ANÁLISE DE STREETS OF RAGE 4 - O jeito certo de misturar novidade e nostalgia

Streets of Rage faz seu inusitado e merecido retorno com um quarto game na franquia

Streets of Rage 4 é o quarto game de uma franquia beat'em up que foi febre na época do Mega Drive. E é importante destacar: quarto game. Não é um remake, reboot ou remaster, é um novo jogo numa série que todos acreditávamos ter se encerrado. Com um novo estilo de arte e algumas mudanças no gameplay, Streets of Rage 4 é um retorno digno de um clássico. Mas o que fizeram para acertar tão bem neste jogo? Confira a análise pra saber!

História e Ambientação

Começamos pela parte mais fraca do game, mas isso não chega a ser uma grande crítica. Ninguém esperava uma história magnífica em Streets of Rage, não é por isso que a franquia se consagrou, nem o que as pessoas procuram quando querem jogar algo que se chama "Ruas de Ódio".

Mas só porque o público não espera uma grande história não significa que o game não precisa nem tentar. Na verdade, justamente quando ninguém espera grande coisa é que surge uma grande oportunidade de pegar os jogadores de surpresa. Streets of Rage 4, no entanto, opta pelo prático. Só o mínimo necessário pra colocar os protagonistas na rua para andar e bater em quem aparece pelo caminho. 

Menos história, mais porrada

O que dá pra destacar no enredo deste game são as referências aos personagens que já apareceram na história da franquia e o estabelecimento de novos, enriquecendo o elenco do game com personalidades diversas e abrindo possibilidades para o futuro. Isso é muito bem-vindo numa história "magra" assim, porque podemos focar nos personagens e ter momentos "aaah, aquele cara daquele game".

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Jogabilidade

Aqui, sim, Streets of Rage 4 brilha com força - e punhos e chutes. É um tanto complicado expressar como pode ser satisfatória a experiência de um game com mecânicas tão simples, que se resumem a andar e bater, mas é incrível como o jogo ficou tão bem feito que dá pra ficar horas fazendo a mesma coisa e não se cansar.

Sinceramente, não me empolguei muito para testar o novo Streets of Rage, por acreditar que o game não teria muito a oferecer. E realmente o jogo não oferece mais do que promete, só que entrega seus elementos simples de gameplay com uma qualidade que deixa cada soco, cada chute e cada guitarrada na cabeça muito satisfatórios. Os comandos são responsivos e precisos, e dá pra "sentir" o impacto de seus combos de uma maneira deliciosa.

Uma aula de equilíbrio entre o novo e o retrô

Também faço elogios ao equilíbrio que os devs conseguiram encontrar entre introduzir novas mecânicas sem fazer Streets of Rage virar outra coisa. Temos novos personagens com diferenças sutis no gameplay, mas suficientes para mudar um pouco o estilo de jogo de cada um e fazer eles se complementarem bem numa jogabilidade cooperativa. Também ficam melhor definidos como funciona o uso do especial e de objetos do cenário como armas, dando mais possibilidades e variedade ao que podemos fazer, só que de um jeito ainda amarrado ao estilo clássico de Streets of Rage. Não sei dizer se elementos mais modernos e complexos de gameplay seriam bem-vindos, como uma skill tree ou botões para combos variados, mas respeito a decisão dos devs em deixar isso de fora e manter uma experiência clássica e satisfatória com o game.

A parte negativa do gameplay é que ele não ficou muito bem balanceado para quem prefere jogar sozinho. Conforme as fases avançam e o jogo vai ficando mais difícil, começam a ficar frequentes os momentos em que é simplesmente impossível reagir a um ataque dependendo da situação quando estamos no modo single player. O inimigo vai "encomendar" o ataque dele pro timing coincidir perfeitamente com seu personagem se levantando ou terminando um combo, momento em que você não tem como se defender - é bem irritante.

O game "pune" quem prefere jogar sozinho

Por isso a presença do multiplayer online é muito bem-vinda. É pena que pela internet só dá pra jogar até dois, sendo que localmente o game comporta até quatro jogadores, mas a experiência realmente melhora muito jogando com mais pessoas. É muito simples organizar uma partida aberta que um novo jogador pode entrar a qualquer momento ou ser você mesmo o jogador que vai entrar em alguma outra partida.

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O que fica de ponto negativo aqui, no entanto, é que o jogo não se "ajusta" quando alguém sai da partida. Em um dos meus testes um jogador com muito lag entrou na minha jogatina e todo o game ficou quase em câmera lenta e perdendo alguns frames. Esse outro jogador perdeu todas as vidas e saiu do game, mas o lag continuou exatamente igual, mesmo quando eu já estava jogando sozinho.

- EXTRAS -

É bacana mencionar aqui também uma quantidade expressiva de conteúdo extra pra desbloquear jogando. Além de artes conceituais e modos diferenciados de jogo, dá pra liberar vários personagens também, quase todos com o estilo de arte pixelizado de antigamente, dando a sensação que eles saltaram direto dos Streets of Rage das antigas para este novo mundo estranho e em alta definição.

E o único jeito de liberar novos lutadores é jogando mais e juntando mais pontos, o que incentiva não apenas a somar mais horas, mas a aprender jogar melhor.

Tem também um modo batalha, pra fazer um "versus" com seus amigos. Um bom jeito de resolver no jogo aquele desentendimento por alguém ter pegado o frango quando já estava com a vida cheia.

Gráficos

Streets of Rage 4 opta por artes em 2D para repaginar seu visual e essa foi a opção certa. Um visual 3D ia entregar uma experiência diferente na percepção de profundidade do jogo, enquanto as artes no estilo animação 2D modernizam o visual do game e enriquecem os detalhes mantendo o mesmo estilo de movimento e percepção dos games pixelizados de antigamente. Outro ponto positivo desse caminho é que o visual lembra muito uma história em quadrinhos, o que combina demais com o estilo e enredo do game, então temos um resultado excelente.

O novo estilo de arte casa perfeitamente com o gameplay

As cores vivas, traços carregados e fortes contrastes incrementam a experiência do game e se comunicam muito bem com a pegada agressiva de um beat'em up. 

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Esses visuais são muito bem complementados pelos efeitos especiais variados dos golpes, que não são apenas bonitos de olhar, mas também contribuem muito para a sensação de impacto deles.

As animações de qualidade são outro aspecto que não apenas ajudam a sentir o impacto das porradas. São necessárias para o gameplay preciso e responsivo de Streets of Rage, então também merecem elogios.

E claro que, com um estilo artístico tão bem definido, ao mesmo tempo que renova o visual de personagens clássicos, não poderíamos deixar de ter um modo galeria, que mostra visuais conceituais e como evoluíram as ideias para o estilo artístico de Streets of Rage 4, que somam como um belo extra para o game.

Áudio

A trilha sonora original de Streets of Rage 4 me surpreendeu muito positivamente, principalmente a música do menu, que não sai da minha cabeça. A guitarra melódica traz não apenas um estilo retrô, mas lembra também histórias de detetives de filmes B dos anos 80/90, que - tirando todas as suas loucuras - é mais ou menos exatamente o enredo do game.

Mas as músicas ao longo das fases e principalmente de confronto com os chefes mantêm a qualidade e o estilo agitado do jogo, sempre casando muito bem com a jogatina. Pessoalmente gostaria de ter visto, ou melhor, ouvido uma variedade maior nas batidas das faixas, que em grande parte são feitas para apenas mesclar e sumir ao fundo. 

Também não podemos deixar de mencionar as falas dubladas, que temos "salpicadas" ao longo do jogo. Não dá pra chamar de um voice-over completo, são apenas algumas falas específicas num ataque especial ou quando se seleciona um personagem, por exemplo. É exatamente a mesma solução que tantos jogos antigos implementavam, o que mantém o estilo nostálgico do game, mas com a qualidade atual, combinando perfeitamente o retrô com modernidade.

Vale destacar que o game tem todos seus menus e textos em português brasileiro como opção, algo que às vezes não aparece em jogos com investimentos maiores, então não podemos deixar de mencionar e elogiar.

Conclusão

Streets of Rage 4 é o retorno que um grande clássico merece. O game se moderniza sem perder a essência e entrega o bom e velho beat'em up, mas com uma roupa nova e alguns novos truques. Os visuais estilosos e a ótima trilha sonora acompanham um gameplay responsivo e gratificante neste game que é imperdível para os fãs da série e para quem gosta de jogar com amigos.

É pena que o pessoal que prefere jogar sozinho pode acabar se frustrando conforme o jogo fica mais difícil e uma história um pouco melhor também não faria mal. Mas o resultado final ainda vale demais a pena, com certeza.

O bom e velho beat'em up, de roupa nova e cheio de charme

Infelizmente o preço cheio do game pode ser um pouco salgado pra um título que, por mais caprichado que seja, ainda é um beat'em up linear e simples. Talvez investir os R$ 92,45 pedidos pelo jogo na Steam seja só pra quem é realmente fã de carteirinha da franquia e tem amigos pra jogar junto e aproveitar mais do que o game tem pra oferecer. Pro pessoal que curte games de ação e está curioso, certamente recomendo Streets of Rage 4 também, mas quem sabe dá pra esperar uma promoção.


RECOMENDA? SIM A mistura perfeita de novidade e nostalgia
PRÓS
Controles responsivos e combos satisfatórios
Variedade de personagens
Arte estilizada e impactante
Ótima trilha sonora original
CONTRAS
História quase inexistente
Lag no multiplayer online
Sem balanceamento pra jogar sozinho
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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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