ANÁLISE: South Park: A Fenda que Abunda Força

Jogo traz boas inovações no combate, mas falta inspiração no resto

South Park: A Fenda que Abunda Força é a aguardada continuação do primeiro bom jogo já feito para a série animada que já tem 20 anos. O novo game traz um combate completamente modificado, novos personagens e faz sátira com o gênero dos super-heróis, que tem se mostrado saturado no mercado atual do entretenimento. Mas será que ele faz jus ao sucesso do primeiro e da série? Confira nossa análise para saber o que achamos!

História e Ambientação

Como mencionado antes, o novo South Park satiriza os super-heróis, especialmente a Guerra Civil, um dos filmes mais importantes do Universo Cinemático Marvel atual. O seu personagem acaba envolvido na disputa do lado da equipe de Eric Cartman, como seu alter-ego The Coon, que lidera os Coon and Friends. Eles disputam com os Freedom Pals, liderados por Dr. Timothy, o Timmy. A briga é pra descobrir qual franquia vai fazer mais dinheiro.

A ideia é interessante porque, além de fazer sátira com a Guerra Civil, ainda serve para brincar com a disputa entre DC e Marvel no cinema, algo que na minha opinião foi até pouco explorado e não rendeu tantas piadas quanto poderia ao longo do game. O problema é que essa disputa entre diferentes facções é justamente algo que já aconteceu no primeiro jogo. Os membros de cada time foram levemente alterados, mas a dinâmica fica muito parecida. Essa situação de elementos iguais ao primeiro jogo levemente alterados permeia todos os aspectos do jogo e se mostra bastante problemática, como discutiremos mais a seguir.

O jogo é cheio de elementos iguais ao título anterior levemente alterados, algo que cansa rápido.

O enredo em si deixa um pouco a desejar. A história não se desenrola naturalmente e o jogador se sente alheio aos acontecimentos na maior parte do tempo. Enquanto ninguém espera um texto dramático e digno de prêmios num jogo assim, Trey Parker e Matt Stone já se mostraram capazes de scripts bem melhor elaborados do que o que temos em A Fenda que Abunda Força, tanto na série como no game passado.

Como não poderia deixar de ser, o título se passa na cidadezinha de South Park. Claro que seria inevitável repetir o cenário do jogo anterior, mas seria completamente possível levar o jogador para mais lugares novos. A impressão que fica é que A Fenda que Abunda Força varia menos os ambientes até mesmo que o jogo anterior, o que é um pouco difícil de perdoar.

Jogabilidade

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A Fenda que Abunda Força alterou bastante o combate em South Park. O jogo agora lembra muito os RPGs táticos, em que cada personagem tem um movimento livre e uma habilidade particular para usar em seu turno. O personagem principal pode assumir diferentes classes, na forma dos tipos de heróis que vemos nos filmes e HQs, um toque bastante interessante.

Assim como no primeiro game, no entanto, existe uma preocupação em não deixar o jogo muito complexo, talvez para não assustar fãs da série que queiram jogar, mas que não sejam acostumados com outros games. Isso por si só não é tão problemático, mas deixa o combate um pouco raso, não atingindo o potencial que ele poderia ter. Mas, no geral, o combate é divertido e merece elogios pela quantidade de amigos que você pode escolher para formar o seu time, aumentando um pouco a variedade do gameplay e a capacidade do jogo se adaptar ao estilo do jogador.

O combate lembra RPGs táticos agora.

Na parte de andar pela cidade a fim de resolver puzzles e recolher itens, temos de novo a situação do "primeiro game de novo, um pouco diferente". As flatulências capazes de "dobrar o espaço-tempo", tão marketeadas pelos desenvolvedores nos trailers, acabam sendo só uma forma nova de resolver quebra-cabeças antigos. Funcionam como os diferentes tipos de gases que tínhamos que usar no game anterior para resolver diferentes situações. O "Buddy Command" do primeiro jogo também volta, na forma de interações com o cenário que você precisa da ajuda de outros personagens, agora de maneira um pouco mais intuitiva, mas novamente uma repetição.

Um aspecto inédito que poderia trazer mudanças interessantes, porém, acabou um pouco desperdiçado. Em A Fenda que Abunda Força é possível criar uma ficha detalhada do seu personagem, com etnia, gênero, sexualidade, religião, etc. A promessa é que isso impactaria no jogo de alguma forma, mas além de mudanças sutis em diálogos específicos, o gameplay não muda quase nada.

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A separação de customização e equipamentos é bem-vinda

Uma mudança bastante radical, no entanto, está no menu. O jogo separou os itens que lhe deixam mais forte das suas roupas. A decisão é interessante porque a customização é de grande importância na experiência do game e é bacana poder usar a roupa ou o acessório que quiser sem ser penalizado por isso. 

Gráficos e Som

É complicado falar de gráficos num jogo baseado em uma série que se orgulha de sua tosquice. A experiência trazida pelo primeiro título é mantida aqui, e nesse caso isso é uma vantagem. O jogo todo parece realmente um episódio interativo da série animada, e seu personagem se encaixa no visual daquele universo perfeitamente, garantindo uma excelente imersão.

O game também não apresentou bugs ou falhas rodando em diferentes configurações de hardware e, até o momento da publicação dessa review, não foram reportados problemas na performance do jogo em muitas máquinas. E isso acontece também:

A trilha sonora merece elogios. Algo que não precisaria tanto capricho num jogo com a proposta de South Park acaba surpreendendo com algumas trilhas bem interessantes. Destaque para a trilha da chefe Spontaneous Bootay, um dos trechos mais bacanas do game.

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A dublagem segue sendo outro ponto forte do jogo. As vozes em inglês são feitas em sua maioria pelos criadores da série, algo que também acontece na TV e é refletido perfeitamente no game, que também conta com dublagem em português. 

A dublagem em português tem a mesma premissa da versão em inglês, trazendo muitas das vozes utilizadas na versão para a TV. Isso significa que muitas vezes fica bem ruim, mas essa é meio que a proposta mesmo, então não faço críticas aqui. Quem acompanha a série dublada na televisão certamente vai ficar satisfeito com o que trouxeram para o game.

South Park: A Fenda que Abunda Força cai numa armadilha difícil de se escapar, comum em várias novas franquias que começam muito bem e acabam decepcionando depois. Muito da qualidade e dos elogios ao primeiro game se deveram à sua originalidade e adaptação perfeita da série ao formato de um jogo. Depois que isso já foi conseguido, vira "grande coisa" numa continuação, onde esperamos mais novidades e mudanças para manter o gameplay interessante e atrativo.

O novo South Park vale a pena, mas talvez seja bom esperar uma promoção.

Mas a análise não teria sido tão dura se esse fosse o único problema do game. A história desinspirada, falta de variedade nos cenários e poucas piadas que conseguem realmente arrancar uma gargalhada mostram um capricho menor neste título. Enquanto o anterior parecia um trabalho apaixonado, dedicado para realmente enfim fazer um bom jogo dessa série tão amada (e tão odiada), o segundo parece um pouco mais uma obrigação, algo feito por contrato.

O jogo ainda vale a pena, especialmente para os fãs da série poderem revisitar sua cidade favorita, mas talvez era uma boa esperar uma promoção.

Conclusão

 

Avaliação: South Park: A Fenda que Abunda Força

História
8.5
Jogabilidade
8.0
Gráficos
8.0
Som
9.0

PRÓS
Variedade de aliados e classes no combate
O DJ do clube de strip
Algumas músicas surpreendem na trilha sonora
Excelente dublagem
Não tem microtransações
CONTRAS
Muitos "requentados" do primeiro game
História pouco inspirada
Falta de variedade nos cenários
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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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