ANÁLISE: Assassin's Creed Origins

Inovações do jogo revitalizam a franquia, mas às vezes menos é mais

Assassin's Creed Origins (ACO) marca o retorno da Ubisoft para um triplo A em sua franquia mais rentável depois de um hiato de um ano. A promessa era aproveitar esse tempo para realmente renovar a série e não entregar "apenas mais um Assassin's Creed". O resultado final é uma mudança completa no gameplay e no direcionamento do jogo, algo que torna este novo título muito interessante de ser analisado (e jogado). Veja o que achamos do game em nosso review!

História e Ambientação


Uma ambientação espetacular que ajuda a melhorar a história

Uma das principais mudanças radicais que encontramos em ACO em relação a seus antecessores é que, em vez de continuar avançando as épocas em que se passam o jogo, o título volta bastante no tempo, como indicado pelo seu nome, antes do primeiro Assassin's Creed, antes mesmo do surgimento da Irmandade dos Assassinos, para nos mostrar a história de Bayek, no Antigo Egito. Enquanto acompanhamos a jornada de vingança do herói, vemos seus impactos na história do mundo e, é claro, na criação do credo que vai dar origem a milhares de jogos e dólares.

Então pela própria proposta o jogo sai na vantagem, uma vez que o Egito Antigo é uma ambientação muitíssimo interessante e pouco explorada nos games. Vamos entrar em detalhes sobre a ambientação na parte de gráficos da análise, mas aqui é importante destacar que pelo próprio lugar ocupado por essa época no imaginário das pessoas, a história do game já se torna interessante.

E isso é ótimo, porque o enredo de ACO correu um sério perigo de cair na mesmice, uma vez que é recheado de clichês e acontecimentos previsíveis. Pessoalmente estou ficando exausto de histórias de vingança. Mas, dentro do que se é possível de fazer de diferente numa história de vingança, ACO tenta. E além da trajetória de Bayek, estamos acompanhando também a história do surgimento dos Assassinos e essa parte é, para mim, a mais interessante do enredo e que ajuda a manter o jogador curioso, facilitando ignorar seus clichês e muletas de narrativa.

A origem dos Assassinos é uma história interessante o suficiente pra perdoar alguns clichês

ACO também ganha elogios porque consegue entregar alguns personagens interessantes e um pouco mais profundos. Apesar de não serem a regra, eles estão ali e ajudam a melhorar a história quando aparecem. Nas missões secundárias, a experiência varia bastante, porque são muitas missões mesmo. Algumas das pequenas histórias até chamam a atenção, mas muitas fazem o jogador sentir que está fazendo a mesma coisa, mudando apenas alguns detalhes da missão, mas vamos falar mais disso em jogabilidade.

Jogabilidade


Assassin's Creed virou um RPG. E agora?

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É isso que todo mundo já sabe. Quando olhamos apenas para o gameplay de ACO, ele se assemelha muito mais à jogabilidade de The Witcher 3 do que a outros Assassin's Creed e isso pode ser um problema para antigos fãs da série. Não imagino que seja difícil encontrar alguém que gostava muito da série, mas que não é fã de RPGs e essa pessoa provavelmente vai ficar frustrada.

Mas a Ubisoft parece ter abraçado a velha máxima de "não podemos agradar a todos" para fazer uma renovação completa na franquia, que já tem 10 anos, então estava mais do que na hora. Os aspectos de RPG são muito bem incorporados em ACO, que agora conta com um vasto mundo para ser explorado e recolher recursos, algo que já estava presente em outros jogos da franquia, mas que fica bem melhor justificado e implementado pelo novo formato do game.

Os aspectos de RPG foram muito bem incorporados em ACO, mas talvez não agradem todos os fãs da série

O sistema de equipamentos também é bastante bem-vindo e adiciona uma camada de interesse no gameplay. Afinal, explorar o imenso mapa de ACO ficaria um pouco chato eventualmente, então estar sempre encontrando armas e escudos melhores ajuda a incentivar o jogador. Não só isso, mas há também a imensa árvore de habilidades, com umas skills bem interessantes a serem liberadas e que certamente vão fazer alguns jogadores liberarem tudo, garantindo mais algumas horas ao gameplay.

E claro, para recolher tantos equipamentos e conseguir tantos níveis para liberar as habilidades o jogador vai precisar de uma infinidade de missões paralelas, opcionais. E este é um ponto bem delicado da análise.

Um grande número de missões opcionais é interessante porque aumenta o jogo e aumenta o valor do que seu dinheiro pagou. Então, muitos jogadores (muitos mesmo) vão argumentar que quanto mais missões, melhor. Mesmo que não sejam lá essas coisas, é mais gameplay, então é bom. Mas essa lógica fica um pouco complicada especialmente num game que tem microtransações. 

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ACO tem muitas missões paralelas tediosas que você acaba se vendo obrigado a fazer para ter nível o suficiente para partir para a próxima missão da história. Coitado de quem quiser fazer 100% do jogo. Algumas das missões até que são bastante interessantes, e o "level grinding" é uma realidade de muitos RPGs, faz parte. Por isso que a presença das microtransações aqui atrapalha muito. Fica impossível saber se é o design do jogo incentivar o "level grinding" ou se é só uma maneira de arrancar algumas compras dos jogadores que ficarem mais entediados.

De qualquer forma, o gameplay de ACO é, em sua maior parte, bastante divertido e é completamente possível ignorar os itens compráveis com dinheiro real no jogo, o que conta pontos positivos. E as missões da história são, na grande maioria, muito legais de se fazer. Aqui fica um elogio também à liberdade que o game dá ao jogador, tornando realmente opcional fazer as missões de maneira furtiva ou "metendo o louco". Ou, como eu prefiro, uma mistura dos dois.

E claro, num jogo desse tamanho, fica aqui o destaque da grande variedade de atividades para o jogador. É possível procurar tesouros nos lugares mais variados, montar diferentes tipos de animais, velejar, caçar, enfrentar batalhas navais, participar de corridas de bigas, lutas de gladiadores e, claro, sincronizar várias torres, se não, não seria Assassin's Creed.

Gráficos


As incríveis paisagens africanas capturadas em grande estilo

Quem pensa que o Egito é só deserto vai perceber o tamanho do engano jogando ACO. O game conta com uma variedade incrível de paisagens, devido ao tamanho do seu mapa, que leva os jogadores para os mais diversos ambientes. Desde as dunas do deserto a vegetações exuberantes, passando por cavernas e tumbas, indo a grandes cidades da antiguidade. O movimento das pessoas e dos animais, implementados de maneira natural a cada um desses cenários, dá vida ao mundo de ACO e garante uma excelente imersão do jogador. 

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E claro que tudo isso é possibilitado por uma qualidade gráfica incrível dos efeitos de textura, iluminação e, principalmente da água, que chamou bastante a atenção aqui na redação. Tantos elementos não tornam o jogo nada leve, mas suas exigências não chegam a ficar acima do que se espera.

A modelagem dos personagens também é digna de se notar, feita com capricho e cuidado principalmente para os protagonistas. Os figurantes, famosos NPCs, até poderia contar com uma variedade maior de rostos, mas pelo menos a qualidade das animações e texturas de suas expressões ajuda muito na experiência do game.

Som


Ótimo trabalho de áudio, mas dublagem em português deixa a desejar

A dublagem é um ponto central dos jogos da série Assassin's Creed por causa da grande quantidade de personagens que sempre aparece nos jogos. Enquanto o trabalho de vozes em inglês ficou bem legal, a versão em português brasileiro deixa um pouco a desejar, especialmente com os figurantes. A voz de Bayek e outros personagens centrais é bem passável, mas tem outros NPCs que são dignos de riso e acabam com a imersão.

Mas claro que nem só de dublagem vive um jogo. A trilha sonora não é um grande destaque, mas funciona para o jogo, que merece um destaque em seus efeitos sonoros. A variedade de sons dos objetos, dos passos em diferentes superfícies, com diferenças para cascos, é claro, torna a experiência imersiva e mostra a qualidade do trabalho nessa área.

Assassin's Creed Origins é um excelente jogo que traz inovações no gameplay que eram extremamente necessárias para a franquia. Certamente o novo formato não vai agradar a todos os fãs de longa data, mas numa série que já tem 10 anos de mercado estava na hora de alguma mudança.

Assassin's Creed Origins é um excelente jogo que traz inovações no gameplay que eram extremamente necessárias para a franquia

O jogo vale a pena pela sua história central, que permanece interessante mesmo com seus clichês e falta de ambição, e principalmente pelo tamanho e capricho do seu mundo. Os cenários são magníficos e sua variedade traz uma sensação de inédito a cada nova região descoberta.

Existe algum excesso de missões secundárias dispensáveis e a presença das microtransações entra na frente do que poderiam ser unlockables interessantes. Ainda assim o jogo certamente vale a pena, para novos ou antigos jogadores.

Conclusão

 

Avaliação: Assassin's Creed Origins

História
8.5
Jogabilidade
9.0
Gráficos
9.5
Som
8.0

PRÓS
A renovação que a série precisava
Enrendo interessa, apesar dos clichês
Formato de RPG funciona para Assassin's Creed
Excelente ambientação
Enorme mapa com diversidade de cenários e atividades
CONTRAS
Muitas missões secundárias desinteressantes
"Inteligência" artificial ainda é digna de riso
Falas repetidas exageradamente frequentes
Dublagem em português deixa a desejar
Microtransações
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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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