ANÁLISE: Gigabyte GeForce RTX 3090 Gaming OC - excelente placa para trabalhar ou ostentar

Placa supera RTX 3080 em jogos, mas sua real vocação é aplicações profissionais e computação de ponta

A Nvidia GeForce RTX 3090 é a placa de vídeo mais potente da nova geração da Nvidia, com alto nível de performance, pensada em desenvolvedores e criadores de conteúdo, também possuindo desempenho máximo em games. Seu principal destaque sobre a GeForce RTX 3080, lançada recentemente, é que ela possui a totalidade do Chip GA102 habilitado, com muito mais estruturas de processamento, além de uma quantidade bastante abundante de VRAM, com um total de 24GB.

As Ampere usam como fundação as tecnologias RTX introduzidas nas Turing, a série 20 da empresa. Com isso temos estruturas híbridas, com os núcleos CUDA tradicionais combinados com núcleos RT para acelerar tecnologias de Ray Tracing e núcleos tensores para recursos avançados de deep learning.

Site oficial da Gigabyte GeForce RTX 3090 Gaming OC
Análise NVIDIA GeForce RTX 3080 Founder Edition

Apesar dos ganhos devido ao aumento de estruturas disponíveis, indo de 8704 para 10496 núcleos CUDA comparado a uma RTX 3080, a RTX 3090 não tem foco no público gamer. Ela apresenta leve ganho de performance em jogos, mas seu diferencial é a grande quantidade de memória, focada em ciclos de trabalho onde é crucial uma quantidade "opressora" de 24GB de VRAM. 

A GeForce RTX 3090 vem com um custo elevadíssimo. Com preço sugerido de US$ 1400, e com os modelos mais parrudos como esse de nossa análise, a Gigabyte GeForce RTX 3090 Gaming OC, elevando ainda mais esse valor, essa placa não tem nenhum sentido para o consumidor focado em performance apenas em games, pois traz ganhos marginais sobre a RTX 3080 que custa a metade. Ela é voltada a quem depende de muita VRAM em seus ciclos de trabalho, representando mais uma sucessora da linha Titan, como a Titan RTX, do que propriamente uma GeForce. Nessa perspectiva, ela é até um pouco mais barata, já que a Titan RTX foi anunciada por US$ 2.499. Esse modelo em questão foi lançado por US$1579,99, total de US$80 acima do preço sugerido pela NVIDIA.


RTX 30

A fabricação das Ampere ficará por conta da Samsung, com um novo processo: 8 nanômetros. Uma das principais novidades é a reestruturação dos Streaming Multiprocessor (SM), o bloco fundamental da estrutura de um chip Ampere, combinando shaders, núcleos tensores, núcleos RT e memórias. Os novos SM agora são capazes de entregar o dobro de performance em pontos flutuantes 32-bit (FP32).

A serie 30 aperfeiçoa o conjunto das três estruturas introduzidas com as RTX Turing

Também foi introduzido a segunda geração de núcleos RT, o que dobrou a capacidade de realizar os cálculos de intersecções indispensáveis para acelerar o Ray Tracing. O resultado é um ganho de 34 TFLOPS de uma Turing para 58 TFLOPS em uma Ampere equivalente.

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Os núcleos tensores também trazem evolução, o que inclui a capacidade de identificar dados menos relevantes da matriz e removê-los automaticamente. Assim temos um salto de 89 TFLOPS na abordagem "matriz não esparsa" das Turing para impressionantes 238 TFLOPS das matrizes esparsas das Ampere.

O uso de GDDR6X amplia a velocidade para 19.5Gbps nas Ampere topo de linha

Outra mudança importante acontece nas memórias. A Nvidia trabalhou em conjunto com a Micron para evoluir a tecnologia de memórias GDDR6. A solução encontrada para mais desempenho foi conseguir mexer no sinal da comunicação das memórias para incluir até 4 valores por ciclo, ao invés do tradicional booleano com só dois possíveis. O ajuste fino possibilita gradações de apenas 250mV, e com isso é possível o dobro de dados sendo enviados no mesmo período de tempo.

Essa nova tecnologia, batizada GDDR6X, está presente apenas na RTX 3080 e 3090, sendo que a RTX 3070 segue usando o GDDR6 tradicional, com o objetivo de melhorar o custo final do produto.


Comparativos técnicos

Abaixo tabelas comparativas com Gigabyte RTX 3090 Gaming OC comparada com outros importantes modelos, como a RTX 3090 Founder Edition e também a Titan RTX.

Comparativo

Gigabyte GeForce RTX 3090 Gaming OCNVIDIA GeForce RTX 3090NVIDIA GeForce RTX 3080NVIDIA TITAN RTX

Preços

Preço no lançamentoU$ 1.579,99 U$ 1.499,00 U$ 699,00 U$ 2.499,00
Preço atualizadoU$ 1.579,99 U$ 1.499,00 U$ 699,00 U$ 2.499,00

Especificações da GPU

Processo de fabricação8nm 8nm 8nm 12nm Finfet
PCI-Express bus4.0 4.0 4.0 3.0
ChipAmpere GA102 Ampere GA102 Ampere GA102 Turing TU102
Clock do GPU1395 MHz1395 MHz1440 MHz1350 MHz
Clock do GPU (Turbo)1695 MHz1695 MHz1710 MHz1770 MHz

Especificações das Memórias

Tecnologia da RAMGDDR6X GDDR6X GDDR6X GDDR6
Interface de largura de BUS384 bit 384 bit 320 bit 384 bit
Quantidade de RAM24 GB 24 GB 10 GB 24 GB
Clock das memóriass1219 MHz1219 MHz1188 MHz1750 MHz
Clock efetivo19504 MHz19504 MHz19000 MHz14000 MHz
Largura de banda936.2 GB/s936.2 GB/s760.3 GB/s672 GB/s

Características Gerais

Shading Units10496 10496 8704 4608
TMUs328 328 272 288
ROPs112 112 96 96
Pixel Rate189.8 GPixel/s189.8 GPixel/s164.2 GPixel/s169.9 GPixel/s
Texture Rate556.0 GTexel/s556.0 GTexel/s465.1 GTexel/s509.8 GTexel/s
Performance de pontos flutuantes35.58 TFLOPS35.58 TFLOPS29.77 TFLOPS16.31 TFLOPS

Design

Pinos de alimentação2x 8 pinos 1x 12 pinos 1 x 12 pinos 2x 8 pinos
Suporte à combinação de placasNVLink 2-way NVLink 2-way NÃO NVLink 2-way
Tipo de SlotTrês slots Três slots Dois slots Dual-slot
Comprimento da placa313 mm313 mm285 mm267 mm
TDP350 W350 W320 W280 W
Fonte recomendada750 W750 W750 W600 W
Conexões de vídeo3x DisplayPort 1.4a, 2x HDMI 2.1 3x DisplayPort 1.4a, 1x HDMI 2.1 3x DisplayPort 1.4a, 1x HDMI 2.1 3x DisplayPort 1.4, 1x HDMI 2.0B, 1x USB Tipo-C

Recursos

DirectX12 Ultimate 12 Ultimate 12 Ultimate 12 Ultimate
OpenCL2.0 2.0 2.0 1.2
OpenGL4.6 4.6 4.6 4.6
Shader6.5 6.5 6.5 6.5

Extras

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Fotos

Como falamos na análise da RTX 3080 Founder, alguns desses modelos receberam projetos diferentes do que estávamos acostumados, investindo em novos sistemas de cooler, especialmente a Founders. As parceiras focaram em alto acabamento e qualidade do material utilizado, até porque estamos falando de placas que partem de US$1499.

Placas RTX 30 ficaram maiores do que RTX 20, mesmo com PCB menor

A Gigabyte RTX 3090 Gaming OC é grande, bemmmmm grande. Antes de comprar, vale conferir se o seu gabinete suporta esse tamanho de placa, com cerca de 32 cm de comprimento. Esse modelo requer 2 conectores de 8 pinos, com recomendação de uma fonte de energia de 750W, assim como demais placas RTX 3090, tirando alguns modelos específicos voltados para overclock que podem ir além.

O acabamento é muito bom, trazendo um já tradicional LED sobre a marca. O sistema de cooler consiste em 3 FANs, sendo que o último do lado oposto as conexões traz o fundo vazado.

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Na foto abaixo, é possível ver bem os cabos de energia internos do projeto da Gigabyte, uma solução que a NVIDIA poderia ter adotado para reposicionar o conector de 12 pinos da RTX 3080 Founders, que não ficou bom visualmente.

 

Gigabyte RTX 3090 Gaming vs RTX 3080 Founders
A RTX 3090 Founders Edition chamou bastante atenção pelo seu tamanho bastante avantajado, tanto em comprimento como na altura, que avança sobre o final dos espelho traseiro. Nas fotos abaixo da Gigabyte RTX 3090 Gaming ao lado da RTX 3080 Founders podemos ver esse conceito de placa "parruda" também por parte dos parceiros, que diga-se de passagem adoraram o conceito: "tamanho é documento".


Sistema utilizado

Utilizamos uma máquina topo de linha baseada em uma mainboard Gigabyte Z390 Aorus Xtreme, processador Intel Core i9-9900K overclockado para 4.7GHz em todos os cores, além de 16GB de memórias através de 2 módulos de 8GB CL14 em dual-channel e frequência de 3200MHz. A ideia é evitar que o sistema seja um limitador para o desempenho das placas de vídeo testadas, já o overclock para 4.7GHz considera evitar mudanças no sistema que acabem influenciando os resultados, a tensão foi definida em 1.375v.

Antes dos testes, fotos da placa instalada no sistema utilizado em todas nossas reviews de placas de vídeo.

Mais abaixo, os detalhes da máquina, sistema operacional, drivers e softwares/games utilizados nos testes, também um vídeo mostrando a máquina de review utilizado em todos os testes de placas de vídeo:

Máquina utilizada nos testes:
- Processador Intel Core i9-9900K @ 4.7GHz em todos os cores - ANÁLISE
- Placa-mãe Gigabyte Z390 Aorus Xtreme
- Kit de memórias G.SKILL TridentZ Royal 2x8GB 3200MHz
- SSD HyperX Fury RGB SSDANÁLISE
- SSD Seagate Firecuda 510 NVMe 2TB - ANÁLISE
- Sistema de refrigeração liquida Cougar Helor 360
- Fonte de energia Cougar CMX 1000W
- Gabinete Cougar Conquer
- Monitor Samsung U28E590D 4K 60Hz

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 Pro 64 Bits 2004 atualizado
- NVIDIA GeForce 456.xx

Aplicativos/Games:
- Adobe Premiere CC 2020 (renderização pelo GPU)
- Blender (renderização pelo GPU)
- V-Ray Benchmark (renderização pelo GPU)
- 3DMark (Fire Strike Ultra / Port Royal / DLSS Feature Test)
- Battlefield V (DX12)
- Flight Simulator 2020 (DX11)
- Metro Exodus (DX12)
- Red Dead Redepmtion 2 (Vulkan)
- Shadow of Tomb Raider (DX12)
- The Division 2 (DX12)
Wolfenstein: Youngblood (Vulkan)

GPU-Z
Abaixo a tela principal do GPU-Z mostrando algumas das principais características técnicas da placa.


Overclock

Como vimos na review da RTX 3080 Founders, as placas Ampere continuam trazendo bom desempenho em overclock. No caso dessa RTX 3090, o resultado também parece ser bom. Subimos o clock do GPU em 100MHz, sem mudança de tensão. As memórias subimos de 19.5GHz para 20.7GHz, qualquer clock acima desses o sistema não completava um dos testes da bateria.

É bom destacar novamente, não aumentamos a tensão, que possibilitaria ganhos maiores.

OBS.: Faça overclock por sua conta e risco. Overclock pode resultar em perda de garantia.


Consumo de energia

Começamos pelos testes de consumo de energia com todas as placas comparadas. Todos os testes foram feitos com o mesmo sistema, o que dá a noção exata do que cada VGA consome. Vale destacar que o valor é o consumo total da máquina e não apenas da placa de vídeo, que da uma noção de quanto um sistema completo consome. Comparações com testes de outros sites podem gerar resultados bem diferentes devido mudanças de sistemas utilizados.

Os testes consistem no consumo mínimo do sistema, quanto ele em modo ocioso após o teste de carga máxima, nesse caso rodando o 3DMark através do modo Fire Strike Ultra.

OBS.: No teste rodando o aplicativo 3DMark, consideramos de 5 a 10W como margem de erro, devido a variação que acontece testando uma mesma placa.


Temperatura

Mais um teste muito importante quando falamos de placas de vídeo, a temperatura do chip. Os testes consistem tanto com o sistema em modo ocioso como em uso contínuo.

É importante destacar que algumas placas possuem sistema que desliga os fans quando a GPU não está sendo exigida, como ao executar tarefas simples do Windows ou mesmo games mais simples. Por isso, existem temperaturas consideravelmente acima de alguns modelos nessa situação, mas que na prática não comprometem a placa. De acordo com as fabricantes, esse recurso aumenta o tempo de vida útil além de consumir menos energia. Sendo assim, podem existir diferenças grandes na temperatura do modo ocioso, o que não caracteriza uma placa ruim caso a temperatura seja alta.

Por que a placa ficou com temperatura menor quando overclockada?
Essa é uma situação normal nas placas atuais. A rotação dos FANs fica mais rápida e consequentemente fazem o GPU resfriar mais rapidamente, em alguns casos com temperatura menor do que em situação normal.

Por que a placa com sistema de cooler referência tem temperatura em modo ocioso menor que uma placa com cooler teoricamente melhor?
Porque placas de vídeo atuais com projetos de cooler mais recentes tendem a desligar os FANs quando a temperatura fica abaixo de números como 40, 45 ou mesmo 50 graus, assim quando os FANs ficam desligados a tendência é que a GPU não baixe a temperatura mais do que o limite que desliga os FANs.

Primeiro vamos ao teste das placas com o sistema em modo ocioso:

Para o teste da placa em uso, medimos o pico de temperatura durante os testes do modo Ultra.

OBS.: As temperaturas podem variar bastante de acordo com a região do país, sistema onde a placa está instalada e teste utilizado.


Aplicativos

Com o aumento de aplicativos que tiram proveito do poder de processamento de GPUs, atualizamos nossa bateria de testes com alguns dos softwares mais importantes do mercado.

Adobe Premiere CC 2020
O Premiere da Adobe é referência mundial quando falamos em software para edição de vídeos, e que em suas últimas versões também tem aproveitado do benefício dos GPUs para ajudar a acelerar a renderização. Abaixo o comportamento das placas comparadas:

Blender
Outro belo teste para ver como se comporta a placa de vídeo na ajuda com o processo de renderização de imagens e vídeos. O Blender se destaca por ser de uso aberto e também atualizado com o que existe de tecnologias mais recentes no mercado.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização com uso do GPU, mais um bom teste para ver como as placas podem ajudar a diminuir o tempo de trabalho em aplicações gráficas. Quanto menor for o tempo, melhor é o desempenho.


3DMark

E se falamos em benchmarks, não poderíamos deixar de fora um dos mais icônicos testes do mundo, especialmente para desempenho de placas de vídeo, o 3DMark. Nossa bateria consiste em três testes, porém 2 deles mostram tecnologias que apenas modelos mais recentes de placas trazem, Ray Tracing (Port Royal) e DLSS (DLSS Feature Test).

Rodamos a versão mais recente do aplicativo da UL Benchmark (que comprou a Futuremark), sendo que todos os testes consideram a configuração padrão do perfil, sem mudanças. Abaixo, os resultados:


Testes em games

Agora vamos ao que realmente importa: os testes de desempenho em alguns dos principais games do mercado.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: acima de 60fps é o ideal para monitores que operam nessa frequência. Quanto mais próximo dos 30fps, pior vai ficando a fluidez e, abaixo dos 30, o jogo começa a ficar "não jogável"

Battlefield V
O game desenvolvido pela DICE segue como uma referência de qualidade gráfica, operando tanto na API DirectX 12 quando 11. O jogo também se tornou um marco nos games para PC ao ser o primeiro a introduzir a técnica de Ray Tracing híbrido da Nvidia através das placas GeForce RTX.

Flight Simulator 2020
O novo simulador de voo da Microsoft chegou com um hype imenso e logo se tornou uma referência quando se trata de gráficos de alta qualidade, com cenários incríveis beirando a realidade em vários momentos, ideal para ver o comportamento de placas de vídeo. Apesar de ser um game recente e da Microsoft, a API utilizado ainda é DX11.

Metro Exodus
A franquia Metro sempre é responsável por introduzir games com novos níveis de exigência para o hardware. Com gráficos capazes de "entortar" placas de vídeo, o jogo da 2A Games também se destaca por introduzir tecnologias como o Ray Tracing e o DLSS, recursos ainda exclusivos da linha GeForce RTX.

Red Dead Redepmtion 2
Game da RockStar, com belíssimos gráficos e uma boa referência para medir o comportamento das placas de vídeo. Nosso teste considera o game rodando sobre a API Vulkan, que se comporta muito bem tanto em placas AMD como NVIDIA.

Shadow of Tomb Raider
O mais recente game da franquia da Lara Croft, Shadow of Tomb Raider traz ótimos gráficos exigindo muito das placas de vídeo. O game também tem suporte a DirectX 12 e suporte a tecnologia Ray Tracing.

Tom Clancy's The Division 2
The Division 2 usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, lidando com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela.

Wolfenstein: Youngblood
Para terminar, mais um game rodando sobre a API Vulkan, e novamente um game utilizando a tecnologia Ray Tracing, que deve ganhar cada vez mais espaço com a chegada de novos títulos. A IDTech fez um excelente trabalho entregando altas taxas de quadro de múltiplos perfis de hardware.


Testes em 8K

Com o 4K sendo "superado" nas gerações mais recentes de GPUs, já começamos a ver investidas no mundo do 8K. Essa resolução representa 4x mais pixels que o 4K, e por consequência 16x mais pixels que o FullHD. Essa é uma situação extrema, que demanda chips gráficos robustos para conseguir dar conta, além de quantidades massivas de memória de vídeo para tornar estável os testes.


Gameplay

Abaixo um gameplay com a RTX 3090, mostrando como é o comportamento da placa na prática:


Conclusão

A GeForce RTX 3090 chega ao mercado como a placa de vídeo mais poderosa do mundo, e diferente de outras gerações, agora se posicionando acima dos antigos modelos Titan. O GPU Ampere em seu máximo, aliado a incríveis 24GB de memória, tornam a placa o suprassumo do mercado, porém custando mais do que o dobro de uma RTX 3080 (US$699), alcançando incríveis US$1499, exatos US$70 a mais no modelo analisado. Mas o que vimos na análise não é um produto que justifique esse valor tão mais alto do que a RTX 3080.

De inicio já destacamos que a RTX 3090 é uma bagunça como comunicação ao consumidor. Ela nem devia ser pensada como uma placa com o objetivo de jogar, mas não temos nenhuma dúvida que seria um show de horrores nos comentários se não fizéssemos a bateria completa, assim como todos os sites do mjundo também farão. E basta rodá-la para entender porque a Nvidia chama a RTX 3080 de sua flagship: você precisa derrubar um caminhão de dinheiro por ganhos em games que, em muitos cenários, não chegam a dois dígitos.

Qual o sentido de chamar de gamer um produto que não tem como melhor uso jogos?

Temos muitos problemas na forma como o produto é apresentado. Mesmo com a Nvidia indicando a RTX 3080 como sendo sua melhor placa gamer, existir uma GeForce acima dela é confuso, e as parceiras agravam o caos trazendo toda uma linguagem já usada em seus modelos gamers para a RTX 3090. Esse modelo da Gigabyte segue a tendência, com todo um design típico dos modelos para jogar e até "Gaming" no nome, mas está longe de ser exceção: várias usam palavras Gaming ou usam branding já existente nos modelos gamers para sua versão da RTX 3090. E é só revirar a apresentação da Nvidia ou o próprio site oficial da placa para encontrar nenhuma menção a aplicações profissionais, mas vários games e utilitários para jogos.

Isso cria uma situação caótica. Quem olha para ela como uma placa pra jogos, tem razão em achar pífio o que temos aqui, pois o preço dobra por ganhos a maior parte do tempo inferiores a 10%. Já o nicho que precisa de uma placa com esse perfil, especialmente na quantidade impressionante de VRAM, em contrapartida, não vê problemas e tem aqui evoluções relevantes e positivas sobre as opções anteriores, como a Titan RTX. Para esse consumidor, ela não é a placa que custa o dobro da RTX 3080, é a placa que é 1000 dólares mais barata no anúncio que a Titan RTX e que tem mais performance.

É viável jogar em 8K com ela, mas em vários casos é preciso baixar a qualidade gráfica, então 4K/Ultra/RT é um cenário que faz mais sentido

Para jogos ela, é levemente superior a RTX 3080, entregando no máximo 10% mais desempenho na maioria dos cenários. Os saltos maiores acontecem quando experimentamos 8K, onde a 3080 simplesmente não consegue executar o teste por falta de VRAM. Aqui entra uma questão pragmática: a maioria dos jogos precisam abrir mão de qualidade em vários filtros para ser jogável, muitas das vezes lutando para chegar a 30fps, mostrando que apesar dela ter mais performance em 8K, ela nem deveria ser usada nessa resolução na grande maioria do tempo em games. Exceções incluem Wolfenstein Youngblood, onde conseguimos impressionantes 8K/Ultra/Ray Tracing/60fps+ graças ao eficiente uso do DLSS.

A RTX 3090 traz vários recordes em nossos testes de softwares profissionais e de renderização, e conta com quantidades massivas de memória que darão conta de projetos complexos

Então esse é um bom produto para quem tem ciclos de trabalho que dependem dessa quantidade massiva de memória de vídeo, e que em momentos críticos vai trazer os excelentes saltos em softwares que já vimos a 3080 entregar, mas que não vai "arregar" se seu projeto tiver coisas monstruosas como vídeos em 8K ou modelagens muito complexas. E também atende aquele consumidor que quer simplesmente o melhor não importa o custo. Longe de nós dizer o que cada um deve fazer com seu próprio dinheiro, só nos cabe avisar que uma RTX 3090 para jogar não é mais uma discussão sobre games e jogar com qualidade, e sim sobre ostentação e consumismo.

A placa da Gigabyte é ótima, bom acabamento, apenas dois conectores de energia de 8 pinos, mas com necessidade de uma fonte de energia entre 700W e 750W de boa qualidade. Ela traz ao todo 5 conexões de vídeo, incluindo duas HDMI 2.1, o que é muito interessante para um produto com esse perfil. Em se tratando do sistema de cooler, ele faz muito bem seu trabalho, mantendo a placa com temperaturas bem baixas, sem gerar ruídos perceptíveis. Mas tem um detalhe, é grande, assim como todas as RTX 3090, é uma placa com um tamanho bastante avantajado em cima do que estávamos acostumados, superando os 32cm de comprimento, certamente incompatível com alguns gabinetes.

No Brasil as placas com GPU RTX 3090 vão custar acima de R$10k, que a poucas semanas era justamente o valor cobrado por placas RTX 2080 Ti, que situação não? Por esse lado, temos uma placa muito boa, afinal ela é bem superior a RTX 2080 Ti, mas no meio do caminho temos a RTX 3080, custando na casa de R$5k, e como demonstramos não testes e em toda a conclusão, não tem sentido o investimento quando pesamos custo vs o que o produto entrega. Lembramos também que rumos indicam que uma RTX 3080 com 20GB pode ser anunciada muito em breve, uma espécie de resposta aos futuros produtos da linha Radeon 6000 da AMD. Caso essa 3080 com 20GB vire realidade, certamente ela não vai custar mais do que $100 ou $200 dólares, diminuindo ainda mais a diferença de desempenho para com a 3090, tornando ela uma placa ainda mais complicada.

PRÓS
Performance máxima em aplicações profissionais (e games)
Enormes quantidades de VRAM
Excelentes temperaturas e baixa produção de ruído
Mais barato para uma Titan RTX pra trabalhar...
CONTRAS
... e insanamente mais cara que uma RTX 3080 para jogar
Alto consumo de energia
Promessa de 8K é mais marketing do que realidade
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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