ANÁLISE DE WEST OF DEAD - Um excelente roguelike de bangue-bangue

Gameplay fluido e estética faroeste trazem muita personalidade e diversão

West of Dead é um game indie que une a estética de faroeste com o gameplay roguelike, gênero em que morrer é parte crucial da experiência e que leva o jogador a encarar múltiplas vezes cenários gerados de forma aleatória. O game desenvolvido pela Upstream Arcade aposta em um visual bastante estilizado e um senso de humor sinistro, abordando temas pesados como morte, violência e vingança.

O jogo está disponível em múltiplas plataformas, podendo ser adquirido na Steam para PCMicrosoft Store para Xbox One.

Ambientação

West of Dead impacta o jogador logo de cara com um visual bastante chamativo. O game trabalha com cores e contrates extremamente saturados e confesso que precisei de um tempo para me adaptar. Esse game faz um bom uso da união de estética com gameplay: o contraste exagerado é um elemento importante da jogabilidade, já que dentro do possível você deve iluminar o cenário para encontrar seus inimigos na penumbra, e ao mesmo tempo é uma forma de ganhar uma vantagem temporária ao deixá-los desorientados com a luz.

Essas artes carregadas são usadas de um ótimo jeito, lembrando gibis com a temática de faroeste. Os personagens são os clássicos: o dono do bar, o comerciante, a bruxa, os pastor e, obviamente, você assume o pistoleiro protagonista. O enredo casa uma mistura dessa narrativa clássica com a confusão do pós-mortem, com seu avanço trazendo peças de um quebra-cabeças que explicam como seu personagem viveu, morreu e, ao mesmo tempo, mostra sua passagem por esse limbo em que você vive e morre múltiplas vezes durante o gameplay.

Eu sou suspeito, já que sou fã dos "spaghetti western", mas adorei a ambientação do jogo, com seu protagonista turrão e comentários com um curioso senso de humor sobre a vida e a morte. O jogo também tira benefícios das figuras curiosas que surgem ao longo do caminho, seja os NPCs amigáveis ou inimigos, com estereótipos exagerados e fáceis de gerar empatia, mas deturpados nessa história que se passa em uma realidade fantástica do mundo dos mortos.

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Parte importante dessa ambientação é o protagonista com voz de Ron Perlman, ator de Blade 2 e Hellboy, e que "mandou muito" na caracterização do cowboy, com seu jeito arrastado de falar e um sotaque carregadíssimo do interior dos Estados Unidos. O jogo não é dublado em português, mas está totalmente legendado, então não há problemas em acompanhar a história ou entender as descrições dos equipamentos se você não domina o idioma.

Gameplay

Esse jogo segue a fórmula dos roguelikes, ou seja, cada morte você precisa voltar a jogar do começo do jogo, porém as fases são novamente geradas com novos formatos e disposição dos inimigos. Nesse gênero é crucial um gameplay divertido, já que o desafio de lutar seu caminho novamente pelos labirintos precisa ser interessante caso contrário o jogador pode acabar desistindo do game. E West of Dead manda bem: tem um ritmo prazeroso de jogar e introduz novidades e recursos ao jogador a cada tentativa.

A maioria das melhorias são perdidas a cada morte, com alguns poucos itens que você pode desbloquear "pagando seus pecados" entre cada fase que você consegue avançar. Assim você consegue desbloquear mais poções de cura ou novos equipamentos, por exemplo.

Mas o resto é "na raça", sendo preciso evoluir seu personagem do zero a cada tentativa. Isso significa "upar" seus atributos em estações pelo mapa, achar ou comprar novos equipamentos mais fortes e também se curar em locais que nunca se repetem, já que a cada nova tentativa, o labirinto ganha uma nova disposição e força o jogador a explorar algo totalmente novo.

O foco do game são os tiroteios, sendo possível usar um conjunto de armas de fogo e brancas, além de pancadaria corpo-a-corpo. O jogo força muito reflexo e também muito "timing", sendo possível esquivar de ataques se você faz um rolamento no momento exato, além de ter muito de seus ataques dependendo de um tempo de cooldown, seja para recarregar a arma, seja simplesmente pra poder usar bombas ou armas de arremesso novamente.

A progressão pelo game é muito prazerosa e tem o momento que o game "clica": a fluidez dos comandos e o cover automático, depois de dominados, tornam o gameplay algo muito ágil e divertido. Meu único problema, em alguns trechos, foi com a progressão da dificuldade. Entrar em uma nova fase, em alguns momentos ao longo da jornada, traz um impacto muito grande no desafio e acabam criando uma quebra nessa evolução que poderia ser mais progressiva.

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Outro deslize foi na inteligência artificial em momentos pontuais. O principal deles envolve passagens estreitas, algo bem comum do game, onde os inimigos simplesmente não sabem contornar entradas e definitivamente não entendem o conceito de paredes e portas. Em alguns momentos cai em empasses onde não queria avançar, afinal um monstro estava logo ao lado da passagem, mas a AI também não conseguia avançar em minha direção e ficava esbarrando contra a parede, sem saber contornar o obstáculo.

Conclusão

West of Dead é uma pedida sem erro para fãs dos roguelikes no estilo de Enter the Gungeon e outros games em que você atira com os dois analógicos e se move rapidamente por um mapa com "um monte de bala voando" sobre sua cabeça, e que seus reflexos e sua perseverança serão testados.

A estética do jogo é fantástica, e a mistura do arquétipos do bangue-bangue com um realismo fantástico do mundo dos mortos cria momentos únicos, e casam perfeitamente com a arte carregada no estilo HQ do game. A forma como o jogo vai introduzindo a história do personagem, ao mesmo tempo que traz novos desafios e variações no cenário, motivam gerar novamente os cenários e descer por essas dungeons do game.

West of Dead é uma recomendação fácil para fãs de games difíceis, que pedem muito reflexo e que adoram a estética western e HQ

É claro que esse não é um gênero para todos. Como costuma acontecer nesse estilo, o jogo exige uma dedicação do gamer em dominar os comandos e perseverança para voltar a jogar novamente após morrer e tudo que você acumulou ser perdido. Se você não está afim de encarar um desafio dos difíceis, talvez seja melhor passar longe desse bar no mundo dos mortos.


PRÓS
Excelentes gráficos
Gameplay fluido e ágil
Várias mecânicas interessantes
Personagens cativantes e ótima ambientação
CONTRAS
Progressão da dificuldade poderia ser mais linear
AI às vezes se perde de uma sala para a próxima
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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