Gears Tactics: game mostra o potencial da franquia no gênero estratégia

Jogo tem vários acertos, mas ainda não alcançou todo seu potencial
Por Diego Kerber 11/05/2020 16:10 | atualizado 21/05/2020 15:07 comentários Reportar erro

Gears Tactics traz o mundo de Gears of War para um estilo de jogo bem diferente do que estamos acostumados. Em vez da ação desenfreada dos Gears em sua luta contra os Locusts, esse game traz o conflito para os cadenciados combates de um jogo de estratégia por turnos. Será que deu liga? Passo minhas impressões na análise completa!

Gameplay

Começando pelo que mais interessa, que é o gameplay, a The Coalition e a Splash Damage mandaram bem se adequando a um gênero já estabelecido e trazendo algo das características de Gears para ele. As batalhas tem a cadência mais lenta de um jogo de estratégia em turnos, como é inevitável do gênero, mas a fluidez dos combates me agradou muito - com muita coisa precisando ser planejada fora de seu turno e até acontecendo entre turnos seus e de seus inimigos.

Gears Tactics consegue trazer o estilo fluido de Gears para o gênero cadenciado dos games de estratégia por turnos

Apesar do óbvio ciclo de fazer seus movimentos e passar a vez, há ações como montar guarda em uma área que dão aos seus personagens a possibilidade de agir no turno do adversário, atirando em quem entra em certo raio de alcance. Novos inimigos também podem aparecer, e há interações como tomar uma pancada se passar perto demais de um monstro com ataque corpo-a-corpo ou tomar bala se cair na área vigiada por um inimigo.

Isso dá uma dinâmica um pouco diferente do estilo já muito consolidado com games como XCOM. Você pode abrir mão de movimentos do seu personagem (no seu turno) para lhe dar a chance de disparar múltiplas vezes no turno inimigo, por exemplo. 

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Outro elemento que me agradou foi a interação com os cenários, e a necessidade de ser bastante tático no posicionamento das tropas. Com soldados lutando melhor quando estão próximos ou distantes, e cuidados com o fogo-amigo se você coloca alguém na linha entre seu soldado e o inimigo, é preciso ser cauteloso em como deve se posicionar no campo. Também é preciso escolher onde pegar cobertura, já que objetos destrutíveis podem não aguentar muito tempo, e unidades ganham bônus baseado no que tem na proximidade. Abaixo, temos um gameplay onde eu faço exatamente o contrário de tudo que estou dizendo:

Uma das mecânicas que mais me agradou foi o abate. Há a possibilidade de um inimigo ficar debilitado no campo, porém não morrer. Se um de seus soldados o finalizar, isso dá moral a todo o restante dos soldados, gerando um movimento extra para todo o restante da tropa. Isso, se bem encadeado, pode aumentar em muito os movimentos do jogador em seu turno - algo bastante satisfatório quando você pega o jeito de usá-los a seu favor.

É muito satisfatório quando você consegue antecipar a inteligência artificial e bloquear seu avanço, ou quando você encadeia múltiplos ataques e faz seu turno durar muito mais

Apesar de parecer contra-climático, também gostei da mecânica de recarregar as armas. Isso força o jogador a calcular bem seus movimentos, em alguns casos literalmente contando o número de balas que você vai ter para executar um plano. Além disso, cria aquela frustração "bem-vinda" quando um soldado erra um tiro e põe seu planejamento a perder, forçando improvisos.

O jogo manda bem no gerenciamento dos soldados, com uma árvore de habilidades que possibilita criar um sniper muito diferente de outro, por exemplo. São, ao total, cinco classes e 150 habilidades para desbloquear. Os upgrades das armas, coletadas durante as fases ou quando você cumpre algum objetivo paralelo, também adicionam um novo nível de profundidade ao jogo, levando o jogador a tomar decisões sobre qual soldado vai conseguir disparar mais vezes ou qual vai se deslocar mais longe - algo relevante pra criar um time com "a sua cara".

Falando nisso, algo bobo, mas que me agradou bastante, é a grande capacidade de customização dos soldados. Pode realmente parecer nada de mais, mas quando você começa a investir muito tempo em seu squad, poder mexer no visual dele e isso é, sim, algo bem divertido. Especialmente quando a variedade de opções viabiliza até combinações meio ridículas.

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Faria bem ao Gears Tactics mais criatividade nas missões, mesmo abrindo mão de parte da sua duração

A minha ressalva no gameplay foi a falta de variedade. O jogo tem ótimas missões, mas, a partir de uma certa altura, começa a se repetir com objetivos parecidos, como manter suas tropas em um certo lugar defendendo suprimentos ou resgatar reféns. Quando surge algo mais diferenciadas, como enfrentar um chefão, dá para sentir o potencial que esse jogo poderia mostrar se arriscasse mais vezes nesse tipo de combate mais variado e gastasse menos tempo e missões feitas para "tornar o jogo mais longo", só repetindo as mecânicas e embaralhando um pouco o cenário e a posição dos inimigos.

Ambientação

Não tenho reclamações na parte artística de Gears Tactics. Os gráficos e o áudio do jogo estão em níveis excelentes. O visual entrega a qualidade que vemos nos games de campanha tradicional, com ambientes detalhados, efeitos caprichados e boa modelagem.

Em alguns poucos momentos, o jogo "deixa a peteca cair" quando faz algum close momentâneo em um personagem e alguma textura ficou faltando - normalmente para criar um efeito cinemático de alguma ação no campo de combate, mas, em geral, gosto muito da estética do jogo. Muito destaque para a "sensação de peso" graças a movimentos de câmera e ótimos efeitos sonoros nas ações como atirar, dilacerar e explodir coisas.

O jogo traz várias referências ao restante da série, seja com personagens pouco explorados como Gabe Diaz, seja com a excelente adaptação de inimigos icônicos do formato FPS, como Boomers, Kantus e outros tendo seu estilo de combate variado e forçando o jogador a se adaptar à formação que tem em sua frente.

O enredo é ok. Nada mirabolante na narrativa, com uma história, em geral, simples e um inimigo plano, simplesmente projetando o puro mal. Não considero o enredo ruim, mas também não acho que esteja aqui um motivo para se jogar esse game, mesmo para quem quer saber mais do universo de Gears.

Veredito

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Gears Taticts mostrou que há potencial para a franquia Gears ser expandida além do terreno da ação. O jogo de estratégia por turnos traz um aspecto muito mais tático para a franquia, e soube muito bem manter o que há de consagrado no gênero enquanto traz algo novo.

Mas o jogo mostra uma base sólida que não conseguiu atingir todo seu potencial. Em uma certa altura, dá para sentir uma certa monotonia nas missões, principalmente quando o jogo já terminou de introduzir todos seus modos e seus inimigos. Dá a sensação de que ele poderia ser mais curto, porém mais variado, já que, quando temos uma missão mais excêntrica ou um inimigo diferente, temos batalhas realmente empolgantes. As missões contra chefes estão entres esses momentos que poderiam acontecer com maior frequência.

Gears Tatics é uma recomendação fácil para fãs de games de estratégia

Mesmo ainda tendo espaço para ser melhor, Gears Tatics é uma recomendação fácil para os fãs de games como XCOM ou qualquer jogo tático de turnos. Seu ritmo cadenciado torna-o um jogo leve para o multitasking e talvez eu estivesse jogando ele enquanto participava de certas lives. E tem o bônus de estar muito bem adaptado aos controles, sendo um dos poucos jogos de estratégia que me lembro de ter jogado mais no controle do que com teclado e mouse em tempos recentes.

Colocando na conta que se trata de um exclusivo da Microsoft, e portanto presente no Game Pass, eu encerro meu caso e afirmo que se você tem algum nível de interesse pelos games de estratégia, definitivamente Tatics merece uma conferida.

RECOMENDA? SIM Game no estilo dos XCOM traz seus próprios truques novos na manga
PRÓS
Gameplay traz novidades ao gênero
Bons gráficos
Desafios interessantes
Grande possibilidade de customização dos personagens
Excelente de jogar tanto no mouse quanto no controle
Ótimo para um multitasking
CONTRAS
Missões repetitivas
Falta de mais chefões criativos
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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