ANÁLISE DE LIFE IS STRANGE 2 - Uma história pesada e necessária para os tempos atuais

Trazendo evolução no gameplay, jornada dos irmãos Diaz mostra o poder da responsabilidade em um mundo preconceituoso

Vez ou outra a Square Enix deixa seus RPGs de lado para tentar emplacar jogos de tom experimental feitos por estúdios menores. No ano passado, por exemplo, a firma aplicou a estratégia com The Quiet Man, da falecida Human Head Studios, e falhou miseravelmente. Há cerca de cinco anos, porém, a história foi bem diferente. Em parceria com a francesa Dontnod, que na época só carregava Remember Me em seu currículo, a publisher japonesa lançou Life is Strange. Dividido em cinco episódios, o drama adolescente ambientado em uma escola de arte trazia uma vibe de escolhas no estilo da Telltale Games, mas com um tempero especial: a protagonista Max descobre que consegue voltar no tempo.

Após ser sucesso de crítica e dar vida a uma comunidade apaixonada, o experimento da Square Enix acabou virando uma franquia. A publisher contratou um estúdio extra para fazer um spin-off e deixou a Dontnod criar uma nova história. Assim nasceu Life is Strange 2, que traz uma narrativa aos moldes de seu antecessor, mas com um enredo totalmente original: agora, o jogador faz as escolhas do adolescente Sean, que está tentando escapar dos Estados Unidos após um evento traumático, levando consigo o irmão Daniel, um menino de oito anos com poderes telecinéticos.

Com indicações ao The Game Awards de 2018 e 2019, a história de cinco partes finalmente está disponível por completo no PC, PS4 e Xbox One, e graças à Square Enix conseguimos jogar a edição completa do título no console da Sony. E você descobre aqui, na nossa análise, se vale a pena enfrentar a estrada ao lado dos irmãos Diaz nessa aventura -- em um texto com o mínimo de spoilers possível!

História

Se o primeiro Life is Strange conseguiu tirar muitos jogadores da zona de conforto simplesmente colocando duas garotas para protagonizarem uma narrativa adolescente, o novo jogo da Dontnod leva a experiência para outro patamar. Em Life is Strange 2, o nome principal da aventura é o adolescente americano Sean Diaz, mas que é colocado em uma situação bem mais pesada do que uma escola de artes no interior de Oregon.

Introdução (pode conter spoilers)

Abandonado pela mãe na infância, o jovem de 16 anos vive com seu pai Esteban, um imigrante mexicano que trabalha como mecânico, e o irmão mais novo Daniel, de apenas oito anos. O jogo começa mostrando como a vida da família é normal, tirando uma ou outra reclamação vinda dos vizinhos que não gostam da presença dos Diaz na região. Enquanto conversa com a sua amiga e se prepara para uma festa, porém, Sean tem seu mundo virado de cabeça para baixo.

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Um adolescente da vizinhança acaba encrencando com o caçula da família no quintal e tira Sean do sério com ofensas xenofóbicas. O resultado? Os dois acabam saindo no soco e o vizinho se machuca justamente quando uma viatura está passando no local. O policial aponta uma arma para os dois garotos e, quando Esteban chega para tentar contornar a situação, acaba sendo baleado pelo homem da lei.

A violência policial acompanhada de xenofobia é um cenário comum na nossa realidade, mas Life is Strange 2 adiciona seu tempero para deixar a situação ainda mais complicada e dar andamento à narrativa: com a tristeza da morte do pai, Daniel desencadeia uma força sobrenatural que explode os arredores e acaba tirando a vida do atirador. Depois dessa situação traumática e inexplicável, Sean vê como única saída pegar seu irmão e fugir do local o mais rápido possível.

Uma jornada inesperada -- e cheia de xenofobia

Após se envolver em uma cena criminal causada pela mistura de xenofobia e poderes sobrenaturais, os irmãos acabam vagando sem rumo em busca de um jeito para voltar a viver em paz. A solução encontrada por Sean é ir até Puerto Lobos, cidade da família de seu pai, no México. Como os dois moram em Seattle, no estado de Washington, a narrativa episódica acompanha a viagem dos irmãos Diaz atravessando nada menos que cinco estados, tentando chegar na fronteira dos Estados Unidos. O alongamento na hora de contar a história é a primeira grande diferença em relação ao jogo de estreia da franquia. 

Enquanto o primeiro game da série tinha uma narrativa que se passava em cerca de uma semana, aqui temos uma viagem de meses em diferentes cenários, com flashbacks e lacunas temporais, trazendo os dois irmãos como principal ponto em comum entre os capítulos. A variedade de locais acaba dificultando o desenvolvimento de alguns personagens interessantes, já que os protagonistas estão constantemente em fuga. Além disso, o ritmo arrastado em algumas partes também pode tornar a experiência cansativa para quem não está acostumado com jogos do gênero. 

Por outro lado, a longa jornada deu ao estúdio francês a chance de abordar diferentes problemas políticos e sociais em apenas um game. O jogador sente na pele, a quase todo momento, como é ser visto com preconceito pela sociedade. E a Dontnod pega pesado na hora de abordar a temática. Além de momentos que fazem chorar, Life is Strange 2 vem embalado com muitas cenas que causam incômodo e indignação. E esse choque causado enquanto o gamer está com o controle na mão é o que torna o título tão importante atualmente. Em alguns casos você será colocado em situações moralmente intensas e mesmo que tenha feito escolhas consideradas boas, os olhos da sociedade vão acabar deixando a situação feia para o seu lado de qualquer forma. É um sentimento agonizante e revoltante, que consegue traduzir para o gameplay a xenofobia retratada na história.

O peso desses momentos e o futuro aberto dos personagens acaba gerando apego aos dois protagonistas e, mesmo que os "Irmãos Lobo" não te conquistem no começo, você acaba ficando com vontade de ver o desfecho de sua jornada. E não importa qual caminho o jogador siga, vale a pena ir até o final.

O jogador sente na pele, e nas escolhas, como é ser visto com preconceito pela sociedade

É importante ressaltar, também, que o jogo não para na xenofobia: durante as cinco partes, a empresa também aborda temas como sexualidade, drogas, religião e violência policial. Com tanta polêmica para oferecer, Life is Strange 2 traz uma representação atual e realista da sociedade e com certeza vai incomodar alguns gamers. Só por causa disso, o título já merece a atenção dos jogadores curiosos. Com isso em mente, mesmo que você não goste do gênero, vale a pena conferir a jornada dos irmãos Diaz nem que seja via YouTube. Mas a história também vai além de ser um amontoado de críticas sociais em forma de game.

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O crescimento dos Irmãos Lobo

Mais do que a crônica de jovens descendentes de mexicanos tentando sobreviver nos Estados Unidos, Life is Strange 2 também é a história de dois irmãos que acabaram de perder sua família. A grande quantidade de assuntos pesados abordados no pano de fundo da narrativa podem acabar tirando o foco desse segmento do jogo, que também merece clamor.

A maioria dos games, inclusive Adventures como o primeiro jogo da séire, te colocam na pele de alguém capaz de fazer a diferença ao seu redor. Em Life is Strange 2, porém, você acaba sendo a pessoa mais vulnerável da aventura: o jogador assume um adolescente de 16 anos (fase difícil) foragido em um país onde não é bem-vindo, que acaba de perder seu maior exemplo de vida e tem um irmão mais novo com super poderes telecinéticos. Ou seja, enquanto Max Caufield ficava indo e voltando no tempo com sua amiga, o protagonista da vez lida com um guri que é capaz de destruir coisas com a mente quando está pistola.

O maior trabalho de Sean é deixar a adolescência de lado e amadurecer para ajudar Daniel a lidar com seus poderes durante a viagem. Em Life is Strange 2, o protagonista não é o herói e o maior "dom especial" que recebe é ser responsável por um aspirante a X-Men. Essa quebra de padrão gera muitos momentos interessantes na jogabilidade e marca uma grande evolução na franquia, já que quase sempre você não é o único a escolher. Dependendo das ações e conselhos para o irmão mais novo, o garoto usará os poderes mesmo que isso seja contra sua vontade.

Além dos poderes e a situação peculiar, também é interessante ver que a Dontnod teve cuidado para retratar os dois irmãos em diversos momentos simplesmente como...irmãos. A dupla briga, se desentende, sente ciúmes (e tudo isso pode afetar o desfecho da história). Mas, no fim das contas, os dois continuam sendo parceiros de viagem, algo que com certeza vai emocionar quem já esteve em uma relação parecida (tirando a telecinese). Essa proximidade com a realidade pode até fazer o jogador rever alguns conceitos da vida real, já que os múltiplos desfechos possíveis são bastante impactantes ao mostrar como suas decisões afetaram a vida de Sean e, principalmente, contribuíram para o crescimento de Daniel.

Gameplay

Quando o assunto é jogabilidade, é importante colocar as cartas na mesa logo de cara: assim como os jogos anteriores da franquia, Life is Strange 2 é uma aventura que segue os famosos moldes da Telltale e tem pouquíssima ação. E, mesmo com os poderes de Daniel sendo bastante destrutivos, a pegada do game é bem tranquila.

Como o jogador controla o irmão mais velho Sean, que é tão interessante quanto qualquer outro adolescente aos 16, boa parte das ações realizadas são mais cotidianas. Ou seja, você não vai assumir os punhos do protagonista e sair quebrando o pau com policiais ou xenófobos. Tudo gira em torno das escolhas que você faz e as consequências de cada decisão.


Conhecer a história de Captain Spirit, presente no spin-off gratuito, é uma boa forma de se familiarizar com o gameplay

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Dito isto, para quem ainda não jogou nada da série, vale a pena conferir o spin-off gratuito As Aventuras de Captain Spirit ou então comprar o primeiro episódio do game avulso para "testar as águas" antes de ir com tudo na história. A primeira parte de Life is Strange 2, inclusive, funciona muito bem não só como entrada para a narrativa e gameplay, mas uma amostra do clima que está presente em toda a jornada dos irmãos Diaz.

Moralidade

A principal diferença na jogabilidade de Life is Strange 2 em comparação aos antecessores está na relação fraterna entre Sean e Daniel, que oferece uma nova camada ao sistema que tornou a franquia famosa. Enquanto no primeiro título da série você lidava com as consequências das decisões de Max e até tinha um poder que permitia se arrepender em quase todas as situações, o buraco é mais embaixo no novo game. Como o jogador controla o irmão mais velho, que não tem poderes e se torna o adulto da dupla, cada escolha afeta não apenas o protagonista, mas também o crescimento do caçula. E não estamos falando apenas de diálogos: além das falas, ações e comportamentos do adolescente acabam influenciando a criança durante toda a jornada. A complexidade no sistema acaba deixando um receio de fazer a escolha errada a todo momento, deixando a jogabilidade bastante instigante e imprevisível.

A Dontnod desenvolveu um sistema de moralidade próprio para Daniel, o que permitiu ao estúdio dar mais profundidade até mesmo para as escolhas pequenas e longínquas do jogo no final. Se você roubar comida para alimentar o irmão durante a viagem, por exemplo, pode ser que ele aprenda que a ação é justificável e comece a fazer isso por vontade própria. Ao mesmo tempo, se o jogador bancar o Tio Ben e mostrar que grandes poderes vêm acompanhados de grandes responsabilidades, talvez Daniel comece a encarar a vida ao estilo X-Men e se recuse a dar uma forcinha em situações tensas.

Você não é o único que toma decisões em Life is Strange 2

Felizmente, o jogo não possui uma barra que funciona como "medidor de bondade" para o caçula e só é possível descobrir como o garoto está encarando seus poderes durante o desenrolar da história, com o estopim acontecendo no desfecho da narrativa. No primeiro título da série, é perceptível que algumas decisões acabam afetando largamente o andamento dos episódios seguintes, mas todo o progresso acaba indo por água abaixo na decisão final, que é binária. Em Life is Strange 2, porém, não apenas a progressão entre capítulos está presente, como também o encerramento considera a jornada completa do jogador. Assim, a decisão final leva em conta não apenas o que você acha certo, mas também o que Daniel quer para o futuro dos irmãos Diaz, baseado em tudo que ele aprendeu na estrada.

O sistema que considera a "criação" de Daniel como fator decisivo permitiu à desenvolvedora fechar a história com sete finais (incluindo as três cenas alternativas ligadas aos relacionamentos/amizades) e para ver todos os desfechos não basta voltar ao último ponto de save. Como a moralidade do irmão mais novo leva em consideração diversas escolhas feitas durante a jornada, a forma "certa" é rejogar tudo do zero, o que deixa a experiência mais imersiva e personalizada. Para quem não quer aproveitar o fator replay, também é possível visualizar todos os encerramentos no canal do YouTube da franquia.

Evoluindo

Com essas grandes mudanças no sistema de escolha, a Dontnod mostrou que não está parada no tempo e conseguiu reinventar seu jeito de contar histórias. Considerando a falência da Telltale Games no ano passado, isso é uma ótima notícia. Ainda assim, o sistema de lançamento em episódios acabou atrapalhando a cadência da narrativa. 

O lançamento em episódios demorado acabou atrapalhando a cadência da história

Mesmo com cliffhangers interessantes para cada capítulo e campanhas de divulgação cheias de artes bonitas, a desenvolvedora demorou mais de um ano para liberar todas as partes da narrativa, o que acabou simplesmente me fazendo esquecer do título -- e eu tenho certeza que não fui o único. Felizmente, a próxima produção da Dontnod, Tell Me Why, terá todos os seus capítulos liberados de uma vez só no serviço de assinatura Xbox Game Pass. Ou seja, quem sabe a firma tenha aprendido que levar mais de 12 meses para encerrar uma história pode não ser uma boa ideia.

Filme interativo?

Saindo do ponto central, a narrativa, também vale destacar que Life is Strange 2 tem partes jogáveis que o afastam de ser um simples filme interativo, confusão que acontece frequentemente com jogos do gênero. Assim como os títulos anteriores da franquia, o game não se enquadra na mesma categoria de hits como Her Story ou filmes como Black Mirror: Bandersnatch e está na mesma categoria de produções como Until Dawn e The Dark Pictures: Man of Medan. Ou seja, você vai ficar sentado assistindo e só fazendo escolhas por muito tempo, mas também terá que explorar e realizar ações. 

Um dos principais destaques do novo jogo da Dontnod são os cenários: como os irmãos atravessam múltiplas partes dos Estados Unidos, os locais exploráveis são bem variados. Mesmo com limitações, cada parte aberta para andar possui diversas interações que acabam ajudando na ambientação e andamento da história, trazendo contexto e auxiliando em possíveis decisões.

Life is Strange 2 traz cenários variados para serem explorados

Logo no começo, por exemplo, é possível encontrar uma carta recebida pelo pai que relata a visão racista de um vizinho, o que detalha o ambiente hostil em que a família vive. Já ao fuçar no celular, o jogador encontra uma construção mais aprofundada da amizade entre Lyla e Sean, por meio das mensagens trocadas entre os dois, e um vislumbre do cenário político em que o país retratado está inserido. Além disso, quem for apressado pode perder certas interações com o irmão mais novo, o que também gera consequências no futuro.

A Dontnod também adicionou colecionáveis e "segredinhos" dentro do game que vão agradar os fãs da série. Apesar de não ser uma sequência do primeiro Life is Strange, os jogadores vão esbarrar com diversas referências ao título durante a jornada, e algumas mais sutís só serão vistas pelos mais observadores. Quem caprichar na exploração e tiver paciência também vai encontrar as interações de desenho, que dão um toque especial na construção do personagem Sean. Enquanto Max escrevia e fotografava para relatar suas aventuras em um diário, o protagonista da vez liberta sua veia artística e resume a aventura por meio de seus traços.

Outro toque dado pela desenvolvedora que merece menção são as cenas contemplativas, que aparecem de vez em quando, bem ao estilo das produções anteriores, e permitem que o jogador simplesmente exista por um tempo dentro daquele universo. A mecânica é um ótimo respito para a rotina cheia de tristeza dos protagonistas, e também a prova de que o jogo sabe que tem um ritmo que não é pra qualquer um.

Gráficos e áudio

Além de trazer evoluções no gameplay, Life is Strange 2 também representa um grande salto visual no microverso da Dontnod. O título volta a utilizar gráficos mais cartunizados, o que garante sobrevida visual, mas aprimora largamente a experiência em comparação ao seu antecessor. A sincronia labial dos personagens, principal problema presente no primeiro game da série, foi resolvida e veio acompanhada de visuais mais polidos e detalhados.

Os cenários abertos feitos na Unreal Engine 4 também contam com um detalhamento interessante, que estimula a exploração e, em certos momentos, acabam ajudando a contar a história. Um dos diferenciais de Life is Strange 2 é trazer lados mais ocultos dos Estados Unidos, que ficam longe das grandes metrópoles. Graças a isso, podemos ver florestas com chuva, paisagens com neve, o deserto de Nevada e as montanhas do Arizona. É evidente que o título não reinventa o estilo gráfico, podia ter certas animações aprimoradas e também acaba sofrendo com eventuais bugs visuais durante alguns momentos. Porém, para uma produção que não possui alto orçamento e foi lançada em pedaços durante um ano, o resultado é satisfatório. Os pequenos descasos também são compensados com a primorosa direção artística, que eleva o já alto nível de qualidade presente no primeiro jogo da franquia. Além de caprichar nos menus, a Dontnod também aplicou o estilo artístico nos resumos de cada episódio, caracterizando os protagonistas como lobos, o que é muito fofo e condizente com o enredo.


Na parte de áudio, o título também possui familiaridades com seus antecessores e mantém o nível esperado. A Dontnod voltou a trabalhar com a banda francesa Syd Matters e o músico Jonathan Morali na composição da trilha sonora original. As músicas ajudam na construção do clima de cada um dos episódios e trazem uma vibe que representa muito bem o jogo como um todo. A faixa Into The Woods está tocando na tela inicial do meu PS4 há mais de um ano e não pretendo tirar o tema de Life is Strange 2 de lá.

A Dontnod capricha no áudio, tanto na trilha sonora original quanto licenciada

No primeiro Life is Strange, a Dontnod apostou em trilhas sonoras licenciadas para representar cada um dos finais do game. Agora, a composição de fechamento é totalmente original. Enquanto a escolha da trilha  sem vocais pode deixar alguns fãs decepcionados pela ausência de um refrão para cantar, as músicas escolhidas pela produtora conseguem intensificar o sentimento fornecido por cada um dos desfechos.

Para quem gosta que músicas conhecidas, a jornada de Life is Strange 2 também vem com uma bela playlist, que inclui desde hits serenos como On Melancholy Hill até composições mais animadas, ao estilo de D.A.N.C.E. Além do gosto musical de Sean ser muito bom e variado, certas faixas licenciadas aparecem em momentos contextualizados, ajudando na ambientação e andamento da narrativa. Para quem se encantou com o início do primeiro game da franquia, em que Max sai andando pelos corredores da Academia Blackwell com fones de ouvido, o novo jogo oferece sensações similares. 

Por fim, vale destacar que o trabalho de dublagem também foi bem feito. Como Life is Strange 2 se trata de um game focado em narrativa, o áudio acaba fazendo a diferença nesse quesito e, felizmente, em nenhum momento a escolha das vozes gera incômodo. Quanto a localização, o título vem com legendas em português, um padrão no mercado atualmente, mas que nem sempre é seguido pela dona Square Enix.

Conclusão

Life is Strange 2 é um produto de nicho e que com certeza não terá tanto alcance como outros blockbusters e até mesmo certos indies de 2019. Ainda assim, o título vem carregado de assuntos relevantes com sua história pesada e revoltante, trazendo mensagens que merecem e precisam ser jogadas pelo público gamer. Com uma narrativa mais arrastada e que te deixa fora do papel de "super herói", o jogo traz grandes evoluções em relação ao primeiro game da franquia da Dontnod, tanto em quesitos gráficos quanto na forma de contar história.

Agora que todos os episódios estão disponíveis e mais de um ano se passou desde a estreia do primeiro episódio, Life is Strange 2 vale muito a pena para quem é fã do gênero ou curte uma boa narrativa cheia de críticas. Além do desfecho da história já estar chegando ao Xbox Game Pass para se unir com os capítulos restantes presentes no serviço, também é possível encontrar o jogo completo pela metade do preço durante promoções no PC.

Para quem teme não curtir a jogabilidade, confira o spin-off gratuito As Aventuras de Captain Spirit, que se passa dentro do universo de Life is Strange 2. Mas, se você acha que jogos e política não devem se misturar ou está receoso de que a carapuça das críticas sirva durante o gameplay, a dica é experimentar o primeiro episódio, que pode ser comprado de maneira avulsa, com um preço mais em conta, e traz uma bela dose de tudo que a narrativa tem para oferecer.


RECOMENDA? SIM Life is Strange 2 é um jogo indispensável nos tempos atuais
PRÓS
História que aborda temas atuais e relevantes
Relação fraternal entre Sean e Daniel
Novidades no sistema de escolhas
Múltiplos finais
Referências ao primeiro jogo
CONTRAS
Variedade de cenários não aprofunda história de personagens secundários
Lançamento em episódios pode ser aposentado
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  • Redator: Mateus Mognon

    Mateus Mognon

    Mateus Mognon é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Vencedor do prêmio SET Universitário na Categoria Reportagem Digital, atua nos sites do grupo Adrenaline desde 2014. Atualmente, colabora para os veículos com notícias, análises e artigos envolvendo tecnologia e games.

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