ANÁLISE Assassin's Creed: Valhalla - AC: Odyssey só que com vikings

Valhalla melhora a sólida base dos antecessores, mas não surpreende

Assassin's Creed Valhalla é o 13º jogo da franquia principal da série de games de ação furtiva – e o 25º se contarmos os spin-offs – e será lançado amanhã, dia 10 de novembro, com a missão de honrar um legado que já é gigante no mundo dos games. Desde o amado Assassin's Creed 2 até o odiado Syndicate e o elogiado Odyssey, foram diversos os altos e baixos da franquia.

Mantendo a tradição da série, Valhalla explora um período da história que a série ainda não havia visitado. Desta vez, a franquia lida com a invasão Viking da Inglaterra, que rolou durante o século IX. Mas essas mudanças são suficientes para dar novas ares para Assassin's Creed ou vão fazer esse barco viking naufragar?

História

A história de Assassin's Creed Valhalla se passa em 873 d.C. e tem como personagem principal Eivor, uma (ou um, dependendo das suas escolhas) viking que é conhecida como Marca-de-Lobo, por causa de um incidente que se passa logo no começo do game. Como eu joguei a maior parte do tempo com a Eivor mulher, vou falar sobre ela no gênero feminino.

Tudo começa na Noruega, terra-natal da personagem principal, quando Eivor e seu irmão Sigurd estão atrás de uma vingança pessoal nas gélidas terras da Escandinávia – vamos evitar spoilers aqui na análise, fiquem tranquilos. O problema é que, depois disso, como aconteceu na vida real, alguns povos vikings decidem partir rumo à Inglaterra para encontrar terras novas e mais férteis, já que as melhores áreas da Noruega estavam começando a ficar muito densas.

Para ser sincero, os acontecimentos políticos da Noruega no jogo não são muito empolgantes, mas por sorte não é necessário aturá-los por muito tempo. Logo ao chegar nas terras britânicas, você já se depara com personagens lendários da mitologia (e da historiografia) nórdica. Se você já assistiu à série Vikings, pode ter certeza que vai encontrar menções bem legais de figuras conhecidas.

Logo ao chegar nas terras britânicas, você já se depara com personagens lendários da mitologia nórdica

Assim como acontece na série, os momentos mais cativantes são aqueles que lidam com a complicada política dos quatro reinos ingleses na alta idade média além, é claro, das épicas guerras de grandes proporções. Tramas de manipulação, controle e traição evocam momentos que lembram Game of Thrones, mesmo que nunca cheguem na qualidade das primeiras temporadas do seriado da HBO.

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Ainda assim, preciso admitir que eu senti bastante dificuldade em simpatizar com os personagens, especialmente os coadjuvantes que acompanham a jornada de Eivar. Muitos deles parecem não ter a profundidade e as motivações complexas e realistas que jogos como The Witcher 3: Wild Hunt, Red Dead Redemption 2 e Horizon Zero Dawn trazem.

Eivor é uma boa protagonista, mas alguns personagens secundários parecem são muito unidimensionais ou passam longe de alcançar seu potencial. E isso tira um pouco do brilho do enredo. Ah, e para quem está se perguntando, é claro que a Irmandade dos Assassinos e a Ordem dos Templários têm a sua parte no enredo. E sim, há cenas que se passam no futuro e inclusive citam a Covid-19.

Gráficos e Ambientação

Mais uma vez, a Ubisoft Montreal aplicou o seu motor gráfico proprietário AnvilNext 2.0 na série Assassin's Creed, com Valhalla tendo efeitos gráficos bastante parecidos com os de Odyssey. Esse é o 11º jogo a utilizar a engine, o que significa que ela já está bastante estável, mas também que está ficando um pouco ultrapassada.

A Inglaterra medieval tem a difícil tarefa de concorrer com o Antigo Egito e com a Grécia Antiga em termos de visuais e cenários. Por causa disso, não espere ver vistas tão lindas como as famosas pirâmides ou a bela arquitetura de Atenas. Ainda assim, Valhalla tem os seus momentos – por exemplo, quando você está cavalgando e passa por uma belíssima abadia ou um monastério.

Não espere ver vistas tão lindas como as famosas pirâmides ou a bela arquitetura de Atenas

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Uma pena é que nem as versões de nova geração (PlayStation 5 e Xbox Series X) e nem a versão PC usam Ray Tracing ou tecnologias next-gen de renderização. A versão para computadores mesmo é a que mais sofre com essa falta, ainda mais pelo quão pesada ela é.

A adição de ferramentas como Nvidia DLSS ou AMD FidelityFX e até mesmo um checkerboarding simples já seriam ótimas maneiras de recuperar desempenho. O que é ainda mais estranho é o fato dessas tecnologias já estarem disponíveis em Watch Dogs Legion, outro game da Ubisoft.

A adição de ferramentas como Nvidia DLSS ou AMD FidelityFX e até mesmo um checkerboarding simples já seriam ótimas maneiras de recuperar desempenho

Tirando isso, Valhalla tem as mesmas nuvens volumétricas lindas que estavam presentes em Odyssey e em geral traz uma bela iluminação pré-calculada com texturas de altíssima qualidade. Esse pode não ser o Assassin's Creed mais belo dos últimos anos, mas certamente é um jogo bonito com efeitos competentes. Só poderia ser mais leve nos computadores.

Jogabilidade

Se você jogou Assassin's Creed Origins ou Odyssey, já sabe quase tudo que precisa sobre a jogabilidade de Valhalla. A lógica é basicamente a mesma: num controle de Xbox, você usa o RB para ataque leve, RT para ataque pesado, B para agachar, A para fazer parkour e assim em diante. Ou seja, a adaptação é super tranquila para quem já está acostumado com os últimos jogos da série.

Apesar disso, há uma série de pequenas novidades que são muito bem-vindas. Entre elas é a possibilidade de usar escudos, que volta depois de estar ausente em Odyssey. Assim como acontecia em Origins, o escudo fica mapeado para o LB e gasta um pouco do seu fôlego a cada golpe que você defende.

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Isso mesmo, agora há uma barra de fôlego que aparece durante o combate e é gasta quando você desvia de golpes ou usa ataques fortes, mas se recupera quando você acerta um golpe fraco ou anda sem executar nenhuma ação específica.

A exploração se torna ainda mais importante em Assassin's Creed Valhalla do que era nos jogos anteriores da franquia. Agora, não há mais uma enorme lista de missões secundárias parecidas umas com as outras – que você completava mais porque elas estão lá do que por real interesse. Ao invés disso, o jogo traz um grande número de atividades secundárias que estão espalhadas pelo mapa e precisam ser encontradas através de pura exploração.

Ao escalar os pontos mais altos de cada região e executar a tradicional sincronização, você se depara com pontos amarelos, azuis e brancos. Eles representam as riquezas, os eventos do mundo e os artefatos, respectivamente. Os mais divertidos são os eventos do mundo, que substituem em parte as side quests. Eles incluem os personagens mais mitológicos e excêntricos do jogo, dando uma vazão fantasiosa para o clima série de guerra e política da histórias principal.

A novidade mais divertida são os eventos do mundo, que substituem em parte as side quests.

Os artefatos podem incluir peças romanas antigas ou algo como desenhos novos de tatuagens. As riquezas podem ser desde pequenos baús até enormes salas cheias de materiais preciosos. De qualquer modo, todos esses itens podem ser levados para o assentamento de Ravensthorpe, onde você pode fazer novas tatuagens ou investir em novas instalações.

Isso tem o excelente lado positivo de fazer com que tudo o que você precise esteja no mesmo lugar. Ou seja, nada mais daquela história chata buscar um vendedor específico numa cidade perdida para conseguir o item que você estava procurando. Seja um ferreiro para criar uma nova arma para você, um lugar para melhorar o seu barco ou até um estábulo para seus cavalos.

Áudio

Guerreiros viking remando seus barcos com vigor, trompas de guerra soando e machados cortando membros de inimigos são os sons que você deve esperar de um jogo com guerreiros nórdicos, não é mesmo? Pode ficar tranquilo, porque Assassin's Creed Valhalla traz isso tudo e muito mais. É o suficiente para se sentir dentro de um episódio de Vikings, mas com sotaques um pouco menos carregados.

É o suficiente para se sentir dentro de um episódio de Vikings, mas com sotaques um pouco menos carregados.

Falando nisso, a dublagem do jogo em inglês é o suficiente para ser considerada OK ou passável, mas não muito além disso. Os personagens muitas vezes não demonstram bem suas emoções e alguns dos coadjuvantes muitas vezes recorrem a clichês de atuação que só pioram a sua falta de profundidade. Fica difícil saber se o roteiro mediano dificulta o trabalho dos atores ou se os atores que não fazem justiça ao roteiro. Talvez seja um pouco de cada.

Tanto a dublagem quanto a localização dos textos estão disponíveis em português brasileiro. Os textos são impecáveis, quase sempre traduzindo fielmente o que é dito na versão original do game, mas a dublagem segue a mesma toada do game em inglês. É o suficiente para se igualar a uma série de TV que você veria nos fins de noite na Globo, mas nada perto das dublagens de blockbusters de Hollywood.

Como não dá para ter rádios no estilo de Watch Dogs ou Grand Theft Auto, as viagens de barco viking são embaladas por canções dos seus próprios guerreiros. Você pode pedir para o seu bardo tocar outra música ou parar de tocar totalmente. Não há uma grande variedade de canções, mas às vezes é uma boa pedida para relaxar e curtir a paisagem. Se não estiver no clima de uma música, você também pode pedir para seus companheiros contarem histórias. Elas ficam repetitivas depois de um tempo, mas podem ser bem engraçadinhas da primeira vez que você ouve.

Conclusão

Essa é apenas a terceira vez que a Ubisoft leva dois anos entre um lançamento de Assassin's Creed e outro. Da última vez que isso aconteceu, a franquia foi totalmente repensada e tivemos um RPG de ação de respeito em Origins. Com Valhalla, a coisa não é tão radical, e o pessoal da Ubisoft Montreal jogou seguro fazendo mais tweaks do que revoluções com a série.

Valhalla não traz mudanças radicais, joga seguro e oferece mais tweaks do que revoluções para a série.

Isso significa que quem gostou de Assassin's Creed: Origins e de Assassin's Creed: Odyssey estará em casa na Inglaterra do novo jogo, já que muito do que funcionou nos títulos anteriores foi repetido aqui. Infelizmente, o que há de novo não é suficiente para criar um clássico como Assassin's Creed II e muito menos para convencer novos jogadores a embarcarem na série.

Se você gosta de temática viking e de RPGs de ação em mundo aberto, Assassin's Creed Valhalla é o jogo para você. Agora, se você já está saturado de cultura nórdica ou do loop de jogabilidade da série, talvez seja melhor pular o jogo deste ano e esperar a próxima grande revolução da Ubisoft – seja lá quando ela vier.


RECOMENDA? SIM Se você gosta de AC: Odyssey ou de Vikings, esse jogo é para você
PRÓS
Mesma ótima jogabilidade de AC: Odyssey
Ambientação precisa da Inglaterra medieval
Excelente sistema de exploração
CONTRAS
Gráficos deixam a desejar
Elenco de apoio é raso e mal-explorado
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  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation 1. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia. Formado jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.

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