ANÁLISE: F1 2019

F2 e transferências de pilotos na carreira são boas adições para um sólido jogo de corrida

Neste ano, a série de jogos de F1 produzidos pela Codemasters completará uma década de existência desde o seu lançamento original com F1 2009 para Wii e PSP. Trava-se apenas de uma edição tapa-buraco, que serviu para saciar o desejo de alguns fãs enquanto esperavam pelo primeiro jogo completo baseado no esporte a motor em anos. Desde então, a franquia evoluiu de todas as maneiras imagináveis para se tornar uma dos mais respeitadas séries de games de corrida do mercado nos últimos anos.

A série F1 da Codemasters completa um ano e precisa mostrar quais novidades tem para oferecer

F1 2019 chega com a difícil tarefa de, num período de apenas 10 meses, trazer melhorias significativas para o que já era muito bom em F1 2018 e convencer os fãs a desembolsar mais R$ 110 reais (ou R$ 184 no PS4 e R$ 260 no Xbox One) depois de terem investido um valor similar um ou dois anos atrás. Para isso, a equipe da Codemasters trouxe algumas novidades muito pedidas, incluindo a presença do Campeonato de Fórmula 2 da FIA (categoria de base da F1) e a possibilidade dos outros pilotos mudarem de equipe durante o modo carreira. Se essas e outras mudanças são suficientes para justificar edições anuais do game, você confere em nossa análise!

Gráficos

Esse é mais um jogo a utilizar o motor gráfico EGO Engine (agora em sua versão 4.0), que foi inaugurado com Colin McRae: Dirt em 2007 e já foi usado até mesmo nos jogos de simulação militar Operation Flashpoint: Dragon Rising (2009) e Operation Flashpoint: Red River (2011). Ela está mais poderosa do que nunca na iteração atual, permitindo que os artistas da companhia demonstrem sua habilidade ao recriar os carros e pistas do campeonato mundial de Fórmula 1 de maneira esplêndida.

A edição 2019 da franquia vem com a adição de efeitos de iluminação volumétrica

A edição 2019 da franquia vem com a adição de efeitos de iluminação volumétrica, que podem ser sentidos de maneira mais intensa na corrida do Bahrein, que acontece cercada por um deserto no Autódromo de Sakhir. A poeira em volta da pista é iluminada pelos gigantescos refletores instalados em volta do circuito, dando uma sensação de profundidade que é rara de se encontrar em games do gênero.

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Algumas áreas da tela estão mais nítidas do que nunca, com destaque para os pneus dos carros, que agora trazem texturas muito mais realistas. Isso poderia ser apenas mais um detalhe estético, mas também tem uma certa influência na jogabilidade: conforme você dá mais e mais volta com o mesmo jogo de compostos, eles começam a se desgastar, o que fica bem visível com as novas texturas. Um detalhe que certamente será apreciado por quem joga no modo profissional, onde não há a presença do HUD que normalmente mostra o estado dos pneus em porcentagem.

Modo Carreira

O modo carreira é sempre um dos grandes atrativos da série de Fórmula 1, especialmente para quem não tem muito interesse em jogar online. Por isso, novidades nessa área são sempre muito aguardadas pelos fãs de games de corrida. Vendo os anúncios antes do lançamento, parecia que o modo de jogo não teria falhas: a presença da categoria de base Fórmula 2, um pseudo-enredo com pilotos fictícios dublados especialmente para o jogo e a possibilidade de pilotos controlados pela IA trocarem de equipe.

Ou seja, basicamente tudo que os jogadores da franquia pedem há algum tempo para o modo offline — diga-se de passagem, a Codemasters tem sido muito boa em ouvir a comunidade. Com a chegada do game, porém, vieram pequenas decepções. A presença da Fórmula 2 é mínima no modo carreira e não há modo de torná-la maior. Ao começar a carreira, você tem a opção de escolher qualquer uma das equipes de F2, além de entrar numa academia de jovens pilotos (cada uma lhe dará pontos extras com diferentes equipes). Até aí tudo bem e inclusive há a opção de pular completamente a categoria de base.

O modo carreira fica longe de ser complexa como a jornada na série FIFA

Só que, logo depois, você descobre que sua passagem pela Fórmula 2 será muito breve, com apenas dois cenários de poucas voltas e somente uma corrida completa. Um banho de água fria para quem queria disputar uma temporada inteira antes de ir para a Fórmula 1. Isso é possível de ser feito, mas fora do modo carreira, dentro da seção dedicada a campeonatos. É durante essa breve temporada na F2 que você é introduzido ao seu rival, Devon Butler, e ao seu companheiro de equipe, Lukas Weber. Há algumas cutscenes bem intensas — porém mal atuadas — para introduzir ambos os personagens, mas depois que vocês entram na F1 (em equipes diferentes), essa interação se limita a notícias que você recebe em seu email. Ou seja, nada do glamour do modo jornada da série FIFA, por exemplo.

A última grande novidade é que finalmente os outros pilotos da categoria podem trocar de equipes. Isso é algo que era pedido pelos fãs há muito tempo e que os próprios desenvolvedores gostariam de implementar, mas não podiam por causa da antiga administração do esporte a motor. Com a aquisição da categoria por parte da Liberty Media, as restrições sobre o game estão começando a ficar mais soltas, permitindo que decisões como essa sejam tomada em nome do realismo e da diversão. O sistema de troca de equipes ainda é bem rudimentar para os outros pilotos e um tanto aleatório, apesar da Codemasters dizer que ele leva em conta o desempenho de cada um.

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Jogabilidade

A área do gameplay é uma difícil de se criticar na franquia de corrida da Codemasters, já que eles acertaram muito bem esse campo desde F1 2015, o primeiro lançamento para a atual geração de consoles. Mesmo com uma profunda mudança no regulamento e no design dos carros em 2017, a empresa manteve a consistência do modelo de dirigibilidade já implementado, com apenas a mudança no downforce dos carros sendo representada em F1 2017 — como deveria ser.

A jogabilidade continua um dos pontos altos do game

Ainda assim, há ajustes e modificações que são promovidas todos os anos em franquias de esporte, com pequenas melhorias na física e na responsividade do jogo. Mas nada importante o suficiente para sequer ser destacado no site oficial do game. Quem jogou qualquer game da série nos últimos 4 anos já tem uma boa ideia do que a Codemasters busca com a jogabilidade da franquia. Ela puxa muito mais para simulação do que outros games de corrida da empresa, como Grid e DiRT, só não chegando na simulação mais extrema de DiRT Rally ou de simuladores mais dedicados como rFactor ou iRacing. Há uma quantidade satisfatória de opções de setup para o seu carro, mas eu ainda gostaria de ver um sistema dinâmico onde seus engenheiros o ajudam nesse processo — o que seria muito útil para educar jogadores mais iniciantes.

A inteligência artificial se destaca, com adversários que parecem humanos

A inteligência artificial merece uma menção especial neste ano por estar especialmente competitiva e divertida. Desde F1 2010 que a Codemasters tem acertado nessa área, mas agora em 2019 eles realmente se superaram. Você de fato tem a sensação de que está disputando curvas a 200 km/h (às vezes 300 km/h) com os melhores pilotos do mundo. Eles vão se defender de maneira realista e dificultar sua passagem o máximo possível dentro das regras, ao mesmo tempo em que irão se aproveitar de qualquer brecha ou erro seu — especialmente nas maiores dificuldades. Seus adversários não apenas são muito competentes como parecem mais humanos do que nunca, cometendo pequenos erros ou tomando decisões imprevisíveis. Talvez só Forza Motorsport e seus Drivatars cheguem no nível da impressionante IA que a Codemasters tem entregado ano após ano.

Áudio

Já faz seis anos desde que foi iniciada a era híbrida da Fórmula 1, que acabou com o extremamente agudo barulho dos motores V8 naturalmente aspirados e o substituiu por sons mais graves e abafados das unidades de força híbridas com motores V6 e um complexo sistema de baterias. Nesse período, cada nova versão da série trouxe melhorias consistentes para o áudio da série, culminando na detalhada solução sonora de F1 2018, primeiro game da série a trazer gerenciamento em tempo real do Energy Recovery System (ERS). O game já trazia detalhados efeitos sonoros para representar desde o sistema de baterias na sua máxima potência até o som do MGU-K recuperando energia motriz enquanto você freia o carro.

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Se você tem bom entendimento de inglês ou não se importa com legendas, fica a recomendação para usar os áudios originais. Como acontece desde 2016, a apresentação das corridas é feita num estilo bem televisivo com base na transmissão oficial e conta com a equipe composta pelo narrador David Croft e pelo comentarista (e ex-piloto de F1) Anthony Davidson, ambos da britânica Sky Sports. Eles trazem uma sensação de fidelidade para o game que é essencial para jogos de esporte e só ficam devendo um pouquinho na ausência de uma maior variedade de falas.

O jogo conta com dublagem em português brasileiro, mas a qualidade fica abaixo da versão em inglês

Existe uma dublagem em português do Brasil que irá servir para quem não se vira no inglês, mas que está muito aquém do trabalho que é feito na série FIFA desde 2002, por exemplo. Temos grandes figuras de narração e comentário de Fórmula 1 no Brasil, como a dupla de Galvão Bueno e Reginaldo de Leme, da Globo, que poderia render numa apresentação muito mais refinada. Ao invés disso, foram contratados atores comuns de dublagem, que trazem uma atuação que lembra comentaristas esportivos de animações 3D, por exemplo. Eles têm uma entonação forçada que denuncia que eles estão lendo de um script — e inclusive chamam ou ao outro de Croft e Davidson, e não como se fossem comentaristas brasileiros originais. Ao menos a versão brasileira mantém o nível da atuação dos pilotos originais do modo carreira, mas não por um bom motivo, pois mesmo em inglês ela fica muito abaixo do que se espera de um jogo em 2019. Mesmo outro jogo de esporte, FIFA 17, com seu modo "A Jornada" traz atuações muito mais dignas do preço que se paga nesses games.

Multiplayer

O modo multijogador também ganhou algumas novidades para manter os jogadores ocupados durante o ano inteiro, até a chegada de F1 2020 – que muito provavelmente já irá estrear nos consoles de nova geração. Para começar, agora foi introduzido um carro especial para o modo de jogo, que foi projetado pelo diretor técnico da F1, Ross Brawn, e por Pat Symonds, ex-diretor técnico da equipe Williams. A pintura do veículo pode ser customizada pelo usuário, dando maior personalidade para as disputas online.

A Codemasters ainda implementou um novo sistema de ligas, que possui o seu próprio hub dedicado dentro do jogo. Isso deverá agradar bastante os fãs da franquia, que antes dependiam de sistemas externos ao game (como fóruns e redes sociais) para combinar suas corridas e manter registros dos resultados. Também foram implementados Grandes Prêmios semanais em datas e horas pré-definidas. Nesse formato, os usuários podem fazer suas voltas de treino livre e de classificação no melhor momento para si durante a semana, precisando reservar apenas o tempo da corrida mesmo para competir. Para completar, o jogo ainda ganhou uma parte do menu dedicada ao campeonato oficial de Esports da Fórmula 1, onde você pode ficar por dentro dos acontecimentos mais recentes da disputa dentro do próprio game.

Conclusão

F1 2019 faz direitinho o que um título de esportes ou de corrida precisa fazer para ser considerado bom. Ele aproveita a excelente base que foram construídas nos anos anteriores e acrescenta novidades suficientes à fórmula para justificar que seus fãs desembolsem seu dinheiro novamente após um ou dois anos desde a última edição.

Avaliação: F1 2019

Gráficos
9
Áudio
7,5
Jogabilidade
9,5
Multiplayer
8,5

O mais recente game da Codemasters faz isso ao refinar os gráficos e a jogabilidade, trazendo uma das melhores e mais fiéis experiências de automobilismo digital do mercado hoje. A adição da categoria de base Fórmula 2, a presença de personagens rivais fictícios e a possibilidade de pilotos controlados pela CPU mudarem de equipe criam o modo carreira mais profundo da franquia até hoje. As novidades para os modos multiplayer chegam apenas para ser a cereja no bolo, complementando o que já era muito bom.

Claro que isso tudo não é sem falhas – talvez o que mais incomode os fãs seja a impossibilidade de jogar uma temporada completa de F2 no modo carreira. As atuações ruins dos pilotos, a maneira abrupta como acaba a história e a ruim dublagem em português brasileiro são outros fatores que atrapalham a experiência. Se essas questões não forem tão importantes para você e o jogo estiver dentro de seu orçamento, F1 2019 é uma compra muito fácil de se recomendar. Agora, se você joga no PC e está com a grana curta, fica a dica que o game costuma entrar em promoção entre outubro e novembro, próximo do final da temporada.

F1 2019 mantém alto nível do game da Codemasters e introduz algumas novidades, mas ainda fica devendo mais qualidade no novo modo introduzido


PRÓS
Excelente inteligência artificial
Fórmula 2 é ótima adição e traz maior variedade
Multiplayer está mais organizado
Gráficos seguem melhorando
CONTRAS
Dublagem em português brasileiro ainda está ruim
Passagem pela F2 é curta no modo carreira
História com rivais é abandonada muito rapidamente
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  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation, época em que também se divertia com o Super Nintendo dos outros. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia também. Apesar disso, nunca conseguiu largar a preferência por jogos de corrida e de esporte, principalmente os de futebol. Estuda jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.

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