ANÁLISE: Sennheiser GSP 670 - O suposto melhor headset sem fio do mercado, custando R$ 2.600

Para um fone tão caro, qualquer falha já se torna grande demais

A Sennheiser foi fundada em 1945 na Alemanha e é uma das empresas mais experientes no ramo de áudio, tanto em fones de ouvido como em microfones.

Embora a Sennheiser já tenha experiência tanto com fones sem fio (como o RS 180), Bluetooth e headsets gamer, curiosamente o Sennheiser GSP 670 é o primeiro headset gamer wireless da Sennheiser, tendo sido lançado em Julho de 2019:

O Sennheiser GSP 670 se auto intitula "o melhor headset gaming sem fio" em sua página oficial no Brasil, e seu preço bastante elevado de R$ 2.600 parece dar confiança para isso, mas será que é verdade mesmo? Será que ele realmente é o "melhor headset sem fio para jogos"? Como ele se compara com concorrentes, tanto com ou sem fio? Há mesmo razões para um valor tão alto?

É o que veremos.

Construção

Seguindo o mesmo caminho que outros headsets da linha GSP, o Sennheiser GSP 670 possui um design diferente de outros fones de ouvido da Sennheiser, obviamente um design mais "agressivo" para servir de declaração como sendo um fone "gamer".

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Se isto irá agradar ou não o usuário, já é algo subjetivo, mas o esquema de cores "gun metal" do Sennheiser GSP 670 sinceramente me agradou muito mais do que a mistura de cores que é o GSP 600 (seu irmão com fio) ou o Sennheiser GSP 550.

As cores escuras simples fazem contraste com seu design "futurista", dando a ele um aparência que na minha opinião acaba sendo mais elegante do que seus irmãos.

Mesmo assim, se você quiser, é possível deixar o Sennheiser GSP 670 mais "chamativo" trocando as peças das laterais, que são removíveis. São vendidos separadamente modelos do DOTA II, SK Gaming ou você mesmo pode customizar as que acompanham o fone ou talvez fazer impressão 3D para criar uma peça igual:

Devido à minha experiência com o Sennheiser GSP 550, que tem um peso considerável de 360 gramas, a ideia de um fone similar porém com bateria, no caso o GSP 670, me parecia loucura pois pensava que tornaria um fone que já tinha bastante peso, "pesado demais".

Mas não é isso que eu vejo no Sennheiser GSP 670. Claro, ele é um headset pesado, 398 gramas (sei que há fones com fio com o mesmo peso ou mais, mas eles contabilizam o cabo e USB), mas a estrutura dele é bem feita e distribuída por uma grande área, enquanto acolchoamento superior é feito em uma malha esportiva bastante fofa, que não causa tantos problemas de suor ou durabilidade quanto o courino sintético de alguns concorrentes.

Claro, após umas 4 horas de uso, eu começo sentir o peso da estrutura, não é exatamente o melhor headset para jogar das 8 da manhã até as 8 da noite, mas acredito que seja possível se acostumar.

Além disto, temos o tradicional "ajuste de altura", no qual podemos regular o Sennheiser GSP 670 para o tamanho da sua cabeça. Ele suporta desde pessoas com cabeças pequenas, até pessoas "avantajadas" como o autor da análise, desde que usado no limite. Ele não chega ser um "headset feito especialmente para cabeças "XGG" como é o caso do Corsair Void Wireless (que é mais confortável do que o GSP 670), mas não é ruim para cabeçudos.

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Falando em conforto, na parte superior do Sennheiser GSP 670 temos estes ajustes, que controlam o clamping (a força que o fone faz na área de contato ao redor das orelhas) dele, um recurso interessante que só vejo em headsets da Sennheiser. Não confundam isso com o "ajuste de altura".

Abrindo estes ajustes, ele faz menos força na parte ao redor de suas orelhas, mas se fizer isso, o peso acaba se focando na parte superior do headset, o que pode incomodar depois de algumas horas.

Fechando este ajuste, ele irá fazer mais força na parte ao redor de sua orelha, distribuindo o peso entre os lados e o topo de sua cabeça, além de proporcionar um melhor isolamento.

É importante que você os utilize e tente achar um balanço para que haja o melhor conforto e isolamento, especialmente se você usar óculos, pois este ajuste irá regular a força que ele irá fazer contra a haste dos seus óculos.

O Sennheiser GSP 670 utiliza uma mistura de materiais em sua almofada. Encostando na sua cabeça, há um veludo extremamente macio, uma espécie de tecido bastante confortável ao toque e que não chega incomodar quando há atrito com a pele. Já no interior, temos malha esportiva para acolchoamento.

As bordas externas são de courino sintético, para evitar vazamentos de som para o ambiente, selar o áudio e também acabam proporcionando uma acústica que auxilia os graves do fone.

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Quanto à durabilidade desses materiais, acredito que o veludo não terá problemas, que a malha esportiva também não e meu único medo é se o courino sintético irá desgastar com o tempo ou se as próprias costuras das almofadas não irão se abrir, mas essas são questões que apenas o tempo poderá responder.

De qualquer forma, elas são removíveis e você pode trocar por almofadas das linhas GSP 600 ou até GSP 500 (embora as almofadas da linha 500 podem afetar a resposta sonora do fone).

No lado esquerdo do Sennheiser GSP 670, encontramos uma entrada micro-USB para recarga e uma chave/alavanca que volta à posição original depois de puxar.

Muitas pessoas poderiam dizer "Mas porquê diabos ele ainda usa micro-USB quando tudo está trocando para USB-C?", ao que eu posso responder: esse headset foi feito para ser compatível com o PS4.

Qual é o cabo que você usa para recarregar o controle do PS4? Não seria incômodo ter dois cabos diferentes no seu PS4, um para recarregar o headset e outro para recarregar o controle?

Enfim, além do conector micro-USB, há também uma chave que serve para duas funções: indicar a bateria (uma voz diz a porcentagem da bateria, muito bom) ou entrar no modo de sincronização do Bluetooth se você puxar por três segundos.

Falando em bateria, o Sennheiser GSP 670 é capaz de durar até 16 horas usando a conexão 2.4 GHz de baixo atraso (via receptor USB) e 20 horas usando a conexão Bluetooth, uma excelente duração para um headset sem fio.

Na earcup direita, temos dois recursos: um botão configurável (que pode trocar a equalização ou ativar/desativar a simulação de Surround) e uma pequena roda de volume.

Sobre a pequena roda de volume, o Sennheiser GSP 670, assim como alguns outros headsets high-end, cria uma segunda entrada de áudio quando conectado a computadores (este recurso não funciona no PS4):

Nesta segunda entrada de áudio, você pode por exemplo, configurar para que a saída de áudio do Discord, esteja nela. Feito isso, você pode girar a roda de volume para controlar o volume do chat, sem ter que usar o "Mixer de áudio" do Windows para fazer isso.

O Sennheiser GSP 670 não é de forma alguma o primeiro headset a fazer isso, mas o recurso foi bem implementado, a roda é facilmente acessível e fácil de girar, até mais fácil do que o controle principal, embora pela resposta aparenta ser um potenciômetro analógico, então eu me preocupo com a durabilidade dela ao longo prazo.

Mas uma peça que não há o que se preocupar quanto à durabilidade, é o controle de volume geral, que é esta roda gigante que não é muito fácil de girar. Este nada mais é do que um encoder, peça similar ao scroll do seu mouse, que trabalha de forma digital:

O interessante do controle de volume do Sennheiser GSP 670, é que além dele ser digital (e isso faz ele ser mais durável e não ter problemas de mal contato, principal causa do "um lado mais alto que o outro" em headsets), ele também regula quando o fone liga ou desliga. Diminuindo o volume, pode-se desligar o GSP 670. Aumentando, ele irá ligar. É um pouco estranho, mas é fácil para se acostumar. Também, o fone desliga automaticamente após algum tempo sem áudio.

Falando nisso, ao ligar, o headset irá procurar se há um receptor USB ou algum dispositivo Bluetooth com o qual ele está sincronizado ao redor automaticamente. Caso haja dois, ele vai se conectar com ambos ao mesmo tempo, mas ele dá preferência para o receptor USB, porém se por acaso seu PC não estiver tocando nada por 20 segundos, ele irá automaticamente alternar o áudio para o celular.

Assim como já é normal de headsets sem fio, tanto Bluetooth ou via protocolos 2.4 GHz proprietários, o Sennheiser GSP 670 possui um leve "white noise" (chiado) quando não há nada tocando, o que é normal desse tipo de headset/fone.

Mas, seja no celular ou no PC, após 20 segundos de silêncio, a conexão é cortada e o "white noise" deixa de existir, o que é acompanhado por um leve "estalo" no áudio.

Após a conexão ser cortada, o áudio só volta depois de um leve atraso (cerca de 0.5 segundos) até que o headset note que está recebendo áudio e volte a funcionar, o que pode fazer algumas sentenças e sons serem "cortados", o que pode não ser ideal para algumas aplicações (ex: usar apenas no Discord sem alguma coisa tocando no fundo para manter o fone ligado).

Qualidade Sonora

É complicado falar sobre a qualidade sonora do Sennheiser GSP 670, pois ele entra em uma faixa de preço (R$ 2.600) onde se espera o melhor do melhor, onde há fones que realmente impressionam em termos de áudio, tais como os da Hifiman e Audeze.

Mas, o que temos no GSP 670 é uma assinatura sonora similar ao GSP 600 que atualmente está na faixa dos R$ 1.000~1.200. Será que vale a pena pagar mais que o dobro para que o fone seja wireless? Vamos discutir sobre isso na conclusão.

O Sennheiser GSP 670, assim como outros headsets da linha GSP, não procura ter o "máximo de nitidez possível", eles não tentam brigar com algo como o Audio Technica AD700X. O que estes headsets procuram em primeiro lugar é ter uma assinatura sonora agradável para maioria do público gamer, não importa qual o jogo que mais joguem, seja CS:GO, DOTA II ou Minecraft, além de também ser bom com os principais gêneros musicais preferidos pelo público gamer.

O que isto significa na prática, são graves com boa presença, bom controle, um impacto decente, médios bem detalhados e agudos com um pouco de recuo, mas não muito, sem agressividade nestes.

É um fone que vai apresentar um ótimo resultado no CS:GO, que vai dar um bom impacto depois quando você for escutar música eletrônica e cujos agudos não vão incomodar você assim que for assistir algum filme. A ênfase deste headset é o uso geral.

O Sennheiser GSP 670 tem ênfase em uso geral, para que seja bom em qualquer tipo de jogo ou música

E esta ênfase é ainda maior do que seus irmãos no caso do GSP 600/670, pois estes são dois fones com acústica fechada e foco em isolamento acústico, logo é injusto comparar estes com fones de acústica aberta, pois são categorias de fones com focos diferentes, fora que em ambientes como por exemplo campeonatos de jogos, headsets de acústica aberta acabariam atrapalhando.

É uma assinatura sonora que procura ser "divertida", mas também não deixa totalmente de lado a questão de localização de sons e palco sonoro mesmo sendo um fone com acústica fechada, é algo que a Sennheiser realmente "projetou focando no público gamer", e não apenas um de seus headphones profissionais "adaptado para se tornar gamer".

O que isso significa na prática é que há fones ainda melhores do que ele para aplicações específicas, mas entre os headsets para jogos focados em uso geral, o Sennheiser GSP 600/670 é realmente um dos melhores.

Ele é então o "melhor headset para uso geral"? Não. Tanto em jogos, quanto em músicas, o HyperX Cloud Orbit, que nada mais é do que uma versão mais barata do Audeze Mobius, é superior.

No caso do Sennheiser GSP 600 este não é um problema tão grande, pois o GSP 600 viu uma queda de preço nos últimos meses e já pode ser visto na faixa dos R$ 1.000 ~ 1.200 na internet, contra os R$ 1.600 do Cloud Orbit. Além disto, o GSP 600 possui uma estrutura mais caprichada e um microfone melhor do que o Cloud Orbit.

Mas, no caso do Sennheiser GSP 670, o fato de custar R$ 2.600 e ser inferior em qualidade sonora ao HyperX Cloud Orbit, é um grande problema.

Falando agora sobre um "problema" deste headset, há algumas pessoas que reclamam que o áudio do Sennheiser GSP 670 seria "baixo", inclusive já vi casos de pessoas devolvendo este headset devido a este problema, ao que eu posso dizer: não é bem assim.

O que acontece é que o Sennheiser GSP 670 é sempre reconhecido como um "dispositivo 7.1" (mesmo no modo Stereo), e há alguns jogos que, ao notarem que está sendo utilizado um dispositivo de áudio 7.1 (independente se for caixa de som ou fone), diminuem o volume comparado ao áudio Stereo, justamente para tentar evitar problemas de clipping (o áudio enviado ser mais alto do que o suportado, gerando distorções).

Um bom exemplo onde ocorre este problema, é o PUBG:

O jogo em si já está enviando um áudio relativamente "baixo" por ter detectado um dispositivo 7.1 e se por acaso o seu headset não suportar um volume absurdamente alto ou se ele não tiver uma opção de "normalização", pode ser que você ache o volume máximo dele "insuficiente". O problema é no jogo, mas o headset leva a culpa...

Enfim, quanto a isto, pode-se usar programas externos como o Equalizer APO junto com o plugin LoudMax para fazerem a "normalização" do áudio, embora o ideal mesmo é que o próprio software da Sennheiser já tivesse essa opção, assim como alguns concorrentes possuem.

Em jogos, músicas e filmes onde não há este problema, o nível de volume do Sennheiser GSP 670 é bastante alto se você assim desejar.

Falando em 7.1, infelizmente no GSP 670 a Sennheiser deixou de lado a parceria com a Dolby e decidiu usar um método proprietário para realizar a simulação de áudio 7.1. O resultado? Péssimo.

O Sennheiser GSP 670 até faz o demixing de áudio 7.1 para Stereo como forma de simulação Surround, o que é o método correto para isso, diferente de outros headsets (especialmente modelos baratinhos) que apenas adicionam Reverb ao áudio Stereo.

Mas, ao invés de utilizar algoritmos para separar cada um dos sons e aplicar atrasos e modificações ao áudio para que cada direção seja diferenciada, como faz o Dolby Surround, o sistema de simulação do GSP 670 apenas adiciona reverb ao áudio Surround, o que no final acaba gerando um efeito bem similar ao que ocorre no "fake surround" de alguns outros fones gamer.

Enfim, o Sennheiser GSP 670 não aparenta ser muito diferente em termos de áudio do GSP 600. Em tese, isso deveria ser bom, o GSP 600 é sem sombra de dúvidas um dos melhores headsets do mercado e agora que está sendo visto na faixa dos R$ 1.000 ~ 1.200, está valendo à pena, diferente dos R$ 1.600 que custava algum tempo atrás.

Mas, quando há mais de R$ 1.300 de diferença entre o GSP 600 e GSP 670, se espera um pouco mais além do wireless. Se espera que a qualidade sonora também esteja melhor, que haja mais recursos e razões para justificar a diferença de preço.

Embora o Sennheiser GSP 670 realmente tenha mais recursos, nem todos foram bem implementados e não consigo ver o wireless como sendo razão para pagar uma diferença tão alta, especialmente depois do próximo segmento dessa análise.

Microfone

O Sennheiser GSP 670 é um headset wireless e, se há uma característica comum de headsets wireless, é que a qualidade do microfone costuma ser inferior a seus modelos com fio.

Há então muita diferença entre o microfone do Sennheiser GSP 670 e de seus irmãos com fio? Sim, demais.

A Sennheiser em seu material publicitário diz que utilizou um dos melhores microfones para headsets no Sennheiser GSP 670, mas não é isto que vemos na prática. Não estou chamando ela de "mentirosa", o problema não é o microfone em si.

O que acontece, é que a conexão wireless, ainda mais a frequência 2.4 GHz, possui uma banda de dados limitada, ainda mais quando você tenta transmitir áudio digital com o mínimo atraso possível.

Para entendermos a razão para compressão, devemos primeiro entender tudo o que deve ser transmitido via wireless:

  • Uma interface de áudio áudio 16 bits, 48.000 Hz com 8 canais (7.1)
  • Uma interface de áudio áudio 16 bits, 48.000 Hz com 1 canal para áudio de chat (Mono)
  • Uma interface de áudio do próprio microfone, 16 bits, 16.000 Hz (Mono)
  • Deve-se haver alguma banda para transmitir dados (informações da bateria, configurações, quando botões são pressionados...)

O que me aparenta ter ocorrido julgando estes dados, é que há dados demais sendo transmitidos para o headset, logo a Sennheiser teve que "diminuir" algo para que tudo isso pudesse ser utilizado na banda limitada que possuía, e o prejudicado foi o microfone.

É similar ao que ocorre com o Sony Platinum, que também possui uma qualidade de microfone muito aquém de seu preço e também possui múltiplas interfaces de áudio (game e chat).

Enfim, podemos agora entender a razão para a Sennheiser ter feito o que fez, mas mesmo assim não precisamos concordar com ela. O Sennheiser GSP 670 é um headset de R$ 2.600 e uma "falha" destas não é aceitável para um fone tão caro. Ninguém paga tanto para ter baixa qualidade no áudio do microfone e a Sennheiser precisa entender que existe mercado de streamers, muitos dos quais podem estar querendo um headset sem fio com um microfone de alta qualidade.

A Sennheiser poderia ter optado por utilizar 5 GHz, que possui uma taxa de transferência mais rápida e permitiria o uso de uma compressão de melhor qualidade, seja no microfone ou até mesmo no áudio.

Conclusão

O Sennheiser GSP 670 se oferece como sendo o "melhor headset sem fio gamer do mercado", e o que eu tenho a dizer sobre isso? Não tenho certeza. Ele tem a estrutura, áudio e microfone* para isso, mas pecou na parte wireless, sendo que qualquer falha em um headset de R$ 2.600 (Brasil) / US$ 350 (EUA), já é grande demais.

A construção do Sennheiser GSP 670 é topo de linha, são utilizados materiais de altíssima qualidade em toda a sua construção, desde um plástico de alta qualidade bastante maleável e resistente, estrutura interna em metal, ajustes bem feitos e mesmo sendo um headset um pouco pesado, o excelente balanço de peso torna ele confortável.

Combinemos isto com as almofadas de alta qualidade que misturam três materiais diferentes, e temos uma estrutura digna para o que deveria ser "um dos melhores headsets do mercado".

Em termos de áudio, temos uma assinatura sonora bastante agradável, com uma boa puxada nos graves, mas sem deixar os médios e agudos completamente de lado, um palco sonoro de respeito mesmo sendo um fone fechado, e a localização de sons é muito boa (desde que o modo 7.1 não esteja ligado), sem dúvidas é um dos melhores headsets do mercado em áudio.

Então ele é o suprassumo em áudio de headsets, o melhor do melhor? Não se contarmos modelos com fio. Recentemente a HyperX lançou um headset em colaboração com a Audeze, o HyperX Cloud Orbit, e ele acaba superando os atuais headsets da Sennheiser, pois nada mais é do que uma versão mais barata do Audeze Mobius:

Tendo ambos lado a lado, não há sombra de dúvidas que a experiência com o Cloud Orbit é superior, seja em jogos devido ao melhor algoritmo de Demuxing Surround que ele possui (Waves Nx), e também em músicas pela resposta absurdamente mais detalhada e controlada em seus graves por usar um tipo de driver sonoro diferente (planar magnético).

Por outro lado, a estrutura, conforto e durabilidade parecem ser superiores no headset da Sennheiser, então é bom ver que ambas estão concorrendo, a Sennheiser até chegou diminuir o preço do GSP 600 recentemente e por valores perto dos R$ 1.200, o Sennheiser GSP 600 já se torna uma opção muito interessante para quem procura áudio e microfone de alta qualidade.

Outra questão é a simulação de áudio 7.1. Eu sinceramente achei muito estranho que a Sennheiser tenha cancelado a sua parceira com a Dolby neste modelo de headset, e não há sombra de dúvidas de que o novo algoritmo de simulação Surround usado pela Sennheiser, é inferior ao Dolby Surround usado no Sennheiser GSP 550.

O novo algoritmo de simulação 7.1 da Sennheiser, é muito inferior ao Dolby Surround

Os sons se misturam demais ao ponto de atrapalhar a localização deles, a reverberação é exagerada até na opção mínima (muito "eco" onde não deveria existir eco)... É um efeito "legal" a primeira vez que for usar, mas o resto do tempo você vai deixar ele desligado.

Quanto à questão do microfone, a Sennheiser diz em suas propagandas que "utilizou um dos melhores microfones já vistos em headsets wireless", provavelmente o mesmo que o Sennheiser GSP 550, o qual realmente é o melhor microfone de um headset que já testei até hoje, mas não é isto que vemos na prática.

Na prática, a compressão e perda de qualidade da comunicação wireless é gigantesca. É normal de headsets wireless terem uma qualidade de microfone inferior quando usados no modo sem fio, mas a perda que há no GSP 670 é tão grande que torna a utilização deste microfone um tremendo desperdício.

Eu não tenho certeza como a Sennheiser vai resolver este problema em headsets futuros, mas talvez ela deveria ter apostado em um headset que usasse 5 GHz ao invés de 2.4 GHz, provavelmente a maior velocidade deste protocolo teria permitido que fosse usado uma compressão de melhor qualidade para o áudio do microfone, fora a menor chance de interferências.

Ainda assim, há exemplos de headsets com uma melhor qualidade no microfone mesmo usando wireless 2.4 GHz, tal como o Corsair Virtuoso ou o Logitech G935. Talvez o problema foi a falta de experiência com este tipo de fone.

"Mas a qualidade do microfone não me importa, eu só uso o microfone para xingar os outros no jogo!"

Meu amigo, este é um headset de R$ 2.600 / US$ 350, para um headset desta faixa de preço, qualquer falha já se torna inaceitável, independentemente de qual será o seu uso do microfone, seja para xingar outros jogadores, narrar partidas ou realizar streaming. Fora que normalmente quem está disposto a pagar tanto para um headset é justamente quem quer utilizar ele para fins profissionais, os quais ele acaba não atendendo.

Enfim, o Sennheiser GSP 670 é realmente o primeiro headset gamer sem fio da Sennheiser, e isto é visível pela questão da baixa qualidade do áudio do microfone devido à compressão mal feita.

E isso pode ser resolvido em uma próxima versão do GSP 670. Espero que a marca realmente faça isso, volte com a parceria com a Dolby e também entenda que a sua posição de fabricante dos "melhores headsets em termos de áudio" já está sob risco devido à presença do HyperX Cloud Orbit.

Se ela não cuidar, vai acabar perdendo mercado. Até concorrentes de marcas como Corsair e SteelSeries já não estão muito atrás em termos de áudio. Fora que para muitos usuários, o ganho em áudio do Sennheiser GSP 670 já não compensa a perda em qualidade no microfone, extras, recursos e a diferença de preço, então sugiro que a Sennheiser repense muito bem suas estratégias para o futuro antes que seja tarde demais.

Melhorem os preços, melhorem a compressão do áudio do microfone, troquem a transmissão para 5 GHz, voltem a usar um algoritmo de demux da Dolby ou então optem por Waves Nx, trabalhem com integração nativa com o PS5 e/ou o novo Xbox... Façam qualquer coisa, mas façam algo para justificar os R$ 2.600 / US$ 350.


PRÓS
Áudio de excelente qualidade
Conexões Bluetooth ou 2.4 GHz proprietário
Excelente construção, usando materiais de altíssima qualidade
Excelente duração de bateria, 16 horas e com recarga rápida em 2 horas
Indicador de bateria por voz é extremamente útil
Mesmo sendo um fone pesado, a excelente distribuição de peso e ajustes de altura e clamping, fazem seu conforto ser ótimo
CONTRAS
A má compressão de áudio torna a qualidade do microfone inaceitável para um headset tão caro
Algoritmo de simulação 7.1 não foi bem projetado
Não possui tantos extras e versatilidade quanto alguns concorrentes
Preço
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  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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