ANÁLISE: Hyrule Warriors: Age of Calamity é o complemento perfeito para Breath of the Wild

Jogo diverte, conta uma ótima história e quase trava o Switch às vezes

A saga Hyrule Warriors ganha mais um capítulo com Age of Calamity, game que traz o mundo construído e reverenciado em Zelda Breath of the Wild para a "porradaria" desenfreada que caracteriza essa mistura de "The Legend of Zelda" e o game Dinasty Warriors. Após quase destruir o joycon com combos e mais combos de golpes, vamos a nossas impressões com o game!

Complemento a Breath of the Wild

Enquanto o Hyrule Warriors originalmente foi criado como um game fora da timeline oficial da série The Legend of Zelda, Age of Calamity agora não apenas está inserido no "lore" oficial como também atua como um prequel de Zelda Breath of the Wild, contando como era o mundo 100 anos antes dos eventos de ZBOTW. 

Age of Calamity complementa a história de Breath of the Wild, trazendo mais detalhes dos personagens

Isso traz uma carga emocional ao jogo muito maior que a de seu antecessor, com uma história que evolui o enredo da franquia. Aqui conta muito para a experiência ter jogado o game Breath of the Wild, apesar de não ser um pré-requisito. Age of Calamity dá ao jogador a chance de olhar mais a fundo o relacionamento de Link, Zelda e todos os guardiões que vão fracassar em impedir Calamity Ganon e levar aos eventos de ZBOTW.

Assim temos, enfim, a chance de ver as preparações dos guardiões para enfrentar a ameaça que se aproximava, a crescente pressão que Zelda suporta enquanto tenta cumprir seu papel-chave na proteção de seu reino e também como as coisas chegaram ao seu estado antes do início de ZBOTW. Isso é especialmente satisfatório devido à forma como Breath of the Wild foi construído, com o jogador "juntando as peças" para entender o que aconteceu. Age of Calamity dá ainda mais peças para terminar a construção desse quebra-cabeças, e nos dá a oportunidade de ver mais a fundo os personagens que são mostrados de maneira vaga no outro game.

Não é preciso ter jogado ZBOTW para jogar Age of Calamity, mas definitivamente a experiência fica muito melhor

Mas quem não jogou ZBOTW, deve passar reto desse game? Acredito que não chegue a esse extremo, apesar de tornar a experiência menos completa. Age of Calamity sozinho já conta uma história muito satisfatória.

Assim como Breath of the Wild, esse game mantém o nível de talento de contar uma história simples, universal, que atinge todas as idades e ainda assim interessante de se acompanhar. Há vários arcos bastante básicos, como a rivalidade entre Revali e Link, a trajetória clássica do herói de Link, a postura paternalista de Urbosa, os alívios cômicos com personagens como Impa e Terrako, e até um arco mais introspectivo de Zelda e suas inseguranças. É realmente uma pena que a barreira da língua possa ser um impeditivo, já que o jogo não possui nenhuma localização para português brasileiro.

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Às vezes parece simples contar uma história composta de tantos elementos clássicos, mas não é. Age of Calamity consegue entregar essa aventura com uma leveza e qualidade que me fez querer avançar no enredo e poder ver a próxima cinemática. O carisma dos personagens faz com que cada missão nos faça querer descobrir o que irá acontecer com cada um deles, e a execução das animações e as artes mantém a qualidade da experiência. Mas Age of Calamity não é só pra ver, é pra se jogar também.

Gameplay

Age of Calamity não muda muito a fórmula usada em Hyrule Warriors, herdada de Dinasty Warriors. Você corre por uma série de mapas, alguns mais complexos, descendo a porrada em uma quantidade enorme de inimigos. 

Isso dá ao game um ritmo frenético e bastante satisfatório. Acertando bem o combo, dá pra admirar algumas dezenas de inimigos sendo lançados ao ar, e a contagem de nocautes (afinal, é um jogo da Nintendo, ninguém morreu) vai para a casa dos milhares. Literalmente.

Se tem algo que não faltou nesse game foi variedade. É possível jogar com todos os guardiões: os guerreiros incluem Link, Zelda, o brócolis gigante (apelido carinhoso que dei pro Hestu) e uma quantidade tão variada que vira até spoiler listar alguns. Todos possuem habilidades únicas que trazem mudanças no gameplay. Durante as batalhas é possível alternar entre mais de um personagem, então é fácil "sair da mesmice" de jogar sempre o com o mesmo e saltar para outro, ajudando o game a ganhar ritmo e variação. 

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O grau de variações, porém, com o perdão da frase horrível, varia. Alguns personagens trazem um conjunto limitado de possibilidades, casos como o dos Guardiões ou da Zelda, que trazem uma boa gama de melhorias para seus ataques, ampliando as variações dos combos e introduzindo novas capacidades.

Porém, o foco é no Link, e nele não faltam opções. Além da evolução de seus combos, Link também pode trazer mudanças no estilo de combate dependendo da arma. Ele também é cheio de personalizações, liberando novos equipamentos que podem, assim como em ZBOTW, serem tingidos e viabilizar visuais bastante variados. É uma pena que nem todos os personagens têm o grau de profundidade que ele, mas basta imaginar o quanto o jogo ficaria imenso para entender porque isso não é viável.

As missões são exibidas em um mapa, onde o jogador poderá entrar em batalhas ou distribuir recursos, que são acumulados nos combates ou adquiridos em mercados. Na medida que o jogador avança, ele pode gastar esses recursos melhorando as localidades de Hyrule, liberando novas capacidades para os personagens e tornando disponíveis novas fases. A quantidade é bastante abundante, com umas 30 horas de conteúdo fácil, e indo bem mais longe para quem quiser fazer tudo que há disponível.

O jogo tem quedas de performance ocasionais na campanha, e fica quase injogável no cooperativo

Mas aqui infelizmente temos que discutir um problema técnico que influencia negativamente no gameplay: as quedas de quadros. Na campanha solitária esse problema existe, mas é relativamente brando. Você manda um combo de granadas ou algo que envolva muitos efeitos na tela e... bang, o game fica injogável por alguns instantes. Sorte que esses períodos são curtos o bastante para não impactar excessivamente na jogabilidade. Mas há um porém. O modo co-op. 

Hyrule Warrios permite jogar com tela dividida, algo sempre louvável na plataforma da Nintendo, que aposta bastante no cooperativo de sofá ou até mesmo em outros lugares. Mas se o videogame tinha dificuldades jogando sozinho, em duplas o "mousse desanda":

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Eu não diria que o modo ficou impossível de ser jogado, mas ele passa bem perto desse limiar. A experiência em dois jogadores é divertida, e inclusive passei diversas das missões dessa maneira, mas a taxa de quadros vai até um nível praticamente inaceitável,. Ações como desviar de inimigos no tempo exato para buscar bônus no contra-ataque ficam praticamente impossíveis. Uma pena.

Conclusão

Hyrule Warrios acerta em vários aspectos. A história é muito satisfatória, bem executada e vai ter um impacto bastante grande nos jogadores que passaram por Breath of the Wild, apesar de não depender do outro game para ser apreciada. 

O gameplay é bastante divertido e variado, com uma boa quantidade de novos personagens e habilidades surgindo pelo caminho. Combinado com as excelentes cinemáticas, isso já é mais que o suficiente para manter o jogador entretido e fazer seu caminho até o final.

Uma pena que o Switch sentiu a grande quantidade de inimigos e o mapa amplo, o que faz o game enfrentar problemas de performance. As falhas são menos frequentes e graves ao jogar sozinho, mas o modo cooperativo, que é muito divertido, fica em uma área cinza. Eu consegui jogar, mas não tiro razão de quem considerar a experiência inaceitável nesse modo.

Age of Calamity é uma indicação sólida para fãs de Breath of the Wild, graças a combinação de ótimo enredo e gameplay satisfatório

Apesar desses problemas técnicos, o game ainda é uma indicação sólida. O gameplay satisfatório e um bom enredo vão garantir fácil mais de 20 horas de diversão se você "rushar" só a campanha principal, mas sem dúvida vale a pena jogar missões paralelas e desbloquear novas habilidades de recursos ao longo do caminho. É um complemento fantástico para quem está com saudade de Breath of the Wild, e precisa de algo para aguentar a espera pelo segundo game, que está a caminho.


RECOMENDA? SIM Age of Calamity combina ótimo enredo e gameplay, expandindo o mundo de Breath of the Wild
PRÓS
Ótimo ritmo do gameplay
Grande variedade de personagens e evolução dos combos
Muitas missões para fazer
Modo Co-op
Cinemáticas belíssimas
Um forte complemento da narrativa de Zelda Breath of the Wild
CONTRAS
Algumas quedas eventuais de performance...
...que viram uma constante no modo cooperativo
Algumas missões se tornam um pouco repetitivas
Sem tradução para português brasileiro
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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