia algum líquido no teclado, já que a própria backplate é projetada para que líquidos escorram pelos cantos e caiam contra a case e essa espuma. Enfim, algo extremamente simples, eficiente e barato, mas que infelizmente vejo em poucos teclados.

Chegando finalmente à PCB, nota-se que o Ducky Miya Pro é muito mais complexo do que parece - mais do que teclados single-color normalmente são:

Todas as soldas do teclado são excepcionais - há o brilho característico de soldas bem feitas, não há qualquer vazamento e tudo está muito bem organizado, seja na solda dos switches ou dos LEDs. Realmente um exemplo de PCB bem feita, embora os vários "buracos" que ela possui mostrem que ela foi projetada para também suportar outros switches e LEDs além do Cherry MX.

A controladora do teclado é uma Holtek HT32F1654. É basicamente a mesma utilizada pela linha de teclados RGB da Ducky e também por vários outros teclados "topo de linha" em termos de recursos e iluminação, tal como o CM MasterKeys Pro L.

Um dos detalhes mais interessantes do interior deste teclado, são as múltiplas controladoras RGB do teclado, mais especificamente quatro MBIA043GP.

Sim, você leu isso corretamente. O Ducky Miya Pro Sakura, que não possui RGB, tem uma placa e múltiplas controladoras de LEDs com total suporte para LEDs RGB, embora curiosamente este teclado não ilumine switches Cherry MX RGB, apenas switches que tenham encaixe para 5mm RGB through-hole, tais como alguns switches da Gateron ou Kailh.

Curiosamente, não existe modelo deste teclado que seja RGB e utilize switches da Gateron ou Kailh. Há um modelo RGB, o Ducky Miya Pro Rainbow RGB, mas este utiliza LEDs SMD e portanto outra PCB.

Por isto, eu deduzo que a Varmilo começou projetando dois modelos diferentes deste teclado, mas acabou cancelando um deles - por isso vemos trilhas e componentes no seu interior que não são usados por este teclado. Isso é algo ruim? Não. Encarece o teclado? Muito pouco. Em larga escala, a diferença é minúscula - inclusive talvez seria mais caro para a Varmilo fazer duas placas diferentes do que ter uma só para os dois teclados.

Porém,  isso cria algo bastante interessante em termos de modificação. É possível atualizar o teclado com o firmware do modelo RGB. Isso sozinho não fará o teclado ser RGB, obviamente, mas se for do interesse do usuário, é possível instalar outros switches (ex: Gateron Silent Brown) e LEDs RGB 5mm no teclado. Talvez eu faça isso no futuro para testar o teclado com outros switches - que tal um Kailh Box Pink para combinar?

Enfim, a construção do Varmi-, digo, Ducky Miya Pro Sakura é extremamente bem feita, todas as soldas são bem feitas, a PCB é bem organizada, é instalado a espuma para prevenir alguns problemas, os componentes são de alta qualidade e o teclado pode não ter hotswap como alguns concorrentes, mas é igualmente interessante para modificação, caso for de interesse do usuário.

Recursos e Extras

Aqui, realmente os teclados da Varmilo se tornam diferente dos modelos da Ducky.

Embora pareçam simples, teclados como o Ducky One 2 Mini, Ducky One 2 SF e outros modelos da Ducky possuem manuais com 20 páginas cheias de recursos, macros, troca de funções de teclas, modo mouse, controle de efeitos de iluminação, etc... Há literalmente um bloco de notas no manual dos teclados Ducky, para você anotar o que aprendeu lendo o manual.

O Ducky Miya Pro não possui tanto, mas ainda assim é um teclado cheio de recursos, muito mais do que a maioria no mercado:

  • Para escolher os efeitos de iluminação, FN + Q, W, E, R, T, Y, U, I, O, P [ e ]
  • Para controlar o brilho, FN + Setas para cima/baixo
  • Para controlar a velocidade dos efeitos, FN + Insert ou Delete
  • Para gravar as teclas que deseja que fiquem iluminadas, FN + Tab, depois aperte o perfil que deseja configurar, aperte as teclas que desejam que fiquem acesas e depois FN + Tab para finalizar.
  • Para trocar os perfis de iluminação, FN + Seta para direita
  • Para desativar a tecla Windows, FN + Windows
  • Para trocar o a posição das teclas entre o FN e Windows, segure FN + Windows por 3 segundos até o Caps Lock piscar.
  • Para trocar a posição do CTRL e Caps, segure FN + CTRL esquerdo por 3 segundos até o Caps Lock piscar
  • Para trocar a função (1, 2, 3) do numérico para as teclas de função (F1, F2, F3), você pode pressionar FN + Numérico, ou então pressione FN + Page Up ou Page Down para trocar a função da linha inteira.
  • Para resetar o teclado, FN + D por 3 segundos

Destas, uma das funções que achei mais útil foi a fácil alternação entre as funções da linha do numérico (alterar entre 1, 2, 3 e F1, F2, F3 apertando FN + Page Up ou Page Down). Este "toggle" foi bem projetado, é de fácil acesso (FN + Pg Up e Pg Down), e a luz destas teclas é ativada para indicar qual função está ativa.

Enfim, o que separa teclados 65% como o Ducky Miya Pro de teclados 60% como o Ducky One 2 Mini é que eles são mais fáceis para se adaptar sem depender tanto do FN. O usuário pode continuar apertando Shift + Delete como sempre fez a vida inteira, e as setas que são usadas em muitos jogos e para navegação de arquivos do Windows estão disponíveis no teclado e são facilmente pressionadas.

Teclados 65% são mais fáceis para se acostumar, e o Ducky Miya Pro Sakura é ainda mais fácil do que vários outros teclados 65% exatamente por possuir um espaçamento para as setas e teclas de navegação, como também uma quantia de funções respeitável. Ele pode não possuir um FN Layer configurável como outros teclados da Ducky, mas quem compra um teclado 65% já espera não precisar mexer nisso.

Conclusão

Embora algumas pessoas tenham a impressão de que apenas teclados com RGB de marcas famosas sejam "topo de linha", o Ducky Miya Pro mostra o exato oposto disso.

Switches de alta qualidade Cherry MX, keycaps de alta qualidade em plástico PBT com método de impressão Dye-Sub, uma construção interna exemplar, estabilizadores muito bem feitos, uma boa quantidade de funções extras, um layout interessante e fácil para se acostumar... E diferente de outros teclados 60% com setas ou 65%, o Ducky Miya Pro é compatível com a maioria das keycaps que existem no mercado.

Quem falar que este teclado é inferior a outros com RGB mais baratos não sabe do que está falando, fora que os LEDs single-color do Ducky Miya Pro são mais duráveis a longo prazo do que LEDs RGB.

Ou seja, é um teclado que, em todos os aspectos, foi realmente feito para durar. Acima deste nível de qualidade, só mesmo teclados custom.

Porém, como é de esperar de um teclado com este nível de qualidade, ainda mais vendido pela Ducky / Varmilo, o Miya Pro possui um preço bastante salgado na faixa dos R$ 1.000. Nem mesmo importando conseguimos um preço muito diferente, o Varmilo VA108M Sakura custa R$ 960 importado da AliExpress.

São valores bastante altos, mas infelizmente o mercado high-end de qualquer tipo de produto possui preços extremamente altos no Brasil, e o Ducky Miya Pro Sakura não é exceção.

Há mercado para isso, e para quem quer um teclado rosa topo de linha o Ducky Miya Pro é realmente um dos melhores que há no mercado. Já para quem não pode pagar este preço, há a opção de comprar algum teclado mecânico americano (não há sets para ABNT2) e um set de keycaps PBT Dye-Sub da Aliexpress.


PRÓS
Boa quantia de recursos (embora menos do que o One 2 SF)
Excelente construção externa
Excelente construção interna
Layout extremamente intuitivo e fácil para se adaptar
Keycaps de altíssima qualidade em plástico PBT com impressão Dye-Sub
Switches de alta qualidade Cherry MX
CONTRAS
Preço muito alto
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 200 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.