ANÁLISE RESIDENT EVIL 3 REMAKE: Capcom acerta novamente na modernização de seu clássico

História e gameplay melhorados embalam o jogo, mas Nemesis poderia brilhar mais
Por Diego Kerber 30/03/2020 12:00 | atualizado 01/04/2020 19:36 comentários Reportar erro

Depois de um excelente remake de Resident Evil 2 (e muita hype por mais desse tratamento em outros games da era inicial da série da Capcom), temos Resident Evil 3 ganhando sua atualização caprichada pouco mais de um ano depois. Como é de se esperar em uma janela tão curta entre um lançamento e outro, muito do que vemos está sedimentado sobre o feito em RE 2 Remake. Mas, à parte do novo conteúdo, temos melhorias "aqui e ali" que são dignas de serem notadas -  além da adição de um modo multiplayer, algo que já nos rendeu péssimas experiências no passado. Vamos destrinchar os destaques no restante da análise completa desse jogaço!


Nós testamos Resident Evil no Playstation 4 Pro e no PC, jogando em torno de 12 horas. Fechamos a campanha no modo padrão, jogamos um pouco no modo intenso e dedicamos mais ou menos 2 horas ao modo multijogador, o Project Resistance.

Resident Evil 3 Remake atualiza as desventuras de Jill Valentine por Raccon City, em eventos quase paralelos aos que Leon e Claire encaram em Resident Evil 2 Remake. Aqui, temos uma dificuldade óbvia de analisar o game, já que o poder da nostalgia permeia toda a experiência - e é muito satisfatório rever os personagens e as localidades que marcaram tantos gamers no título original de 1999.

Com pouco mais de um ano do lançamento de Resident Evil 2 Remake, não é uma surpresa ver que não há muitas mudanças entre os dois jogos. Em termos técnicos, eles são muito próximos, com mesmo nível de qualidade gráfica e praticamente a mesma jogabilidade. Felizmente, isso não é um problema, já que RE 2 Remake foi um dos melhores jogos do ano passado.

Então, a base em que RE 3 Remake está sedimentado é sólida. Claro que o efeito de novidade, dessa vez, passou.

- Continua após a publicidade -

Na jogabilidade, a grande mudança é muito bem-vinda. O jogo mantém a essência meio "durona" dos Resident Evil originais, sendo muito difícil escapar dos monstros e zumbis por conta da falta de agilidade dos personagens - algo que sempre contribui para a tensão quando você precisa fazer zigue-zague por ruas e becos tentando não ser mordido por seja lá o que for.

Mas o jogo adiciona uma nova possibilidade: agora dá para se esquivar. Ao apertar o botão, o personagem dá uma leve esquiva em uma direção e, se o timming for perfeito, pode até rolar e escapar de uma investida de alguma monstruosidade no seu caminho.

Essa nova mecânica adiciona um novo nível de agilidade para os personagens e muda a estratégia. Mesmo em um corredor muito estreito, passar por um zumbi é uma técnica válida e, considerando a quantidade de balas necessárias para derrubar essas criaturas, um caminho bastante considerável. Em RE 2 Remake, ficar fugindo até era uma das melhores opções mas, em cenários mais apertados, normalmente não era viável.

No resto, jogar Resident Evil 3 Remake é basicamente a mesma experiência de jogar Resident Evil 2 Remake, mas com uma nova história. Há variações no gameplay com outros personagens, onde a esquiva dá lugar a um "encontrão" bastante útil que derruba zumbis e dá ao jogador tempo para fugir, porém boa parte da jogabilidade segue semelhante com novos truques de esquiva. O inventário tem espaço limitado, você precisa resolver puzzles (apesar de serem menos abundantes e criativos nesse game), eventualmente enfrentar novos monstros, que demandam novas estratégias de combate, e uma boss fight aqui ou ali, onde você vai ser infernizado múltiplas vezes pelo Nemesis, como no clássico de 99.

A lógica de desafiar os jogadores a tirarem ranking elevado segue presente, com pontuações mais elevadas sendo alcançadas para quem faz o jogo em menos tempo, usa menos kits médicos, abre menos vezes o baú, etc.


História e Personagens

Entre as principais evoluções, está o desenvolvimento da história e dos personagens. Dessa vez, o jogador fica menos tempo preso em uma única localidade (como aconteceu na delegacia em RE 2 Remake), com mudanças mais constantes de cenário. Isso dá um ritmo mais interessante ao jogo, com a necessidade mais constante de descobrir novos caminhos e aprender novos mapas. 

Os personagens estão muito melhores, com a interação entre Jill e Carlos muito mais convincente que os diálogos bastante estranhos e beirando ao "vale da estranheza" que Claire e Leon tiveram no jogo anterior (a cena da cerca chega a ser engraçada). Isso faz uma diferença notável para a narrativa, já que aumenta nossa empatia pelos personagens - seja o jeito sincero e meio inocente do mercenário contratado pela Umbrella ou o estilo forte e resoluto de Jill Valentine.

- Continua após a publicidade -

Nemesis podia ter brilhado mais...

E Nemesis... bem, ele segue sendo o inimigo implacável que foi no game original, mas não chega a ser tão interessante quanto Mister X. Enquanto o Tirano T-103 mantém o jogador "na corrida" em várias perseguições pela delegacia em RE 2 Remake, Nemesis é bem mais limitado. Há uma série de perseguições do estilo "corra para frente" em que você foge dele, bem menos desafiante que aprender as rotas de fuga pelos corredores da delegacia de Raccon City e memorizar as salas onde podia se esconder do Mister X.

Existem alguns pontos específicos em que o Tirano parece ter mais liberdade de andar pelo mapa e colocar o gamer na pressão, mas são pouco frequentes, tirando o sentimento de perseguição orgânica e passando mais um "entre nessa sala e inicie o combate". Sempre que você consegue ver muito claramente como um jogo funciona, os gatilhos de programação são muito delimitados e um pouco da magia se perde no processo.


Multijogador

Outra das grandes novidades em relação ao remake anterior é o modo multijogador, o Project Resistance. Nele, cinco jogadores entram em uma disputa assimétrica onde quatro jogam como sobreviventes e um como "Game Master". A ideia se mostrou excelente: é como se pudéssemos jogar as fases do jogo dando a uma pessoa a oportunidade de tentar matar os sobreviventes lançando no mapa, monstros e outras adversidades para impedi-los.

Porém, minha análise desse recurso já parte de problemas técnicos, unidos por dois pontos. O primeiro é que o jogo não foi lançado, então só pude jogar com outros gamers com acesso antecipado, algo que limitou bastante as possibilidades de matchmaking e também me limitou a jogar com desconhecidos. Outro problema foi a conexão: estamos em um momento de muito estresse na infraestrutura de dados global por conta da pandemia do coronavírus, e a própria Capcom também está sofrendo de dificuldades para implementar até mesmo a fase beta do modo online.

O resultado é que sempre joguei com uma mensagem alertando para problemas de conexão com o host da partida. Além de distrair bastante, isso me deixa sempre na dúvida quando algo meio estranho acontece, como um ataque não encaixando ou quando fico emperrado em um canto. Nunca sei se foi a conexão "baleiando" ou o jogo falhando.

Esse modo tem potencial, com uma boa variedade de equipamentos e estratégias tanto para os sobreviventes quanto para o "game master". Em cada partida, você desbloqueia novos itens em loot boxes, e a cada rodada acumula uma moeda que pode ser gasta na compra de equipamentos para tentar avançar nos novos cenário. Se as palavras moeda do game e loot boxes acionaram um sinal vermelho aí, fique tranquilo: só dá para desbloquear esses itens jogando, ou seja, não é possível comprar com dinheiro real esses recursos que são, em geral, habilidades passivas ou itens cosméticos.

- Continua após a publicidade -

Para mim, o ponto crítico no modo multiplayer é que a movimentação em Resident Evil 3 Remake é um tanto lenta e pesada, algo que é muito bom para a campanha, pois sempre deixa o jogador inseguro de que conseguirá escapar dos monstros. Mas, fica menos divertido quando você está tentando jogar de forma competitiva contra outras pessoas. Eu vejo muito potencial de juntar conhecidos e jogar esse modo, porém com desconhecidos e os problemas de conexão que tive em meus testes, ainda não estou convencido.


Conclusão

Resident Evil 3 Remake se apoia em muito do que foi construído no game do ano passado e, se por um lado isso causa a óbvia perda do efeito novidade, por outro esse jogo é uma recomendação cega e sem dúvidas se você gostou do game anterior. Ele tem tudo que tornou o jogo de 2019 excelente com melhorias no ritmo, no desenvolvimento dos personagens e na jogabilidade. 

Apesar da campanha ser um pouco mais curta, há um modo multijogador incluído que pode garantir mais algumas horas de diversão. Ele está longe de me convencer que vale o esforço, mas possivelmente com o lançamento oficial e conexões mais estáveis pode ser que fique melhor. 

Mesmo que você não tenha jogado o original de 99, esse game tem muito a oferecer para um fã de survival horror. Se você jogou Resident Evil 2 Remake e não está com pressa para jogar algo semelhante, talvez não precise por esse game no topo da sua lista, mas com certeza merece eventualmente ganhar sua atenção.


RECOMENDA? SIM Residente Evil 3 Remake é uma pedida certa para fãs de horror de sobrevivência
PRÓS
Ótimos gráficos
História mais dinâmica e personagens melhor desenvolvidos
Modo multijogador traz mais conteúdo
Inimigos e localidades criativas e desafiantes
CONTRAS
Fugir do Nemesis é menos interessante que do Mister X
Modo online ainda não convence
Campanha mais curta que RE 2 Remake
Puzzles menos criativos e abundantes
Tags
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.