ANÁLISE: Call of Duty Black Ops Cold War - Um bom jogo, mas que chegou cedo demais

Novo COD entrega qualidade de blockbuster, mas precisa amadurecer para vencer o principal rival: seu antecessor

Durante a última década, a franquia Call of Duty teve seus altos e baixos, mas, atualmente, a série de jogos de tiro está na "crista da onda" da popularidade. Lançado em novembro de 2019, Call of Duty Modern Warfare foi e ainda é um sucesso comercial: graças ao lançamento do battle royale gratuito Warzone, o título está mais vivo do que nunca - mesmo após mais de um ano de sua chegada ao mercado.

Apesar do sucesso contínuo de Modern Warfare, a Activision não quebrou sua cadeia de lançamentos anuais. Em novembro de 2020, a empresa trouxe ao mercado o jogo Call of Duty: Black Ops Cold War, produção liderada pela Treyarch, que é o primeiro lançamento da franquia feito com o PS5 e Xbox Series X/S em mente - o que inclui suporte para 120 fps e os gatilhos adaptáveis do DualSense -, mas sem esquecer a oitava geração de consoles.

Além de ser o primeiro Call of Duty cross-gen, o game também abraça as tecnologias da GeForce no PC. A produção conta com efeitos de Ray Tracing, suporte para Nvidia Reflex e o milagroso DLSS.

Mesmo com essas diferenças, em comparação ao antecessor, será que o game merece atenção dos fiéis jogadores da série que ainda estão se divertindo em Modern Warfare? Após 14 horas de multiplayer e um passeio pela curta campanha de Black Ops de PC, confira nossa análise do game e veja se o título vale a pena para você.

Gráficos, áudio e performance: Amém, DLSS

Como os gráficos estão em alta devido à chegada da nova geração de consoles, vale a pena começarmos falando sobre a parte técnica do novo Call of Duty. A análise do game foi realizada no PC, e os jogadores podem esperar um nível visual similar ao que temos em Modern Warfare, mas com alguns aprimoramentos e novas "firulas" que chamam a atenção.

A Treyarch embarcou de vez nas tecnologias da Nvidia, e Cold War traz mais efeitos de Ray Tracing que seu antecessor. As novidades são voltadas para sombras, mas os jogadores podem encontrar diversas superfícies reflexivas nos mapas para dar aquela enganada nos olhos. O resultado são ambientes chamativos durante a noite e com sombras definidas durante o dia.

O clima de espionagem adotado na campanha e a estética oitentista presente em todo o jogo garantem bastante imersão. Das luzes neon de Miami até a lama do mapa Cartel, é possível perceber o capricho da desenvolvedora no visual do game. Alguns bugs de texturas apareceram no caminho, mas nada que atrapalhe a experiência.

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Na parte gráfica para PC, a grande estrela mesmo é o DLSS. A tecnologia de anti-aliasing da Nvidia traz ganhos louváveis de performance em alta qualidade e permite o uso do Ray Tracing em 4K 60 frames por segundo até mesmo na RTX 2060.

Enquanto o uso do Ray Tracing faz mais diferença na campanha, o DLSS também traz benefícios durante o multiplayer. Para quem busca taxas de quadros mais altas, o recurso ajuda a manter o jogo bonito e acima de 120 fps em resoluções como Full HD, 1440p e, em alguns presets, até mesmo em 4K - isso mesmo em placas RTX mais modestas.

Áudio imersivo

Enquanto o visual do novo COD está ao nível de seu antecessor, mas com certos aprimoramentos, quem rouba a cena na parte técnica é o áudio. Toda a estética "80s" do jogo também é incorporada na parte sonora, com músicas que vão de hinos soviéticos até clássicos do rock.

Além disso, a parte sonora brilha na ambientação. As missões e maps em cidades ganham mais vida com o som de carros e os ruídos da população. O som em locais fechados também está equilibrado, permitindo ouvir passos com clareza, mas sem exageros, como aconteceu na estreia de Modern Warfare, no ano passado. 

O trabalho da Treyarch e estúdios adjacentes também brilha nos detalhes. Ao parar em um canto do mapa de Moscou após um tiroteio frenético, consegui ouvir os pingos de chuva caindo. Já quem utiliza a habilidade "Paranoia" vai sentir uma vibe de Hellblade: Senua's Sacrifice, com leves vozes na cabeça avisando a presença de inimigos próximos.

A dublagem também é satisfatória na versão brasileira e também não peca a ponto de quebrar a imersão do game. Todo esse cuidado, combinado com o visual dos anos 80, garante uma vibe de filme blockbuster para Cold War. O sentimento é ainda maior na campanha single-player, que deixa a seriedade de Modern Warfare para contar uma história que exala cheiro de pipoca de tão cinematográfica. 

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Campanha single-player: Vingadores vs Fantasma do Comunismo

Enquanto a campanha de Modern Warfare me fez chorar ao sentir o peso de puxar o gatilho, Cold War trouxe lágrimas aos meu olhos de tanto gargalhar. De efeitos com câmera lenta a flashbacks do Vietnã, o jogo adota uma estética de filme blockbuster de espionagem 100% hollywoodiano, o que garante um gameplay cheio de ação e uma história recheada de exageros.

A campanha traz uma ótica oculta da Guerra Fria e te coloca para acompanhar o esquadrão do Agente Adler, que é o líder de uma espécie de "Vingadores" do Ronald Reagin, o presidente dos Estados Unidos na época. O objetivo dos "heróis" é viajar por vários países em busca de pistas e parar um "fantasma comunista", o espião Perseus, que está tramando algo maléfico e que pode acabar com o mundo.

A trama pastelona se leva muito a sério em alguns momentos, mas vem acompanhada de um gameplay divertido e cenários bastante variados. Como a equipe comete crimes de guerra desde Cuba até Berlim, na Alemanha, temos missões de diferentes formatos e cheias de momentos empolgantes.

Mais liberdade e escolhas

Além de tiroteios e sequências explosivas com helicópteros, o jogo capricha nas missões de espionagem. O jogador é colocado em cenários mais abertos, em situações como invadir a casa de um suspeito e até se passar por um agente duplo, o que te permite explorar livremente uma base soviética.

A experiência cinematográfica e com mais liberdade também vem acompanhada de escolhas. O jogador pode deixar de lado certos conteúdos, como missões secundárias ou exploração de cenários, e deve tomar decisões que impactam no decorrer da narrativa.

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Enquanto algumas ações servem apenas para mostrar vertentes diferentes de diálogos, o que já garante momentos divertidos, outras acabam afetando de maneira profunda a história. Ao todo, temos três finais principais da campanha, que mesmo com momentos mais sérios, podem gerar gargalhadas pelo seu teor exagerado.

Esse passeio pelos anos 80 também é uma viagem cheia de nostalgia para quem é fã da saga Black Ops e de Call of Duty como um todo. Além de andar por aí ao lado do Capitão Woods, você vai esbarrar com mais rostos conhecidos da franquia.

Mesmo com inovações e uma entrega que garante diversão, a campanha de Cold War acaba sofrendo do mesmo problema que Modern Warfare: o conteúdo é bem curto. Eu terminei a história principal e consegui visitar os finais alternativos em menos de oito horas.

Considerando o sucesso de Warzone, a Treyarch podia ter segurado o desenvolvimento por mais um tempo para estender o conteúdo single-player. Mas, como boa parte dos jogadores de Call of Duty nem tocam nesse modo, é compreensível o lançamento de campanhas cada vez mais curtas. Considerando que Black Ops 4 nem mesmo teve uma história propriamente dita, o resultado entregue em Cold War está bem legal.

Multiplayer: divertido, mas repetitivo

Em relação ao multiplayer, Black Ops Cold War traz alguns dos acertos de Modern Warfare, faz o básico da franquia e também marca o retorno do modo de zumbis. O problema, porém, está na quantidade de conteúdo, além dos já tradicionais erros de conexão que assombram os jogadores nas semanas de lançamento.

O Multiplayer principal de Black Ops Cold War chega com crossplay e permite partidas com controle ou mouse e teclado. A estrutura de monetização com skins que não afetam o gameplay, bastante popular em Modern Warfare, também está de volta. O circo está armado para o jogo repetir o sucesso do seu antecessor, que também empresta algumas mecânicas de jogabilidade para o novo game da saga.

Além do sistema de progressão de patente, Cold War também adota novamente as armas com níveis, que liberam upgrades com a progressão de gameplay ou com a compra de "receitas" prontas. A Treyarch também manteve a opção de customizar loadouts durante a partida, o que é um detalhe pequeno, mas que ganhou meu coração em Modern Warfare.

A movimentação em Black Ops Cold War é mais compassada em comparação ao que temos em Modern Warfare, mas a jogabilidade ainda é bastante frenética e "pegada", além de trazer mais uso de veículos e também a possibilidade de nadar. O gameplay é simples para novos jogadores e quem já é velho de guerra vai se sentir em casa. O máximo que pode rolar é uma leve estranheza e, talvez por costume, eu ainda gosto mais do ritmo de MW e Warzone.

Para contribuir com a loucura das partidas, o novo jogo adota um sistema de baixas com pontuação cumulativa. Com isso, fica mais fácil de obter ataques especiais. A solução democratiza as torretas e ataques de Napalm para quem não costuma ficar vivo muito tempo, mas também gera momentos em que uma chuva de bombas toma o mapa.

Falta de conteúdo

Black Ops Cold War foi lançado com oito mapas principais e recebeu o clássico Nuketown pouco tempo após seu lançamento. Apesar de ser divertido, o multiplayer acaba se tornando repetitivo rapidamente por causa do conteúdo limitado. A variedade de modos no MP consegue entreter, mas chega um ponto em que você simplesmente cansa de jogar na fase dos barquinhos pela milésima vez.

Cold War chegou com poucos mapas de multiplayer em seu lançamento

Além de tornar o arroz com feijão do MP meio repetitivo, a falta de mapas também afeta os modos alternativos. O jogo conta batalhas de grande escala, incluindo uma variante que coloca dois times de até 24 pessoas para brigar, mas apenas três locais estão disponíveis no lançamento. Mesmo com a repetição, o modo se destaca pela bagunça e o uso de veículos, incluindo barcos e tanques.

A Treyarch também trouxe ao game o modo Bomba Suja, que pega algumas características de COD: Warzone e aplica em um combate de times para explodir certos locais do mapa. A novidade até que funciona, mas definitivamente não brilha como o Ground War e o Gunfight, que chegaram com o Modern Warfare e não estão presentes no novo game.

O maior descaso da equipe está no modo Cinema. A ferramenta que permite navegar por partidas passadas tem um grande potencial para ajudar criadores de conteúdo, mas está bastante "bugada" durante o período de lançamento. Apesar de secundária, a função certamente faria alguma diferença se recebesse um pouco mais de atenção da desenvolvedora.

Modo Zombies

O grande destaque dentro do multiplayer fica com o Zombies. O modo cooperativo traz uma historinha para embalar os combates contra hordas de zumbis e conta com referências para agradar os fãs da franquia. Além disso, o clássico Coop também oferece desafios interessantes, com diversos monstros e tarefas para serem cumpridas durante o gameplay. A Treyarch até manteve o clássico modo de jogo em tela dividida para até quatro pessoas. Porém, o PC acabou ficando de fora novamente. 

Enquanto o Zombies garante diversão, as limitações de conteúdo também estão presentes no mês de lançamento. Apesar das viagens interdimensionais e cães monstruosos, toda a ação rola em um mesmo cenário. O lobby do Zombies também traz o modo "Dead Ops", que rola em câmera isométrica, mas é mais um easter egg do que outro modo que receberá atualizações constantes.

Para piorar esse cenário, a Activision também realizou eventos em Modern Warfare e Warzone trazendo mortos-vivos, mostrando que, teoricamente, não existem barreiras técnicas, além das tradições dos estúdios, para lançar um modo Coop de zumbis no jogo anterior.

Conclusão

Call of Duty: Black Ops é um baita jogo, brilha nos quesitos técnicos e é praticamente um filme blockbuster em forma de jogo, do jeito que a gente espera uma produção de grande porte da Activision e com todo o amor pelos Estados Unidos que a franquia Call of Duty tem. Em sua campanha single-player, o game consegue transportar o jogador para seu mundo de espionagem e guerra contra o fantasma do comunismo. Já o multiplayer diverte com combates cheios de ação e um modo Zumbis nostálgico.

O principal concorrente de Black Ops é seu antecessor

Essa diversão, porém, dura pouco: além da campanha ser curta, o conteúdo do multiplayer é limitado, o que pode fazer o jogador migrar para o principal rival do game atualmente: seu antecessor. Com tantos conteúdos disponíveis em Modern Warfare, graças ao vínculo com Warzone, ainda parece cedo para pular em Cold War, que sai por valores a partir de R$ 229 no PC e R$ 279 nos consoles. 

A ausência de conteúdos extras faz imaginar que os resultados poderiam ser melhores se Cold War fosse adiado ou até mesmo ficasse para 2021. Apesar da jogabilidade de Modern Warfare não ser unanimidade na comunidade, o jogo ainda possui muita lenha para queimar e ainda recebe conteúdos que engajam o público. Desde outubro do ano passado, eu passei cerca de 200 horas em MW e Warzone, e ainda assim me surpreendo com a chegada de novos conteúdos, como o especial de Halloween.

 

Black Ops Cold War é muito bom, mas dá pra esperar uma promoção

Com isso em mente, a compra de Black Ops Cold War durante o lançamento só fica interessante para quem está em busca de aspectos tecnológicos. Quem comprou um console de nova geração poderá aproveitar gráficos em alta qualidade, visuais com Ray Tracing e até 120 frames por segundos, além do suporte para DualSense no PS5. Já a galera do PC vai ficar surpresa com os ganhos trazidos pelo DLSS, mas somente quem possui placas RTX, compatíveis com a tecnologia.

A situação do multiplayer deve começar a melhorar a partir de dezembro, quando a primeira temporada de Cold War será lançada e Warzone será integrado ao game, mas mantendo as características de jogabilidade de Modern Warfare. Empurrado pelo battle royale, o novo Black Ops certamente receberá aprimoramentos no quesito conteúdo nos meses seguintes. Com isso em mente, a dica é aguardar por mais novidades e, quem sabe, até por futuras promoções.


RECOMENDA? SIM Cold War é muito bom, mas vale a pena esperar uma promoção e novos conteúdos
PRÓS
Gráficos bonitos
Áudio imersivo
DLSS no PC
Multiplayer divertido
CONTRAS
Campanha single-player curta
Pouco conteúdo no Multiplayer
Problemas de servidor
  • Redator: Mateus Mognon

    Mateus Mognon

    Mateus Mognon é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Vencedor do prêmio SET Universitário na Categoria Reportagem Digital, atua nos sites do grupo Adrenaline desde 2014. Atualmente, colabora para os veículos com notícias, análises e artigos envolvendo tecnologia e games.

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