ANÁLISE: AMD Ryzen 9 5950X - poderoso em games e apps profissionais

Processador tem alto desempenho, mas falha em se mostrar uma opção melhor que o 5900X

O AMD Ryzen 5 5950X é o mais poderoso processador da linha mainstream da AMD, com uma quantidade massiva de núcleos e threads para dar conta de aplicações de alta demanda e poder de paralelismo, como renderização ou processamentos complexos. Baseado na microarquitetura Zen3, ele também herda evoluções que trazem performance em outros cenários, como em games, porém sem trazer ganhos expressivos versus modelos mais "modestos" como o 5900X, por exemplo.

Site oficial do AMD Ryzen 9 5950X

Apesar de ainda ser feito na litografia de 7nm, os AMD Ryzen 5000 contam com importantes melhorias na microarquitetura Zen para buscar mais performance. A principal é a reorganização das estruturas que reduz a latência de comunicação entre memórias e núcleos, gerando ganhos especialmente em cenários que dependem dessa comunicação rápida para atingir desempenho.

O Ryzen 9 5950X foi anunciado com um aumento de 50 dólares comparado a seu antecessor, o 3950X, com valor sugerido de US$ 799. Ele acaba caindo em um "ponto cego" no confronto com a rival Intel, que tem no máximo modelos de 10 núcleos em seu segmento doméstico, e "parte pra cima" dos modelos da linha X, como o Core i9-10940X  trazendo 14 núcleos por um preço sugerido de 799 dólares.


Especificações técnicas

Comparativo

AMD Ryzen 9
5950X
AMD Ryzen 9
3950X
AMD Ryzen 9
5900X
Intel Core
i9-10900K

Preços

Preço no lançamentoU$ 799,00 U$ 749,00 U$ 549,00 U$ 488,00
Preço atualizadoU$ 799,00 R$ 5.690,00 R$ 4.250,00 R$ 4.000,00

Especificações

CodinomeZen3 Zen2 Zen3 Comet Lake-S
SoqueteAM4 AM4 AM4 LGA1200
Fabricação em7nm 7nm 7nm 14nm
Instruções64-bit 64-bit 64-bit 64-bit
Núcleos16 16 12 10
Threads32 32 24 20
Clock3400 MHz3500 MHz3700 MHz3700 MHz
Clock (Turbo)4900 MHz4700 MHz4800 MHz5300 MHz
DesbloqueadoSim Sim Sim SIM
Canais de memóriadual-channel dual-channel dual-channel dual-channel
MemóriasDDR4 @ 3200MHz DDR4 @ 3200MHz DDR4 @ 3200MHz DDR4-2933
Cache64+8 72 64+6 20
PCI Express4.0 4.0 4.0 3.0
Canais PCI Express40 40 40 40
TDP105 105 105 125

Vídeo Integrado

GPUSEM VÍDEO INTEGRADO SEM VÍDEO INTEGRADO SEM VÍDEO INTEGRADO Intel UHD Graphics 630
Clock1200
DirectX12
Monitores suportados3

Características Gerais

Acompanha cooler?NÃO NÃO NÃO Não

Processador AMD Ryzen 9 5900X 3.7GHz (4.8GHz Turbo) Cache 70MB AM4 Sem Cooler


O Zen3

Os Ryzen 5000 introduzem uma nova microarquitetura aos processadores da AMD, a Zen3. Essa microarquitetura promete um ganho médio de 19% nas instruções por clock (IPC) comparado ao Zen2, usando de referência modelos de oito núcleos com o clock fixo em 4.0GHz no comparativo.

Mesmo sem reduzir a litografia, melhorias da arquitetura no Zen3 evoluem a performance dos Ryzen 5000

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Mesmo mantendo a mesma litografia, os 7nm FinFET da TSMC, melhorias no cache prefetching, motor de execução, branch predictor, micro-op cache, front-end e armazenamento de dados foram os fatores que contribuíram para essa evolução.

Outro ponto relevante foi a reorganização do complexo computacional da AMD (CCX). Na primeira e segunda geração da microarquitetura, o complexo contava com quatro núcleos que compartilhavam estruturas, como cache L3, e se comunicavam com outros núcleos via Infinity Fabric.

O Zen3 modifica essa estrutura, colocando um total de oito núcleos em um mesmo CCX. Essa união também aumentou a quantidade de cache, já que basicamente unifica os dois 16MB disponíveis nos CCXs anteriores em um único cache de nível L3 com 32MB acessível por todos os núcleos, sem o Infinity Fabric envolvido nessa comunicação.

Essa reestruturação reduz as latências de comunicação entre memórias e núcleos e também entre núcleos, pois reduz a necessidade de utilizar o Infinity Fabric, que realizava essa ponte entre diferentes CCXs e também com estruturas externas, como a memória RAM. Essa mudança traz impactos principalmente em cenários que dependem de baixa latência, como é o caso dos games.

Melhorias dos Zen3 impactam principalmente em cenários que dependem de latências e performance por thread, como é o caso de games

Falando em Infinity Fabric, a operação da memória é relevante para acelerar essa comunicação, e de acordo com a AMD, os clocks de 4000MHz são um patamar que pode ser possível de atingir, algo que na geração anterior se situava na casa dos 3800MHz. Como todo aumento de frequências, estamos falando de um overclock que poderá apresentar resultados diferentes de um modelo para o outro. 

Fotos

Como falamos de um modelo AM4, o Ryzen 9 5950X tem o mesmo formato dos demais processadores Ryzen para esse soquete.

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Vale destacar que os processadores Ryzen 5000 são compatíveis com placas-mãe com chipset da série 500 e 400, sendo que os modelos da série 500 das principais fabricantes já receberam BIOS compatíveis, enquanto modelos da série 400 devem receber ao longo das próximas semanas.

CPU chegou depois das mainboards, update de BIOS da placa-mãe é obrigatório

Para quem tem curiosidade da caixa, ela mudou um pouco quando comparada com o Ryzen 9 3950X.


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes:

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Máquinas utilizadas nos testes:
Todos os sistemas utilizaram componentes com mesmas características técnicas para os testes, com exceção da placa-mãe, que varia de acordo com a plataforma. Veja a configuração utilizada:

- Placa de vídeo: GeForce RTX 3080 [análise]
- Placa-mãe: MSI MEG X570 Ace [análise]
- Memórias: 16GB G.Skill TridentZ @ 3200MHz (2x8GB) CL14
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s [análise]
- Cooler: Noctua NH-U12S [site oficial]
- Fonte de energia (PSU): Cooler Master V850 [site oficial]

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- GeForce 457.xx

Aplicativos/Games:
- 7-Zip [site oficial]
- Adobe Premiere [site oficial]
- Blender [site oficial]
- CineBench R20 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- V-Ray [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.x [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Assassin´s Creed Odyssey (DX11)
- Battlefield V (DX12)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- Red Dead Redemption (Vulkan)
- The Division 2 (DX12)

CPU-Z/AIDA64
Através do CPU-Z e AIDA64, vemos algumas informações técnicas do processador, como modelo, clocks, número de núcleos e threads, etc. As memórias utilizam a frequência máxima indicada pelo fabricante do processador, no caso, 3200MHz.


Overclock

Como aconteceu com o Ryzen 5 5900X, o Ryzen 9 5950X também aquece bastante com overclock, dessa forma fomos subindo até onde dava sem que o sistema travasse, parando em 4.6GHz em todos os núcleos. Utilizamos o cooler CM MasterLiquid ML120L V2 RGB para esses testes, sendo que o air cooler da Noctua não conseguiu segurar esse OC.

A tensão deixamos em apenas 1.20v, já que conseguiu segurar o CPU sem problemas e travamentos, o que aconteceu foi o alto aquecimento mesmo.

OBS.: Faça overclock por sua conta e risco, e evite deixar o CPU com tensões altas por muito tempo.


Consumo de energia

Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e placa de vídeo, podendo variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Temperatura

Começamos pelos testes de temperatura, com o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Iniciamos com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando tarefas, além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos o sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

"A temperatura varia de acordo com o programa utilizado. Mesmo o wPrime estressando todos os núcleos sendo uma boa opção para ver o comportamento desse cenário, alguns programas podem exigir ainda mais do processador e, consequentemente, esquentar mais o mesmo. Como exemplo, citamos o Blender."


Testes sintéticos

Abaixo, temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos, independente da arquitetura e do número de núcleos/threads. Já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

AIDA64 Latency
O software AIDA64 tem vários testes de performance. Separamos um que mostra um cenário diferente dos demais: a velocidade de latência das memórias, que quanto menor o resultado, melhor.

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU. Quanto menor for, melhor é o desempenho. Adicionamos a versão antiga e a mais recente do aplicativo na bateria de testes.

CineBENCH R20
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core, já na versão R20 lançada em março de 2019:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

Adobe Premiere CC
Mais um teste de renderização de vídeo, em um cenário real renderizando com o Adobe Premiere CC 2020 sem uso de GPU:

7-Zip
O software de compactação 7-Zip se tornou um dos mais populares do mundo por se tratar de um aplicativo de código aberto, possuindo também um benchmark interno que vem sendo muito utilizado para métrica de performance. Abaixo, o desempenho dos sistemas com ele:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, na versão Fire Strike default e Ultra (4K).


Teste em games


Agora, vamos para os games. Selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre a mesma placa de vídeo, uma RTX 2080 Ti Founders Edition, e 16GB de RAM através de 2 módulos de 8GB com frequência de 3200MHz.

Assassin´s Creed Odyssey
O game da Ubisoft baseado na tecnologia DirectX 11 é uma referência de software que demanda alto desempenho tanto do chip gráfico quanto do processador - resultado do mapa amplo e complexo recriando a região da Grécia Antiga.


Battlefield V
Como um dos games com a melhor qualidade gráfica já lançados, o Battlefield V faz parte de nossa bateria de testes. Abaixo o comportamento dos sistemas rodando o game da DICE.


Counter Strike: Global Ofensive
O game competitivo é baseado em DirectX 9 e apesar das baixas exigências de performance na parte da placa de vídeo, por se tratar de um eSport, o ideal é alcançar altíssimas taxas de quadros, algo que traz alta carga tanto a CPU quanto GPU.


GTA V
Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


Red Dead Redemption 2
Novo game da RockStar, com belíssimos gráficos e uma boa referência para medir o comportamento de sistemas. Nosso teste considera o game rodando sobre a API Vulkam, que se comportou melhor tanto em placas AMD como Nvidia.


Conclusão

O Ryzen 9 5900X tira benefícios das evoluções da microarquitetura Zen3 e "brilha" ao longo dos testes, entregando algumas das melhores performances em games e, principalmente, se saindo bem em algumas aplicações profissionais, que é definitivamente o lugar que indicamos o uso desse produto.

O Ryzen 5 5950X apresentou um ganho de performance muito modesto sobre o 5900X. Em vários testes, mesmo com quatro núcleos a mais, ele ficou dentro da margem de erro comparado com o modelo mais barato. Isso torna difícil a recomendação do produto, exceto se você tem segurança que vai usá-lo em um fluxo de trabalho que vá conseguir escalonar nele, algo que aconteceu em alguns testes mas, muitas das vezes, com vantagens inferiores a 10%.

O custo mais elevado faz com que esse processador não seja o indicado para games. O Ryzen 5900X possui um preço muito mais competitivo e entrega nível similar de performance, e há o potencial do ainda mais barato 5600X (que devemos analisar em breve) também conseguir o mesmo feito.

O overclock nos surpreendeu. Com uma tensão elétrica bastante baixa conseguimos ganhos respeitáveis de performance, indicando que brincar com undervolt pode ser interessante. Mas, em contrapartida, o aquecimento "foi para o teto", com 16 núcleos em alta frequência, e o resultado é que o CPU beirou o limite de aquecimento ao longo da nossa bateria de testes. Ou seja: isso é promissor pra quem está de olho em uma solução de resfriamento mais agressiva (já estávamos usando um liquid cooler ao invés do Noctua), e que pode ter ainda mais margens aqui.

O Ryzen 5950X tem alto desempenho em games e aplicações profissionais, mas abre pouca vantagem para o 5900X

Logo, esse é o tipo de produto que indicamos para quem necessita de paralelismo, seja com aplicações de renderização que usam bem múltiplos núcleos, seja por ciclos de trabalho que dependem de muitos núcleos e threads "a mão" para dar conta. E mesmo nesses cenários, há um forte potencial de que o Ryzen 9 5900X já seja suficiente.

PRÓS
Grande quantidade de núcleos e threads
Entre os melhores em games
Alguns recordes em aplicações profissionais
CONTRAS
Aumento de preço
Pouca vantagem sobre o 5900X ao longo dos testes
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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