ANÁLISE: Glorious Model O - O primeiro mouse ultra-leve com preço acessível

Um mouse que teve seus problemas, mas que foi aperfeiçoado com o tempo
Por Wellington Diesel 09/12/2019 20:27 | atualizado 09/12/2019 22:03 comentários Reportar erro

Mouses leves são uma grande tendência do mercado, junto com cabos mais leves e flexíveis chamados "paracord", um destes sendo o Glorious Model O, o mouse da análise:

E qual o grande diferencial do Glorious Model O para outros?

Bom, ele foi o primeiro, mas já não é mais o único, mouse ultra-leve a ter um preço acessível, na faixa dos US$ 50.

Vamos voltar no tempo, final de 2018, os únicos mouses ultra-leves disponíveis no mercado, eram os mouses da Finalmouse, os quais eram vendidos por valores acima de 80 dólares e muitas vezes por valores ainda maiores devido a uma "escassez" destes mouses, a qual muitas pessoas indicam ter sido criada artificialmente pela própria Finalmouse para inflar seus preços.

Não era raro pagar US$ 120~150 nestes mouses.

E estes mouses tinham algo especial para justificar um preço tão alto? O fato de serem os únicos ultra-leves do mercado e que os "melhores jogadores/streamers de Fortnite" são/estavam sendo pagos para utilizar eles.

A grande procura de fãs destas pessoas, os problemas na produção e atendimento de prazos da Finalmouse (se é que isto não foi proposital) e pessoas comprando em grandes quantias para revender a preços mais altos, foi o que levou tais mouses para valores absurdos... E abriu espaço para concorrentes.

Já a Glorious foi uma das primeiras empresas a ver uma oportunidade neste mercado mal explorado pela Finalmouse, e em Maio de 2019, lançou o Glorious Model O, o qual foi por vários meses o "melhor Custo x Benefício em ultra-leves", tentando oferecer um valor acessível para quem apenas quer um mouse ultra-leve e bem feito, sem ter que pagar o preço embutido dos patrocínios da marca.

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Hoje, já há muitos outros concorrentes e ofertas no mercado, mas será que isto tornou o Glorious Model O defasado? É o que veremos a seguir.

Construção Externa

O Glorious Model O é um mouse que pesa apenas 68 gramas, fazendo ele encaixar na categoria "ultra-leves", junto a concorrentes como o Razer Viper, Finalmouse Air58, Gwolves Skoll e vários outros que estão surgindo no mercado agora.

O Glorious Model O (direita) é um mouse com "formato simétrico" (é igual dos dois lados, é possível canhotos usarem, mas ele só possui botões para destros), ao contrário do Razer Viper (esquerda), que é realmente ambidestro. Ele é fortemente inspirado no formato do ZOWIE FK2, e seu tamanho pode ser considerado algo entre médio-grande.

Diferente do caso do Razer Viper, a maior altura do Glorious Model O e sua curvatura diferente, acabam possibilitando que ele seja usado para a pegada Palm, especialmente para pessoas com mãos médias ou pequenas, além de ajudar para a pegada Claw. Para quem tiver uma mão "grande", é difícil dizer se vai ficar bom ou não, depende do quão "grande" é.

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A pegada Claw fica boa no mouse, mas para ser focado nesta pegada, ele teria que ter mais "bunda", uma traseira mais acentuada para suporte da palma da mão, similar ao ZOWIE ZA11/12/13.

E a pegada Fingertip fica perfeita nele, especialmente pelo baixo peso do mouse, embora para quem tem mãos menores, seu tamanho possa vir a atrapalhar.

O Glorious Model O é feito totalmente em um plástico ABS de alta qualidade, usando o mesmo tipo de plástico nas laterais, traseira e área de cliques, não havendo qualquer diferença em materiais na maioria do mouse. Embora isto possa fazer ele parecer menos "complexo" do que concorrentes com laterais emborrachadas e outros materiais, em termos de durabilidade, essa simplicidade acaba ganhando no longo prazo.

Um dos diferenciais do Glorious Model O, até mesmo contra outros concorrentes ultra-leves, é que ele já é vendido de fábrica com pés de teflon de 0.81mm, prometendo serem "100% PTFE", e são realmente superiores em deslize ao que maioria do mercado utiliza, o que em conjunto com seu baixo peso, acaba proporcionando a ele um excelente deslize.

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Quanto à resposta dos botões, até mesmo no meu modelo antigo, não há qualquer tipo de wobble (os botões mexerem ao empurrar para os lados), os cliques são firmes e seguros, sem nenhum pre-travel (a distância entre onde você começa empurrar o botão para baixo e onde o botão registra, o que tornaria os botões "frouxos") e nem post-travel (espaço após o botão já registrado, o que pode fazer com que uma força desnecessária seja aplicada no switch e cause danos ao longo prazo, além de gerar um clique desagradável). Os cliques estão excelentes.

O botão do meio é bastante macio e possui uma excelente resposta, não sendo nem muito leve e nem demasiadamente duro.

O mesmo não pode ser dito dos botões laterais porém. A Glorious optou por um design que parece dificultar que sejam pressionados acidentalmente, com botões menores e precisam ser empurrados um pouco até que respondam, especialmente o lateral frontal (avançar).

Para quem não utiliza muito estes botões, ou utiliza apenas para funções básicas (ex: apenas para avançar/voltar), sem problemas. Para quem utiliza para ações como usar skills e escolher armas, fica difícil responder, pode ser que não terá problema nenhum, pode ser que não irá gostar.

Também, vale informar que nos novos lotes estes botões foram revisados, então pode ser que a resposta nos novos modelos seja melhor do que o que eu relatei aqui.

Assim como vários outros mouses ultra-leves, o Glorious Model O utiliza o que chamamos de cabo paracord, que é um cabo diferente dos normais para mouses, com menor peso, maior flexibilidade e menor atrito entre o cabo e a mesa, proporcionando uma experiência similar a "wireless" mesmo que o cabo tenha fio.

Se não sabe o que é "paracord", pense no cadarço de um tênis e compare ele com o cabo do seu atual mouse. É bem parecido, extremamente leve, flexível e maleável.

E aqui temos um problema, pelo menos nas unidades antigas deste mouse. O antigo cabo da Glorious é simplesmente flexível demais e o seu design "flat" acaba permitindo que ele dobre em 90 graus, o que facilita a quebra do cabo caso houver descuido pelo usuário. Também, este mesmo design dificulta seu posicionamento em alguns mouses bungee.

Felizmente a Glorious já tomou uma atitude e trocou o design nos novos lotes de mouses, o cabo ainda continua sendo "paracord", mas o formato agora é "redondo".

Enfim, o Glorious Model O, é um mouse que passou por várias melhorias ao longo do tempo, então a qualidade da construção externa vai depender de qual lote você acabou recebendo. Devido à grande demanda destes mouses, atualmente é difícil comprar uma unidade do lote antigo (pior) pois estas esgotaram e foram substituídas pelos novos lotes, inclusive aqui no Brasil, mas fica um aviso para quem planeja comprar ele usado.

Construção Interna

Nos botões principais do Glorious Model O encontramos switches de modelo OMRON 20M, certificado para "20 milhões de cliques".

São bons switches, mas na prática essa certificação não tem muito valor e outras variantes (ex: debounce, sistemas de tensionamento de cliques, o projeto da carcaça, over-travel...) são mais importantes para a durabilidade do switch do que estes números.

Ou seja, não importa ele não ter "OMRON 50M" igual alguns concorrentes, a única coisa que é comprovadamente superior a OMRON 20M, são switches ópticos, como tais como os do Razer Viper.

Mas, uma grande vantagem do Glorious Model O, e que veremos na parte do software, é ele possuir ajuste de debounce, o que ajuda mitigar o problema de double-click.

No scroll do mouse, encontramos um codificador da marca F-Switch. E aqui temos um problema.

Dentre os meus mouses com codificadores desta marca (dois Redragon King Cobra, Xtrfy M4, Havit MS837), o Glorious Model O é o único que não está rangendo. Encontrei poucos relatos de problemas referentes ao Glorious Model O, mas há um caso idêntico ao que está ocorrendo com meus outros mouses: Model O Mouse Wheel Squeak.

O codificador da F-Switch nos primeiros meses é uma maravilha em resposta e maciez, mas após algum tempo a lubrificação começa falhar e há um barulho dele rangendo pela falta da lubrificação.

Claro, abrir e aplicar WD-40 ou algum outro lubrificante no codificador resolve o problema perfeitamente, mas isto não é algo que o usuário deveria ter que fazer nos primeiros anos de uso do mouse. Até o momento eu não vi reclamações quanto à durabilidade dos codificadores desta empresa, apenas "rangido" do scroll.

Já no botão do meio encontramos um switch HUANO Green, com uma excelente resposta e peso, nem pesado demais, nem leve demais, perfeito para quem usa o botão do meio com frequência.

E nos botões laterais, assim como no DPI, encontramos os mesmos switches HUANO Green.

Como já falei antes, parece que há uma diferença entre a resposta destes botões de acordo com a revisão do mouse, lotes antigos como este da análise, possuem um botão lateral traseiro com uma resposta "OK", enquanto o lateral frontal é um tanto "frouxo" e precisa ser pressionado fundo para responder.

Isto não é culpa dos switches e parece que nos novos modelos estes botões estão com uma resposta diferente.

Enfim, com exceção do codificador do scroll, o qual eu gostaria que fosse trocado em modelos futuros, o Glorious Model O possui componentes bastante justos para seu preço, o OMRON 20M foi bem implementado e com ajustes de debounce para ter a maior durabilidade possível e os switches HUANO Green são de alta qualidade. O codificador F-Switch pode ter problemas por má lubrificação após algum tempo, mas em termos de durabilidade não é ruim.

Desempenho e Recursos

O Glorious Model O utiliza o sensor Pixart PMW 3360, que já foi considerado o "melhor sensor do mercado", e embora na teoria não seja mais, na prática não é possível sentir diferenças entre um PMW 3360, PMW 3389 ou PMW 3399.

Vamos aos testes, primeiro temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizá-lo, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados do Glorious Model O no mousepad Razer Goliathus Chroma Extended, em 1000 Hz:

E ele apresenta um resultado perfeito. É normal as bolinhas estarem fora da linha e em direções opostas umas das outras devido à forma como o sensor trabalha. Também, é normal as "tremidas" nas extremidades, pois minha mão não apresenta um movimento constante, especialmente não quando estou mudando de direção o movimento.

O próximo teste é o teste de aceleração. O ideal sempre é que se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do Glorious Model O usando o mousepad Razer Goliathus Chroma Extended, em 1000 Hz:

E temos um resultado perfeito, nada mais do que o esperado do Pixart PMW 3360.

Chegando ao software, o software da Glorious é um software padrão da OEM, a qual parece ser a Team Wolf. O mesmo software é utilizado até mesmo por teclados (como o Fallen Gear ACE), porém com uma interface um pouco diferente. Entre as marcas que usam alguns produtos desta mesma fabricante, estão a Havit (alguns mouses), Fallen (teclados ACE), Glorious (tudo), Gorilla Gamer (alguns mouses) e outras.

Na primeira aba, DPI Settings, podemos configurar as DPIs e desligar elas caso for de vontade do usuário, assim como também definir a cor que estará sendo exibida pelo LED embaixo do mouse.

Em Lightning, temos um conjunto de efeitos de iluminação bastante básicos, lembrando também que o Glorious Model O e qualquer outro mouse que use um software pré-pronto, não possui SDK Aberto e portanto não é compatível com softwares externos como o Aurora, o que já está se tornando uma tendência e algo que o mercado quer.

Além disto, há o ajuste de LOD (altura na qual o sensor deixa de rastrear), ajuste da taxa de atualização (frequência com a qual o mouse se comunica com o computador), mas um ponto extremamente positivo do Glorious Model O e de qualquer outro mouse que acrescentar essa função, é o ajuste de debounce:

Este ajuste regula o tempo que a controladora do mouse "espera" após receber o sinal inicial do switch para ter certeza de que o clique realmente foi acionado e não registrar o contato "tremendo" ou oscilando enquanto os contatos internos raspam ao clicar. Todo mouse com switches mecânicos (quase todos), possuem isso.

Com o tempo, esse atraso pode acabar se tornando insuficiente para impedir que contatos falsos sejam registrados. Uma solução para resolver este problema, seria simplesmente aumentar esse atraso, mas infelizmente maioria dos mouses do mercado não oferecem essa opção, preferindo que você compre um novo mouse.

Claro, isto não é uma "solução definitiva para o Double-Click" como são os switches ópticos, mas já é uma boa alternativa para quem não quer ter que acionar RMA ou comprar um mouse novo só por causa desse problema.

Seguindo em frente, o resto do software é bastante básico, cada botão pode ser configurado para funções variadas e há também um sistema decente de macros:


Conclusão

O Glorious Model O é um ótimo mouse. Ótimo sensor (Pixart PMW 3360), cabo paracord, pés de teflon de melhor qualidade que maioria de seus concorrentes, bons cliques, bom scroll, bons componentes internos, boa estrutura, ajuste de debounce no software e um software "OK". Aliado a isto, está o seu preço de US$ 50, o qual já foi o "melhor Custo x Benefício em mouses ultra-leves", e atualmente este título está tão contestado que ninguém sabe ao certo para qual mouse pertence este título.

Ele teve alguns problemas em seu lançamento, tal como botões laterais pressionando ao fazer força na lateral, o cabo paracord original dobrava facilmente e isso facilitava a quebra dele, a própria forma como o cabo estava na caixa do mouse (dobrado) era inadequada, e houve uma polêmica entre o mouse e o sistema anti-cheat do PUBG Lite.

Mas, felizmente todos estes problemas parecem estar corrigidos nos novos lotes, o plástico da lateral foi reforçado, o cabo foi trocado e o problema com o PUBG Lite foi resolvido via troca do PID (Product ID) através da atualização de firmware.

A Glorious se demonstrou comprometida com a melhora de seus designs com o tempo, corrigindo quase todos os problemas relatados por usuários e mantendo um Controle de Qualidade aceitável. No ramo de mouses ultra-leves, onde uma pequena falha de projeto pode arruinar um mouse, esse cuidado e comprometimento vale mais do que um "sensor ainda melhor", que não pode ser sentido na prática.

Com muitos destes novos mouses "ultra-leves" que estão surgindo no mercado, muitos com várias falhas, você acaba "pagando para ser beta tester" se comprar no lançamento, e embora isso também tenha acontecido com a Glorious, o período do "beta" já terminou.

No mercado de mouses ultra-leves, se você comprar no lançamento, estará pagando para ser "beta-tester". A Glorious teve seus problemas, mas seu "beta" já terminou

O Glorious Model O pode não ser o mouse ultra-leve "com as melhores especificações", nem é mais o "mouse ultra-leve mais barato do mercado". Ainda assim, se você procura um mouse ultra-leve de alta qualidade e que não custe muito, o Glorious Model O é uma das opções mais "seguras" justamente devido a todo o longo processo de melhorias que ocorreram desde o seu lançamento.


Em ordem: Cooler Master MM710, Razer Viper, Glorious Model O, Pichau P801, Xtrfy M4 Whtie

E embora muitos dos mouses desta imagem acima também estão passando por upgrades para resolverem alguns problemas, é inegável que mesmo em sua primeira revisão com vários problemas, o Glorious Model O é um excelente mouse.

PRÓS
Cabo "estilo paracord" extremamente leve e maleável
Excelente construção externa
Ótima construção interna
Peso de apenas 68 gramas
Sensor Pixart PMW 3360
Software com ajuste de Debounce!
CONTRAS
Preço (Brasil)
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  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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