Xbox Series X - o hardware pronto para uma nova geração de games

Game Pass é imbatível, mas console ainda está devendo experiências da nova geração

A nova geração começou, e o Xbox Series X é a mais poderosa arma da Microsoft nessa nova era. Esse videogame é o estado da arte do design de produtos da empresa, e também o hardware com mais força bruta da geração.

Suas grandes promessas são uma agilidade sem precedentes nos consoles, mérito do uso do armazenamento ultrarrápido em SSD e tecnologias de compressão, que chegam com o objetivo de tornar a experiência de ligar o videogame e voltar a jogar em algo instantâneo.

Além dos gráficos aprimorados (algo que, cá entre nós, é a obrigação de uma nova geração de videogames) temos um foco não apenas nas resoluções, que foram o mote da geração anterior e seu 4K, e sim também na taxa de quadros, de olho nessa forte tendência que os games competitivos vem trazendo e que já é amplamente disseminada nos PCs e seus monitores de 144Hz ou mais.

Site oficial Xbox Series X

Comparativo

Microsoft XBox
Series X
Microsoft Xbox
Series S
Sony
PlayStation 5
Microsoft XBox
One X

Preços

Preço no lançamentoU$ 499,00 U$ 299,00 U$ 499,00 U$ 499,00
Preço atualizadoR$ 4.599,00 R$ 2.799,00 R$ 4.699,00 R$ 4.000,00

Especificações

CPUAMD 8x Zen 2 @ 3.8GHz (3.6GHz com SMT) AMD 8x Zen 2 @ 3.6GHz (3.4GHz com SMT) AMD 8x Zen 2 Cores at 3.5GHz (frequência variável) AMD customizada 8-Core @2,3GHz
GPU52 unidades de computação (12 TFLOPs), RDNA 2 customizada @ 1,825GHz 20 unidades de computação (4 TFLOPs), RDNA 2 customizada @1.565GHz 36 unidades de computação (10.28 TFLOPs) RDNA2 customizada 40 unidades de computação Polaris (6TFLOPs)
Memória16GB GDDR6 10GB GDDR6 16GB GDDR6/256-bit 12GB GDDR5 (9GB disponíveis para desenvolvedores)
Capacidade de armazenamentoSSD NVMe de 1TB SSD NVMe de 521GB SSD NVMe customizado de 825GB HDD de 1TB
Armazenamento adicionalCompatível com drives USB 3.2 externos e expansor proprietário Compatível com drives USB 3.2 externos e expansor proprietário Compatível com HDD USB externo e slot NVMe disponível Compatível com HDD externo
MídiaBlu-Ray 4K UHD Não possui Blu-ray Ultra HD Blu-Ray 4K UHD
ControleControle Xbox One Series S/X Controle Xbox One Series S/X DualSense Controle Xbox One
DisplayHDMI 2.1 HDMI 2.1 HDMI 2.1 -
Conexões3x USB 3.1, Expansor de armazenamento proprietário, Ethernet, Wireless dual-band 802.11ac 3x USB 3.1, Expansor de armazenamento proprietário, Ethernet, Wireless dual-band 802.11ac 3x USB 3.1, 1x USB Tipo-C, Ethernet, Wireless dual-band 802.11ac 2x HDMI2.0b, 3x USB 3.0, IR, S/PDIF, Ethernet
EnergiaFonte interna Fonte interna Fonte interna Fonte interna
Dimensões151 x 151 x 301 mm 65 x 151 x 275 mm 390mm x 104mm x 260mm 300mm x 240mm x 60mm
Peso4,4kg 1,92kg 4,5kg 3.8kg
ExtraXbox Play Anywhere, retrocompatibilidade, Smart Delivery Xbox Play Anywhere, retrocompatibilidade, Smart Delivery Playstation VR Xbox Play Anywhere, retrocompatibilidade

Análise em vídeo

Tudo está igual e diferente

Ligar o Xbox Series X é uma experiência familiar. Você não se sente pegando algo novo e qualquer dono de Xbox One e One X vai ver a interface que já está familiarizado, assim que a tela liga. 

Mas, não quer dizer que tudo está igual, porque o tempo que o sistema leva para te levar para a tela inicial é extremamente curto. A sensação é a mesma que tive quando coloquei um SSD em meu PC: nada mudou mas tudo ficou diferente. O videogame reage de forma instantânea a todos os comandos. Sair de um jogo e voltar ao menu, depois navegar pela loja, depois compartilhar algo e por fim voltar ao jogo, tudo isso pode acontecer em questão de instantes. 

- Continua após a publicidade -

Mesmo com o carregamento "do zero" de um game, normalmente a maior demora é relacionada a vídeos de abertura e você navegando pelos menus. Vários dos games levam menos de 5 segundos para carregar todo o mapa. Você não precisa mais do celular a mão para ficar correndo timelines enquanto espera o jogo começar.

Sem dúvidas um dos recursos que mais me impressionou foi o "Quick Resume". Ele possibilita retomar jogos recentes do ponto onde você parou. A experiência lembra usar um smartphone e pular entre apps: quando você volta para partida, não há nenhum tipo de carregamento. É só o jogo pausado exatamente de onde você largou. Esse recurso parece bruxaria nas vezes que tiramos o videogame da tomada, levamos para outro lugar e ao ligar descobriros a fase, no mesmo lugar, nos esperando.

Isso tudo é mérito de uma arquitetura avançada de armazenamento dos dados, com soluções de software e hardware trabalhando em conjunto, tecnologia chamada pela Microsoft de Xbox Velocity. Ela combina a alta velocidade do armazenamento dos SSDs com compressão dos dados, para possibilitar o envio de mais arquivos em menos tempo.

Ao total temos 1TB de espaço, e aqui entramos em uma questão que pode variar de um jogador para outro. No meu uso, o espaço disponível é suficiente. Você pode instalar uns 10 jogos (considerando que o tamanho varia muito, indo de 100GB de um Warzone para 5GB de um Ori), e para mim isso parece ótimo. Se não for, a Microsoft mandou muito bem na facilidade de upgrade, com uma porta proprietária que dispensa abrir o videogame ou qualquer coisa do tipo. É a experiência de colocar um SD em um notebook: espetou o cartão, é só formatar e usar. Infelizmente, ao menos nessa primeira fase, a disponibilidade de produtos está bem baixa e, especialmente os preços, muito altos.

Também é possível instalar jogos da geração anterior em HDs externos, conectados através das portas USB. É viável mas, sinceramente, depois de experimentar os tempos de carregamento e a agilidade do armazenamento interno do Xbox, não gostaria de ter que perder isso. É preferível administrar o 1TB interno e ter todos abrindo com essa agilidade do que expandindo a capacidade com um HD.

Um ninja

- Continua após a publicidade -

A Microsoft seguiu uma abordagem bem diferente da Sony em seu videogame de nova geração. Ao invés de algo chamativo e arrojado, a empresa partiu para "uma caixa preta" o mais discreta possível. E se o plano era fazer o videogame sumir, estão de parabéns. Ele é um ninja. Na minha estante ele conseguiu se integrar sem dificuldades, apesar que seu tamanho grande limitou os locais onde ele poderia ser encaixado.

Ele pode ser usado tanto na vertical quanto na horizontal, apesar que o design fica um tanto feio quando ele está deitado, resultado do "pézinho" não ser removível e que o acabamento na parte inferior do console não segue o nível de qualidade do topo. Na frente minimalista temos apenas o botão do Xbox que possui um LED branco já característico da empresa, a entrada para discos, o botão de parear controles e uma porta USB, que facilita muito ligar um HD externo ou outro periférico momentaneamente. O resto das conexões ficam atrás e estão em boas quantidades, com um HDMI (no padrão 2.1 para dar suporte a [email protected]) dois USB, o conector proprietário de expansão de memória e uma porta ethernet.

Operando com frequências fixas tanto em CPU quanto GPU e com um sistema de resfriamento bastante parrudo, graças ao formato largo para circulação de ar, é impossível dizer se o videogame está ligado apenas pelo som. Chega a ser impressionante colocar a mão na saída de ar para ver quanto calor está sendo dissipado com um nível de ruído... inexistente. É o hardware de alta performance mais incrível que eu já vi em termos de eficiência na dissipação de calor.

Os gráficos da nova geração

- Continua após a publicidade -

Para acelerar os visuais, as especificações do Series X são impressionantes. O cérebro é o SoC da AMD personalizado para a Microsoft, equipado com um conjunto da microarquitetura RDNA 2 no chip gráfico e Zen 2 para o processador.

A GPU conta com um total de 52 unidades computacionais um chip bastante amplo que entrega um total estimado de 12 TFLOPS de performance gráfica, ou seja, o dobro que o Xbox One X possui.

Isso já cria algumas novas possibilidades. Dê adeus ao modo "Performance" e "Qualidade" do Forza Horizion 4, onde o Xbox One X precisava ou abrir mão de qualidade gráfica para atingir os 60fps, ou tinha que abrir mão da fluidez e derrubar a taxa de quadros para 30 por segundo para subir o visual do game. O Series X tem fôlego para fazer os dois juntos.

Em Gears 5 temos um visual capaz de rivalizar com os melhores computadores, mantendo um gameplay a 60 quadros por segundo em uma configuração gráfica muito similar ao máximo disponível no PC.

Em outros casos, quem vai ser levado ao limite é a taxa de quadros. Ori and the Will of the Wisps já tinha tudo: rodava a 60fps e qualidade gráfica altíssima. No Series X, ele atinge um novo nível de fluidez na movimentação com o upgrade para um gameplay a 120 quadros por segundo em 4K (ou melhor, segundo o diretor do jogo, em 6K). Sem dúvidas essa taxa combina bem com a movimentação rápida e fluida do protagonista e, principalmente, vai valorizar as belíssimas animações do game. Isso também é possível em Dirt 5, mas ativar os 120 quadros por segundo traz um custo na qualidade gráfica do jogo, que precisa reduzir efeitos, elementos visuais e resolução para chegar a um nível tão alto de fluidez.

E é aqui que nossa análise tem seus maiores problemas. É difícil analisar as evoluções de uma nova geração sem uma referência, e a Microsoft não trouxe nenhum título de peso para o lançamento da nova geração. Para nossos testes, rodamos games desenvolvidos para a geração anterior com aprimoramentos para explorar os recursos adicionais de hardware mas, obviamente, esse console vai alcançar seu real potencial com um game que já foi criado com esses componentes em mente.

Temos games como Watch Dogs Legion e Assassin's Creed Valhalla a caminho mas, novamente, estamos falando de games com um desenvolvimento "híbrido", focando na nova e na antiga geração ao mesmo tempo. Assim é evidente a desvantagem de entender o potencial do Xbox Series X sem um Astro's Playroom ou um Marvel's Spider-Man: Miles Morales, com um peso de uma First Party para focar no potencial das novidades. A cadência acelerada de Halo cairia como uma luva para essa nova geração de CPUs e GPUs parrudas dando suporte a altas taxas de quadros.

Interface e funcionalidades

A interface do sistema do Xbox vem em uma evolução constante, e trouxe pulos muito respeitáveis em qualidade desde o lançamento do Xbox One. 

Diferente da estreia do console da geração anterior, os Series S e X tem uma das melhores interfaces que já usei. É muito difícil de precisar navegar por mais que duas telas para chegar a informação ou aplicativo que queria, e a própria interface é eficiente em entender o que sugerir nas primeiras opções. Se ela não acerta, dá para customizar e colocar aquele jogo que você se importa mais na tela inicial.

A fluidez dos SSDs mostra todo seu potencial aqui, e leva poucos instantes para sair do jogo, abrir a interface de compartilhar o gameplay, salvar aqueles segundinhos de partida que acabaram de acontecer para depois mandar para os amigos. O overlay trazido pelo botão do Xbox é ótimo, e sem fechar o jogo já abre a maioria das funções que você potencialmente pode querer usar e, rapidamente, voltar ao jogo.

E se tem um lugar onde podemos sentir o peso da experiência da Microsoft com a nuvem e desenvolvimento de software, é na integração da plataforma com outros dispositivos. Com o celular e o computador dá para gerenciar remotamente o console com várias informações disponíveis, como jogos instalados, espaço em disco disponível e, especialmente, uma ótima integração com as capturas. É muito rápido e fácil ver os vídeos capturados no videogame, além de mandar para amigos ou compartilhar nas redes sociais.

Conclusão

O Xbox Series X é uma excelente evolução do videogame a Microsoft. Ele incorpora várias tendências que já provaram seu valor nos computadores, como as taxas de quadros mais altas e os armazenamentos mais ágeis em SSDs. E, é claro, um aumento da capacidade gráfica para viabilizar visuais mais avançados.

Ele consegue tirar uma das maiores frustrações de qualquer jogador: os tempos de carregamento. A experiência de uso dos consoles enfim se aproxima daquela que queremos de qualquer gadget moderno, com respostas rápidas aos comandos e, em curto tempo, o aplicativo (no caso, jogo) pronto para ser usado.

Na parte de jogos, temos dois opostos. A Microsoft ficou devendo algum título para estrear esse novo hardware e essa nova geração. O resultado é um novo hardware com muitas possibilidades, mas que no momento só serve para "dar uma melhoradinha" no que já existe. Falta o peso de uma franquia "da casa" usando extensivamente o traçamento de luz ou o potencial dos carregamentos rápidos dos SSDs, para termos algo na prática além desses leves ajustes em suas franquias já no mercado.

Mas na outra ponta, o Game Pass é um diferencial cada vez maior. Chamar o Series X e S de máquinas para rodar o Game Pass não é uma crítica: esse é o ponto mais forte da estratégia da Microsoft. Com os jogos superando os R$ 300, dá pra pegar fácil 9 meses ou mais da assinatura Ultimate com esse valor, com uma quantidade de games de alta qualidade maior do que você seria capaz de dar conta. Incorporar o EA Play tornam a proposta "matadora" para galera fã de franquias (várias anuais) da empresa, e as agressivas aquisições de estúdios por conta da Microsoft cria um horizonte bastante promissor de títulos.

O Xbox Series X é uma plataforma robusta e eficiente, muito satisfatória de ser usada em múltiplos aspectos (design, performance, interface), e que agora depende dos jogos explorando o potencial da nova geração para enfim conhecermos suas reais capacidades. As experiências memoráveis serão feitas nos games, e o hardware só está aqui para tornar essas experiências viáveis. 


PRÓS
Design discreto que integra fácil na estante
Incrivelmente silencioso
Muito ágil
Game Pass
Game Pass (sim, duas vezes)
Armazenamento suficiente para uma boa quantidade de games
CONTRAS
Falta de títulos no lançamento
Alto custo da expansão da memória
Assuntos
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.