ANÁLISE: CPU Intel Core i9-9900KS traz 5GHz em todos os núcleos!

Versão tunada de fábrica do 9900K vale a pena? Veja nossa análise completa!

O Intel Core i9-9900KS é um processador do topo do segmento mainstream da Intel, uma versão evoluída do Core i9-9900K, um modelo que já testamos por aqui e que se mostrou capaz de entregar altíssima performance em games e bom desempenho em atividades profissionais.

Site oficial do Intel Core i9-9900K
Link para modelos Core na Pichau

Na essência ele não muda muito comparado ao 9900K. Possui os mesmos 8 núcleos e 16 threads, 16MB de cache L3 e litografia em 14nm. O que muda são as frequências de operação, com a base subindo dos 3.6GHz para 4GHz, enquanto o boost é igual, em 5GHz. Mas é aqui que temos a real grande diferença da versão K para a KS: enquanto o 9900K sobe alguns núcleos para 5GHz em determinados ciclos de trabalho, o 9900KS coloca todos os seus núcleos a 5GHz quando em alta carga, algo incomum já que o boost normalmente envolve um ou dois núcleos, enquanto os demais não sobem tanto as frequências. O próprio 9900K em nosso gameplay, por exemplo, não subiu a 5GHz: ficou na casa dos 4.7GHz durante muitas das partidas.

Esse modelo chegou com preços levemente superiores ao do 9900K, que havia sido lançado no mercado pelos já elevados US$ 499. O 9900KS tem custo sugerido de US$ 513, enquanto o Ryzen 9 3900X, um modelo de 12 núcleos da AMD, foi anunciado por US$ 499. É bom destacar que tanto o modelo da AMD quanto os da Intel estão com preços um pouco mais altos que isso nos varejistas internacionais enquanto escrevemos essa análise.

No Brasil tanto o 9900KS quanto o Ryzen 9 3900X estão com preços próximos dos R$ 3 mil, mostrando que ambos os modelos não vão ficar muito distantes em custo, porém nosso mercado tem oscilações de valores mais difíceis de monitorar, então sempre recomendamos que você confira novamente qual a realidade dos preços no momento que ler essa análise.

Especificações técnicas

Comparativo

Intel Core i9-9900KSIntel Core i9-9900KAMD Ryzen 9 3900X

Preços

Preço no lançamentoU$ 513,00 U$ 488,00 U$ 499,00
Preço atualizadoU$ 513,00 R$ 2.949,00 R$ 2.799,00

Especificações

CodinomeCoffee Lake-S Coffee Lake-S Zen2
SocketLGA1151 Serie Z370/Z390 LGA1151 Serie Z370/Z390 AM4
Fabricação em14nm 14nm 7nm
Instruções64-bit 64-bit 64-bit
Núcleos8 8 12
Threads16 16 24
Clock4000 MHz3600 MHz3800 MHz
Clock (Turbo)5000 em todos os núcleos MHz5000 MHz4600 MHz
DesbloqueadoSim Sim Sim
Canais de memóriadual-channel dual-channel dual-channel
MemóriasDDR4 DDR4 DDR4 @ 3200MHz
Cache L316 16 64
PCI Express3.0 3.0 4.0
Canais PCI Express40 (24 16) 40 (24 16) 40
TDP127 95 105

Vídeo Integrado

Monitores suportados3 3
GPUIntel UHD Graphics 630 Intel UHD Graphics 630 SEM VÍDEO INTEGRADO
Clock1200 1200
DirectX12 12

Características Gerais

Acompanha cooler?Não Não SIM, Wraith Prism RGB

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Tecnologias Intel Coffee Lake S

Ainda sem reduzir a litografia, a novidade da nona geração Intel Core fica por conta de mais um refinamento em cima da tecnologia de 14 nanômetros, chamado de 14nm++ pela Intel. A principal vantagem dessa melhoria foi a capacidade de trazer mais núcleos aos processadores mantendo o mesmo nível de aquecimento e consumo.

Essa mudança mostra seus impactos principalmente na série Core i7, que agora contam com oito núcleos. Curiosamente a empresa criou um modelo com Hyperthread e outro sem, sendo o Core i7-9700K o modelo com oito núcleos e oito threads e o 9900K um modelo com configuração 8/16, colocando ele em concorrência direta com os modelos Ryzen 7, que contam com configurações semelhantes.

O último modelo do line-up inicial, o 9600K, foi o que recebeu menos novidades relevantes, já que foi mantido na mesma configuração de seis núcleos e seis threads de seu antecessor, o 8600K. Uma das poucas diferenças foi a mudança nas frequências de operação de fábrica, chegando com clock base 100MHz mais alto e boost entregando 300MHz a mais.

O Core i9-9900KS e o 9900KF são as adições mais recentes, atuando como variantes do 9900K. A versão KF retira os gráficos integrados, enquanto o KS aumenta a performance através de frequências mais altas, tanto com um clock base mais elevado quanto um boost que leva todos os oito núcleos do CPU para 5.0GHz.


Fotos

O processador segue o mesmo formato físico de qualquer outro modelo Core de 8 ou 9ª geração. Ele é compatível com todas as mainboards com chipset série 300, porém é necessário atualização de BIOS em modelos diferentes do Z390, já que estamos falando de um processador novo.

Agora por se tratar de um modelo com clocks bem altos, é recomendado o uso de uma mainboard Z390 com características mais refinadas, não os modelos de entrada.

"É importante destacar também que apesar dos modelos de 8ª e 9ª geração também utilizarem o soquete LGA 1151, esse é uma versão diferente do soquete de mesmo nome utilizado para os processadores de 6ª e 7ª geração, apesar do encaixe ser o mesmo."

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Por fim outra foto com o Core i9-9900KS ao lado do Ryzen 9 3950X, dois dos processadores mais desejados no mundo por entusiastas de PC. Vale lembrar que o 3950X é quase 50% mais caro que o 9900KS, o competidor direto do modelo da Intel é o 3900X pelo preço semelhante.


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes e uma foto do CPU instalado na mainboard:

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram componentes com mesmas características técnicas para os testes, com exceção da placa-mãe que varia de acordo com a plataforma, veja a configuração utilizada:

- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce RTX 2080 Ti FE [análise]
- Placa-mãe: Asus Z390-I Gaming [site oficial]
- Memórias: 16 GB G.Skill Trident Z RGB @ 3200MHz (2x8GB) [site oficial]
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s [análise]
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s [site oficial]
- Cooler: Noctua NH-U12S [site oficial] + Pichau Aqua 240
- Fonte de energia (PSU): Thermaltake Toughpower 850W GOLD [site oficial]

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 "1909" 64 Bits com Updates
- GeForce 441.xx

Aplicativos/Games:
- 7-Zip [site oficial]
- Adobe Premiere [site oficial]
- Blender [site oficial]
- CineBench R15 / R20 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- V-Ray [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.x [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Assassin´s Creed Odyssey (DX11)
- Battlefield V (DX12)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- The Division 2 (DX12)

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CPU-Z/AIDA64
Através do CPU-Z e AIDA64 vemos algumas informações técnicas do processador, como modelo, clocks, número de núcleos e threads etc.


Overclock

Como destacamos anteriormente, já é um modelo overclockado de fábrica, e não é com qualquer overclock, mas sim com todos seus núcleos trabalhando em uma frequência bastante alta, tanto que o cenário ideal é utilizar um liquid cooler, assim como acontece com o Ryzen 9 3950X. Mas sempre tentamos colocar os CPUs um pouco acima, e nesse caso também fizemos isso, subindo para 5.2GHz, o que é muito pouco baseado em nossos overclocks normais para CPUs Intel, está muito mais parecido com os overclocks com CPUs AMD que sempre trabalham em seu limite.

um bom Liquid Cooler é obrigatório para um cenário ideal com esse CPU

Além das considerações acima, sequer tentamos fazer o processo com o cooler da Noctua, visto que o CPU já trabalha com temperaturas altas, e como vai ser possível notar nos testes de temperatura, nem tem como pensar diferente, um liquid cooler é obrigatório para trabalhar junto com esse CPU.

Faça overclock por sua conta e risco, evite deixar o CPU com tensões altas por muito tempo


Consumo de energia

Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e placa de vídeo, podendo variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Temperatura


Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

O Ryzen 9 3950X não acompanha cooler, e a AMD recomenda um liquid cooler para o CPU

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

"A temperatura varia de acordo com o programa utilizado, mesmo o wPrime estressando todos os núcleos sendo uma boa opção para ver o comportamento desse cenário, alguns programas podem exigir ainda mais do processador e consequentemente esquentar mais o mesmo, como exemplo citamos o Blender."


Testes sintéticos


Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos,independente da arquitetura e do número de núcleos/threads,já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

AIDA64 Latency
O software AIDA64 tem vários testes de performance, separamos um que mostra um cenário diferente dos demais, a velocidade de latência das memórias, que quanto menor o resultado, melhor.

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU, quanto menor for, melhor é o desempenho.

CineBENCH R20
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também, já na versão R20 lançada em março de 2019:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBOT x265 Benchmark 2.0
Agora outro teste de conversão de vídeo, mas com o codec h265 e testes em FullHD e 4K:

Adobe Premiere CC
Mais um teste de renderização de vídeo, em um cenário real renderizando um vídeo com o Adobe Premiere CC 2018 sem uso de GPU:

7-Zip
O software de compactação 7-Zip se tornou um dos mais populares do mundo por se tratar de um aplicativo de código aberto, possuindo também um benchmark interno que vem sendo muito utilizado para métrica de performance, abaixo o desempenho dos sistemas com ele:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.


Teste em games


Agora vamos para os games, selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre a mesma placa de vídeo, uma RTX 2080 Ti Founders Edition, e 16GB de RAM através de 2 módulos de 8GB com frequência de 3200MHz.

Assassin´s Creed Odyssey
O game da Ubisoft baseado na tecnologia DirectX 11 é uma referência de software que demanda alto desempenho tanto do chip gráfico quanto do processador resultado do mapa amplo e complexo recriando a região da Grécia Antiga.


Battlefield V
O game desenvolvido pela DICE segue como uma referência de qualidade gráfica, operando tanto na API DirectX 12 quando 11. O jogo também se tornou um marco nos games para PC ao ser o primeiro a introduzir a técnica de Ray Tracing híbrido da Nvidia através das placas RTX.


GTA V
Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


Shadow of Tomb Raider
O mais recente game da franquia da Lara Croft, Shadow of Tomb Raider traz ótimos gráficos, exigindo muito do sistema, mesmo de alta performance.


Tom Clancy's The Division 2
The Division 2 usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, lidando com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela.


Gameplay


Comparativo em vídeo


Conclusão

Como o esperado, o 9900KS é uma fruta que "não cai longe do pé". Baseada nas mesmas características do Intel Core i9-9900K, ele herda resultados em performance bem próximos. A Intel entregou sua promessa de frequências mais altas, e isso é indiscutível: o processador cravou 5GHz durante todo o gameplay, algo um pouco acima dos 4.7GHz que tínhamos jogando com o Core i9-9900K. O problema é que, quem brinca de overclock já sabe, frequência maior não necessariamente faz as coisas melhores.

O 9900KS entrega os 5GHz em todos os núcleos, mas os benefícios não são expressivos

O processador aumentou sensivelmente sua temperatura junto com o aumento das frequências, e isso não se replicou em ganhos notáveis de desempenho. Talvez em games é onde temos as vantagens mais expressivas, mas ainda assim há momentos que o contrário aconteceu, e o 9900K se saiu melhor. Isso mostra como a mudança de desempenho não é significativa e os dois processadores ficam oscilando dentro da margem de erro para mudar sua posição no gráfico. 

Com os clocks de fábrica tão altos, não é uma surpresa que pouca margem sobrou aqui para um overclock. Subir 200MHz em todos os núcleos fez com que atingíssemos o limite térmico dos 100ºC mesmo usando uma solução de resfriamento robusta. O resultado são alguns testes com melhor desempenho depois do OC, mas outros que ele piora por bater o teto de temperatura e começar a baixar frequências para manter a integridade do chip. Com certeza os 5GHz em oito núcleos "já estão de bom tamanho".

O ganho de desempenho é discreto, mas o aquecimento extra é notável

Com as variações pequenas comparado ao 9900K, isso significa que no "fim do dia" ele acaba entregando o que temos com a versão não "S": um processador com altíssimo desempenho em games e ótimos resultados em aplicações profissionais, muitas das vezes ficando no topo do gráfico em diversas situações. O problema acontece quando o software tira benefícios de múltiplos núcleos, caso do Blender e o V-Ray, e aí o 9900K (e por tabela o 9900KS) são atropelados pelo Ryzen 9 3900X, um modelo com aproximadamente mesmo custo mas quatro núcleos e oito threads a mais.

O Core i9-9900KS é um excelente processador com altíssimo desempenho em jogos e aplicações profissionais, mas os clocks elevados aumentam sensivelmente o aquecimento com pouco ganho em performance

O Intel Core i9-9900KS é um excelente processador de altíssimo desempenho, porém demanda um sistema robusto de resfriamento e uma placa-mãe compatível com suas exigências de alimentação de energia. Em alguns cenários ele se sai melhor que o 9900K, mas só faz sentido se a diferença de preço for mínima, já que ele pouco acrescenta sobre o desempenho do 9900K "não S". E é bom ficar de olho que dependendo do seu fluxo de trabalho, especialmente se incluir aplicações que se saem bem em paralelismo e uso de múltiplos núcleos, as opções Ryzen com preço semelhante, como o 3900X "atropelam" os Intel Core.

PRÓS
Alta performance em games e aplicações profissionais
Excelente performance em single-thread
Boa quantidade de núcleos
Clocks elevados de operação sem OC
CONTRAS
Preço elevado
Pouco ganho de desempenho sobre o 9900K
Temperatura mais elevadas de operação
Demanda uma solução bastante robusta de resfiriamento
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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