ANÁLISE IRON MAN VR - sendo Tony Stark dentro do que o VR consegue

Jogo tem acertos, mas não consegue escapar de suas limitações

Iron Man VR é um jogo exclusivo da plataforma PlayStation VR, disponível para donos de PS4 e PS4 Pro equipados com o acessório de realidade virtual da Sony. Nele, você encarna Tony Stark em uma jornada de redenção por ser um fabricante de armas que destrói coisas... usando armas para destruir coisas até ter se redimido.

Site oficial do game

Ousando em VR
O que mais me chamou a atenção no game é, com certeza, a movimentação pelo cenário. A realidade virtual ainda está engatinhando quando comparada ao grau de evolução que já tivemos nos games "em telas 2D", e esses jogos ainda não resolveram bem algumas de suas limitações. Uma das principais é o deslocamento, com muitos títulos fazendo uso do efeito de teleporte, ou movimentando o jogador de forma lenta pelo cenário.

Iron Man VR é um jogo em realidade virtual que arrisca muito mais na movimentação do personagem pelo cenário

Mas, para encarnar o Homem de Ferro, o jogo ousa bastante nesse aspecto. O jogador usa os propulsores da armadura para se movimentar de forma muito rápida pelos mapas onde acontecem as batalhas. Isso dá uma agilidade ao game que não tive antes jogando em VR - já que muito do gameplay envolve desviar de ataques ou perseguir coisas em pleno ar.

E é aí que temos o ponto alto da experiência com Iron Man VR. Nos combates, temos momentos que o gameplay "encaixa", com o jogador fazendo múltiplos comandos, desviando e contra atacando, tudo com uma fluidez muito maior do que normalmente a realidade virtual tem para oferecer, já que normalmente mantém o jogador fixo em um lugar e não "voando pra lá e pra cá".

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Os combates são o ponto alto do jogo

Os comandos são bem responsivos, e, depois que você domina, dá para realizar um conjunto de ataques bem precisos. Com exceção dos socos carregados, que visivelmente compensam bastante o posicionamento para que o golpe encaixe, as brigas em pleno voo estão muito bem executadas e fluidas.

Outro fator positivo é a progressão da dificuldade. Novos inimigos trazem recursos novos, como escudos que forçam o jogador a repensar sua abordagem, seja usando armas diferentes ou se posicionando de outra forma. Isso ajuda o jogo a se manter interessante, apesar de eu achar que havia potencial para boss fights mais complexas.

Voando, mas amarrado
Mesmo com essas evoluções, o jogo deixa muito evidente as limitações do que os games em realidade virtual tem para oferecer. A primeira é em termos de gráficos, com abismos separando a qualidade visual de um jogo exclusivo "em 2D" e algo como Iron Man VR. Isso, em partes, é causado pela carga maior no hardware que um game em realidade virtual demanda.

Mas, mesmo sendo mais ágil que a maioria dos jogos que já joguei, ele ainda tem suas amarras. O personagem é girado com botões nos controles, com uma transição para o escuro - algo bastante artificial e anti-climático na hora de fazer curvas ou precisar virar para um inimigo nas costas.

Telas de carregamento, transições pouco imersivas e algumas quedas de frames prejudicam a imersão na história

Falando em escuro, o jogo tem uma quantidade expressiva de telas de carregamento, e também deixa o jogador "no escuro" muitas vezes entre cenas. Nos games convencionais, ao menos dá para dar aquela conferida na timeline enquanto espera uma nova fase abrir. No VR, é você na escuridão. Isso é método de tortura, literalmente.

E é nesse tipo de elemento que o cenário de super-herói perde sua grandeza e  "as cartolinas começam a ficar visíveis". As fases são bastante compartimentadas, com cenários de batalha, cenários de bate-papo, cenários de HUB onde você evolui sua armadura, etc. Tudo é visivelmente encaixotado e com telas de carregamento longas entre elas, tirando o ritmo da narrativa e comprometendo a imersão - que é justamente o principal propósito da realidade virtual.

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Isso acontece por conta das divisões muito claras entre "cenas de história" e "cenas de combate", com uma movimentação lenta e teleportes nos momentos de explanação do enredo e aquele gameplay mais fluido dos combates. Raramente o jogo consegue emendar bem a jogabilidade com narrativa, criando transições fluidas, e isso mostra como VR ainda tem um longo caminho para atingir aquilo que os games tradicionais já fazem tão bem.

Obviamente, entusiastas de realidade virtual já estão bem acostumados com o potencial de ficar enjoado com games em VR. Porém Iron Man VR potencializa esse problema devido aos movimentos bastante bruscos do personagem.

O que me decepcionou de verdade foram eventuais quedas de frames. Considerando que o jogo é um exclusivo e que joguei no PS4 Pro, ou seja, cenário ideal, esperava uma otimização mais afinada. Nada tem mais potencial de fazer você passar mal que o mundo ao seu redor rodando em poucos quadros justo no meio de um voo em alta velocidade.

Conclusão
Iron Man VR tem acertos e se destaca como um dos jogos que mais trouxe velocidade e agilidade em um título para realidade virtual. Mas, ao mesmo tempo, esbarrou várias vezes nas limitações da tecnologia.

Essas limitações, no entanto, não são apenas tecnológicas. Elas também estão relacionadas ao amadurecimento dos games nessa plataforma. Os tutoriais acabam com o ritmo do começo da história, com várias missões de "aprenda a jogar" tomando as horas iniciais de gameplay - e com direito a pavorosas fases de "voe através dos círculos", algo que já deveria ter sido proibido na indústria em algum momento após o lançamento de Superman 64.

O enredo não é surpreendente, mas é bem executado e se torna interessante o bastante para o jogador seguir na campanha para ver seu desfecho, com alguns momentos interessantes. Nesse aspecto, cabe novamente um elogio a Sony por sua excelente localização do jogo - totalmente dublado em português e com atuações competentes dos personagens.

Iron Man VR brilha em combates agitados e empolgantes, mas ao mesmos tempo mostra o quanto a realidade virtual ainda tem a amadurecer

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Confesso que fico um tanto dividido entre recomendar ou não o game. Ele tem momentos em que se sobressai dentro do gênero VR, mas em outros frustra o jogador com telas de carregamento, transições engessadas, pouca interatividade com elementos do cenário e até paredes invisíveis em lugares inesperados - lembrando que você não é tão livre assim para voar com a armadura, em alguns mapas.

Nessa indefinição, vou usar o critério de não recomendar. Prefiro que alguém venha pegar no meu pé que o jogo era melhor do que o esperado do que depois me cobrar que não curtiu um jogo que motivei a comprar. Até acho que vale muito a pena pegar esse game quando estiver com um preço mais camarada ou se você está com seu PS VR parado e quer mais conteúdo. Mas ainda acho que tem mais potencial aqui, e que ele ainda não foi explorado.


RECOMENDA? NÃO Iron Man VR traz combates empolgantes no ar, mas mostra que a realidade virtual ainda precisa evoluir
PRÓS
Gameplay fluido e ágil
Várias mecânicas e aprimoramentos das armaduras
Enredo interessante e boas atuações em português
Inimigos diferentes necessitam de estratégias diferentes
Momentos em que você se sente o Homem de Ferro
CONTRAS
Muitas e demoradas telas de carregamento
Quedas de frames
Voar dentro de círculos
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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