ANÁLISE: AMD Ryzen 5 2400G

Um processador pra dispensar uma placa vídeo de entrada

processador Ryzen 5 2400G é um dos estreantes de uma nova geração de APUs (Acelerated Processor Units, ou Unidades de Processamento Acelerado em tradução livre). Com a microarquitetura Zen revitalizando os processadores da AMD, e a Vega trazendo novidades no front dos chips gráficos, enfim a empresa uniu ambas as tecnologias para trazer uma solução que só a uma desenvolvedora que trabalha tanto com CPUs quanto GPUs pode entregar: um processador com gráficos integrados de "alta performance".

Enquanto a maioria do line-up disponível hoje com Ryzen trazia dois CCX (CPU Complex), esses novos processadores dispensam um deles para ocupar esse espaço com Compute Units (que atende pela ingrata sigla CU no Brasil) Vega. O resultado são produtos com menos núcleos de processamento, porém em contrapartida um gráfico integrado de alta performance comparado as soluções disponíveis até então.

AMD apresenta o refresh da microarquitetura Zen, a Zen+

Apesar da nomenclatura 2000, o que está sendo usada na nova geração Zen+, o 2400G e também o 2200G não traz a nova litografia de 12nm como outros modelos dessa serie sem os gráficos integrados.

Comparativo

AMD Ryzen 5
2400G
AMD Ryzen 3
2200G
Intel Core
i5-8400
AMD Ryzen 5
1400

Preços

Preço no lançamentoU$ 169,99 U$ 99,99 U$ 182,00 U$ 169,00
Preço atualizadoR$ 815,00 R$ 499,90 R$ 890,00 R$ 599,90

Especificações

CodinomeRaven Ridge Raven Ridge Coffee Lake Summit Ridge
SoqueteAM4 AM4 LGA1151 Serie 300 AM4
Fabricação em14nm 14nm 14nm 14nm
Instruções64-bit 64-bit 64-bit 64-bit
Núcleos4 4 6 4
Threads8 4 6 8
Clock3600 MHz3500 MHz2800 MHz3200 MHz
Clock (Turbo)3900 MHz3700 MHz4000 MHz3400 MHz
DesbloqueadoSim Sim Não Sim
Canais de memóriadual-channel dual-channel dual-channel dual-channel
MemóriasDDR4 DDR4 DDR4 DDR4
Cache4 4 9 8
PCI Express3.0 3.0 3.0 3.0
Canais PCI Express24 24 16 24
TDP65 65 65 65

Vídeo Integrado

GPURadeon Vega 11 Radeon Vega 8 Intel UHD Graphics 630 SEM VÍDEO INTEGRADO
Clock1250 1100 1050
DirectXDX12 12 12
Monitores suportados3 3 3

Características Gerais

Acompanha cooler?Sim, Wraith Stealth Sim, Wraith Stealth Sim Sim

A arquitetura Zen

Os processadores Ryzen são baseados na nova microarquitetura Zen, fabricada na litografia de 14nm FinFET e uma estrutura completamente refeita, quando comparado com o que era feito com Bulldozers e microarquiteturas baseados nela (Piledriver, Steamroller e Excavator). Na época do lançamento dos Bulldozers (2011), introduzidos com uma litografia de 32 nanômetros, havia limitações na capacidade de inserir múltiplos núcleos em um processador, e por conta dessas restrições, a AMD projetou um chip com recursos compartilhados entre os cores.

As tecnologias dos processadores Ryzen: clocks mais precisos, mais performance e capacidade de "predizer" o futuro

As coisas mudaram no Zen. Além de um conjunto dedicado para cada núcleo, para "alimentar a besta" com os dados que precisa de forma mais eficiente, a AMD dedicou uma área de seu die para "predizer o futuro": a Neural Net Prediction usa algoritmos que "aprendem" os padrões dos dados que trafegam nos processamento, e começam a antecipar as demandas dos núcleos, colocando o próximo conjunto de dados necessários em um local apropriado para uso dos núcleos. Mas nem só através da adivinhação a empresa pretende inundar os núcleos de processamento com os dados que precisam: uma grande quantidade de memória cache foi introduzida, com um L2 Cache massivo de 512kb (o dobro que a concorrência) e com o L1 e L2 Cache com uma largura de banda 2x maior comparado com a geração passada.

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No Zen a AMD consegue alimentar uma quantidade massiva de dados aos núcleos de CPU

Os núcleos de processamento compartilham o L3 Cache em grupos de quatro, formando o CPU Complex (CCX). Essa memória vai aumentar sua frequência para atingir o mesmo nível de desempenho do núcleo que estiver operando em maior performance. Todos os núcleos do CCX acessam qualquer área do L3 Cache com uma latência relativamente semelhante.

Como é comum em uma nova geração que traz reduções na litografia utilizada na fabricação há saltos na eficiência energética. Os Ryzen são 3.7x mais eficientes por watt consumido! Mas há outros elementos envolvidos na evolução da eficiência energética do Zen, sendo que a nova litografia responde por um incremento de 1.7x, a nova arquitetura atende por 1.3x e o design físico do chip mais eficiente atendem por 2.29x.

Os microprocessadores Ryzen entregam 3.7x mais performance por watt consumido

O die Zen vem equipado com 48 monitores de consumo de alta velocidade (atualizados a cada milissegundo) e 20 monitores de temperatura, com um total de sensores que ultrapassa os 1000 por CCX. Isso possibilita outra tecnologia importante para sua eficiência: o Pure Power, que atende por os 1.4x restantes da evolução na relação performance por watt consumido.

Graças a sua alta precisão no monitoramento do die, com mais de mil sensores por núcleo, um microchip Zen consegue reagir de forma mais eficiente a demandas e pode alterar o funcionamento de seus núcleos de forma precisa. A frequência, por exemplo, pode ser alterada em incrementos de 25MHz, ao invés dos quatro estágios gerenciados pelo sistema operacional, como é feito em muitas CPUs hoje. Assim um microchip Zen pode atingir qualquer nível que achar o mais adequado para desempenhar a função que tem pela frente.

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Com esse controle preciso, os microchips Zen também podem regular suas frequências para o nível ideal através do Precision Boost, ou inclusive exceder suas frequências padrão: o Extended Frequence Range (XFR) pode levar até dois núcleos para patamares acima do que o chip foi programado no modo Turbo, monitorando fatores como consumo e aquecimento para evitar que o chip ultrapasse níveis pré-programados. Assim o Ryzen 7 1800X pode levar sua frequência a 4.1GHz em dois núcleos mesmo com seu clock em Turbo Core sendo 4.0GHz. Quanto mais eficiente o sistema de resfriamento, mais longe o processador conseguirá chegar.

Todos os processadores Ryzen estão desbloqueados para overclock, o que significa que dá para levá-los além do Turbo Core ou mesmo o XFR. Mas para quem não pretende ficar mexendo em frequências e tensões elétricas, o XFR está disponível em todos os modelos e irá automaticamente fazer um uso do sistema de resfriamento, caso seja mais eficiente e entregue temperaturas mais baixas.

A Vega

A microarquitetura Vega é a maior renovação nos chips gráficos da AMD em 5 anos, após um longo período de renovações da Graphic Core Next (GCN). Na essência a filosofia da Vega é abraçar princípios de operação flexível, suporte a grandes conjuntos de dados, melhor eficiência energética e performance altamente escalonável. Essas diretrizes ficam evidentes nas implementações variadas da Vega, que está presente desde placas de vídeo para uso profissional, como a Vega Frontier, até modelos portáteis presentes em computadores ultrafinos.

As principais melhorias da microarquitetura Vega incluem frequências de operação maiores, dobro de operações FP16, uso da memória HBM2 (em placas de vídeo dedicadas), maior eficiência ROP em memórias L2 cache e um motor de geometria melhorada. Essa geração também introduz o Next-Gen Geometry (NGG), um motor de renderização de geometria que cria vias mais ágeis para o processamento da imagem ao evitar 

Para os games, o NGG tem como destaque o suporte ao novo "primitive shader" que faz com que o hardware identifique de forma mais eficiente partes do processo que podem ser substituídos por shaders de uso geral e de mais alta eficiência, algo que aumentam em até 4x a capacidade de realizar esse processo a cada ciclo do chip. Ele também realiza a antecipação de alguns dados que serão ou não usados, o que ajuda a retirar de forma mais precoce elementos que não serão necessários para o processamento da imagem e possibilita liberar recursos do hardware. Isso reduz o overhead e faz com que o processamento aconteça mais rápido, resultando em ganhos de desempenho. Os "primitive shaders" não irão substituir shaders tradicional, eles irão coexistir garantindo um suporte mais amplo. 

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APU Zen+Vega

Para possibilitar a inclusão de gráficos integrados junto aos núcleos de processamento Zen, a AMD tirou um dos dois Complexos de CPU (CCX) e incluiu no lugar um complexo Vega com as Compute Units. A comunicação entre ambos fica por conta do Infinity Fabric, tecnologia que tem se tornado um dos pilares da escalabilidade dos hardwares AMD, usado de forma ampla na comunicação dos múltiplos núcleos de um Ryzen Threadripper, por exemplo.

Como resultado da saída de um CCX, os processadores Ryzen 2000G possuem menos núcleos, já que cada CCX possibilita apenas 4 núcleos. Esse corte também "levou embora" metade do L3 cache, que foi reduzido de 8 para 4MB.

Na porção de gráficos, atualmente existem opções com 11 (2400G) ou 8 (2200G) Compute Units Vega. Diferente das placas de vídeo, agora não há mais memória dedicada HMB para a iGPU, que irá compartilhar dos recursos da RAM com o processador. 

Na parte das tecnologias, um dos destaques é a introdução do Precision Boost 2, uma evolução da tecnologia de ajuste preciso dos clocks dos núcleos de processamento introduzido na primeira geração Zen. Ela possibilita mudanças de clocks mais suaves e, principalmente, mais versáteis, ao tornar viável a mudança dos clocks em mais núcleos simultaneamente. Dessa forma o software pode de forma inteligente aumentar o clock de mais núcleos quando a aplicação fizer uso eficiente de multithread, ou subir apenas a frequência de um dos cores quando o software não aproveitar o uso de diversos núcleos ao mesmo tempo.


Fotos


Colocamos o Ryzen 5 2400G ao lado do Ryzen 3 2200G, sendo que ambos possuem um visual bastante semelhante e o mesmo coolerbox incluso: o Wraith Stealth.

Como esses processadores utilizam o mesmo soquete AM4 presente nos Ryzen de primeira geração, a aparência de um Ryzen 5 1400 e o Ryzen 5 2400G é idêntica, como podem perceber no lado-a-lado acima.

A principal característica dos processadores Ryzen com gráficos integrados Vega fica evidente pela faixa prateada no topo da caixa, mostrando ao consumidor que temos um produto que inclui gráficos.No restante da embalagem o visual é semelhante às caixas da primeira geração Ryzen, modelos serie 1000 sem gráficos integrados.


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes:

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram os mesmos hardwares para os testes, com excesão da placa-mãe que varia de acordo com a plataforma, veja a configuração utilizada:

- Placa-mãe para o CPU analisado: Gigabyte AB350N-Gaming WIFI [site oficial]
- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1080 Founders Edition [análise]
- Memórias: 16 GB G.Skill @ 3200MHz (2x8GB) [site oficial]
- SSD: Kingston Savage 240GB Sata 6Gb/s [análise]
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s [site oficial]
- Cooler: AMD BOX
- Fonte de energia (PSU): Thermaltake Toughpower 850W GOLD [site oficial]

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- GeForce 390.77

Aplicativos/Games:
- Blender [site oficial]
- CineBench R15 [site oficial]
- x264 Full HD Benchmark [download]
- HWBot x265 Benchmark [site oficial]
- V-Ray [site oficial]
- wPrime 1.55 [site oficial]
- WinRAR 5.50 [site oficial]

- 3DMark (DX11)
- Battlefield 1 (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- The Division (DX12)
- The Witcher 3 (DX11)

CPU-Z/AIDA64
Através do CPU-Z e AIDA64 vemos algumas informações técnicas do processador, como modelo, clocks, número de núcleos e threads etc. Confiram abaixo as telas principais dos dois aplicativos:

Utilizamos a BIOS versão F22b, mais recente durante os testes.


​Overclock


O processador é bastante limitado em se tratando de overclock. Ele atinge 3.9GHz no máximo travando em vários testes, sempre utilizando o cooler que acompanha o CPU. Como podem ver nos benchmarks a seguir, vários testes não foram finalizados, como não vemos sentido "overclockar" todos os núcleos abaixo do clock turbo que o próprio CPU alcança, não seguimos com outras opções de OC. Tentamos inclusive vários testes de mudança de tensão, sem sucesso.

Já em se tratando do vídeo integrado do Ryzen 5 2400G conseguimos subir para 1500MHz, o padrão é 1250MHz. Na prática espera-se um bom ganho de desempenho, curiosamente não podemos deixar de lembrar que as demais placas de vídeo dedicadas da linha Vega são bastante limitadas em se tratando de overclock, situação que se mostrou diferente nos gráficos integrados com essa arquitetura.

As limitações do overclock do CPU podem estar relacionadas as BIOS das mainboards ou mesmo limitação do CPU e ou plataforma.


Consumo de energia


Fizemos os testes de consumo de energia do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe e pode variar consideravelmente de um sistema para outro com configurações semelhantes. Alguns modelos da Asus como da série Strix por exemplo, já aplicam overclock automaticamente no sistema, entregando mais desempenho e mais consumo de energia por tabela.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:


Temperatura


Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

"A temperatura varia de acordo com o programa utilizado, mesmo o wPrime estressando todos os núcleos sendo uma boa opção para ver o comportamento desse cenário, alguns programas podem exigir ainda mais do processador e consequentemente esquentar mais o mesmo, como exemplo citamos o Blender."


Testes sintéticos


Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador analisado com outros modelos do mercado e fazendo exatamente os mesmos testes.

Alguns testes podem tirar maior proveito de CPUs com clocks mais altos,
independente da arquitetura e do número de núcleos/threads,
já outros podem tirar mais proveito de mais núcleos/threads

Blender
O aplicativo Blender é voltado a profissionais de edição de filmes e para manipulação de objetos 3D, sendo um bom teste real de como o sistema se comporta nesse tipo de cenário.

V-Ray
O teste V-Ray Benchmark utilizado consiste no resultado de renderização do CPU, quanto menor for, melhor é o desempenho.

CineBENCH R15
O CineBench está entre os mais famosos testes de benchmarks para processadores, baseado em um teste convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBot x265 Benchmark
Com o aplicativo de benchmark de renderização do HWBot, temos um teste renderizando com codec x265, tanto em FullHD como em 4K:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.


Teste com GTX 1080


Agora vamos para os games, selecionamos alguns dos principais títulos do mercado para mostrar como os processadores se comportam utilizando configurações semelhantes, sendo sempre a mesma placa de vídeo, uma GTX 1080, e 16GB de RAM através de 2 módulos de 8GB.

Battlefield 1
Como um dos games com a melhor qualidade gráfica já lançados, agora o Battlefield 1 faz parte de nossa bateria de testes. Abaixo o comportamento dos sistemas rodando o game da DICE.


GTA V
Grand Theft Auto V está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques boa qualidade gráfica. Ele é um dos games que mais faz uso do CPU, sendo um ótimo teste para ver o comportamento e diferença entre esse componente. Confiram abaixo os resultados nesse game:


The Division - DX12
O game da Ubisoft é uma proposta bastante ambiciosa de criar uma Nova Iorque "viva" em partidas com multiplayer totalmente online. The Division usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, e precisa lidar com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela, com destaque para a neve que ocasionalmente cai em alguns momentos. Ele é nosso escolhido para o teste sobre a API DX12.


The Witcher 3
The Witcher 3 foi lançado como referência em qualidade gráfica para PC, sendo um dos games mais interessantes da atualidade para medir desempenho de placas de vídeo e processador. Nesse teste temos um cenário diferente do que usamos em análises de placas de vídeo, visando forçar mais o processador. Abaixo os resultados dos sistemas comparados:

Testes gráfico integrado


Tiramos a GeForce GTX 1080 e deixamos por conta dos gráficos integrados Vega lidar com nossa bateria de testes. O primeiro comparativo mostra a mudança no consumo do sistema, ao tirar a GPU dedicada:

Na sequência, rodamos testes sintéticos do 3DMark, incluindo o Fire Strike e o Sky Diver:

E fechando a sequência, rodamos novamente games, porém adaptando as configurações para uma realidade mais compatível com o nível de performance disponível em uma solução de gráficos integrados:

Os gráficos integrados Intel suportam no máximo 1GB de ram,
por isso travam em games como o Assassin´s Origin e The Division

Por fim fizemos alguns testes de temperatura em modo ocioso e rodando o 3DMark sem e com o overclock. Vejam abaixo que o processador atinge uma temperatura relativamente alta quando overclockamos o vídeo integrado para 1500MHz, 250MHz acima do padrão.

Comparativo em vídeo

A ampla experiência no mercado de placas de vídeo e também nos consoles fazem com que a AMD seja a única empresa atualmente capaz de entregar uma solução com alto nível de desempenho em processador e chip gráfico em um único produto. Com essa combinação, os Ryzen 2000G são produtos muito interessantes para aqueles que desejam um CPU com gráficos suficientes para rodar games, mesmo tendo que abrir mão da qualidade da imagem caso optem por franquias mais pesadas.

O Ryzen 5 2400G tem performance para
ser cogitado como plataforma para games

Foi possível rodar todos os games que testamos no Ryzen 5 2400G, fazendo obviamente concessões nas franquias mais pesadas, e só não atingindo um nível satisfatório de performance em PlayerUnknown's Battleground devido às oscilações excessivas no clock da iGPU. Optando por jogos mais leves é possível jogar em alta qualidade e resolução FullHD games como Overwatch, DoTA 2,League of Legends, Rocket League, Paladins e vários outros games bastante populares. Games mais pesados até podem ser jogados, mas vai ser preciso abrir mão de qualidade gráfica e altas taxas de quadros, trazendo a experiência para um realista [email protected] em qualidade média. Não é bonito, mas até o pesadíssimo Assassin's Creed Origins pode ser jogado nessa plataforma, o que é um resultado bastante impressionante.

O Ryzen 5 2400G encara praticamente qualquer game
fazendo os devidos ajustes nos gráficos

O que Radeon Vega integrado é capaz de rodar? Jogamos com o Ryzen 5 2400G!

Se isso não for o bastante, essa APU não faz feio quando você instala uma placa dedicada e deixa ela encarregada de gerar os gráficos. O que sobra no Ryzen 5 2400G é basicamente um Ryzen 5 1400, equipado com quatro núcleos e oito threads, metade do cache L3 mas em compensação clocks mais altos. É um processador que tem plenas condições de receber uma placa intermediária e resultar em um bom PC para games, comportando tranquilamente uma GeForce GTX 1060 ou uma Radeon RX 580, mesmo reservando apenas x8 canais PCIe, eles devem ser o suficiente. Essa quantidade limitada de canais restantes pode se tornar um problema para usuários mais ambiciosos, pensando em sistemas carregados de mais placas e outros hardware utilizando essa conexão PCI, mas não deve ser um problema para a maioria dos consumidores que buscam plataformas de entrada.

Dá para colocar uma boa placa
intermediária nessa CPU

No overclock do Ryzen 5 2400G temos altos e baixos. No overclock do processador, não há nada de muito interessante: não conseguimos estabilizar ao tentar por os 4 núcleos em 3.9GHz, clock com turbo do CPU. Com alimentação limitada e precisando lidar tanto com núcleos Zen quanto Compute Units Vega, não há muita margem para aumento de desempenho. No chip gráfico, porém, a situação foi outra: conseguimos um overclock estável em 1500MHz (originalmente operava em 1250MHz), e como resultado temos ganhos expressivos de performance. Acima disso já passamos a ter mais instabilidade, então não parece compensar para o usuário tentar ultrapassar essa barreira, já que as temperaturas já apresentam aumentos significativos.

Ainda falta maturidade nessa plataforma,
e vimos muitas instabilidades ao longo dos testes

Um aviso a quem embarcar agora nessa plataforma: ainda há espaço para amadurecimento nesses hardwares e seus drivers, e tivemos ao longo dos testes problemas com travamentos do sistema, estranhas incompatibilidades (era preciso definir manualmente na BIOS um gráfico dedicado, por exemplo, quando rodávamos testes com placas de vídeo nessa placa-mãe) e oscilações nas frequências da iGPU, algo que ficou evidente principalmente em nosso gameplay, mas que também influenciou nos resultados de nosso benchmarks. Conseguimos uma maior estabilidade usando o Ryzen Master e definindo um clock de forma manual, porém isso não deveria ser necessário: em sua configuração padrão o hardware e seus drivers já deveria de forma eficiente subir ou descer as frequências de acordo com a demanda das aplicações. No caso dos jogos, deveria subir para 1250MHz e de lá não descer (exceto se acontecer alguma limitação na alimentação de energia ou aquecimento). A troca da solda para o TIM, como objetivo de reduzir os custos, traz o impacto negativo nas temperaturas. Não influencia em frequências padrão, mas fica mais evidente quando começamos a arriscar mais longe no overclock.

O 2400G seria mais interessante se possuísse os
mesmos preços agressivos do exterior

Em pré-venda por R$ 815, ele é um produto menos atraente do que no exterior, onde custa menos que o Core i5-8400 (à venda no Brasil por menos de R$ 800). Assim ele se torna um produto viável para quem quer uma plataforma que consegue dispensar uma placa de vídeo de entrada (como uma RX 550 ou uma GT 1030), economizar uns 300 ou 400 reais dessa forma e juntar esse valor para no futuro pegar uma placa mais potente. Porém é bom ficar de olho em outro modelo e que devemos em breve analisar: o Ryzen 3 2200G perde alguns recursos (clocks menores, sem multi-thread, menos núcleos Vega) mas pode ser uma opção mais interessante pois tem o mais competitivo preço na casa dos R$ 500, fazendo frente ao mais caro Core i3-8100 e potencialmente trazendo um bom desempenho para games mais leves.

Conclusão

 

Avaliação: AMD Ryzen 5 2400G

Performance
9.0
Tecnologias
9.0
Overclock
7.0
Preço
7.5

PRÓS
Gráficos integrados com performance de placas de vídeo de entrada
Compatível com as placas AM4 já existentes
Bom overclock dos gráficos integrados
CONTRAS
Só x8 linhas PCIe
Custo acima do Core i5-8400 no Brasil
Necessidade de atualização de BIOS em placas-mãe mais antigas
Instabilidades ao longo dos testes
Uso do TIM ao invés de solda
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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