ANÁLISE: Sharkoon Light 200 - Vale a pena primeiro mouse ultraleve da empresa?

Um excelente mouse ultraleve, com um formato ergonômico e componentes topo de linha
Por Wellington Diesel 12/04/2020 11:30 | atualizado 12/04/2020 12:31 comentários Reportar erro

O Sharkoon Light 200, ou melhor dito, Sharkoon Light² 200, é a entrada da Sharkoon no mercado de mouses ultraleves, que continua a expandir cada vez mais, seja através de novos lançamentos ou através de modificações de designs já existentes.

Mas a verdade, é que assim como vários outros produtos da Sharkoon, o Sharkoon Light 200 é um mouse remarcado, ele não foi exatamente "projetado" pela Sharkoon, apenas encomendado por ela sob as especificações que ela achou melhor.

Isso não é de forma alguma algo "ruim", há vários mouses remarcados que são bons, mas há remarcações ruins também, embora pela nossa experiência com análises de produtos da Sharkoon, a empresa remarca principalmente bons produtos.

A carcaça do mouse em si é compartilhada entre vários outros modelos, incluindo o Pwnage Ultra Custom, um mouse wireless que compartilha várias das mesmas características, porém utiliza um sensor inferior (PMW 3335) com menor consumo de energia. Vamos torcer que a Sharkoon também lance esse modelo no Brasil algum dia.

Enfim, como ele se compara com outros mouses ultraleves? Quais são os recursos e como ele se diferencia de concorrentes?

É o que veremos.

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Construção Externa

O Sharkoon Light 200 é um mouse que claramente se baseia no formato "ergonômico" do Microsoft Intellimouse 3.0, mas visualmente copia muito do ZOWIE EC2-A, medindo 120mm de comprimento, 66mm de largura e 42mm de altura. Mesmo comprimento que o EC2-A, porém mais gordo e mais alto, o que acaba fazendo ele parecer maior na mão do que nas imagens.

Pesando 62 gramas (sem o cabo), o Sharkoon Light 200 pode ser parecido com o Razer DeathAdder nas imagens por também ser baseado no formato do Intellimouse 3.0, mas na verdade seu comprimento é menor e sua traseira é mais acentuada (o que é interessante para a pegada Claw), logo são diferentes um do outro.

Considero o formato do Sharkoon Light 200 como sendo "universal", mas tudo vai depender do tamanho da sua mão. O grande diferencial que ele possui comparado a outros mouses com formato similar, é que devido à maior altura e traseira mais acentuada, há uma pegada mais confortável para a pegada Claw, fora que essa maior altura também cria uma maior área para posicionar sua mão, auxiliando a pegada Palm. O único prejudicado da história, parece ser a pegada Fingertip para quem tem mãos pequenas, mas se você usa essa pegada e tem mãos médias ou grandes, sem problemas.

Visualmente, o Sharkoon Light 200 é bastante interessante, há iluminação no scroll, underglow na traseira, iluminação no logo interior e o botão de DPI (que é um pedaço de borracha) pode ter sua cor trocada entre escuro, vermelho ou azul.

Um detalhe que separa o Sharkoon Light 200 de outros mouses ultraleves é que sua traseira é removível e é possível escolher entre uma traseira "cheia de furos" para diminuir o peso, ou uma traseira tampada. A diferença de peso entre elas é mínimo, o modelo com buracos pesa 4g e o modelo sem buracos pesa 7g.

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Como também podem ver na imagem, o mouse acompanha um conjunto de pés de PTFE adicionais, o que é um extra muito bem vindo.

A carcaça do Sharkoon Light 200 parece de boa qualidade, pressionar ele com força não faz ela ranger e nem há problemas dos botões laterais sendo pressionados caso você fizer força na lateral esquerda.

As similaridades com mouses da ZOWIE não se limitam ao formato, a própria forma como os botões principais foram projetados é uma cópia idêntica da parte frontal de um ZOWIE EC1-A.

Falando também em cliques, eles possuem uma boa resposta, não há pre-travel e o clique é satisfatório, embora o botão esquerdo tenha um pouco de post-travel se você segurar com força (o botão afunda mais do que deveria depois de pressionado), e o melhor seria se não tivesse. O botão direito está mais firme e perfeito.

Curiosamente, após desmontar e remontar o mouse, tal problema desapareceu e ambos os botões ficaram com uma excelente resposta. Isso quer dizer que a minha unidade não foi montada da melhor forma possível, resta agora saber se haverá outros casos iguais ao meu ou não. Controle de Qualidade (QC) é o maior problema de mouses ultraleves...

Quanto ao scroll do mouse, este é um scroll extremamente fluído e leve, e sem as ranhuras na borracha que maioria dos outros mouses gamer utilizam para proporcionar mais aderência, ao invés disso temos uma "listra de LED" no meio do scroll.

É um scroll excelente para navegação devido à extrema fluidez e boa resposta, mas pode desagradar quem prefere um scroll mais "pesado" e com estágios bem definidos para realizar a troca de armas. O botão do meio (scroll) não é pesado e nem leve demais, excelente para quem utiliza muito ele.

Outro ponto no qual ele copia os mouses da ZOWIE, são os botões laterais, os quais são grandes e bastante leves, similar a como é no ZOWIE EC1-A ou no Razer DeathAdder 3.5G.

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Se você gosta de botões laterais leves e com boa resposta para pressionar com muita frequência (ex: usar para faca/granada ou push-to-talk), eles são excelentes, mas se você é um daqueles que prefere botões laterais mais "seguros" para evitar acionamentos acidentais, podem desagradar.

Virando o mouse, temos aqui pés de PTFE com alto nível de pureza e um anel de PTFE ao redor do sensor, os quais proporcionam ao mouse um excelente deslize, mais do que pés comuns de PTFE costumam proporcionar.

Na traseira há também uma chave de polling rate com três estágios, sendo possível escolher as frequências de atualização de 125 Hz (8ms de atraso), 500 Hz (2ms de atraso) ou 1000 Hz (1ms de atraso).

Já o cabo do mouse em si é um cabo estilo paracord, um pouco mais espesso do que cabos normais e extremamente flexível, lembrando muito o primeiro cabo usado pelos Glorious Model O.

Embora cabos paracord acabem dando a sensação de que você esteja usando um mouse "quase sem fio", o fato é que quando há muita flexibilidade, há também a possibilidade do cabo dobrar mais do que deveria, então tome cuidado para que o cabo não dobre demais (o que pode danificar ele).

Enfim, a construção externa do Sharkoon Light 200 aparenta ser muito boa, o cabo paracord é bom e flexível, o peso é bem distribuído, o scroll tem uma boa resposta e é extremamente fluído, o plástico é de alta qualidade e não há peças rangendo ou acionando acidentalmente, os pés de PTFE são melhores do que o normal e o deslize é excelente.

Mas, algo que deve-se manter a atenção constante é o Controle de Qualidade. Como já fora mencionado, o clique do botão esquerdo não estava com a melhor resposta possível e após desmontar e remontar, tal problema sumiu. É responsabilidade do QC evitar que casos como este aconteçam.

Construção Interna

Abrindo o Sharkoon Light 200, encontramos uma construção interna que já está se tornando "padrão", em mouses ultraleves, basicamente a mesma que os mouses da Glorious, Xtrfy e outras, não é de forma alguma uma construção ruim, mas parece que todo mundo está copiando a receita do concorrente...

Nos botões principais do Sharkoon Light 200 encontramos switches de modelo OMRON 20M, certificado para "20 milhões de cliques". São bons switches com excelente resposta, embora a tendência do mercado high-end sejam switches ópticos.

No scroll do mouse, encontramos um codificador da marca "F-Switch". E aqui temos um problema.

Tenho vários mouses com codificadores desta marca (dois Redragon King Cobra, Xtrfy M4, Havit MS837) e se há algo comum entre todos estes, é que o scroll começou ranger depois de um tempo.

O codificador da F-Switch nos primeiros meses é uma maravilha em resposta e maciez, mas após algum tempo a lubrificação começa falhar. Claro, abrir e aplicar WD-40 ou algum outro lubrificante no codificador resolve o problema perfeitamente, mas isto não é algo que o usuário deveria ter que fazer nos primeiros anos de uso do mouse.


Foto interna de um Glorious Model O

Até o momento eu não vi reclamações quanto à durabilidade dos codificadores da F-Switch, apenas sobre "rangido" do scroll.

Já no botão do meio encontramos um switch de alta qualidade HUANO Green, com uma excelente resposta e peso, nem pesado demais, nem leve demais, perfeito para quem usa o botão do meio com frequência.

E nos botões laterais, encontramos os switches de alta qualidade HUANO White. O botão de DPI utiliza um switch Tactile Square genérico, o que não é problema algum.

Um detalhe curioso da construção do Sharkoon Light 200, é que há claros sinais de que esta mesma carcaça é usada para um mouse sem fio, mais especificamente o Pwnage Ultra Custom. O Sharkoon Light 200 não possui os componentes necessários para se tornar um mouse sem fio, mas ele tem espaços vazios onde eles estariam.

O compartimento com o logotipo do Light 200, é onde estaria a bateria. Além disto, há muito espaço vazio na PCB (embora esta não seja a PCB do modelo wireless, não achem que é "só colocar uma bateria" e ele vai virar um mouse sem fio).

Enfim, com exceção do codificador do scroll, o qual eu gostaria que fosse trocado em modelos futuros, o Sharkoon Light 200 possui componentes de boa qualidade, embora me preocupa o fato de várias marcas de mouses ultraleves estarem copiando a construção interna uma da outra ao invés de tentarem fazer algo melhor do que o concorrente.

Desempenho e Recursos

O Sharkoon Light 200 utiliza o sensor Pixart PMW 3389, o mesmo que utilizado no Razer Viper e o melhor sensor disponível no mercado comercialmente (lembrando que o 3391 é exclusivo).

Porém, é válido lembrar que na prática a diferença entre um PMW 3360, 3389 e 3391 é imperceptível, com exceção do excelente ganho em consumo de energia do 3391 (o que é importante para mouses wireless).

Vamos aos testes, primeiro temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizá-lo, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados do Sharkoon Light 200 no mousepad Razer Goliathus Chroma Extended, em 1000 Hz:

E ele apresenta um resultado perfeito. É normal as bolinhas estarem fora da linha e em direções opostas umas das outras devido à forma como o sensor trabalha. Também, é normal as "tremidas" nas extremidades, pois minha mão não apresenta um movimento constante, especialmente não quando estou mudando de direção o movimento.

O próximo teste é o teste de aceleração. O ideal sempre é que se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do Sharkoon Light 200 usando o mousepad Razer Goliathus Chroma Extended, em 1000 Hz:

E temos um resultado perfeito, nada mais do que o esperado do Pixart PMW 3389.

Chegando ao software, o software do Sharkoon Light 200 é extremamente básico, não é possível atrelar perfis a jogos, não há SDK aberto e nada do tipo, apenas o básico, o que pode ser bom para alguns usuários (software leve, abre rápido, não roda vários processos no fundo) e ruim para outros, dependendo da utilização.

Na primeira janela temos a aba Button Assignment, onde podemos escolher as funções de cada botão. Há funções básicas do mouse, atalhos do teclado (shortcuts, ex: CTRL + Shift + Del), é possível atrelar uma macro ao botão, há funções multimídia e "Aim Key" (basicamente "botão sniper", faz a DPI diminuir para um certo valor enquanto segura o botão, tornando a mira mais pesada).

Em seguida, temos a aba DPI Settings, onde podemos escolher (ou desligar) as sete DPIs do mouse, sendo possível ajustar a sensibilidade para horizontal/vertical individualmente caso você quiser.

Lembrando também que o mouse possui cinco perfis internos e que cada perfil terá configurações de DPI, botões, efeitos e macros individuais.

Na próxima aba temos o controle dos efeitos de iluminação, há 9 efeitos no total e o controle de customização em cima deles é bastante básico, apenas brilho, velocidade e cor (em apenas alguns dos efeitos). Não é possível criar efeitos próprios ou customizar efeitos como os ciclos de cores, só é possível fazer o básico e para maioria dos usuários, isso é o suficiente.

Adiante, temos Advanced Settings, onde podemos configurar a sensibilidade do cursor (é a mesma que o Windows configura), ligar/desligar o "Aprimorar precisão do Cursor", regular a velocidade da rolagem, velocidade do duplo-clique e também o LOD (Lift Off Distance) do mouse, a altura na qual ele para de rastrear.

Se você não sabe o que é LOD, não é necessário mexer nisso. Mas, se por acaso algum dia o seu Sharkoon Light 200 estiver tendo problemas em rastrear certas superfícies, eu recomendo aumentar esse valor.

E por último temos a aba de macros, a qual é extremamente simples em seu funcionamento:

É possível criar macros que envolvem botões do mouse, mas é preciso primeiro gravar algo e depois pressionar com o botão direito um dos espaços vazios entre macros, apenas então um menu chamado "inserir" irá aparecer.

Conclusão

O Sharkoon Light 200 é a "primeira" tentativa da Sharkoon em trazer um mouse ultraleve da marca para o mercado, e para sua primeira tentativa, ela certamente teve sucesso, o Sharkoon Light 200 é um excelente mouse em todos os aspectos, desde construção externa, interna, cabo, deslize (graças aos pés de PTFE com alto nível de pureza) e extras.

O preço do Sharkoon Light 200 no exterior é US$ 50, o que é um preço normal e aceitável para um mouse ultraleve, embora acredito que o melhor seria um valor ainda menor pois faltam mouses "custo x benefício" nessa categoria. Mas, lembrando que esse é o preço sugerido, o preço praticado, especialmente após alguns meses do lançamento, pode ser abaixo disso.

Já no Brasil, não sabemos, não há previsão de preço devido à situação atual do nosso país e da nossa moeda, por isso terei que utilizar o preço estrangeiro como item de avaliação. Aliás, provavelmente terei que fazer o mesmo para muitas das próximas análises.

O Sharkoon Light 200 aparenta ser um excelente mouse, mas a nossa recomendação geral sobre mouses ultraleves é que você pesquise relatos de usuários antes de comprar.

Algo extremamente comum entre mouses ultraleves, é ter problemas em lotes iniciais ou problemas de controle de qualidade (incapacidade de manter consistência entre mouses), o mais comum destes problemas sendo problemas na resposta dos cliques.

Exemplos de mouses ultraleves que possuímos e que apresentam problemas nos cliques, são as duas unidades do Cooler Master MM710 que recebemos, o protótipo do Pichau P801 (as unidades finais serão diferentes) e o Razer DeathAdder V2, todos apresentam problemas na resposta dos cliques. O Razer Viper Ultimate também aparentava ter isso nos lotes iniciais, mas nossa unidade está perfeita.

Claro, o Cooler Master MM710 já resolveu este problema nos próximos lotes do mouse, o Pichau P801 vai ter isso resolvido antes do lançamento e o Razer DeathAdder V2 é uma unidade avariada segundo o suporte da Razer e será trocada.

Porém, há uma conexão entre todos estes mouses com problemas: recebemos eles no lançamento (ou antes).

Então uma recomendação geral, válida não apenas para o Sharkoon Light 200, mas também para qualquer mouse ultraleve:

Esperem por relatos de usuários antes de comprar mouses ultraleves no lançamento, ou então comprem alguns meses após o lançamento, quando problemas conhecidos já estarão resolvidos (e o preço estará menor)

Agora, resta apenas torcer para que a situação do mercado se acalme e que o preço do dólar diminua, torcer para que a Sharkoon consiga trazer o Light 200 para o Brasil em um preço competitivo e torcer para que ela não tenha problemas de controle de qualidade no lançamento. Ou então esperar até que todas estas questões sejam (ou não) resolvidas.


PRÓS
Cabo "estilo paracord" de boa qualidade e com excelente flexibilidade
Capa traseira trocável, sendo possível escolher entre deixar ele "cheio de buracos" ou não
Cinco perfis de memória interna (com macros, binds e DPIs individuais)
Pés de PTFE com alto nível de pureza, além de um conjunto adicional de pés na caixa
Ótima construção externa
Ótima resposta em todos os botões
Sensor topo de linha Pixart PMW 3389
CONTRAS
Seu software, o qual é bastante simples, pode não agradar quem procura funções mais avançadas
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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