ANÁLISE: Razer Electra V2

Um passo na direção certa, mas faltou um pouco mais

Primeiro de tudo, existem dois modelos do Razer Electra V2, o modelo "padrão" com conector 3.5mm (P2) chamado apenas de Razer Electra V2, e o modelo com placa de som embutida e um LED verde no logotipo da Razer, chamado Razer Electra V2 USB.

O que estamos fazendo análise aqui é do Razer Electra V2 "padrão", mas possivelmente maioria dos aspectos apresentados nesta análise também serão aplicáveis a seu irmão com conector USB.

Vamos começar a análise então.

Construção

O Razer Electra V2 representa muito bem a filosofia atual de designs da marca, misturando um visual clean e dark com alguns pequenos detalhes estéticos que chamam a atenção. É um design simples, mas também elegante. Para quem quer algo um pouco mais chamativo, a versão USB também conta com LEDs no logotipo.

Em termos de materiais e construção, o Razer Electra V2 é bastante simples, e não há nada errado nisso. Plástico fosco de alta qualidade nas earcups, um arco em aço e uma headband autoajustável de acordo com a cabeça do usuário.

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E aqui entramos na maior crítica que eu tenho a este fone de ouvido, embora o material da headband seja bom, ela não expande o suficiente para acomodar pessoas com cabeças "grandes", o que inclui o autor desta análise.

Embora o arco seja grande o suficiente para suportar cabeções, a tira da headband não alarga muito, e para quem tem uma cabeça "avantajada", acaba não alargando o suficiente, ao ponto de realmente ficar pequeno, exercer pressão e até comprimir um pouco a orelha pela parte de baixo. Usar por 10 minutos é até tranquilo, mas para quem tem uma cabeça "avantajada" não é possível aguentar este fone por mais que 30 minutos sem sentir fortes dores.

Claro, para pessoas que não possuem esta característica, este certamente não será um fone tão ruim em conforto, mas realmente não entendo a razão porquê a Razer fez esta tira tão curta... Fones como o AKG K240 MK II e CM MasterPulse Over-Ear possuem o mesmo mecanismo, mas nenhum me causa desconforto, diferente do Razer Electra V2...

As almofadas do Razer Electra V2 são feitas em courino, são removíveis e possuem um bom recheio. Só o tempo poderá dizer sobre a questão de desgaste, mas caso você leitor queira evitar este tipo de material por já ter tido fones deste tipo que desgastaram, minha recomendação é procurar headsets que usem malha esportiva (ex: headset novos da Logitech).

O único problema delas, é a área interna destas almofadas não é muito grande, então para quem tiver uma orelha "grande", o Razer Electra V2 pode acabar não cobrindo a orelha corretamente.

Na earcup esquerda do fone encontramos um controle de volume analógico e também uma chave para ligar/desligar o microfone.

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Além disto, o Razer Electra V2 conta com um cabo de borracha altamente maleável, e é um cabo que não passa impressão de robustez como cabos de nylon. Também, o Razer Electra V2 conta com um detalhe que considero extremamente importante para headsets que se digam compatíveis com dispositivos móveis e controles de consoles: conector curvado.

A razão para conectores curvados serem melhores, é simplesmente porquê acabam impedindo que o cabo atrapalhe o usuário, fora que também podem ser girados para ficarem na posição mais agradável. Também, outra grande vantagem é que o ponto de tensão acaba sendo no próprio cabo, ao invés de ser no conector.

Por exemplo, ao invés de correr o risco da entrada de áudio do seu celular quebrar se você puxar sem querer com muita força o cabo ou conector do fone, se o conector for curvado, o que irá quebrar será apenas o cabo do fone.

Enfim, a construção do Razer Electra V2 é simples, um arco de metal bem feito, um cabo de borracha de qualidade razoável e bastante maleável, almofadas de courino confortáveis (embora com uma área interna pequena), e um conector curvado. Simples, mas bem feita.

Minha principal crítica vai à questão da fita da headband não ser maior. Se fosse, o Razer Electra V2 não teria problemas para suportar pessoas com cabeças "grandes", mas da forma como está atualmente, o Razer Electra V2 é praticamente insuportável para muitas pessoas, incluindo o autor da análise. Se a fabricante quiser, este é um problema fácil de corrigir em novos lotes do fone, mas tenho minhas dúvidas se ela fará isso.

Qualidade Sonora

Um dos aspectos que a Razer sempre teve em maioria de seus fones, foi uma presença exagerada de graves, muitas vezes graves de baixa qualidade, sem controle, sem extensão, sem impacto e que servem apenas para afogar os detalhes dos médios e a presença de agudos.

O Razer Electra V2 tem um pouco disso, mas não tanto quanto alguns de seus antecessores.

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Seus graves possuem uma extensão decente, há um pouco de impacto, mas ainda assim são um tanto quanto "gordos" e "lentos" em sua resposta. É um fone bastante agradável em músicas eletrônicas e não chega fazer feio em outros gêneros musicais, mas acaba não tendo destaque.


Créditos da imagem para StockSnap @ Pixbay.com

Seus médios são decentes, mas o nível de detalhes deles não impressiona. Os agudos são bastante suaves devido ao recuo dos mesmos, e ao tentar deixar eles mais expostos, nota-se que a nitidez deles não é boa.

O palco sonoro e separação de instrumentos são decentes para um fone fechado. Não achei ele claustrofóbico como o Edifier G4, mas ele também não é nenhum destaque nesta questão como é o HyperX Cloud Revolver. "Razoável" é a melhor palavra que define todos os aspectos sonoros deste fone.

A qualidade sonora do Razer Electra V2 realmente não é ruim, mas eu esperava um pouco mais, especialmente quando há concorrentes de peso na mesma faixa de preço.

Continuando, ao registrar o Razer Electra V2 ou qualquer outro dispositivo da Razer em seu software, você acaba recebendo uma cópia do Razer Surround Pro, programa o qual também é vendido separadamente.

E aqui entramos em algo interessante, embora muitas pessoas não gostem do Razer Synapse por diversas razões, o Razer Surround Pro é um dos aplicativos mais interessantes para o que ele faz. Em primeiro lugar, ele cria uma interface de áudio no seu computador, faz o tratamento de áudio através desta interface e por fim envia o áudio já tratado para a placa de som onde está conectado seu fone de ouvido, caixa de som, etc...

Isso faz com que o Razer Surround seja compatível com basicamente qualquer coisa, e ele tem algumas opções bastante interessantes. Em primeiro lugar, temos a opção "Otimizado para", na qual temos uma seleção dos diversos fones Stereo que a Razer comercializa, e podemos escolher entre estas opções:

Sabem os graves que eu achei um pouco exagerados? Ao selecionar o Razer Electra nas otimizações, o Razer Surround acaba aplicando um pouco de equalização para retirar isto e deixar os médios e agudos mais expostos, o que realmente será benéfico para este fone em jogos. Algo simples e que pode ser feito através de outros softwares de placas de som, mas é realmente interessante que a própria Razer já inclua uma opção que será benéfica para ele.

Agora, o mais interessante é a aba de "Melhorias" de áudio que o Razer Surround Pro possui.

O "Aprimoramento de Som Estéreo" faz o mesmo que o efeito Dolby Home Theater faz em algumas placas de som, dá uma maior ênfase nos sub-graves e agudos, os quais são realmente recuados neste fone, tendo um bom resultado.

A opção Boost de Grave realmente cumpre o que promete, embora há situações que ela acabe atrapalhando, por isto deve ser utilizada principalmente para músicas. Agora o que é interessante também é a opção de Normalização.

O que a Normalização faz, é regular volumes de jogos, filmes e músicas para que não haja tanta variação de volume entre um som e o outro. Em muitos jogos isto pode ser ruim, pois o barulho de alguém atirando a 30 metros será o mesmo que alguém a 5 metros, mas em casos de filmes ou jogos onde o áudio esteja muito baixo, esta opção pode ajudar pois vai acabar aumentando o volume.

Também, esta opção impede que você tome aquele susto devido a um som mais alto que o restante (famoso "RIP headphone users"), pois ele vai diminuir automaticamente o volume para que fique parecido com o que estava até então. Este recurso é bom em algumas situações, mas ruim em outras.

Já a opção "Nitidez de Voz" não faz nada da forma como está na imagem, mas ao regular os sliders para valores maiores/menores, ela faz ajuste dos médios e agudos para tentar deixar vozes mais nítidas ou destacadas. Sinceramente não gostei dos resultados deste efeito, pois distorce o áudio do jogo, mas assim como todos os outros, é opcional usar ou não.

Além disto, ele também conta com um Equalizador e algumas opções predefinidas.

E claro, seria impossível falar do Razer Surround Pro sem tocar em seu principal recurso: Surround 7.1.

O Surround da Razer é bastante inteligente, o "efeito Surround 7.1" não é ativado a menos que note que o áudio do jogo/filme realmente seja multicanal. Se o áudio do jogo/filme/música for Stereo, ele terá um áudio muito similar ao original sem este efeito ligado (desde que nenhuma "Melhoria" esteja ativada), diferente do que acontece com outros efeitos Surround, que acabam estragando o áudio original caso este seja Stereo.

E quando o software reconhece um áudio multicanal, o resultado é "interessante". Sons próximos são ampliados e há um pouco do efeito de "Reverb", mas sem exagero, o que gera um resultado que acaba variando de acordo com o jogo/aplicativo.

No Battlefield 4 o efeito tornou mais fácil discernir sons próximos do meu personagem, em todas as direções, especialmente em ambientes abertos.

Mas, quando combinamos o reverb já exagerado de mapas como o Operation Locker do Battlefield 4 a este efeito do Razer Surround, sons que já eram difíceis de serem discernidos, ficam ainda piores. Neste caso, é melhor desligar.

O Razer Surround Pro é um software extremamente interessante, mas o mais legal é que você pode comprar um mouse, teclado ou controle da Razer, registrar o produto e então utilizar o Surround Pro com qualquer fone de ouvido ou headset. E mesmo se você não gostar do resultado do Efeito 7.1, os outros recursos que ele possui são bastante úteis.

Enfim, fones como o BlackShark e ManO' War já mostraram que a Razer consegue fazer fones com boa qualidade sonora quando quer (mesmo que não tenham um preço agradável), mas no caso do Electra V2, faltou um pouco para chegar no mesmo nível de alguns concorrentes. Porém, se a Razer continuar neste ritmo, talvez isso ocorra em breve.

Microfone

Antes de começarmos, é importante que o público saiba que o Razer Electra V2 é um headset analógico. Existe a versão USB, mas esta não é o modelo que estamos fazendo análise.

Ou seja, o Electra V2 possui conectores P3/P2 (3.5mm). Isto quer dizer que o headset vai ser influenciado pela qualidade do áudio do seu computador, diferente de headsets USB que sempre tem o mesmo resultado em qualquer PC, salvo se as configurações forem diferentes.


Créditos da imagem para Guru3D.com

Acontece, que algumas placas-mães low-end não possuem nenhum isolamento elétrico em seu sistema de áudio, além de muitos usuários utilizarem as entradas frontais do gabinete, que são ainda mais suscetíveis a interferência do que os conectores traseiros. Adicione a falta de aterramento na maioria dos lares brasileiros e temos a receita para um belo ruído de eletricidade estática em qualquer headset analógico que for conectado a este computador.

O computador onde foi realizado o teste possui aterramento e o teste foi feito em uma ASUS Xonar U3, a qual consegue extrair a qualidade máxima do microfone.

Se você não obter o mesmo resultado que os testes usando o seu Razer Electra V2, sugiro verificar a questão do aterramento, trocar para a entrada traseira ou frontal de microfones, e se isto tudo não resolver, pensar em fazer um upgrade, seja comprando uma placa de som externa ou uma placa-mãe com um bom sistema de áudio integrado.

Este foi o resultado dos testes:

Um microfone excepcional com excelente captação de todas as frequências da voz com uma excelente naturalidade, fora que ele também possui redução de ruído ambiente via cancelamento de fase, algo que o concorrente Sharkoon B1 não apresenta.

Não seria exagero dizer que o Razer Electra V2 possui o melhor microfone entre os headsets abaixo de R$ 500 que testei até agora, e por isso ele gabarita este segmento.

Conclusão

 

Avaliação: Razer Electra V2

Construção
8
Conforto
3
Qualidade Sonora
6,5
Microfone
10
Preço - R$ 330
6

O Razer Electra V2 é um headset com alguns problemas, a headband deveria alargar mais, a área interna das earcups deveria ser um pouco maior e o áudio deveria ter uma melhor nitidez tanto em seus médios, quanto especialmente em seus agudos. Seu áudio é aceitável, mas não impressiona, ainda mais para um fone de R$ 330.

É realmente impossível utilizar o Razer Electra V2 para quem tiver uma cabeça um pouco "avantajada" e até pessoas que não sejam assim podem sentir desconforto pelo fato de sua headband não expandir muito. Sei que conforto é algo muito subjetivo e muitas pessoas podem achar ele confortável, mas eu preciso avaliar de acordo com a minha experiência com o fone, a qual infelizmente foi horrível.

Isso é um erro de design gravíssimo, mas fácil de corrigir para a fabricante, pois basta apenas trocar a headband. Talvez um possível "Razer Electra V2 v2" não tenha esse problema.

Embora o Razer Electra V2 tenha de fato o melhor microfone entre todos os headsets abaixo de R$ 500 que testei, bom o suficiente para fazer gravações e streamings de alta qualidade, concorrentes como o Corsair HS50 e HyperX Cloud Stinger acabam sendo superiores em dois aspectos bastante importantes, que são a qualidade sonora e o conforto.

Enfim, sinto que a Razer finalmente está caminhando na direção certa, o Razer Electra V2 é um upgrade gigantesco em comparação com fones como o Razer Kraken Pro e se ela continuar neste ritmo, veremos fones ainda mais interessantes sendo lançados pela marca nos próximos anos.

Eu estaria sendo injusto se chamasse este fone de "ruim", pois há vários headsets nesta faixa de R$ 250~400 que são inferiores a ele, embora ele também não seja um dos melhores desta faixa de preço.

Queria muito poder ter dado pelo menos o selo bronze para este fone, mas a questão da headband é realmente muito séria. Para pessoas com cabeças "avantajadas", o Electra V2 não é um headset, e sim um instrumento de tortura. Já para quem não sofre com isso, considerem a nota do conforto 7/10 e imaginem que há um "selo bronze" no título da análise.

PRÓS
Boa construção
Cabo curvado para uso em dispositivos móveis
Excelente microfone
CONTRAS
Problemas gravíssimos de conforto para pessoas com cabeça e/ou orelhas grandes
Qualidade sonora não é adequada ao preço
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 150 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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