ANÁLISE: Dead Cells

Jogo tem uma ótima arte, é divertido e dinâmico e esbanja originalidade

Dead Cells é um jogo indie da Motion Twin que tem chamado a atenção pela sua qualidade e originalidade. O jogo tenta misturar rogue-like com metroidvania, o que parecem ser estilos antagônicos, mas o resultado é muito interessante e merece uma chance! Confira na análise:

História e ambientação

Dead Cells segue a mesma filosofia de Dark Souls em sua história, ou seja, é tudo contado de maneira desconexa, através de suas conversas com NPCs principalmente, e investigando algumas áreas específicas. O jogo oferece mais contexto e ambientação do que um enredo linear em si, com uma história interessante e um tanto original, mas não muito distante do que costumamos ver em games que se inspiram no sucesso da From Software.

Dead Cells tem um ótimo senso de humor que ajuda a dar um estilo próprio ao jogo

O mais interessante que vou mencionar aqui, e que certamente me pegou de surpresa, é o senso de humor do jogo. A maioria dos games que evoca influências de Dark Souls quer deixar os sorrisos bem distantes da experiência, mas Dead Cells conta com um humor negro em muitos de seus diálogos e até em algumas animações que trazem uma certa leveza para o jogo, além de deixar o título mais original, com um estilo próprio. E isso merece muitos elogios.

Falando em originalidade, essa é uma palavra central para o jogo e uma das características que o tornam tão bom. A ambientação é muito baseada em simbologias e estéticas da idade média, mas trazendo mudanças suficientes e novidades para fazer algo próprio. Vamos falar mais da estética na parte de gráficos, mas para a história e ambientação vale mencionar que este é aquele tipo de jogo que os cenários ajudam a contar a história, o que contribui bastante na imersão.

Jogabilidade

Se a ambientação já é um destaque para Dead Cells, é na jogabilidade que o game brilha de verdade. O jogo tenta misturar rogue-like com metroidvania (muito mais rogue-like) premiando um gameplay acelerado e habilidoso. Ao mesmo tempo em que Dead Cells é desafiador, ele não chega a ser frustrante, e seu estilo rogue-like abraça o fracasso como uma das mecânicas do jogo.

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As tais células que dão nome ao game são o principal recurso para evoluir seu personagem. Entre um cenário e outro há sempre uma passagem que serve como uma pausa para o jogo, uma hub, onde você pode melhorar seu equipamento atual e adquirir mutações (habilidades). O NPC mais importante aqui é o Colecionador, que vai liberar novos equipamentos e recursos permanentes em troca das células que você recolheu na partida. Quando você morre, todo o equipamento e mutações que você está usando no momento são perdidos, mas os recursos onde você investiu células ficam, mesmo que você não tenha investido o suficiente para liberá-los de uma vez. Assim, mesmo na sua pior jogada, se você passar pelo menos o primeiro cenário, que é quase impossível não passar depois de pegar a manha do jogo, pelo menos algum avanço será feito.

Você está quase sempre fazendo progresso, até nas piores partidas

E, falando no equipamento, ele é maravilhosamente variado. Há diversos tipos de armas e armadilhas que contribuem imensamente para a experiência rogue-like de Dead Cells, já que cada vez que você volta pode encontrar armas diferentes e ter que adequar seu gameplay a elas, tornando o jogo mais diverso e interessante, mesmo tendo que passar pelas mesmas fases de novo. Há diversas opções de armas de combate corpo a corpo e à distância, e o jogador vai cada vez liberando ainda mais tipos. Equipamentos melhores vêm ainda com modificadores como "mais dano em inimigos envenenados" ou "recupera vida a cada golpe", esse tipo de coisa, que ajuda a aprofundar um pouco o gameplay e fazer você pensar mais antes de trocar uma arma pela outra.

Além dos formatos, as armas e armadilhas têm cores - vermelho para "brutal", roxo para "tático" e verde para "sobrevivência". Ao longo dos cenários você encontra pontos de upgrade que aumentam a força de uma dessas cores, então o jogador precisa escolher em quais equipamentos ele quer investir suas melhorias, dando uma camada extra de estratégia em cada partida.

O que se encaixa no estilo metroidvania aqui é que em alguns cenários há runas permanentes para conseguir, que liberam alguma habilidade para acessar áreas novas, como a capacidade de criar cipós para escalar em arbustos específicos, por exemplo.

Enquanto eu sinto que minha opinião é semelhante a muitas outras que tenho lido na internet - de que o jogo é excelente - vou discordar um pouco em relação à mistura de rogue-like e metroidvania. Pessoalmente não acredito que a mistura ficou tão perfeita (ao ponto do game se considerar um "roguevania") e o jogo é muito mais um rogue-like maravilhoso, deixando a experiência metroidvania um pouco comprometida. Existe uma sensação de familiaridade, domínio do cenário e, principalmente, liberdade jogando um metroidvania que não pode ser repetida em Dead Cells, já que o jogo tem uma certa linearidade. Cada nova fase é aberta para você explorar, mas é impossível voltar para a anterior. Além disso, o trecho deve ser passado de uma vez, não podendo voltar para sua área de descanso, apenas sendo possível avançar para a próxima. Isso tudo contribui para um ritmo acelerado e intenso no gameplay de Dead Cells que é ótimo, mas não é bem o que se espera de um metroidvania.

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O jogo é um excelente rogue-like, mas a parte metroidvania fica um pouco negligenciada

Resumindo: eu tranquilamente recomendaria Dead Cells para um fã de rogue-like que não curte metroidvania, mas pensaria duas vezes antes de recomendar o jogo para um fã de metroidvania que não curte rogue-like.

Gráficos

A originalidade de Dead Cells se destaca também em sua direção artística. O jogo é riquíssimo em detalhes e os cenários são bastante diferenciados a cada fase. Por causa da natureza do rogue-like, os ambientes numa mesma fase são um tanto parecidos, até repetitivos, o que é perdoável por causa da geração espontânea das fases.

O que é um pouco menos perdoável é a variedade de inimigos, que poderia ser maior. Há alguns que se repetem mesmo duas ou três fases pra frente, apenas ficando com uma vida maior e dando mais dano. O game já tem uma natureza repetitiva por sua estrutura, então seria mais interessante que cada cenário tivesse apenas inimigos inéditos.

A excelente direção artística de Dead Cells promove ainda mais a originalidade do jogo

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A qualidade das animações dos movimentos também são excelentes, dando expressividade até mesmo para um protagonista sem rosto com arte pixelizada. Aliás, considero que o estúdio poderia ter optado por um estilo artístico diferente da pixel-art, já que o jogo não é retrô nem nada. Mas isso é apenas uma opinião pessoal que não conto como um "contra" para o jogo. Certamente há muitos fãs do game que não abririam mão do seu estilo de quadradinhos.

Deixo aqui um destaque em especial para os efeitos de luz também. Mesmo num jogo plataforma, 2D e feito em pixel-art, temos alguns efeitos de iluminação excelentes e realmente bonitos, principalmente na fase da torre do relógio.

Áudio

A trilha sonora deste game me surpreendeu tanto quanto seu senso de humor. Temos uma OST bastante baseada em composições com o violão e, de certa forma, até gostosa de ouvir em alguns dos cenários. Certamente não era o que eu esperava para um game com as temáticas de Dead Cells, mas a melhor parte é que as músicas casam muito bem com o gameplay, mesmo sendo tão diferentes, dando um contraste muito legal ao jogo.

O jogo não conta com vozes, então além da trilha temos apenas o trabalho da sonoplastia, que segue o mesmo nível de qualidade. Enquanto os "gemidos" dos monstros são basicamente os mesmo, os sons dos movimentos e principalmente das armas são muito bem colocados e ajudam naquela sensação de impacto quando você acerta um dano crítico, por exemplo.

Dead Cells é um maravilhoso plataforma de ação no estilo rogue-like que entrega com perfeição a experiência de "quanto mais você joga, mais jogo aparece". O game não acerta tanto em sua tentativa de ser um metroidvania também, mas isso é totalmente perdoável, porque o produto em si é excelente.

Dead Cells é um rogue-like imperdível para fãs do gênero e de jogos de ação em plataforma

Quanto melhor você fica no game, mais recompensador ele se torna, e o pessoal que realmente curtir o jogo e a construção de seu mundo vai querer investir ainda mais horas para descobrir novas áreas secretas em cada cenário e desvendar mais desse mundo devastado pela praga.

No momento dessa publicação o game está disponível por R$ 47,49 na Steam e R$ 49 na Xbox Live, um valor um pouco salgado para um plataforma 2D, mas ainda pagável para um jogo dessa qualidade. Na PSN ele sai por absurdos R$ 89,50 não sei porquê. O jogo também está disponível para o Switch, por um preço bem salgado também: US$ 24,99.

Conclusão

 

Avaliação: Dead Cells

História
8.0
Jogabilidade
9.0
Gráficos
9.0
Áudio
9.5

PRÓS
Originalidade e personalidade
Gameplay variado e expansivo
Excelente trilha sonora
Ótima direção de arte
Senso de humor
CONTRAS
Não dá muito certo como um metroidvania
Poucos chefes
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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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