ANÁLISE: Glorious Model D - A melhor versão do ZOWIE EC1

Uma excelente escolha para quem quer um mouse ultraleve de bom tamanho

A Glorious foi uma das primeiras empresas no mercado de mouses ultraleves, foi por um bom tempo uma das principais por oferecer um preço muito menor do que a Finalmouse e também já foi uma das "menos caras", embora atualmente esta posição esteja sendo contestada por empresas como a Ajazz e Delux.

Ainda assim, a Glorious é considerada uma das melhores empresas em termos de "Custo x Benefício", pois o nível de qualidade de seus mouses é alto (superiores à maioria dos clones chineses, especialmente os da Ajazz) e o preço não é muito alto, especialmente no exterior.

Assim como a ZOWIE, a Glorious oferece uma boa variedade de mouses com formatos diferentes, mas que possuem o mesmo nível de qualidade. O mesmo sensor e basicamente os mesmos componentes internos, bastando apenas escolher qual desta lista lhe agrada mais.

Porém, a única diferença gritante entre os Model O e Model D, é que ao invés de acompanhar pés extras de reposição como fazem os Model O, a linha Model D e Model D- acompanha pés adicionais, que aumentam o tamanho dos pés do mouse. Veremos este e outros pontos na review.

Construção Externa

O Glorious Model D não tem vergonha de dizer que é claramente inspirado no ZOWIE EC1, as diferenças entre os dois são pequenas e a impressão em termos de shape, é de estar utilizando o mesmo mouse, o que não é de forma alguma algo ruim.

Até há algumas diferenças em tamanho com o ZOWIE EC1, mas são pequenas:

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Pesando 68 gramas, o ZOW-, digo, Glorious Model D é um mouse do tipo ultraleve, sendo inclusive um dos mais leves para seu tamanho (pesa bem menos do que o Xtrfy M4 ou Deathadder V2) e um dos poucos mouses "grandes" desta categoria, a qual favorece mouses de tamanhos pequeno e médio.

 

Este mouse é vendido em quatro versões com diferentes tipos de acabamento. Preto fosco (o mouse da análise), preto glossy (famoso "black piano"), branco fosco e branco glossy (plástico brilhante igual o "black piano"). Eu recomendo que quem quiser comprar a versão branca, compre a versão glossy, pois será muito mais fácil para limpar, "glossy" não amarela com o tempo e uso.

E mesmo se você escolher um dos modelos com acabamento glossy, a lateral do mouse (que é a área onde você segura o mouse para levantar), vai ser fosca, então não há o que se preocupar do mouse "escapar da mão" enquanto você vai levantar ele.

Claro, é possível comprar a versão branca fosca e limpar ela ocasionalmente se você preferir, fora que há produtos que fazem milagres na limpeza de mouses e periféricos brancos, tal como Cif cremoso (antes, depois).

O formato do ZOWIE EC1, é formato "universal", mas que é tido como um dos preferidos de usuários da pegada Palm, graças ao seu tamanho e grande área de contato. É também possível utilizar Claw com bastante conforto nele, e não faltam usuários da pegada Fingertip que utilizam o EC1, porém o seu tamanho e peso não o tornam "ideal" para ela.


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Já o Glorious Model D além de ser um mouse fantástico para Palm e Claw, consegue ser ainda melhor do que o EC1 para a pegada Fingertip graças ao seu menor peso e maior deslize.

Como usuário da pegada Fingertip, confesso que dentre os mouses baseados no Intellimouse 3.0 (DeathAdder, Intellimouse Pro, P702, EC1-A, EC2-A, Lobo V1, Lobo V2...) que já testei, o Glorious Model D foi o que mais me agradou.

O deslize é a área onde o Glorious Model D realmente se destaca comparado com outros mouses do mesmo tamanho e formato. Além do seu baixo peso, o Glorious Model D utiliza pés de teflon PTFE de alta qualidade, superiores em deslize aos que são vistos em muitos outros mouses.

Até aí tudo bem, o Razer DeathAdder V2, Sharkoon Light200 e boa parte dos ultraleves também usam pés de PTFE de alta qualidade, mas o que separa o Glorious Model D de outros mouses, é que você pode instalar pés adicionais, tornando o tamanho dos pés bastante parecido com o que há em mouses como o Zowie EC1 e aumentando ainda mais o deslize do mouse.

O resultado? Um dos mouses mais fluídos que já utilizei, e certamente o mouse com maior deslize para o seu tamanho, é ridículo o quão bem este mouse desliza no meu XPG Battlegrounds, um mousepad de Cordura que possui problemas com os pés de alguns mouses, mas o atrito com o Glorious Model D é ínfimo graças ao seu excelente deslize.

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O baixo peso e excelente deslize do Model D, tornam ele um dos mouses mais fluídos que já utilizei

E claro, mesmo deslizando bastante, isso não quer dizer que não consigo "parar ele onde quero" ou que o mouse "diminua minha precisão por não ter atrito com o mousepad", ainda consigo controlar muito bem a minha mão para parar o cursor onde quero. Ele não vira um "sabão" na mão.

Enfim, sem dúvidas, para quem gosta de mouses grandes com bom deslize (especialmente quem curte esse aspecto do ZOWIE EC1), vai gostar bastante do Glorious Model D.

Chegando à resposta dos botões do Glorious Model D, ele tem algumas similaridades com o ZOWIE EC1 em alguns aspectos.

Primeiro, os botões principais são extremamente leves e suaves, quem curte cliques leves para repetir o botão centenas de vezes, não irá ter problema algum com estes.

Na minha unidade, não há nenhum pre-travel (o botão não precisa afundar para responder) nos botões principais e há um pouco de post-travel no botão esquerdo (ele afunda um pouquinho depois de clicar), embora só é algo que noto quando faço força no clique e clico na ponta, não é algo que eu noto durante o uso e dependendo onde você clica, nem sente. No botão direito não há isso em nenhum lugar.

O scroll do mouse tem uma boa precisão e é bastante fluído, faz mínimo barulho e o botão do meio (botão do scroll) é relativamente leve para um botão do tipo, mas tão leve que venha a acionar enquanto você tenta scrollar para cima/baixo. Na parte do scroll, ele lembra muito o DeathAdder 3.5G.

Os botões laterais são quase idênticos em resposta e característica com o ZOWIE EC1 (e DeathAdder 3.5G). São extremamente leves e possuem um bom clique, porém há um pouco de pre-travel (precisam afundar um pouco antes de acionar), provavelmente para evitar que sejam pressionados acidentalmente ou quando alguém posiciona o dedão neles.

Enfim, não há muito o que falar sobre a construção externa do Glorious Model D, ela é muito boa para um mouse ultraleve e se destaca principalmente na questão de deslize. O cabo "estilo paracord" é de boa qualidade, a resposta dos cliques é bom, o plástico dele não chega dar impressão de alta qualidade como o Xtrfy M4, mas é notável que ele possui um menor peso do que o mesmo.

Construção Interna

O Glorious Model D é quase idêntico em seu interior ao Glorious Model O, são usados os mesmos switches nos botões principais, meio, laterais e também o mesmo encoder de scroll. Há imagens do mesmo desmontado na internet e eu optei por não abrir a minha unidade.

Os switches HUANO são de alta qualidade para switches do meio e laterais.

Embora os switches OMRON 20M tenham um "número menor" do que os 50M, na prática o maior problema, que é o duplo-clique, não é contabilizado nesta certificação, então em quase todos os casos, ela não faz diferença nenhuma, o que realmente faz diferença, são switches ópticos (onde o problema não existe) e sistemas para amenizar o problema, tal como o ajuste de debounce, algo que o Glorious Model D possui e muitos outros mouses com "50M" não possuem.

A única peça que eu não consigo colocar confiança, é no encoder do scroll. Pela minha própria experiência com estes encoders, assim como também pelos relatos de donos do Glorious Model D, um problema comum destes encoders (que também ocorre em outros mouses), é ele começar "ranger" com o tempo.

O rangido não afeta a durabilidade do scroll, mas é um ruído irritante que tanto o meu Xtrfy M4, quanto meu Redragon King Cobra apresentam, e ambos usam encoders da F-Switch. Fico triste em ver que maioria dos mouses ultraleves do mercado, parecem usar encoders dessa marca... Claro, isso pode ser resolvido abrindo o mouse e aplicando algum lubrificante ou limpa-contatos no encoder, mas é algo que o usuário não deveria ter que fazer, fora que isso pode danificar os pés do mouse.

De resto, as peças do Glorious Model D foram feitas para serem duráveis, e embora seria legal ver uma versão com switches ópticos no futuro, a questão do ajuste de debounce já ajuda resolver parte dos problemas de duplo-clique caso venham ocorrer.

Desempenho

O Glorious Model D, assim como o Glorious Model O, utiliza o sensor Pixart PMW 3360. Embora na época de lançamento do mouse já existia o Pixart PMW 3389 disponível para uso comercial, a Glorious acabou optando por não utilizar ele, optando pelo 3360, que estava diminuindo de preço e se tornando mais acessível.

Aliás, essa questão de "Custo x Benefício" sempre foi uma preocupação da Glorious, então faz sentido a escolha, fora que na prática, não há diferenças perceptíveis entre o 3389 e 3360.

E como é de se esperar de um mouse com o Pixart PMW 3360, não há problema algum de aceleração ou consistência, embora é difícil fazer as linhas retas neste teste devido ao formato do mouse.


Chegando ao software, temos aqui o mesmo software genérico que usado por milhares de outras marcas, seja mouses para MMORPG como o Havit MS760 ou outros mouses ultraleves como o OEX Dyon. Se querem saber o que este software é capaz de fazer em mais detalhes, confiram estas análises.

O que torna o software do Glorious Model D diferente da maioria, é que nos mouses da Glorious é possível ajustar o debounce time, que é um tempo de atraso entre o momento que um clique chega na controladora, e o momento em que ele finalmente é reconhecido.

Este atraso existe pois sempre quando você pressiona o clique de um mouse há uma oscilação no sinal, e se esta oscilação for captada pelo mouse, ocorrerá o famoso "double-click".

Esta oscilação tende a aumentar com o tempo/uso e há outras variáveis que podem facilitar para ela ocorrer, mas se o mouse tiver a opção de aumentar este atraso, é possível resolver o problema.

Enfim, este é um software leve, prático para usar, ele salva as configurações na memória interna do mouse, mas não há como atrelar perfis para aplicativos/jogos e não há integração com outros periféricos.

Ele faz muito bem o básico se você quer apenas o básico, mas se você quer funções mais avançadas, o ideal seria optar por mouses de marcas como Corsair, Logitech, SteelSeries, Razer ou Roccat.

Conclusão

O Glorious Model D é um excelente mouse, com um peso extremamente baixo para seu tamanho, um deslize excelente que pode se tornar ainda maior com seus pés adicionais, um ótimo cabo "estilo paracord", boa resposta nos cliques principais e boa resposta nos botões laterais.

Seu maior problema, especialmente no Brasil, é o seu preço, que está flutuando entre R$ 400~450 dependendo a cor/acabamento, sendo que é possível ver mouses como o Sharkoon Light 200 e Pichau Hive na faixa dos R$ 250~300. Na minha opinião estes não são "superiores" e nem "equivalentes" ao Glorious Model D, especialmente o Pichau Hive que está tendo problemas.  Porém, ele também não é "o dobro melhor" do que eles, então busquem comprar com o menor preço.

Atualmente, o Glorious Model D pode não ser o "mouse mais recente" entre os ultraleves, toda semana há um lançamento novo, mas isso na verdade deve ser visto como um ponto positivo. O que não falta no mercado, são mouses ultraleves recém lançados tendo problemas, especialmente na resposta dos botões principais.

O fato do Glorious Model D já estar com quase um ano desde o seu lançamento, significa que problemas que existiram em lotes iniciais em seu lançamento, já não devem existir mais em lotes atuais, fora que este não foi o primeiro mouse ultraleve da marca e ela já está acostumada com os problemas de controle de qualidade que mouses desse tipo costumam ter.

Infelizmente é normal ver novas marcas neste mercado, tendo problemas com os moldes de plástico, o que infelizmente está sendo o maior problema para o Pichau Hive por exemplo.

E embora o Glorious Model D não tenha switches ópticos como alguns concorrentes, ele possui ajuste de debounce, algo que pode ajudar resolver o problema de double-click caso ele venha ocorrer e algo que muitos de seus concorrentes que usam switches mecânicos não possuem, então eu não me preocuparia muito com isso.

Entre o Glorious Model D e o Razer DeathAdder V2 que tenho aqui, embora eu considere o DA V2 um excelente mouse e no papel ele seja melhor por usar um sensor "superior" (embora isso não é perceptível na prática) e switches ópticos, na prática o melhor deslize, melhor resposta dos botões principais e o menor peso (o que é subjetivo), fazem o Model D me agradar mais, embora entendo que algumas pessoas irão preferir o DeathAdder V2, são dois excelentes mouses.

Claro, é possível que o próprio Razer DeathAdder V2 venha a melhorar a resposta dos cliques em lotes futuros e que essa "vantagem" deixe de existir, por isso que sempre digo e repito: não comprem mouses ultraleves no lançamento, deem um tempo de no mínimo meio ano para que maioria dos problemas sejam resolvidos. Não paguem para ser "beta-tester".

E se não querem ter que esperar, e querem um mouse ultraleve high-end com formato similar ao EC1 e/ou que tenha um tamanho grande, o Glorious Model D é uma excelente opção.

PRÓS
Boa construção interna
Cabo paracord-like de ótima qualidade, com baixo peso e ótima flexibilidade
Fantástico deslize se aplicado os pés adicionais, talvez o melhor para o seu formato e tamanho
Ótima construção externa
Sensor Pixart PMW 3360
Um dos poucos ultra-leves "grandes"
CONTRAS
Codificador do scroll não é de alta qualidade
Preço (no Brasil)
Assuntos
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 200 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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