ANÁLISE: Blitzwolf BW-KB1 - O melhor custo x benefício em teclados Bluetooth?

Um teclado com tudo para ser o melhor custo x benefício, mas...
Por Wellington Diesel 01/03/2021 21:18 | atualizado 02/03/2021 07:36 comentários Reportar erro

Recebemos para review o teclado BlitzWolf BW-KB1, modelo compacto dessa marca chinesa. A BlitzWolf é considerada por vários uma "concorrente da Xiaomi em eletrônicos", embora seja consideravelmente menor e não faça smartphones. Ela aparenta oferecer bons fones de ouvido (tanto TWS, quanto headphones Bluetooth), caixas de som Bluetooth e acessórios diversos a preços competitivos e com um nível de qualidade que normalmente é maior do que outros produtos "sem marca".

Link de compra do BlitzWolf BW-KB1 (cupom: BGBWKB1 - US$7)

Blitzwolf BW-KB1 é a oferta para o setor de teclados mecânicos da marca, tendo switches de alta qualidade Gateron, conexão wired/bluetooth, layout 60% com setas, keycaps ABS Double-Shot, bateria de 1900 mAh que supostamente dura 10 dias, software com macros, etc. Tudo isso, com um dos melhores preços entre teclados Bluetooth: na faixa dos US$ 50~55, consideravelmente menos do que concorrentes como o Anne Pro 2.

Será que ele realmente entrega tudo isso? É o que vamos descobrir.


Construção

Visualmente, não há nada muito chamativo no Blizwolf BW-KB1. É apenas um teclado do tipo 60% com setas, onde algumas das teclas são removidas (Menu, CTRL direito) e outras reduzidas em tamanho (ALT, FN, Shift) para caber as setas.

Isso torna o teclado um bom tanto mais fácil para se acostumar quando falamos de gamers (já que há jogos que usam as setas, seja para movimentação, menu, ou para funções específicas). Porém, torna mais difícil para conseguir sets de keycaps compatíveis com ele (embora existam).

Ao mesmo tempo, você também precisa se acostumar com a posição deslocada do Interrogação, ou então você pode, assim como eu, usar o software da Blitzwolf para trocar a função destas duas teclas - a escolha é sua.

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Quanto a sua case, o Blitzwolf BW-KB1 não possui nada de especial. Ele é um teclado do tipo floating keys (as laterais do teclado são expostas) e, diferente de alguns outros floating keys, ele não tenta utilizar a backplate (a placa de metal onde são montados os switches) como capa frontal, embora isso não o faça ser de forma alguma inferior a teclados que fazem. Isso só quer dizer que, se você encostar nas laterais de plástico dele, você não vai tomar um choque.

A sua case traseira de plástico ABS é bastante fina, e a backplate é extremamente leve - o que fica evidente pelo peso de 553 gramas, o que é menos do que alguns teclados 60% High-End (que nem bateria possuem). Mas é exatamente o que eu esperaria desta faixa de preço, e não é algo que afetará a usabilidade ou durabilidade do teclado ao longo prazo. O importante é que não há flex (o teclado não "entorta" ao fazer um pouco de força em sua carcaça).

Em sua traseira, o Blitzwolf BW-KB1 é um pouco acima da média. Há uma grande quantidade de borrachas e as menores são niveladas para que segurem o teclado no lugar mesmo quando levantando, o que é excelente. Apenas um pequeno detalhe, mas onde a Blitzwolf realmente acertou.

Na traseira também podemos ver o botão de energia, o qual liga/desliga o modo Bluetooth do teclado.

Assim como quase qualquer outro teclado mecânico atual, temos um conector USB-C

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Não há mecanismo de "stress relief", e o conector USB-C do teclado não aparenta ser "reforçado" pelo que pude ver em seu interior. Por isso, recomendo aos donos deste teclado terem bastante cuidado com este conector, para evitar que ele seja danificado.

Chegando nas keycaps, temos um kit ABS Double-Shot, o que é normal de teclados mecânicos brancos desta faixa de preço. São keycaps chinesas genéricas com uma fonte de boa legibilidade e que tornam o teclado muito bonito quando sua iluminação está ligada.

Algo que notei no Blitzwolf BW-KB1, e que certamente entusiastas de teclados mecânicos e alguns usuários comuns também irão notar, é a quantidade de wobble em algumas de suas teclas (o quanto elas se mexem ao tentar "balançar" elas). Mais especificamente teclas maiores como o "Shift Direito", "Contrabarra" e "Caps Lock".

Essas teclas já são mais propensas ao wobble por serem maiores e mesmo assim não terem estabilizadores (sistemas de "suspensão" para proporcionar melhor estabilidade e resposta à tecla), mas as keycaps ABS Double-Shot genéricas tornam este wobble ainda maior do que o que há em outros teclados.

É algo que maioria do público vai notar? Não. É algo que vai atrapalhar? Provavelmente não. Mas ainda assim não seria aceitável se este fosse um teclado mais caro.

Enfim, a construção do Blitzwolf BW-KB1 é muito boa para sua faixa de preço. Há uma quantidade absurda de borracha para manter o teclado no lugar, independente se você usar os pés de ajuste de altura dele, não há flex em sua construção, as keycaps ABS Double-Shot são ótimas para um teclado desta faixa de preço.

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Ele possui alguns detalhes que seriam considerados "falhas" se este fosse um teclado mais caro, mas para sua faixa de preço, não há problemas.


Construção Interna

A primeira coisa que se nota ao abrir o Blitzwolf BK-KB1 é que este é um teclado extremamente fácil para se abrir. Há parafusos apenas embaixo das teclas nas fileiras do numérico e da barra de espaço - 6 parafusos no total. Parece até que o teclado foi projetado propositalmente para facilitar modificações e/ou manutenções, o que não duvido.

A segunda coisa a se notar é a sua bateria que, embaixo desta fita plástica dura, diz ter 1900 mAh, embora eu não tenho o equipamento necessário para verificar se isto é verdade ou não.

Em seguida, temos a sua PCB, na qual infelizmente encontramos algumas surpresas:

Para começar, as soldas aparentam ser feitas manualmente. Não é nada raro em teclados mecânicos baratos ver soldas do tipo "through-hole" sendo feitas manualmente, e há até marcas que conseguem fazer um bom serviço mesmo sendo manual, mas infelizmente este tipo de serviço acaba inserindo o fator de inconsistência. Algumas soldas podem estar perfeitas, outras podem estar aquém do desejado, e é isso que acontece aqui.



Soldas que não completam os pads, soldas "refeitas" indevidamente para tapar o buraco no pad, restos de solda por toda PCB. Algumas soldas estão perfeitas, outras são "globs", em outras quase faltou solda....

O que me assusta, não são as soldas que quase foram mal feitas, mas o nível de inconsistência entre as soldas realizadas no teclado.

Porém, não criemos pânico. A Oficina da Net realizou uma análise do mesmo teclado e, embora o teclado deles também não tenha sido "exemplar", estava muito melhor do que o nosso.

Por isso, fica a dúvida do quanto realmente estes problemas de solda irão afetar todos os teclados. Este problema aparenta ser causado por algum funcionário realizando um processo que, na verdade, deveria ser automatizado ao máximo. Mas, acima disso, o Controle de Qualidade da Blitzwolf deveria ter rejeitado esta placa, e é essa falha na rejeição que realmente não deveria acontecer.

Enfim, temos uma controladora HFD2201KBA realizando quase todas as funções do teclado, seja o controle da iluminação, reconhecimento de teclas e comunicação USB. O uso de uma única MCU para esta função tende a tornar os teclados baratos, mas também significa que ele é completamente incapaz de fazer efeitos de iluminação muito "avançados" (ex: reagir a músicas, integração com jogos, etc...):

O módulo Bluetooth é produzido pela Cypress, o qual apresentou um desempenho excelente enquanto usamos o teclado:

E temos os switches mecânicos da Gateron, os quais são alguns dos melhores switches mecânicos do mercado e excelentes para um teclado da faixa de preço.


Recursos e Extras

Vamos falar sobre os seus recursos agora, a começar pelo software:

O que temos aqui é um software bastante simples e leve, até um pouco "simples demais" em algumas partes, mas vamos lá.

Este software é incapaz de funcionar com o teclado via Bluetooth, o que é normal de teclados deste tipo. É necessário primeiro conectar o teclado pelo cabo USB-C e configurá-lo da forma que você quiser, pois as configurações ficam salvas na memória interna.

Apertando alguma de suas teclas neste menu, temos acesso à configuração de cada tecla, onde podemos definir uma função do teclado (ex: tecla), mouse (ex: clique), uma  macro, combinação, rodar um programa, multimídia ou função do Windows (ex: ALT + F4), ou então desativar escolhendo "Forbidden".

Temos a aba de efeitos, onde podemos escolher alguns como cor, direção e brilho. É possível também desligar a iluminação para aumentar a duração da bateria. Todas estas configurações de controle de iluminação também podem ser feitas através do próprio teclado.

Os efeitos não são algo "espetacular", como são em teclados Ducky One 2 Mini ou o Razer Huntsman Mini, mas ele faz o básico. E para um teclado que custa 1/3, o básico é o que espero.

Temos a aba "Game Mode™", onde o teclado tem a incrível função de desativar combinações como "ALT + F4" e "ALT + TAB".

Realmente, esta função era tudo o que faltava para tornar este um dos melhores teclados para "gamers™". Mas, falando sério, se fosse para implementar alguma função decente nesta aba, pelo menos o ajuste de debounce deveria estar presente.

E, por último, temos a aba de macros, onde temos um sistema simples, porém decente:

É possível editar macros depois de gravadas, ajustar a posição de cada ação, trocar a função de cada ação, ajustar o atraso depois de gravado... Enfim, ele tem todas as funções "básicas" que todo software de macros precisa ter.

Chegamos agora no que muitas pessoas vão considerar seu principal recurso, o Bluetooth.

Assim como em quase qualquer outro teclado Bluetooth, não é possível configurar o software do teclado pelo modo wireless. Você precisa conectar ele por fio no computador. O teclado permite ter até cinco perfis Bluetooth, sendo que você pode alternar entre dispositivos (ex: celular e computador) escolhendo perfis diferentes (ex: BT1 e BT2).

Como vimos na construção interna, o Blitzwolf BW-KB1 possui uma bateria que supostamente oferece 1900 mAh. Esta é a mesma capacidade do Anne Pro 2. Se esta bateria realmente entrega esta capacidade é uma boa pergunta para a qual infelizmente eu não tenho equipamento para descobrir.

Com esta bateria, ele entrega supostamente até 20 horas contínuas com os LEDs ligados (mas não é mencionado o brilho), e 10 dias de uso com os LEDs desligados (mas não é mencionado quantas horas de uso por dia). Pode parecer pouco a duração com os LEDs ligados, mas é realmente normal que teclados sem fio tenham uma duração drasticamente reduzida quando os LEDs são ligados.

Nos nossos testes, o teclado passou facilmente de 10 horas de uso com o brilho no mínimo, durando cerca de quatro dias com uso intenso (~8 horas por dia). Não foi possível calcular quanto tempo a bateria dele chega durar sem os LEDs, mas a promessa de "10 dias" aparenta ser real.

É importante mencionar que o teclado desliga a iluminação após 1 minuto de inatividade (basta apenas pressionar alguma tecla para religar), e ele se desconecta após 30 minutos de inatividade. Porém, basta pressionar alguma tecla para ele conectar novamente.

Assim como outros teclados Bluetooth, é difícil recomendar ele para jogos competitivos. É possível utilizar, especialmente em jogos que não requerem resposta instantânea do teclado (ex: Cyberpunk 2077, Yakuza 3 Remaster, Gears of War 5...), porém, para economizar energia, estes teclados possuem uma taxa de comunicação reduzida em comparação com teclados com fio ou que usem protocolos 2.4 GHz feitos especialmente para jogos (ex: Corsair K63 Wireless, Logitech G915).


O Logitech G915 é um exemplo de teclado wireless feito especialmente para jogos

Isso vai afetar principalmente ações que precisam ser feitas rapidamente com alta precisão (ex: strafing no CS:GO) ou em jogos de ritmo (ex: Muse Dash). Para uso casual, não é perceptível os problemas do Bluetooth, mas eles se tornam mais visíveis quando você precisa inserir comandos específicos com precisão e rapidez, o que pode acabar fazendo com que teclas não seja reconhecidas depois de pressionadas (especialmente se várias teclas forem pressionadas rapidamente) e/ou haja atraso no reconhecimento.

Ainda assim, entre os teclados mecânicos Bluetooth que já testei (Drevo Calibur, DAREU EK820-68, Anne Pro 2, Motospeed K83), o Blitzwolf BW-KB1 realmente foi um dos melhores. Não notei atrasos perceptíveis em jogos, não tive problemas com teclas saindo fora de ordem ou falhando, igual ocorrem em alguns dos outros teclados, no spacebar speed test não houve perda de desempenho entre o modo wireless e wired...

Porém, por não ser um protocolo otimizado para baixo atraso, eu não indico a utilização do modo Bluetooth, seja nesse ou qualquer outro, se você tem foco em uso competitivo. Quando for fazer isso, basta apenas conectar o teclado pelo fio.


Conclusão

O Blitzwolf BW-KB1 tem tudo para ser uma excelente escolha no mercado atual. Ele opera tanto wired quanto Bluetooth, mesmo sendo um teclado 60%, possui um layout bastante fácil para gamers se adaptarem devido às setas e não possui um preço inflado por nome/hype, como é o caso do Anne Pro 2 (que é um excelente teclado, mas que deixou de ser uma opção "CxB" há muito tempo).

Ele utiliza switches mecânicos de alta qualidade da Gateron, possui keycaps Double-Shot, uma bateria considerável de 1900 mAh e, embora o software não seja fantástico, é um pouco melhor do que a média dessa faixa de preço. Suas especificações técnicas para um teclado de US$ 52 são excelentes.

Link de compra do BlitzWolf BW-KB1 (cupom: BGBWKB1 )

Diversos reviewers, seja no YouTube ou em outras plataformas, já declaram ele como sendo o "melhor custo x benefício entre teclados Bluetooth", e eu também queria poder fazer o mesmo.

Ele poderia ser ainda melhor se tivesse configuração para a FN Layer. Os melhores teclados 60% do mercado permitem que você configure completamente a FN Layer (e até outras layers adicionais) para que possa criar os atalhos que quiser - seja fazer com que Caps + WASD sejam setas, que teclas mais usadas como o Print Screen fiquem em combinações fáceis de acessar (ex: Caps + E) e que o teclado fique completamente "ao seu gosto".


Teclados 60% possuem poucas teclas e, se você não pode editar as camadas de atalhos do teclado para tirar melhor proveito destas teclas, acaba tendo que se acostumar com as limitações impostas pela fabricante ao invés de ajustar o teclado ao seu gosto, o que proporciona uma melhor experiência e produtividade.

Embora seja possível configurar um bom tanto do Blitzwolf BW-KB1, faltou a configuração de FN Layers. E por esta razão, se você só vai utilizar o teclado no modo com fio, o Geek GK61 (que não é Bluetooth) pode ser uma escolha mais interessante do que ele, pois também utiliza switches de alta qualidade (Gateron Optical) e possui um software mais completo com configuração de FN Layers, embora a qualidade de tal software seja bastante questionável, de acordo com alguns relatos que li.

"Ah, mas eu quero um teclado que seja Bluetooth e também tenha configuração de FN Layer!". Nesse caso, você pode optar pelo Kemove Snowfox 61, que custa 25 dólares a mais.

Porém, não vamos ignorar o principal problema deste teclado, que é o controle de qualidade falho da Blitzwolf. As soldas da nossa unidade não são "exemplares" e há muita inconsistência entre elas, em parte porque este processo aparenta ser feito manualmente.

Mas não vou ser ridículo ao ponto de dizer que "todos os BW-KB1 vão ter problemas com o tempo". Isso não é verdade. O fato da unidade recebida pela Oficina da Net não apresentar os problemas desta é uma prova disso, e tenho certeza que verei comentários nesta review de pessoas com este teclado há quase um ano sem problema algum.

Já tivemos vários outros teclados com soldas "indevidas" em nossas análises, mas após contato com as marcas, notou-se que o índice de RMA da maioria foi extremamente baixo, seja o Galax Xanova Pulsar, Cougar Vantar MX ou outros.

É possível, e quero acreditar, que maioria dos teclados BW-KB1 não terão problemas. Também quero acreditar que, após publicada esta review, a Blitzwolf tomará atitudes para melhorar a qualidade de seus teclados em lotes futuros.

Porém, muita gente não gosta de brincar com a sorte, ainda mais quando estamos falando de um teclado importado da China e com uma garantia extremamente curta (quando sequer há garantia), e quando existem concorrentes como o Geek GK61, que pode não possuir Bluetooth, mas está na mesma faixa de preço e utiliza switches ópticos - os quais não terão problemas com soldas de switches (pois não utilizam soldas through-hole).

É inquestionável que, se considerarmos a questão das soldas, o Geek GK61 é um teclado superior em durabilidade.

No final das contas, eu fico conflitado com a nota que devo dar a este teclado. Ele tinha tudo para ter o selo ouro e, se fosse um pouco mais caprichado no software, poderia ter o selo diamante. Porém, as falhas do controle de qualidade da Blitzwolf realmente me impedem de dar uma nota tão alta a ele. Espero que a Blitzwolf tome atitudes para que, no futuro, eu possa trocar a nota desta review.


PRÓS
Excelente preço
Keycaps ABS Double-Shot
Ótima duração de bateria (cerca de 10 dias com os LEDs desligados)
Switches de alta qualidade Gateron
Trabalha tanto via Bluetooth, quanto Wired
CONTRAS
Não possui configuração de FN Layer
Nossa unidade possui problemas de Controle de Qualidade
Assuntos
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 200 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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