ANÁLISE de ORI AND THE WILL OF THE WISPS - Game retorna melhor do que nunca!

Habilidades mais variadas e um imenso mapa enriquecem muito a bela experiência de Ori
Por João Gabriel Nogueira 18/03/2020 18:00 | atualizado 19/03/2020 08:20 comentários Reportar erro

Ori and the Will of the Wisps é a aguardada continuação para um dos indies mais "do coração" que tivemos nos últimos tempos - Ori and the Blind Forest. O game chega 5 anos depois do lançamento do original, trazendo uma história inédita num novo mapa, com algumas mudanças na jogabilidade e o mesmo estilo artístico que consagrou o primeiro game. Será que a sequência de Ori também vai conseguir um espaço reservado em nossos corações? Vamos ver na análise!

História e Ambientação

Ori and the Will of the Wisps continua pouco tempo depois de onde terminou o primeiro game, tornando importante saber a história original para uma maior imersão, mas não chega a ser indispensável para entender.

A história e ambientação são aspectos muito importantes para a franquia. Claro que o excelente - e desafiador - gameplay merece seus méritos, e eles serão mencionados, mas é o enredo comovente do game e sua belíssima ambientação que dão aquela sensação de estar jogando uma fábula. E o pessoal da Moon Studios, mais uma vez, acertou em cheio.

O segundo game da série expande o "lore" do universo de Ori, ao mesmo tempo que continua e amadurece a saga do pequeno herói que começou suas aventuras na Blind Forest. Temos um elenco bem mais diverso de NPCs que ajudam a dar vida e personalidade à floresta, além de expandirem o gameplay e oferecerem mais momentos comoventes e impactantes ao longo de toda a jornada, não somente em seu clímax.

Ori mantém a excelente sensação de jogar uma fábula

Will of the Wisps, no entanto, segue na decisão do "protagonista silencioso" e, por mais que Ori seja expressivo e simpático em suas animações e excelente arte, o herói dessa épica aventura segue um tanto raso e dá um pouco a sensação às vezes de não ter vontade própria, apenas fazer o que pedem.O vilão do game acaba tendo um arco e uma personalidade mais interessante do que Ori.

De qualquer forma temos uma história satisfatória e envolvente, que faz um ótimo trabalho em estabelecer o que está em risco e a importância da aventura para o jogador, o que contribui para a imersão e a vontade de jogar - queremos voltar ao game não só pela diversão, mas pra ajudar Kun também. E só vou falar até aqui para não entrar no território de spoilers.

Gameplay

A história de Ori and the Will of the Wisps é uma continuação do que vemos no primeiro jogo, e continua tão boa quanto antes. Mas o gameplay teve um crescimento "exponencial" em relação ao anterior, agora oferecendo uma bem-vinda variedade bastante expandida e que estava fazendo muita falta.

O game mantém seu estilo "metroidvania", com um mapa bem maior e cenários bem diversos. Num momento estamos nas profundezas de uma caverna, depois passamos para uma floresta em direção a uma área coberta de gelo ou rica em lagos e rios. A estética desses cenários pode ser melhor discutida na parte de gráficos, mas trago o tema no segmento de gameplay porque essa variedade impactam positivamente na jogabilidade. Cada parte do enorme mapa de Will of the Wisps vai ser melhor explorada com o auxílio de uma das habilidades de Ori, mantendo um ótimo ritmo no gameplay, em que sempre estamos fazendo alguma coisa nova e aprendendo a dominar melhor uma habilidade recém obtida.

E até aqui eu estava me referindo apenas às habilidades de movimentação de Ori, sendo que onde o gameplay realmente teve um salto de qualidade foi no combate. Essa parte foi completamente reimaginada de maneira que não ficou apenas mais satisfatório de jogar, mas de obter novos níveis também.

A variedade maior de habilidades é justo o que o gameplay de Ori precisava

Will of the Wisps funciona equipando três habilidades diferentes em Ori, uma para cada botão que não é o A - o pulo. O ataque básico agora é uma lâmina de energia, basicamente uma espada, e vamos liberando vários outros ao longo do game, tanto projéteis que gastam energia, como um martelo para ataques pesados. Ori realmente tem uma lista bem variada de habilidades que obviamente não cabe em apenas três botões, por isso temos uma maneira rápida e prática de trocar as habilidades quase imediatamente, permitindo que o jogador explore mais de três por vez mesmo durante os combates. Isso por si só já adiciona muito mais variedade e deixa o combate bem mais dinâmico neste game, mas temos outras mudanças no formato de melhorar esses recursos que também são bem-vindas.

Agora não usamos mais aquela tradicional árvore de skills para ir liberando cada melhoria vinculada à anterior. Cada habilidade é melhorada individualmente e temos um novo sistema de fragmentos espirituais que parece inspirado em Hollow Knight. Você equipa esses fragmentos e eles melhoram o personagem ou suas habilidades, dando mais resistência para Ori ou fazendo os tiros do arco se dividirem, por exemplo. Cada um desses fragmentos também pode ser melhorado e alguns deles oferecem uma relação bem interessante de risco vs. recompensa, como o "impetuoso", que aumenta o dano causado, mas também aumenta o dano recebido.

Toda essa variedade ajuda não só a tornar o gameplay mais interessante, mas principalmente a aumentar a sensação de recompensa em explorar o mapa, algo indispensável para um metroidvania. Em Will of the Wisps é muito mais bacana buscar lugares escondidos e segredos porque você pode encontrar não somente mais pontos de experiência ou fragmentos para aumentar a vida e energia, você pode também conseguir novos fragmentos ou minérios Gorlek e sementes.

Mas hein? Minérios e sementes? Pois é. Outra novidade aqui é uma espécie de "hub", no centro do mapa, um espaço seguro onde os NPCs se encontram e começam a reconstruir suas vidas. Você pode ajudar contribuindo com minérios para a construção de estruturas que ajudam a tornar essa hub cada vez mais parecida com um vilarejo e sementes que aumentam o número de plantas. No ponto de vista do gameplay, essas estruturas ajudam a alcançar mais locais e encontrar mais itens, mas dentro da imersão do game é bem bacana também ajudar os pequenos Moki a terem um novo lugar para viver.

Explorar o belo mapa está mais interessante e recompensador

O jogo conta também com desafios de "corrida", que consistem em ir do ponto A ao ponto B o mais rapidamente possível e podem ser liberados encontrando locais escondidos. Esse é mais um recurso que incentiva a exploração do mapa e quanto mais melhor para este formato de game.

Em termos gerais, Ori continua um game bastante desafiador, com alguns cenários que podem realmente chegar a ser frustrantes, mas que dão aquela sensação de conquista quando conseguimos superar. Temos poucos chefes e eles não são tão difíceis quanto outros trechos do game, mas ainda são combates bem interessantes e diversificados, o que ressalta como seria bom ter mais alguns.

Gráficos

Ori and the Will of the Wisps é lindo, como esperávamos. O estilo da arte que consagrou o primeiro game retorna com força total, pintando os cenários de diversas cores e com aquele capricho na animação que enche os personagens de vida e personalidade. O game, assim como seu antecessor, conta sua história com poucas palavras, então a expressividade de seus temas vem dos gestos, expressões e interações entre personagens e cenários. 

Uma pequena crítica que pode ser feita aqui é que talvez os artistas se "empolgaram" na riqueza de detalhes e variedade na criação dos cenários, então algumas vezes a tela fica um pouco "poluída", no sentido de se tornar meio difícil em alguns momentos definir onde pode pisar e onde não pode, o que é inimigo e o que é vegetação. É raro de acontecer, mas acontece e atrapalha. 

Mas isso é apenas uma pequena crítica. A grande reclamação vem da qualidade que o game roda no PC. A primeira tela de loading é desproporcionalmente longa e os "engasgos" no frame rate não são incomuns. Mas isso nem é a pior parte, o jogo tem problemas com o áudio, gerando um ruído horrível que surge de vez em quando e quebra a "magia" de alguns momentos. Algumas pessoas também relataram perda de seus saves, mas isso parece ser um problema mais raro.

Uma arte linda e impressionante atrapalhada por alguns bugs e crashes

Outro problema que precisa ser citado aqui foram os "crashes". Ao menos em seis momentos diferentes durante minha jogatina no PC, o jogo travou de vez em quando e, em algumas dessas vezes, simplesmente fechou.

É importante ressaltar, no entanto, que o game é realmente bonito. O capricho e atenção aos detalhes, acompanhados de animações completamente acima da média enchem esse game de vida, desde o primeiro minuto até o comovente final.

Áudio

A parte do áudio é outra que já esperamos muita qualidade, e Will of the Wisps entrega. Temos o retorno de uma ótima trilha de sonora, que é marcante tanto nas horas mais calmas do game como nas mais épicas. Talvez senti a falta de uma música que realmente se destacasse e se tornasse algo que definisse o game, mas todas são de excelente qualidade e o conjunto da obra mantém o alto nível que esperamos.

O trabalho de efeitos sonoros é tão bom quanto o primeiro, no sentido que a maioria dos sons é aproveitada do game anterior mesmo. Então a qualidade se mantém até porque não tem muita coisa nova pra mostrar.

Ori and the Will of the Wisps acaba exibindo um trabalho mais extensivo nas vozes. O jogo tem um idioma próprio e são poucas as falas, a maioria esmagadora grave e retumbante. Poucas vozes se diferenciam, então vai aqui um grande destaque pra voz de Mora, a aranha, que realmente tem um estilo muito próprio.

Conclusão

Ori and the Will of the Wisps é tudo que uma continuação deve ser. Ele traz tudo que consagrou o primeiro game como um grande clássico entre os melhores metroidvania e expande a história e o lore, ao mesmo tempo que conserta e melhora o que tinha de errado no gameplay.

A variedade maior de habilidades e itens que podem ser encontrados no mapa não é apenas uma novidade bem-vinda, é uma mudança central na mecânica do jogo que gera vantagens em todos os seus outros aspectos, especialmente na exploração, a parte mais importante de todo bom metroidvania.

Ori and the Will of the Wisps é tudo que uma continuação deve ser

O game oferece uma conclusão marcante e comovente para sua linda história e pode ser considerado indispensável para quem gostou do primeiro. O pessoal que não gostou muito do jogo anterior ainda pode dar uma nova chance em Will of the Wisps para conferir se a diferença que faz as mudanças no gameplay. E estar disponível no Xbox Game Pass logo em seu lançamento é a cereja do bolo para este lindo game que merece cada minuto - e centavo - investido nele.


 

RECOMENDA? SIM Uma fábula jogável tão desafiadora quanto comovente
PRÓS
Uma bela e comovente história
O retorno da linda arte que consagrou o game
Habilidades variadas
Mais motivos para explorar o grande mapa
CONTRAS
Bugs e crashes no lançamento
História chega no piegas em alguns momentos
O visual fica um pouco poluído às vezes
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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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