Playstation 5 - muito mais rápido, silencioso e com novidades no controle

Sony entra na nova geração com um excelente console
Por Diego Kerber 14/11/2020 18:39 | atualizado 14/11/2020 18:39 comentários Reportar erro

A Sony inaugura sua nova geração com algumas estratégias semelhantes a rival Microsoft, como a introdução de um hardware mais poderoso com suporte a gráficos mais avançados, o uso de Ray Tracing, taxas de quadros mais elevadas chegando a 120Hz e também SSDs no armazenamento, tornado essa geração de consoles muito mais ágil e eficiente no carregamento dos games.

Site oficial Playstation 5

Mas a empresa também conta com seus diferenciais. O primeiro é uma seleção de exclusivos de peso, com um histórico que conta com franquias como The Last of Us, God of War, Spiderman, entre outros títulos que já foram fatores decisivos na hora de escolher entre os consoles no mercado.

A outra grande aposta é no controle. Enquanto a Microsoft foi discreta nas mudanças em seu periférico padrão do videogame, a Sony foi longe em uma repaginada que inclui um design bastante diferente dos antecessores, mudanças na ergonomia e, principalmente, novas funcionalidades para mudar a interação do jogar com o videogame. Vamos conferir mais sobre o videogame no restante da análise!

Comparativo

Sony
PlayStation 5
Sony
PlayStation 5
Edição
Digital
Microsoft XBox
Series X
Sony
PlayStation 4
Pro

Preços

Preço no lançamentoU$ 499,00 U$ 399,00 U$ 499,00 U$ 399,00
Preço atualizadoR$ 4.699,00 R$ 4.199,00 R$ 4.599,00 R$ 3.000,00

Especificações

CPUAMD 8x Zen 2 Cores at 3.5GHz (frequência variável) AMD 8x Zen 2 Cores at 3.5GHz (frequência variável) AMD 8x Zen 2 @ 3.8GHz (3.6GHz com SMT) AMD customizada 8-Core @2,1GHz
GPU36 unidades de computação (10.28 TFLOPs) RDNA2 customizada 36 unidades de computação (10.28 TFLOPs) RDNA2 customizada 52 unidades de computação (12 TFLOPs), RDNA 2 customizada @ 1,825GHz 36 unidades de computação Polaris (4,2TFLOPs)
Memória16GB GDDR6/256-bit 16GB GDDR6/256-bit 16GB GDDR6 8GB GDDR5
Capacidade de armazenamentoSSD NVMe customizado de 825GB SSD NVMe customizado de 825GB SSD NVMe de 1TB HDD de 1TB
Armazenamento adicionalCompatível com HDD USB externo e slot NVMe disponível Compatível com HDD USB externo e slot NVMe disponível Compatível com drives USB 3.2 externos e expansor proprietário Compatível com HDD externo (2017)
MídiaBlu-ray Ultra HD Não possui leitor Blu-Ray 4K UHD Blu-Ray e DVD
ControleDualSense DualSense Controle Xbox One Series S/X DualShock 4
DisplayHDMI 2.1 HDMI 2.1 HDMI 2.1 -
Conexões3x USB 3.1, 1x USB Tipo-C, Ethernet, Wireless dual-band 802.11ac 3x USB 3.1, 1x USB Tipo-C, Ethernet, Wireless dual-band 802.11ac 3x USB 3.1, Expansor de armazenamento proprietário, Ethernet, Wireless dual-band 802.11ac HDMI 2.0a, 3x USB 3.1, Ethernet, S/PDIF, AUX 1, PS Eye
EnergiaFonte interna Fonte interna Fonte interna Fonte interna
Dimensões390mm x 104mm x 260mm 390mm x 104mm x 260mm 151 x 151 x 301 mm 327mm x 295mm x 55mm
Peso4,5kg 4,5kg 4,4kg 3.3kg
ExtraPlaystation VR Playstation VR Xbox Play Anywhere, retrocompatibilidade, Smart Delivery Compatível com câmera PS Eye, PS Move e PSVR

Análise em vídeo

Agilidade dos SSDs

Assim como o Series X e Series S da Microsoft, usar o Playstation 5 deixa evidente a principal mudança da nova geração: ela é rápida. Ligar o console, abrir um jogo, carregar uma fase ou navegar pelas interfaces acontece de forma praticamente instantânea. Enfim temos em nossos videogames uma experiência mais imediata que nossos smartphones e tablets já nos acostumaram, e que esperamos de um gadget moderno.

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Os tempos de carregamentos acabaram com aquela "olhadinha" na timeline para passar o tempo, e também reduzem a frustração de esperar a fase recarregar depois da (outra) frustração de ter morrido. Chega a surpreender a agilidade que saímos da tela de título de um game e a fase começar a rodar, que parece mais um leve esmaecer da tela do que um carregamento. Mas aqui temos uma vantagem para o lado da Microsoft: o Quick Resume realmente impressiona por não apenas carregar rápido, mas carregar do ponto que o jogo foi fechado anteriormente, algo que o console da Sony não faz.

Um design que atrai o olhar

Se a Microsoft apostou na discrição e em videogames que se integram com facilidade no ambiente, o Playstation foi criado para roubar as atenções. Seu visual é arrojado, com linhas bastante ousadas e um tom futurístico que pode agradar, ou não, depende do gosto do consumidor. Despercebido, porém, garanto que ele não passa.

Apesar da ousadia no visual, o design é extremamente funcional. Ele pode ser usado tanto na vertical quanto na horizontal, e a entrada de ar é feita pelo topo ou pela lateral esquerda (dependendo da forma como ele será usado). As suas duas abas criam um espaço que garante a entrada de ar pela grande fan que projeta ar para dentro do console. Diferente do Xbox que usa sua fan para exaustão, ou seja, projeta ativamente o ar para fora, no Playstation a fan joga o ar para dentro, e ele sai pela parte traseira. São duas abordagens diferentes, e ambas funcionam.

Mais do que funcionar, o Playstation conseguiu o mesmo feito que o Xbox Series S/X: ele é extremamente silencioso. Mesmo sob alta carga em longos períodos, é difícil perceber sua operação a menos que você praticamente encoste o ouvido no videogame. O único momento em que o console produz algum ruído mais perceptível é quando faz uso de mídias ópticas, e aí percebemos o som do girar do disco.

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Em conectividade ele está bem servido. São duas portas USB tamanho tradicional na parte traseira, mais uma tradicional na frente e uma porta USB Tipo-C. O videogame também pode usar uma conexão ethernet para ligar na internet por cabo, WiFi dual-band e bluetooth 5.0.

Uma das maiores divergências entre Microsoft e Sony nessa geração foi a expansão do armazenamento. A Microsoft optou pelo controle do ecossistema criando um padrão proprietário para forçar o uso de produtos desenhados especificamente para o Xbox. A Sony novamente facilitou o processo de abertura do console para dar acesso ao armazenamento, nesse caso uma conexão M.2 que é bastante fácil de se abrir, como mostramos no unboxing do console:

Ambas as abordagens tem benefícios. Em favor da Microsoft, temos o ecossistema mais controlado, então não há dúvidas se o SSD é compatível ou não com o videogame, além da praticidade de só "espetar" a expansão e já estar pronta a instalação. 

No caso da Sony, o processo é mais trabalhoso para encontrar um SSD adequado (a empresa vai falar mais sobre isso no futuro) e também abrir e instalar é um pouco mais trabalhoso, apesar de estar longe de ser algo difícil. E a vantagem é que ao usar um formato mais comum, aumenta em muito a oferta de produtos no mercado e, por consequência, os preços.

Gráficos trazem muitas possibilidades (e escolhas)

O Playstation 5 também conta com as tecnologias mais recentes da AMD em processador e gráficos, trazendo um aspecto bem equilibrado com a Microsoft nesse aspecto. Ambos trazem um processador de oito núcleos baseado em Zen2, sendo esse o ponto crucial que viabiliza não apenas os 60 quadros por segundo, algo que era alcançado eventualmente na geração passada, como também até 120 quadros em franquias voltas a ação e ao gameplay competitivo.

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Na parte de gráficos, porém, a Sony pisou menos fundo no acelerador. Enquanto o Series X traz um chip gráfico "parrudo", o Playstation 5 traz um chip mais modesto com frequências de operação mais altas. Isso faz com que o pico de performance do Playstation 5 seja de pouco mais de 10 TFLOPS versus os 12 TFLOPS do Xbox.

Na prática isso não impede o videogame de entregar gráficos belíssimos. Games como Demon's SoulsSpider-Man: Miles Morales já chegam mostrando o potencial gráfico que esse console possui, e existem momentos realmente deslumbrantes. Até o Astro's Playroom, jogo que é praticamente um "showroom" do Dualsense, já mostra o potencial dos 60fps para um jogo com muita ação, ainda mantendo a resolução 4K e belos efeitos gráficos.

Mas nem tudo é perfeito. Infelizmente o Playstation viabiliza o Ray Tracing, altas taxas de quadros e resoluções avançadas, mas não viabiliza tudo ao mesmo tempo. O resultado é que múltiplos jogos liberam configurações diferentes, como Spiderman com um modo performance, que busca 60fps, e um modo fidelidade, com gráficos mais avançados e recursos como o Ray Tracing em ação, mas rodando em 30 quadros por segundo. Demon's Souls também tem um modo performance e um modo qualidade gráfica, enquanto Devil May Cry 5 Special Edition "chuta o balde". Tem o modo normal sem Ray Tracing, um modo Ray Tracing desempenho que reduz a resolução, um modo Ray Tracing Qualidade que reduz a taxa de quadros e o modo altas taxas de quadro que baixam a qualidade gráfica e resolução para atingir 120 quadros por segundo!

Todos os recursos são ótimos, mas é uma pena que sejam excludentes, pois todos trazem benefícios à qualidade do gameplay. Mas também mostram a evolução dessa geração, já que os consoles anteriores não dispunham dessas variações, e mesmo o PS4 Pro só poderia entregar 4K a 30fps em títulos mais pesados e sem incluir recursos como o Ray Tracing.

Interface e funcionalidades

O Playstation 5 traz uma nova interface, porém com melhorias discretas em relação ao que conhecemos do Playstatio 4/4 Pro. A interação segue focada em um menu que desliza horizontalmente, mostrando apps e jogos recentes e finalizando com toda a biblioteca, enquanto o deslizar na vertical traz mais informações sobre o software da linha superior, mostrando conquistas de um game, por exemplo.

As opções da parte superior foram simplificadas, o que é bem-vindo ao entregar um menu menos carregado, e algumas migraram para a base da tela quando apertamos o botão Playstation. A novidade do controle, o botão "Create", abre uma interface parecida com a do botão "Share" que estava ali anteriormente, com opções de gravar o gameplay ou compartilhar clipes de suas partidas.

Graças ao uso de SSDs, navegar pela interface do Playstation 5 é algo imediato, avançando pelos menus de forma ágil e abrindo de forma instantânea os aplicativos e jogos. Depois de uma curva de aprendizado, é fácil fazer cada ação. Mas, sem dúvidas, aqui temos um dos pontos que a Sony mais pode evoluir.

As interfaces são muito carregadas, com opções muito pequenas e colocadas nos cantos da tela, e nem sempre oferecendo as opções mais relevantes ao alcance imediato, envolvendo entrar em menus após menus. Alguns botões são apenas ícones, e é preciso passar por eles para ver um texto descritivo de sua ação. Outras funcionalidades, como migrar um jogo para o armazenamento externo, nos prendem a uma tela até terminar o processo, sem deixar fazer outra coisa.

Além de executar essa ação em segundo plano, deixando o usuário livre para continuar a usar o videogame, o Xbox visivelmente tem uma IU bem mais resolvida. Com interfaces mais claras e geralmente entregando mais intuitivamente as opções mais relevantes ao usuário, acho que a Sony ainda tem espaço para melhorar isso em seu console.

Mas em outro ponto ela passou a empresa rival, e falamos aqui do controle. O Dualsense é uma aposta muito mais ousada que o controle do Xbox, que recebeu apenas alguns ajustes no design e ergonomia. Além de um novo visual e uma nova "pegada", o controle do Playstation 5 vai muito mais além.

O Dualsense traz um novo nível de interação com os games, mantendo ao mesmo tempo o layout tradicional dos controles da empresa. A principal aposta foi aumentar ao feedback dado pelo controle, através de vibrações, sons e até os botões em si. Ele consegue vibrar de forma muito mais precisa que antecessores, passando não apenas uma gradação mais perceptível, sendo possível sentir a diferença de um leve impacto até algo que faz toda sua mão tremer, mas também sendo possível sentir qual região do controle vibrou.

Isso é combinado com a caixa de som do controle, que com uma certa frequência adiciona um impacto maior ao que está acontecendo. Em Astro's Playroom, por exemplo, dá pra sentir a textura do lugar onde o protagonista está pisando, além de ser possível notar cada ponta do controle vibrando independentemente, dependendo se o passo dado pelo bonequinho é com o pé direito ou esquerdo.

O outro grande diferencial acontece nos gatilhos. A Sony implementou um feedback que torna o L2 e R2 mais "pesado ou leve". Isso foi muito bem implementado em Devil May Cry 5 Special Edition, onde acelerar a espada de Nero (sim, essa frase faz sentido no game da Capcom) tem uma resistência perceptível, trazendo muito mais peso para a ação de acelerar a espada.

O controle também conta com sensores de movimento com bom grau de precisão e todas essas implementações mostram o potencial do Dualsense em tornar a experiência do jogador mais completa. Agora é esperar para ver o quanto as desenvolvedoras vão aproveitar do potencial que está disponível aqui, além de obviamente os estúdios da própria Sony que irão implementar ao máximo esses recursos em futuros títulos.

Outra novidade importante do Playstation 5 é a retrocompatibilidade, mas aqui temos mais um "até que enfim". Com a Microsoft sendo muito mais amigável nesse aspecto faz anos, até que enfim os consumidores fiéis da Sony vão poder tirar proveito de se manter em seu ecossistema, ao invés de ter que pagar por uma nova versão de jogos que já haviam sido lançados para videogames anteriores.

Conclusão

A Sony entregou um hardware digno dessa nova geração. O grande benefício aos consumidores será, sem dúvidas, o tempo de carregamento. O videogame agora reage de forma instantânea, e está mais compatível com o tipo de experiência que buscamos em nossos dispositivos modernos.

Na parte de gráficos também temos evoluções importantes. O natural aumento de performance viabiliza gráficos mais imponentes e filtros mais pesados, com efeitos bastante impressionantes como os reflexos, iluminação e sombras geradas através de Ray Tracing. Mas talvez o grande salto é viabilizado pelo processador mais potente e a introdução de taxas de quadros mais altas. Games como Spiderman estava presos aos 30fps na geração anterior, e agora podem ser rodados em 60 quadros por segundo, ou casos mais extremos como Devil May Cry e Dirt 5 podem levar a taxa para até 120fps, deixando a imagem muito mais fluida.

O único problema é que mesmo com as evoluções de hardware, 120fps, Ray Tracing e 4K são possíveis, mas não tudo ao mesmo tempo. Nos computadores, isso é alcançado mas com ajuda de tecnologias como o DLSS, da Nvidia. Sem contar com um recurso semelhante, os consoles levam o consumidor a ter que escolher entre a qualidade gráfica ou a taxa de quadros,  o que é uma pena considerando o quanto as duas coisas são excelentes.

A parte de interface tem melhorias, e está bem sedimentado na organização que os donos de Playstation já estão bem habituados. Porém aqui acho que já está chegando a hora da Sony sair de sua zona de conforto, e implementar mudanças. A curva de aprendizado não é longa, e eventualmente você se acostuma a entender onde está cada coisa. Mas dá para fazer melhor que isso.

Em uma visão geral, o Playstation 5 é um hardware competente para a nova geração de games. Sua alta agilidade torna o uso muito mais agradável, com telas de carregamento curtas ou até inexistentes em alguns momentos, e a qualidade gráfica adicional, além das novas possibilidades disponíveis aqui, pode ser sentida.


PRÓS
Muito silencioso
Extremamente ágil
Games exclusivos
Até que enfim retrocompatibilidade
Controle muito mais completo
Fácil de abrir para limpar ou colocar mais um SSD
CONTRAS
Interface poderia ser melhor
Menos espaço disponível que rival
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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