ANÁLISE: WD Black PCIe SSD

SSD é melhor que modelos Sata, mas não briga com modelos topo de linha NVMe

Recentemente a WD colocou no mercado sua linha Black PCIe de SSDs, a primeira da empresa baseada em protocolo NVMe formato M.2 (2280) e PCIe 3.0 x4. Por enquanto a linha é composta de dois modelos, um com 512GB (utilizado para os testes dessa análise) e outro com 256GB, os dois utilizando o controlador Marvell 88SS1093 com memórias SanDisk 15nm TLC NAND. Lembramos que em 2015 a WD comprou a Sandisk, porém só esse ano começamos a ver os primeiros SSDs com a marca WD.

Linha Black M.2 é baseada em NVMe e linha Blue em Sata3

Além da diferença de capacidade, os modelos possuem algumas diferenças técnicas como o tempo de gravação, 800MB/s no modelo de 512GB e 700MB/s para o modelo de 256GB. Já o tempo de leitura é o mesmo para ambos, 2050MB/s.

Site oficial dos SSDs WD Black PCIe

Em cenário nacional o modelo com 256GB custa em média R$600 e o modelo com 512GB custa na casa de R$1000. Para nível de comparação, um modelo WD Blue de 240GB baseado em protocolo SATA3 está na casa de R$500.

Tecnologias


Abaixo, uma tabela com todas as especificações técnicas dos SSDs da linha Black PCIe da WD. Como é possível notar, além da capacidade temos algumas diferenças técnicas entre ambos os modelos dessa linha, como no tempo de escrita, gravação randômica IOPS e durabilidade.


O que é TLC?


Para explicar o que é TLC (triple-level cell flash) o ideal é, antes, explicar do que se trata o MLC, padrão ainda utilizado pela maioria dos SSD atualmente apesar da mudança que o mercado está passando para o TLC. A sigla significa multi-level cell flash (MLC) e é utilizada para descrever memórias NAND flash que tenham a capacidade de armazenar 2 bits de dados por célula. O TLC é uma evolução dessa tecnologia, e permite armazenar 3 bits de dados por célula. Há ainda o single-level cell (SLC), onde cada célula armazena apenas um bit de dados. Cada uma tem vantagens e desvantagens, que veremos a seguir.

Quais são as vantagens e as desvantagens?


A grande vantagem dos SSDs com tecnologia TLC está em seu menor preço. Isso porque drives com a tecnologia são mais densos, armazenando mais dados com a mesma quantidade de espaço. Ou seja, eles acabam tendo uma eficiência de custo maior. Mas isso, como tudo na vida, tem um preço (sem trocadilhos).

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Os SSDs com a tecnologia TLC acabam não sendo tão rápidos e nem tão duráveis quanto os modelos com MLC e SLC. Por isso, eles não são indicados para uso profissional e nem para uso empresarial. Na verdade, os SSDs com TLC são mais indicados para usuários domésticos. Para esse pessoal não há uma diferença de desempenho perceptível, ao menos na grande maioria dos casos.


Fotos


O SSD é baseado em formato M.2 no tamanho 2280, o mais utilizado pela maioria dos fabricantes de SSDs. Como é possível notar, mesmo possuindo 512GB, apenas um lado do PCB possui memórias.

Lembramos que a conexão é M.2 PCIe Gen3 x4, utilizado pelos modelos mais rápidos do mercado atualmente.

Nas fotos abaixo colocamos o WD Black PCIe ao lado de um SSD M.2 da Kingston com mesmo tamanho, além de um SSD WD Blue em formato 2.5 inch Sata3.

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Firmware


Assim como toda fabricante de maior porte, a WD lança atualizações para seus drives de SSD e essas atualizações podem ser feitas pelo software da empresa, chamado WD SSD Dashboard. Abaixo algumas tela do aplicativo, que além de atualizar o firmware pode fazer otimizações, limpezas de dados entre outras coisas. Para download da versão mais atual clique aqui.

Assim como outros fabricantes, a WD ainda fechou parceria com a Acronis para adicionar junto ao SSD uma edição do aplicativo Acronis True Image, útil para funções como backup e clone de drives de armazenamento.

O SSD acompanha uma versão do Acronis True Image


Sistema utilizado


Abaixo, detalhes completos do sistema utilizado, além de algumas fotos do SSD instalado na mainboard:

Essa será nossa máquina padrão para análises de SSDs

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Máquina utilizada nos testes
- Mainboard Gigabyte Z370 Gaming 7
- Processador Intel Core i7-8700K
- Memórias G.Skill TridentZ RGB 16GB (2x8GB)
- SSD Samsung 960 EVO 500GB
- HD WD Bluw 4TB Sata3
- Fonte Thermaltake 850W Toughpower Gold
- Cooler Noctua NH-U12S

Sistema Operacional e Drivers
- Windows 10 Pro 64 Bits com updates

Aplicativos/Games:
- AS SSD Benchmark 1.9.x
- ATTO Benchmark 3.x
- Battlefield 1 (DX11)
- BootRacer 7.x
- CrystalDiskMark 5.x
- DiskBench

Drives Comparados:
- WD Black PCIe SSD (512GB) - NVMe
- Kingston HyperX Predator PCIe SSD (480GB) - PCIe Gen2
- Kingston M.2 SATA G2 SSD (480GB) - Sata3
- WD Blue SSD 1TB - Sata3

Temperatura


Lembram que sempre destacamos em reviews de SSD baseados em conexão Sata que os mesmos praticamente não geram calor, ficando com a temperatura ambiente? Em SSDs de conexão M.2 isso muda bastante, especialmente para os drivers NVMe, sendo normal ficar acima da casa de 60º, 70º quando em operação. A temperatura vai depender do controlador, memórias e especialmente onde o drive ficará instalado, se direto na mainboard ou em uma placa dedicada vertical, que tem sido muito utilizada atualmente.

No site da WD fala que a temperatura em operação deve ficar entre 0 e 70º, aqui bateu 78º no teste do CrystalDiskMark, próximo dos 80º que é o limite de temperatura, acima disso a empresa não garante a retenção de dados como consta no próprio site oficial (veja na tabela que adicionamos na parte de tecnologias).

Abaixo, tela de dois aplicativos com alguns detalhes técnicos do SSD analisado, em seguida gráficos comparativos de temperatura com o sistema em modo ocioso e também com a temperatura máxima atingida quando rodando o aplicativo Crystal Disk Mark.


Testes sintéticos


AS SSD Benchmark
Começamos nossos testes com o AS SSD Benchmark, software específico para testes de drives SSD, HD etc.

O aplicativo faz uma série de testes em diversas situações de leitura e escrita e, no final, gera uma pontuação com a média entre todos os testes. Confiram abaixo:

ATTO Disk Benchmark
Outro famoso aplicativo para teste de desempenho de unidades de armazenamento é o ATTO. Vejam abaixo o comportamento dos modelos comparados:

CrystalDiskMark
Com o aplicativo CrystalDiskMark, outro muito famoso para testes de drives, optamos por utilizar o teste "Seq". Abaixo, os resultados em modo leitura e escrita:

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Testes práticos


Carregando um game (Battlefield 1)
Outro teste interessante é o carregamento de um game. Para isso, utilizamos o Battlefield 1 com teste em cima do mapa "Avanti Savoia!" logo no início em "O La Vittoria". O conceito do teste foi simples: computar o tempo que levou da hora que clicamos até a hora em que o gameplay começa.

Tempo de BOOT (Windows 10 Pro 64 bits)
Com o software BootRacer, medimos o tempo necessário para inicializar o sistema operacional, um dos principais atrativos de drives SSD.

O teste consiste no melhor resultado após três boots seguidos do sistema, considerando o tempo total até finalizar na área de trabalho com o score informado pelo aplicativo.

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Cópia de arquivo - HD Sata3
O teste prático de cópia de arquivos consiste em enviar e receber 7.47GB. O teste utiliza o aplicativo DiskBench para o processo.

Quem limita a velocidade é o drive mais lento, no caso o HD

Outro detalhe é que depois de muitos testes utilizando uma grande quantidade de arquivos e pastas, concluímos que a mesma cópia muda consideravelmente a cada vez devido essa quantidade de arquivos, sendo assim para chegar a um número correto mudamos para apenas um arquivo .ISO de 7.47GB.

Drive analisado para HD WD Blue 4TB Sata3 (leitura)
Neste teste copiamos um arquivo do drive analisado para um HD WD Blue 4TB padrão Sata 3. Este é o teste de leitura, já que ele não escreve nada no drive analisado.

HD WD Blue 4TB Sata3 para drive analisado (escrita)
Invertendo o processo, agora copiamos do HD para o drive analisado, consistindo em um teste prático de escrita, já que os dados estão sendo gravados no drive. 


Cópia de arquivo - SSD NVMe
Além do teste de cópia com um HD, também fizemos o mesmo teste utilizando um SSD padrão NVMe de alto desempenho para enviar e também receber, sendo assim tiramos o fator limitador de velocidade do HD padrão Sata3, já que o SSD utilizado, um Samsung 960EVO, tem velocidade de leitura de até 3.200 MB/s e escrita de 1.900MB/s. Novamente o teste utiliza o aplicativo DiskBench para o processo.

Para o cenário ideal de cópia ambos os drives precisam ser rápidos

Drive analisado para SSD Samsung 960EVO M.2 500GB NVMe (leitura)
Neste teste copiamos os arquivos do drive analisado para um SSD NVMe de alto desempenho. Este seria o teste de leitura, já que ele não escreve nada no drive analisado.

Samsung 960EVO M.2 500GB NVMe para drive analisado (escrita)
Invertendo o processo, agora copiamos os arquivos do 960EVO para o drive analisado, consistindo em um teste prático de escrita, já que os dados estão sendo gravados no drive. 


Como já falamos em outros artigos, a WD demorou até lançar seus próprios SSDs, assim como a Seagate. Curiosamente, são duas empresas importantíssimas no cenário mundial de armazenamento de dados, em especial HDs, e que tomaram a decisão de comprar outras empresas para entrar nesse mercado (WD comprou a SanDisk e a Seagate faz parte de um consórcio de empresas que adquiriu a divisão de chips da Toshiba, que já tinha comprado a OCZ antes). Quando comprou a Sandisk em 2015, foi possível constatar que a empresa julgou mais interessante optar por essa estratégia ao invés de lançar produtos próprios no mercado de SSDs. A linha de SSDs Blue por exemplo chegou com os modelos Sata, tanto em formato 2.5 polegadas como também em M.2, já a linha Black se posiciona com os produtos de desempenho premium, baseados em protocolo NVMe. Lembramos que ainda tem a linha Green, focada em eficiência energética.

Como colocamos no início, os modelos da linha Black utilizam o controlador Marvell 88SS1093 com memórias SanDisk 15nm TLC NAND, para comparação os modelos da linha Blue utilizam o controlador Marvell 88SS1074 também com as mesmas memórias NAND utilizadas na linha Black.

Bom SSD, porém não compete com os modelos de alto desempenho

Por se tratar de um modelo NVMe com tempos de 2050 MB/s para leitura e 800 MB/s de escrita, esperávamos ao menos que ele se comportasse melhor que o Predator PCIe, porém em alguns testes o drive da Kingston baseado em PCIe 2.0 se saiu melhor, até porque em tempo de escrita ele tem velocidade superior, dessa forma em alguns momentos o Black entrega desempenho menor.

Estamos com outros modelos em mãos e vamos lançar em breve um comparativo de SSDs onde será possível ver a diferença real entre diferentes modelos baseados em protocolo NVMe, tanto com memórias TLC, como 3DTLC e MLC, essa última utilizada por concorrentes que buscam o máximo de desempenho no cenário atual. Para citar exemplo a Intel usa o 3D TLC no seu novo P900 e a Samsung usa o MLC no 960 PRO (o 960 EVO usa TLC). Um Corsair MP500, por exemplo, custa valores praticamente iguais ao modelos WD Black, porém tem memórias MLC com tempo de leitura de até 2.800MB/s e escrita de 1.500MB/s.

Uma situação que nos chamou a atenção foi a temperatura, que atingiu 78º rodando o CrystalDiskMark. Sabemos que SSDs baseados em conexão M.2 esquentam e aquela deixa de SSDs ficar com a temperatura ambiente é coisa de modelos com conexão Sata2, Sata3, modelos M.2 mesmo baseados em protocolo Sata esquentam bem mais (vejam por exemplo o Kingston G2 nos comparativos), mas o que chamou a atenção no WD Black PCIe foi que ele ficou à apenas 2º de atingir a temperatura máxima informada pela WD para garantir que os dados sejam salvos sem problemas. Sim, estamos falando de um teste de benchmark sintético que em teoria coloca o SSD em seu limite de leitura/escrita, mas mesmo assim é alto, especialmente porque nossa redação fez todos os testes com os SSDs montados em bancada e com ar-condicionado ligado em 25º. Poderemos tirar uma conclusão melhor com os vários SSDs em um artigo que faremos em breve.

Um bom SSD NVMe, porém não faz frente aos modelos de alto desempenho

No mercado nacional ainda está é difícil de encontrar os SSDs Black da WD, tanto em seu modelo de 256GB como 512GB. Em cenário internacional (pesquisa feita na newegg dia 11/12/2017), o modelo de 512GB custa em média US$ 200 e o modelo de 256GB US$100. Como comparação o Samsung 960 EVO de 250GB custa US$ 128 e o de 500GB custa US$ 244.

Por aqui os SSDs Black da WD são encontrados em sites como Mercado Livre com preço na casa de R$600 e R$1100, preços bem próximos ao Corsair MP500. Como destacamos acima, para ser atrativo, ele tem que custar um pouco menos, caso contrario modelos mais rápidos com memórias melhores como o Corsair MP500 se tornam opções mais atrativas.

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Como esse é o primeiro SSD M.2 baseado em protocolo NVMe que analisamos, nossa base de comparação vai ficar melhor em futuras análises, já temos em mãos modelos como Samsung 960 EVO, 960 Pro e Kingston KC1000, todos considerados de alto desempenho. Em breve iremos publicar a análise de todos esses modelos e de outros como o Corsair MP500.

Conclusão

 

Avaliação: WD Black PCIe SSD

Tecnologias
8
Desempenho
8
Preço
7

PRÓS
Tempos de leitura e escrita muito superiores aos modelos Sata
Protocolo NVMe Pcie 3.0 x4
CONTRAS
Desempenho abaixo de modelos concorrentes
Temperatura em operação próxima do limite de garantia de gravação dos dados
Tags
ssd
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Adrenaline é responsável por análises e artigos de processadores, placas de vídeo, placas-mãe, ssds, memórias, coolers entre outros componentes.

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