ANÁLISE: Acer Nitro com Ryzen 5: enfim AMD nos notebooks gamer!

Vários acertos, mas erros na configuração que impedem melhor performance

A linha Acer Nitro enfim estreia no Brasil os processadores Ryzen em notebooks gamers. Enquanto já havíamos visto alguns modelos da linha U aparecendo no mercado nacional, o Nitro enfim traz a linha H, de alto desempenho, ao país.

Os notebooks Acer Nitro representam um bom balanço entre custo e benefício, tentando manter um equilíbrio entre o o nível de qualidade e performance com o preço final. Em muitas configurações, essa linha está entre os preços mais competitivos de notebooks gamers do mercado.

Principais especificações do modelo testado:

- Nvidia GeForce GTX 1650 4GB 
- AMD Ryzen 5 3550H
- Tela de 15,6" FullHD
- Teclado retroiluminado ABNT-2
- 1x8GB DDR4 2666MHz
- 128GB SSD M.2 e 1TB de HD
- Preço: R$ 5.129

- Nvidia GeForce GTX 1650 4GB 
- AMD Ryzen 5 3550H
- Tela de 15,6" FullHD
- Teclado retroiluminado ABNT-2
- 1x8GB DDR4 2666MHz
- 128GB SSD M.2 e 1TB de HD
- Preço: R$ 5.129

Análise em vídeo

 

Design

A nova geração dos notebooks Nitro ganhou pequenas evoluções no design. O principal destaque desse modelo são as bordas em torno da tela, que foram reduzidas e aumentaram o aproveitamento da área disponível. O resultado é um notebook gamer de 15,6 polegadas com um porte discreto, sendo muito confortável para uso cotidiano e que entra fácil em uma mochila ou não incomoda ao ser carregado.

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Apesar da redução de espaço, o Nitro manteve o teclado completo, incluindo o numérico e está no formato ABNT-2. Minha única restrição é a retroiluminação, que é eficiente mas está fixa na cor vermelha, então pode desagradar quem queria algo mais "suave", especialmente se também vai usar para trabalhar por longos períodos.

A tela traz resolução FullHD e tem bom nível de cores, contrastes e não distorceu em excesso quando observamos de diferentes ângulos. Só ficou devendo algum recurso focado em games, como frequências mais altas ou tecnologias como o G-Sync, mas considerando que é um notebook "custo x benefício", me agradou a qualidade do display.

Uma das coisas que mais me agradou no design foi o potencial de upgrades. Após remover os parafusos da base do notebook, toda a tampa inferior sai e dá amplo acesso aos componentes, tanto para manutenção (como limpeza) quanto para trocas. E a Acer caprichou com dois slots para memórias RAM bem acessíveis, bem como dois slots M.2 disponíveis para SSDs, além da baia tradicional de 2,5" para HDs ou SSDs SATA. Sem muito esforço dá para aumentar o armazenamento ou, algo que é bem necessário, expandir a RAM, como vamos comentar na parte de performance.

Desempenho

Esse modelo do Nitro é nossa primeira chance de testar um notebook com Ryzen de alto desempenho. Além do Ryzen 5 3550H, o modelo conta com 8GB de RAM, um valor crítico como vamos comentar mais adiante, além do chip gráfico GeForce GTX 1650, uma boa pedida na relação entre performance e eficiência térmica e elétrica.

De tempos em tempos nós abordamos o tópico dos 8GB: essa quantidade de RAM é suficiente para jogar diversas franquias, mas não raro ela se mostra bastante limitada e ameaçando atrapalhar o bom desempenho de uma máquina gamer. No Nitro essa situação se agrava, pois no modelo de testes foi configurado 2GB de memória para o chip gráfico integrado Vega, usado para economizar energia quando a GeForce GTX 1650 não é necessária. Em alguns cenários, testamos a performance do Nitro após o upgrade de RAM para verificar o impacto.

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Aplicativos

3DMark

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Esports

Com um processador bastante potente e gráficos de sobra para esse gênero, que costuma não focar nos gráficos e sim na competitividade, esse notebook sobra e muito para os games nesse estilo.

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: em jogos competitivos o ideal é buscar a taxa mais alta de quadros, de preferência acima dos 100fps 

Counter Strike: Global Ofensive
O game competitivo é baseado em DirectX 9 e apesar das baixas exigências de performance na parte da placa de vídeo, por se tratar de um eSport, o ideal é alcançar altíssimas taxas de quadros, algo que traz alta carga tanto a CPU quanto GPU.


DoTA 2
Também baseado em DirectX 9, DoTA 2 é um game competitivo que exige alta taxa de quadros, algo que traz uma carga de trabalho difícil de se lidar, especialmente para o processador.


Rainbow Six Siege
Game recebeu uma atualização que disponibilizou a APU Vulkan. Apesar de leve, é um jogo exigente em CPU para atingir altas taxas de quadro.


Games pesados

Para ajudar a entender os gráficos a seguir: acima de 60fps é o ideal para monitores que operam nessa frequência. Quanto mais próximo dos 30fps, pior vai ficando a fluidez e, abaixo dos 30, o jogo começa a ficar "não jogável."

 

The Division 2 - DX12
O game da Ubisoft conta com mapas amplos e complexos, com uma ferramenta de benchmarks interna do jogo que facilita os testes. O motor gráfico Snowdrop atua muito bem entregando alta qualidade gráfica e sendo bastante desafiador para o hardware. O game opera tanto em DirectX 11 quanto 12, com bons resultados na API mais recente, então optamos por rodar os testes na versão mais nova do software da Microsoft.


Assassin´s Creed Odyssey
O game de mundo aberto da Ubisoft é muito exigente no hardware, tanto na complexidade das cidades e seu estresse para o processador quanto os detalhes dos modelos e sua carga na placa de vídeo. Em geral, esse é um game que beneficia bastante as placas GeForce, penalizando bastante as placas Radeon mesmo meses após o lançamento e com a chegada de novos drivers.


Red Dead Redemption 2
Novo game da RockStar, com belíssimos gráficos e uma boa referência para medir o comportamento de sistemas. Nosso teste considera o game rodando sobre a API Vulkam, que se comportou melhor tanto em placas AMD como Nvidia.

Apesar de não parecer tão importante nos gráficos de performance, a mudança na memória RAM tem um impacto importante no desempenho do sistema. As médias escondem uma mudança muito grande na estabilidade de nosso gameplay, com aqueles stutterings que tínhamos no Warzone em nosso primeiro gameplay praticamente desaparecendo após um upgrade na quantidade de RAM disponível.

No benchmark do Assassin's Creed temos a amostra mais visível do quanto a performance estava sendo achatada pela quantidade de memória disponível, com um verdadeiro salto na pontuação. Com 6GB apenas o notebook fica estrangulado em games mais complexos, especialmente em cenários complexos como o mapa do benchmark de AC Odyssey, mas também influencia negativamente na estabilidade em várias franquias, com eventuais engasgos. Fa

Depois do upgrade de RAM que ele definitivamente demanda, o Acer Nitro entrega a performance satisfatória, com mais de 60 quadros na média em games pesados quando configurado no pre-set intermediário, e games competitivos normalmente acima dos 100fps, com exceções.

E é nessas exceções que temos problemas. Por usar um Ryzen da série 3000, temos aqui ainda a microarquitetura Zen+, não é Zen2, e essa tecnologia tem restrições em alguns cenários. O mais claro deles é DoTA 2, onde a média não se destacou apesar de ter mantido mais de 60fps. Os processadores Zen2 solucionaram essa defasagem versus os concorrentes Intel Corel, mas a linha usada nesse notebook não possui esse recurso ainda.f


Autonomia

Aquecimento e ruído

Um dos pontos altos do projeto da Acer e também da CPU Ryzen é o aquecimento e ruído. Em nossos testes, a temperatura ficou excelente mesmo em alto estresse e com o notebook operando sem produzir barulho em excesso. O resultado é bem superior aos que costumamos medir em modelos Intel Core para games.

Na GPU não temos surpresas. A Nvidia tem feito um excelente trabalho em seus chips para notebooks, e o GTX 1650 é um bom exemplo dessa alta eficiência, entregando baixíssimo aquecimento.

Gameplay em vídeo

Conclusão

O Acer Nitro tem seus méritos bastante concentrados no design. Ele é bem portátil para um notebook gamer, e mandou muito bem no uso de área, com bordas finas em torno da tela e mesmo com menos espaço disponível, ainda mantém o teclado completo incluindo o numérico. 

A tela tem ótima qualidade, e a eficiência no resfriamento tornam ele silencioso e confortável de ser usado tanto para jogar quanto no cotidiano, mérito da presença de um SSD para agilizar o carregamento do sistema. Só ficou devendo um leitor de cartão para quem está de olho em um modelo para trabalhar, além de jogar.

Mas na configuração temos problemas. Não trazer nenhuma configuração com mais memória é um erro, e os compradores desse notebook com 8GB devem estar cientes que o upgrade de memória RAM é algo necessário para o quanto antes. Essa configuração já estaria no limite do indicado para um computador para jogar, porém uma parcela dessa memória sendo dedicada ao chip gráfico integrado leva a situação ao extremo. 

Depois do upgrade, o chip Ryzen e GeForce mostram serviço entregando boa performance em games. Na maioria dos cenários a GTX 1650 é o limitador do sistema, entregando um bom desempenho em FullHD e qualidade média em games pesados, enquanto jogos competitivos dá para alcançar 100fps+ em alta qualidade.

Porém o chip Ryzen utilizado tem suas limitações. Provavelmente focando no custo, a Acer usou um Ryzen da série 3000, baseado em Zen+. Essa tecnologia tem algumas limitações em games, entregando taxas de quadros mais baixas em alguns games competitivos comparado a rivais Intel. A AMD reduziria essa diferença com a introdução dos Zen2, porém isso só está disponível em CPUs Ryzen 4000, em notebooks.

O Acer Nitro com Ryzen é um ótimo notebook, mas depende de um upgrade de RAM e em alguns cenários fica atrás da versão equipada com Intel

O Acer Nitro com Ryzen 5 é um excelente notebook em vários aspectos, porém é extremamente dependente de um upgrade de RAM (que felizmente, é fácil de fazer) e em alguns cenários, como games competitivos de altíssima taxa de quadros, talvez faça mais sentido partir para o mesmo modelo configurado com um Core i5 de 9ª geração, por exemplo.

PRÓS
Bom design
Sistema de resfriamento eficiente e silencioso
SSD em todas as versões
Bom potencial de upgrade de armazenamento e RAM
Preço acessível
CONTRAS
Menos desempenho que rivais Intel em alguns games
Pouca memória RAM em todas as versões
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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