ANÁLISE: TT Isle of Man " Ride on the Edge

Tem a melhor sensação de velocidade em games de corrida, mas a falta de conteúdo é um problema

A corrida de motos mais perigosa do mundo está de volta aos videogames. Trata-se da Tourist Trophy Isle of Man, que apareceu pela primeira e única vez de forma completa no saudoso Manx TT SuperBike da Sega, que foi lançado em 1995. Onze anos mais tarde a Polyphony Digital trouxe o Tourist Trophy para o PS2, onde trazia um circuito que era parte do Isle of Man. Desde então a pista nunca mais apareceu em um game de forma oficial.

Quando o jogo foi anunciado, o temor de que a licença oficial adquirida pela produtora fosse por água abaixo era grande. Isso porque a produtora Kylotonn Racing (KT Racing) é conhecida por fazer games abaixo da média, como Truck Racer, FlatOut 4 e o execrável Motorcycle Club. Os únicos jogos razoáveis são os da franquia WRC, onde o destaque ficou para o último WRC 7. Com a licença oficial da Tourist Trophy, TT Isle of Man – Ride on the Edge seria a maneira dela se redimir e enfim lançar algo acima da média. Será que conseguiu?

Um pouco de História

Você deve estar se perguntando: por que criar um jogo baseado em uma única pista? O que ela tem de tão especial? Bom, para quem não conhece, até porque ela não é muito divulgada na América, Isle of Man - como o próprio nome já diz, é uma ilha que fica na Irlanda e é uma dependência da Coroa do Reino Unido, onde inclui a ilha principal e outras adjacentes.

A corrida existe há mais de 100 anos e é uma das mais mortais da história - senão a mais mortal. As motos chegam a mais de 300 quilometros por hora em meio a cidades, florestas, campos e vilarejos, onde o asfalto é desnivelado - afinal são ruas normais, e em algumas partes as pistas são estreitas e com calçadas de pedestres.

Desde seu início em 1907, mais de 250 pilotos já morreram durante as provas. Para se ter uma ideia do perigo, só há corrida quando o tempo está perfeito, ou seja, se tiver um mínimo de nevoeiro, umidade na pista, ou ate mesmo uma mínima possibilidade de chuva, a prova não é realizada. Confira abaixo uma volta completa no circuito real de Isle of Man.

Gráficos


Pouco conteúdo, mas com certa qualidade

O maior problema de TT Isle of Man – Ride on the Edge é ter pouquíssimo conteúdo, ele traz somente 9 pistas além daquela que dá o nome ao jogo, que são: Tyrone Track, Antrim Speed Track e Triangle Raceway na Irlanda do Norte; Old Blair Forest Race e Castle Ring na Escócia; West Sussex 4000 e Hertfordshire Circuit na Inglaterra; e Super Hillside e Milford Street Circuit no País de Gales.

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Por outro lado a pista principal é o maior circuito já produzido para um jogo de corrida, seus 60,7 quilômetros (37.73 milhas) possui escala de 1:1, o que é de digno de elogios. Ou seja, o tamanho é exatamente igual a pista real.

Tudo, absolutamente tudo, está literalmente reproduzido. Desde a calçada, até as inúmeras casas, lojas, grades, cercas, prédios, as paisagens, e até mesmo as árvores foram recriadas de forma fiel com o cenário da Ilha de Man. O circuito foi texturizado usando fotos tiradas pela produtora no traçado da pista, e tudo com aval do governo local, que apoiou o jogo. O vídeo abaixo mostra uma volta completa no circuito, e com direito a algumas quedas.

Os outros nove circuitos possuem um visual dentro do padrão atual. Não há algo que comprometa o visual geral. Alguns detalhes seguem a mesma qualidade da pista principal, como texturas de asfalto, placas de publicidade, árvores e principalmente os efeitos de iluminação que são belíssimos. Vale lembrar que não há chuva no jogo, mas há diferentes climas, ou seja, você pode correr em dia nublado ou ensolarado aleatoriamente. As mudanças de Hora do Dia são feitas antes das corridas, que são Manhã, Meio-Dia e Noite, sendo que à Noite no jogo ainda é claro, como se fosse Horário de Verão.

As motos são meticulosamente detalhadas. Tanto no visual externo quanto na visão do cockpit. Isso chama bastante atenção no menu de escolha de motos e durante as corridas, principalmente nos replays. Não há nenhuma textura em baixa resolução ou borradas, mesmo de perto. É realmente impressionante o nível de detalhe. É importante dizer que o jogo não possui Modo Foto, que hoje em dia está presente na grande maioria dos jogos, e que a câmera do jogo é fixa atrás da moto, ou seja, não há como girar a câmera durante as provas, somente no Replay.

Falando no Replay, vale dizer que eu nunca tinha visto certos ângulos de câmera em jogos de moto. A principio achei estranho, mas bonito, divertido e curioso. Fui ver vídeos de corridas reais da Ilha de Man (como o vídeo postado mais acima) e para minha surpresa, os ângulos de câmera usados no Replay do game são os mesmos das transmissões de TV da corrida real. Realmente impressionantes!

A maior decepção em termos gráficos são as cenas de queda. É extremamente pobre, sem realismo e que não condiz com o resto do visual. Em alguns momentos fica realmente ridículo, a ponto de se imaginar que a KT Racing, produtora do game, não quis "perder tempo" nisso e criou algo bem genérico. Mas a pior parte é que um Bug faz com que algumas vezes as quedas nem aconteçam. Mas isso explico mais adiante.

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Som


Coloque o som alto e corra a 300Km/h

Um outro quesito necessário em um jogo de corrida para se criar uma imersão maior e mais realista é o áudio. E TT Isle Of Man: Ride on the Edge não faz feio! Pelo contrário. O ronco das motocas estão entre os melhores já reproduzidos em um game do estilo. Cada uma delas possuem seus roncos de motores exclusivos, ou seja, é até possível saber que moto é apenas ouvindo o seu rugido.

Tudo foi recriado, até mesmo as pequenas falhas e engasgos, incluindo ai os momentos de solavancos da pista. Uma das motos que eu acho o ronco do motor feio é a BMW, que é extremamente linear e "artificial" na vida real, e o jogo o recriou de forma fidedigna.

Um outro aspecto do som que vale ser mencionado devido a qualidade, é o fator "vento". Experimente chegar a 300 quilômetros por hora, e você ouvirá o ensurdecedor barulho do vento, a ponto de abafar o ronco das motos e o som ambiente do circuito. Sensação incrível.

Modos de jogo clássicos

TT Isle Of Man: Ride on the Edge traz dois modos de jogo: Solo e Multiplayer. No modo Solo há Corrida Rápida, o clássico Contrarrelógio ou Time Trial, e a Carreira. Já o modo Multiplayer traz o Online e Offline, onde até oito jogadores podem correr. O curioso modo Offline permite que os jogadores se revezem, ou seja, não é tela dividida, mas sim corridas separadas onde ao final é comparado os tempos.

O modo Carreira é extremamente simples, o jogador cria um piloto básico e compra sua primeira moto. Para participar das corridas, ele recebe e-mails com convites para as provas e para os eventos patrocinados pelas montadoras, aceita e corre. Com o dinheiro arrecadado ele conserta sua moto - de forma automática - e compra motos melhores. Além disso, você ganha fãs dependendo da sua performance nas pistas, e esses fãs vão fazer surgir convites melhores durante a carreira. É bom que se diga que as corridas do modo Carreira, mesmo as primeiras, são muito mais desafiadoras do que o as do modo Corrida Rápida. 

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É importante dizer que o jogo é em torno de uma única pista, por isso não há muita profundidade no modo Carreira. O Destaque mesmo é simplesmente correr na Isle of Man com as regras oficiais da Tourist Trophy onde a corrida pode durar mais de 2 horas.

É interessante o fato de haver dois tipos de largada em cada uma das nove corridas, que são a Largada Conjunta, aquela onde todos largam juntos como em uma corrida normal, e a Largada TT que é o modo oficial da Tourist Trophy que consiste em cada um largar em separado com intervalo de tempo, no melhor estilo Rally. Apenas o circuito oficial The Isle of Man que não possui Largada Conjunta, por outro lado pode-se correr apenas em determinadas seções da pista. Vale lembrar que o jogo limita em até 6 voltas qualquer uma das dez pistas.

Jogabilidade


Necessita de um certo aprendizado para pilotar

O jogo possui 25 pilotos reais e 39 motos, sendo duas categorias: Supersport com até 600cc e Superbike de até 1000cc. Vários pilotos lendários da categoria estão presentes, como John McGuiness que já venceu 23 vezes, além de Michael Dunlop, Bruce Anstey, Ian Hutchinson dentre outros.

Falando das carangas de duas rodas, o jogo traz motos do calibre da BMW, Honda, Kawasaki, Suter, EBR, Triumph, Yamaha e a belíssima moto prata da Norton. Vale destacar que a produtora já anunciou um DLC gratuito para maio com uma nova categoria: os curiosos Sidecars, que surgiram da Tourist Trophy em 1923. Ainda não se sabe se terá mais conteúdos no pacote.

A jogabilidade de TT Isle of Man – Ride on the Edge é bem diferente da de outros jogos de moto como os da franquia Ride e MotoGP. Inicialmente aqui é preciso aprender e entender as motos, principalmente ao correr pelos 60 quilometros da pista de Snaefell Mountain (nome real da pista em Isle of Man), já que as 264 curvas da trilha foram fielmente reproduzidas.

Um dos fatores que te obrigam a entender cada moto é o fato dessa pista ter centenas de ondulações (algumas fazem a moto literalmente decolar), como uma que surge logo no inicio da corrida. Existem motos mais leves, mais pesadas, mais ariscas, e tudo isso vai influenciar nesses momentos críticos da corrida. Por causa da dificuldade acentuada, há uma lenda que diz que se um piloto corre bem na Ilha de Man, ele está pronto para correr em qualquer pista do mundo.

Sofrer uma queda é algo bom?!

Embora a jogabilidade seja ótima e traga a melhor sensação de velocidade já vista em um game de corrida que se baseia na vida real, alguns detalhes são bem toscos, como as quedas. Para mim a queda em um game de moto é um ponto crucial e determinante para uma péssima chegada ao final da prova.

Aqui vale citar que não vou entrar no mérito gráfico porque a animação ruim das quedas não vai afetar a conclusão da corrida e nem a jogabilidade. É como se fosse julgar a jogabilidade de Gran Turismo (ou qualquer outro jogo de corrida) pelas colisões com outros carros. Vale mencionar, mas não julgar de forma criteriosa.

As quedas durante as provas variam bastante e muitas vezes afetam o resultado da prova de forma positiva. Ou seja, parece louco, mas você pode vencer uma corrida simplesmente por ter caído, o que pra mim é errado. Eu explico: não sei que critério foi usado para determinar o “tipo” de queda, mas em alguns momentos a moto surge no meio da pista em um piscar de olhos, e em outros ela e o piloto rolam pelo asfalto, o que demanda certo tempo para voltar a corrida.

Eu testei isso várias vezes em um mesmo local da corrida. Bati de várias formas e velocidades, e em algumas quedas não houve animação. A moto simplesmente brotou no meio da pista e eu acelerei e continuei correndo. Ou seja, não perdi os “3 segundos” que teria a animação da queda. Percebi que isso é aleatório, uma hora vai aparecer a queda (animação ruim, mas pelo menos existe) e em outras sua moto aparece já pronta pra correr, no meio da pista.

Com isso em mente, resolvi testar algumas partes cruciais e difíceis da pista de Isle of Man, e pra minha surpresa, em algumas chicanes, em que você teria que correr bem devagar para contornar algo (seja uma praça, arvore, etc), eu simplesmente fui a toda e bati de propósito. Somente uma vez teve animação da queda, já em todas as outras eu apareci pronto pra correr na frente. Resumindo, valeu mais a pena bater a toda do que tangenciar o obstáculo. Péssimo isso. Provavelmente é um bug que pula a animação. Espero que seja corrigido em um patch.

Embora a jogabilidade seja ótima em vários aspectos, esse bug das quedas (e você vai cair muito!) é crucial para uma corrida mais séria e longa. O jogo poderia ter facilmente uma nota 9 nesse quesito, mas esse problema me parece grave e por enquanto não foi corrigido.

TT Isle of Man – Ride on the Edge é um bom game. Poderia ser o melhor simulador de motos se tivesse mais circuitos e modos de jogo. Esse foi o que mais me irritou em termos de escassez de conteúdo, principalmente porque o pouco que tem é excelente e eu fiquei imaginando campeonatos completos com pistas de corridas reais, modo carreira robusto e parte de aprimoramento das motos. Uma pena.

Embora o jogo seja “pequeno”, a jogabilidade vai agradar àqueles mais aficionados por simulação, onde controlar a moto exige mais destreza e aprendizado. Não é difícil, basta entender como cada moto se comporta.

Por fim, o valor cobrado não condiz com o que o jogo oferece. O preço do jogo é equivalente a jogos AAA, com conteúdo e durabilidade. Esse é o motivo que me faz não recomendar o jogo agora. Aguarde uma promoção boa, e aí sim vai fundo, porque de fato a jogabilidade prazerosa de TT Isle of Man – Ride on the Edge valerá à pena, lembrando que correr no circuito de Snaefell Mountain Course é uma obrigação para quem gosta de simuladores de moto.

Conclusão

 

Avaliação: TT Isle of Man " Ride on the Edge

Gráficos
8.5
Áudio
9.0
Jogabilidade
7.0
Multiplayer
8.0

PRÓS
Excelente sensação de velocidade
Ótima jogabilidade
Belíssimos efeitos de iluminação
Pistas com ótimos traçados
Isle of Man fielmente reproduzida
Multiplayer Offline
Vem aí DLC grátis
CONTRAS
Pouco conteúdo
Modo Carreira pobre
Bugs gráficos
Sem modo foto
Preço muito alto para o que o jogo oferece
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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