ANÁLISE: Far Cry 5

Far Cry continua sendo um FPS divertido que vale a pena, mas não vai muito além disso

Far Cry 5 é o quinto jogo da linha principal de Far Cry e o sétimo game se contarmos os spin-offs Blood Dragon e Primal. Com a série começando a dar sinais de saturação, a Ubisoft tentou dar uma guinada com seu quinto título da franquia que, em vez de levar o jogador para regiões exóticas e distantes, o coloca nas montanhas dos EUA, cenário bem mais familiar para grande parte do público. Além disso, a temática de enfrentamento de milícias locais e um culto religioso fanático é algo bem mais próximo do mundo real do que o que já vimos em games anteriores. Será então que Far Cry 5 traz a renovação que a franquia precisava? Confira a análise para saber.

História e Ambientação


Interessante e menos polêmica do que se imagina

Far Cry 5 se passa em Hope County, um condado fictício em Montana, nos EUA. Como já foi amplamente divulgado pela Ubisoft, na história do jogo você interpreta um policial novato (ou uma policial, dá pra escolher) bem no momento em que um culto religioso local começa uma insurgência e faz da região sua refém. Seu papel é ajudar as pessoas a se rebelarem e tomar o condado de volta das garras de Joseph Seed e seus asseclas.

É claro que falar de religião e política é um gerador inigualável de polêmicas. Console wars não chega nem perto de uma briga dessas. Desde seu anúncio Far Cry 5 chamou a atenção justamente por isso, e rendeu até petição contra o game, por parte de norte-americanos que se sentiram ofendidos de ver um grupo cristão branco como os vilões do game.

Far Cry 5 pode parecer polêmico, mas não é

Existiam um potencial muito forte para mergulhar de cabeça na polêmica e mexer nas feridas, realmente causar uma comoção nas ideologias de seus jogadores. Mas ficou só aí, no potencial. O game é extremamente "manso" - o culto fanático fala de Deus, mas não tem nada de cristão e são as milícias e os defensores do porte de armas os grandes heróis no fim do dia. Duvido bastante que alguém possa se ofender se parar e realmente jogar o game.

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É só no final que a história ousa um pouco mais e certamente vai pegar muitos jogadores de surpresa. Pessoalmente acredito que a ideia foi melhor do que a execução, mas foi um fechamento que merece seu destaque.

A grande variedade de personagens é um ponto positivo do enredo

Escolher ir pelo caminho seguro não torna a história necessariamente ruim. E é fato que há muitos jogadores que preferem um jogo mais tranquilo, sem grandes mensagens, só pra se distrair. O enredo ainda é interessante o suficiente para dar vontade de saber o que vai acontecer ao longo do gameplay e há uma imensa variedade de personagens que contribui muito para o jogo. Alguns deles são apenas clichês e estereótipos ambulantes, mas outros são um pouco mais profundos e a grande quantidade de pessoas com uma personalidade e ideia próprias realmente ajuda a criar um sentimento de investimento na luta para salvar Hope County. Diferente de Far Cry 4, por exemplo, em Far Cry 5 nos sentimos mais como parte daquela comunidade e que estamos lutando por algo além de nós mesmos.

Jogabilidade


Jogue com amigos! Reais ou NPCs

A jogabilidade de Far Cry 5 é bastante semelhante aos games anteriores. O jogador precisa realizar missões principais e secundárias, liberar acampamentos, salvar reféns e recolher colecionáveis. Tudo conta "pontos de resistência" para liberar a região em que você se encontra no momento. São três grandes regiões e juntar pontos de resistência suficiente em cada uma delas gera uma espécie de embate final contra o chefe da região em questão. 

Toda essa mecânica, com algumas diferenças sutis, lembra muito os outros jogos da série. Apesar de não termos mais as fatídicas torres e o jogo até fazer piada com isso, você consegue informações recolhendo mapas ou conversando com pessoas pelo cenário, o que acaba dando na mesma. Liberar os acampamentos e salvar reféns é uma experiência exatamente igual.

As torres se foram, mas ficam os acampamentos

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O grande diferencial do gameplay vai para a possibilidade de ter sempre alguém ao seu lado no jogo, seja um NPC ou um amigo. É possível fazer toda a campanha no modo cooperativo, o que é interessante para um game desse estilo. Para o pessoal que prefere jogar sozinho, há um bom número de opções de NPCs para lhe acompanhar, como o cachorro Boomer e vários outros que não são o Boomer e por isso não importam. Brincadeiras à parte, as habilidades dos NPCs são bem variadas para ajudar a encontrar algum que case melhor com seu estilo de gameplay, já que o jogo desde suas origens lhe oferece a possibilidade de ser mais furtivo ou "cair matando".

Essa adição ao jogo, além de ser a principal novidade, é muito bem-vinda. São abertas novas oportunidades e ajuda a ficar mais imerso no universo do game.

A variedade de possibilidades para realizar as missões ajuda a mascarar a repetitividade do gameplay. Far Cry tem uma mecânica sólida e divertida, que demora pra cansar, mas principalmente quem jogou os outros títulos da série eventualmente vai começar a sentir a mesmice do game antes dele terminar. Pessoalmente, não cheguei a ficar entediado, mas quando o jogo começou a se encaminhar para o fim deu um certo alívio, o que dificilmente conta como um ponto positivo para um jogo.

Não podemos esquecer os bugs

Mas o maior ponto negativo aqui vai para os bugs. Nada que impeça o gameplay ou que estrague o jogo, mas aquele tipo de bug que acontece de vez em quando e incomoda. É o caso, por exemplo, de você precisar conversar com um NPC, mas não conseguir porque ele está em estado de combate sem nenhuma ameaça por perto. Ou quando o cursor que indica onde estão seus amigos simplesmente some ou trava no canto da tela. Coisas assim acontecem com uma frequência que logo fica um tanto irritante. Aconteceu também em mais de uma missão ter que recarregar o checkpoint porque os eventos que deveriam acontecer não estavam acontecendo.

O game conta também com microtransações, algo que nunca é bem-vindo, mas que aqui não chega a ser muito grave. A maior parte do tempo essas compras in-game podem ser completamente ignoradas e muitas vezes nem me lembrava que existiam.

Far Cry Arcade


Só pelo HU3

O Far Cry Arcade foi uma ideia muito interessante para implementar o multiplayer no game. Em vez de ficar bolando maneiras de encaixar um modo de jogo totalmente diferente de maneira que ainda fizesse sentido, a Ubisoft foi pelo caminho contrário e implementou um multiplayer completamente doido e diferenciado, algo que é muito bem-vindo.

O Arcade conta com um editor de mapas (que é bem complicado de mexer no console), então, além de poder fazer as próprias missões, você pode explorar as da comunidade. Dá pra passar um bom tempo conhecendo os mapas mais loucos criados por outros jogadores, o que acrescenta uma longevidade ao game.

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E essa possibilidade de fazer alguns mapas sem pé nem cabeça é bastante importante para o multiplayer de Far Cry, que com certeza não se seguraria sozinho num mata-mata de times mais tradicional. Dá pra perceber bem isso quando pegamos algum mapa que seja uma simples competição entre dois times. As mecânicas de Far Cry 5 são muito voltadas para a campanha e não se transportam tão bem num multiplayer competitivo, então a grande variedade de modos encontrados no Arcade é muitíssimo bem-vinda.

Apesar dos elogios, não considero que o modo Arcade vai ser um ponto de venda pro jogo. Para a maioria dos jogadores que já não gostam de Far Cry, não é esse multiplayer que vai mudar as opiniões. Mas pra quem já curtiu muito o jogo e quer um pouco mais, o Arcade vai trazer mais algumas aventuras interessantes pra perder mais um tempinho no jogo.

Gráficos


Satisfatórios, mas com telas de loading cansativas

Os gráficos do jogo não impressionam, mas não chegam a ser ruins. Há uma boa variedade de vegetação e de cenários, faltando um pouco de variedade de modelos de personagens. As expressões faciais, no entanto, são muito bem animadas com um bom nível de complexidade, ajudando a passar as emoções dos personagens com convicção. O trabalho de modelagem das armas e dos animais também é extremamente caprichado.

Para um jogo da geração atual, no entanto, dava para esperar um pouco mais. Especialmente depois que este comparativo com Far Cry 2 começou a circular na internet, fica visível que os gráficos em Far Cry 5 podiam trazer mais do que oferecem.

Mesmo ficando abaixo do que se gostaria, os gráficos não chegam a ser ruins e são completamente satisfatórios. O grande ponto negativo aqui vai mesmo para a demora para carregar o jogo. A análise foi feita na versão para PS4 onde alguns dos carregamentos, especialmente o primeiro para entrar no game, são bastante longos. A situação é agravada com o fato do jogo sempre precisar carregar quando você entra ou sai de uma missão, mesmo que esteja no exato mesmo lugar sem mudar nada no cenário. 

Som


Dublagem brasileira ganha destaque

A parte de som do game merece alguns elogios. Os efeitos sonoros, no geral, não chegam a impressionar, mas o trabalho de dublagem e um bom uso de música licenciadas realmente trazem alguns momentos marcantes no game. Especialmente a dublagem, que mantém seu nível mesmo em português brasileiro, algo que sempre conta muitos pontos positivos num jogo por aqui. As vozes foram bem escolhidas para os personagens e são raríssimos os momentos em que a entonação do que está sendo dito não condiz com o que vemos, problema tão comum em dublagens de jogos.

A dublagem PT-BR está ótima e merece destaque

A trilha sonora merece seu destaque à parte. O jogo conta com algumas músicas religiosas originais do culto, que muitas vezes aparecem causando um contraste com a ação que está rolando no gameplay, algo que causa um efeito muito bacana e digno de elogios. Fora isso temos um ótimo uso de algumas músicas famosas em momentos bem colocados. Ficam aqui meus elogios pra missão em que toca "Get Free", da banda "The Vines", música que casou perfeitamente com a ação que acontece na cena.

Far Cry 5 é um ótimo jogo. O título tinha potencial para ir além disso e se tornar algo realmente memorável, talvez até um clássico, mas os desenvolvedores escolheram ir pelo caminho seguro e entregar um jogo divertido e que vale a pena, mas que não vai ser lembrado em muitas listas de "top 10" no futuro. E isso não é um problema. Como mencionado antes, há muita gente que até prefere um game despretensioso só para se divertir e passar o tempo, e Far Cry 5 certamente oferece isso, ainda mais com amigos, através do co-op muito bem-vindo neste título.

Far Cry 5 acabou se saindo um FPS divertido e sem grandes pretensões

E pra quem realmente curtir as mecânicas do gameplay, ainda tem o Far Cry Arcade para expandir a longevidade do jogo. Por não ser nenhuma grande revolução na franquia, talvez Far Cry 5 não precise ser o primeiro jogo na sua lista de prioridades, mas certamente recomendo muito o game em alguma boa promoção.

Conclusão

 

Avaliação: Far Cry 5

História
8.0
Jogabilidade
9.0
Gráficos
7.5
Áudio
8.5

PRÓS
Mapa vasto cheio de atividades
Grande quantidade de personagens
Possibilidade de jogar com amigos
Ótima dublagem PT-BR
Boomer!
CONTRAS
Microtransações
Bugs incômodos
Buracos na narrativa
Poucas novidades
Eventualmente fica repetitivo
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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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