ANÁLISE: Project Cars 2

Um dos melhores jogos de corrida da atualidade mas com muitos bugs

2017 é um ano mágico para os fãs de automobilismo virtual, com a maior quantidade de lançamentos de games de corrida da história. Tem pra todo gosto, desde jogos remasterizados e clássicos como BAJA - sucesso no PS3 e Xbox 360, até a volta de uma das mais amadas franquias de corrida, Gran Turismo.
A questão crucial é que há jogos para todo tipo de público: os que gostam de arcades, apenas pra se divertir com os amigos; os que gostam de algo meio termo um pouco mais desafiador, e, claro, aqueles que adoram um desafio de verdade e até participam de campeonatos virtuais.

Em uma semana em que a concorrência falou mais algo, com os lançamentos de Forza MotorSport 7 e Project CARS 2, e depois Gran Turismo Sport, os jogadores é que saíram ganhando. Por hora vou focar no Project CARS 2 para Playstation 4, que prometeu muitas novidades em relação ao primeiro game. Resta saber se as cumpriu.

Jogabilidade desenfreada

A primeira coisa que vem em mente quando se pensa em jogos de corrida é a sua jogabilidade, ou melhor, "dirigibilidade". Project CARS 2 mudou, e bastante, nesse quesito. Há o lado bom e o lado ruim, pra tristeza de muitos. Não, não pense que o jogo está ruim! Pelo contrário, está muito mais desafiador, e embora ainda não seja um completo simulador - velhos tempos do GTR!, ele chega bem perto. A questão é que por estar bem mais difícil, a probabilidade de jogadores casuais se afastarem é gigantesca.

Muita gente que joga games de corrida nos consoles sequer tem um bom conjunto de volante e pedal, e esse é o maior problema. O primeiro Project CARS era fácil correr com o controle normal dos consoles, tanto do Playstation 4 quanto do Xbox One. Dava para ganhar corridas facilmente, manter os carros na pista, tangenciar as curvas. Claro que com volante a experiência era muito superior, mas o fato é que esta segunda edição priorizou os conjuntos de volante.

Definitivamente está muito mais difícil jogar apenas com o controle padrão. Eu tentei de todas as formas usar controle, mas não consegui sequer completar uma volta sem rodar ou bater, e mesmo com todas as ajudas ativadas. Confesso que achei estranho e fiz questão de colocar lado a lado as duas edições e comparar cada detalhe da jogabilidade, e de fato é muito mais difícil jogar Project CARS 2 com controle.

Os veículos estão mais ariscos, mais imprevisíveis e mais difíceis de domar. Mesmo com volante, eu levei cerca de 5 voltas para conseguir entender e controlar uma simples BMW GT3, carro que eu mais corria no Project CARS 1 e por isso imaginava que seria fácil nesta sequência. Ledo engano. Foi necessário reaprender a pilotar. Isso aconteceu com todos os carros que usei, até mesmo com o simples Formula R.

Uma das novas funções que contribuiu para essa dificuldade mais acentuada é uma opção que faz a câmera do cockpit trepidar de forma mais realista em alta velocidade. Chama-se "Balanço de Alta Velocidade", e com ela ativada a corrida se torna mais frenética, e você tem a nítida sensação de que está perdendo o controle do carro.

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Há ainda alguns detalhes irreais que mais atrapalham do que ajudam. Por exemplo, em um treino com carros GT5 o comportamento do veiculo era normal e dava pra fazer tempos bons de volta sem muita dificuldade, inclusive a estabilidade do carro era notória. Perfeito. Acabei o treino em quarto lugar, fui direto pra corrida e para minha surpresa o carro simplesmente parecia outro. Muito longe da performance e da dirigibilidade dos treinos. Era literalmente outro carro. Reiniciei dezenas de vezes e nada adiantou: toda vez que ia para corrida, o carro se comportava de forma estranha, que nem lembrava um GT5.

Depois de vários testes tanto no modo carreira quanto no modo de corridas rápidas, descobri que o problema era o “clima” da corrida. Os treinos eram debaixo de sol com céu limpo onde o carro era ótimo e estável, já a corrida era com tempo nublado onde o veiculo parecia outro. É um tanto estranho essa mudança radical de comportamento apenas porque o clima era nublado, mesmo sem ter chovido. E o pior, não há o que se fazer. Cheguei a trocar o pneu pra testar e nada adiantou. O jeito foi correr assim mesmo.



Inteligência Artificial problemática

De que adianta a jogabilidade ser aprimorada, se parecer mais com um simulador, se os adversários se comportam se forma robótica e repetitiva? Pois é, essa é a Inteligência Artificial do Project CARS 2. Claro que na primeira versão do game a IA não era as mil maravilhas, mas dava pra jogar normalmente qualquer corrida sem muitos problemas, e até mesmo com o grid lotado. Tanto em corridas rápidas quanto no modo carreira.

Esta segunda versão em muitos momentos a IA não permitiu o progresso da corrida, como por exemplo em Bathrust, onde na largada metade do grid bateu, e isso foi repetido por 5 vezes e em todas acontecia a mesma coisa. A solução foi diminuir pela metade a quantidade de carros na corrida, ainda assim bateram mas dessa vez a corrida prosseguiu. Um caso semelhante aconteceu com carros da Formula A e X, onde em uma reta normal alguns carros começaram a voar, gerando diversas colisões.

O nível de dificuldade da Inteligência Artificial também tem sérios problemas. Pra não ter duvidas, comparei as duas edições de Project CARS com os mesmos carros, mesmo circuito e mesma dificuldade. Os carros da segunda verão do game correm uma barbaridade. Muito mais rápido que o primeiro. Em um nível de 55% a diferença chega a 5 segundos mais rápidos no Project CARS 2. Mesmo diminuindo a dificuldade, ainda existia diferenças que variavam de 2 a 5 segundos. Mesmo com nível em 10% apenas.

Aproveitando os testes com a dificuldade da Inteligência Artificial, resolvi testar o nível de agressividade dos carros, afinal poderia ser o problema das colisões constantes citado mais acima. Bom, não adiantou nada, testei os dois extremos: 0 e 100, e nos dois os carros batem da mesma forma na largada.

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Eventos da Comunidade

Obviamente que os problemas da Inteligência Artificial não acontecem no Multiplayer, que acaba se tornando a parte mais divertida do jogo. O destaque são os Eventos da Comunidade que consiste em corridas com data marcada. Há diversas provas já agendadas até literalmente o Natal, dia 25 de dezembro.

A área Navegar Online é o local clássico onde estão as dezenas de salas com corridas criadas pelos jogadores, cada uma com suas características próprias como exigência de câmera fixa, ou limitação de ajudas, e as variadas regras definidas pelo jogador que as criou.

O interessante é que pode ser criado um campeonato completo baseado em regras reais de cada categoria e com direito a narrador e transmissor, caso queira que seja transmitida ao vivo.

Além disso há uma área especifica de e-Sports com dados e informações completas e atualizadas dos Campeonatos Virtuais de Project Cars 2.


 
Cenário surreal

Embora o visual seja belíssimo em muitos momentos e normais em outros, a grande questão é: inventar tanto em termos de visual e jogabilidade é uma boa ideia em um jogo de corrida? Pergunto isso porque Project Cars 2 traz algo totalmente surreal que é a sua gigantesca variação climática. Isso porque a variação vai de um dia ensolarado, passando por uma neblina enorme, um temporal fortíssimo e até uma nevasca descomunal onde o jogador não enxerga nada.

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Ok. Existem circuitos onde essas variações climáticas até ocorrem na vida real, mas imagina uma nevasca enorme no circuito de Spa? Ou uma neblina seguida de neve em Mônaco? No total são 17 variações e válidas para quase todas as pistas.

Durante o modo carreira, não vi nada de anormal nas corridas. Ou seja, a parte climática era de acordo com a realidade em todos os circuitos na qual corri. A loucura começa nas corridas rápidas, porque nesse caso ela é toda personalizável e essa realidade paralela de ter uma nevasca surreal é possível. E curioso.

Belos gráficos, mas custam caro

Os circuitos são todos bem detalhados. Mais do que no game anterior. Os carros idem. De texturas melhoradas à efeitos de iluminação e HDR, de maior quantidade de público - embora a maioria seja estático - à efeitos de vento e clima, tudo é muito bonito, mas há um preço alto a se pagar: a performance.

A versão testada foi a do Playstation 4, e enquanto o primeiro game na grande maioria da vezes o jogo rodava a 60 quadros por segundo, na segunda versão isso acontece apenas algumas vezes, normalmente quanto não há chuva ou variação climática menos drástica. Até mesmo nos momentos em que roda a 60 frames, o jogo não parece tão suave quanto o primeiro. Isso acontece devido a quantidade de detalhes nos circuitos.

Os veículos são todos ultra detalhados tanto interna quanto externamente. O que mais chama atenção são os cockpits, que assim como no concorrente da franquia Forza, são os destaques. É incrível o nível de detalhes de cada mostrador, cada painel, volante, até a luva dos pilotos parecem reais com texturas em alta definição. Um detalhe interessante é que a produtora manteve a função de “banco”, ou seja, o jogador pode levantar, abaixar, aproximar ou distanciar o “banco” do volante.

Óbvio que nem tudo são flores. O jogo ainda peca do mesmo problema do primeiro: as texturas externas medianas onde de perto é feio e de longe lindíssimas.


Carros e Circuitos

Project Cars 2 traz uma enorme variação carros. Há bólidos pra todo gosto onde a jogabilidade muda radicalmente. São 54 categorias, algumas delas com apenas um veiculo. Dentre elas tem WRX, Vintage Touring, Road, StockCar, LMP, Kart, Indycar, GT, Formula Renault, dentre outras.

Ao todo são 187 carros que incluem montadoras como Ligier, Algajanian, Audi, Chevrolet, Mercedes, Aston Martin, Opel, Ferrari, Cadillac, BMW, Ford, KTM, Lotus, Honda, Jaguar, Ginetta, Marek, McLaren, Mazda, Porsche, Pagani, Nissan, Mini Couper dentre outras.

Os circuitos não ficam atrás. É a maior quantidade já vista em um game de corrida para consoles, com total de 53 cenários sendo 132 circuitos distintos, todos meticulosamente recriados, variando de clássicos, pistas de estrada, Rally e até ovais.

Dentre eles há os circuitos de Brno, Monza, Barcelona, Le Mans, Long Beach,  Fuji, Dubai, Donington Park, Mojave, Oschersleben, Road America, Red Bull, Sugo, Texas, Zolder, Watkins Glen, Spa Francorchamps, Silverstone, Oultun Park, dentre outros.  


Patch

A análise demorou a ficar pronta porque saiu um patch de 6.7 gigas na última semana que prometia corrigir bastante coisa no game e resolvi aguardar para ver o que de fato mudaria.

A performance melhorou bastante, o jogo agora está mais liso no PS4. Vários bugs foram corrigidos, como o do volante travado dentro do Box e a perda de posição ao terminar os treinos.

Porém outros continuam, como os bugs da dificuldade e agressividade da Inteligência Artificial que por vezes impedem de ter uma corrida limpa a séria e outros mais.

Project Cars 2 é um jogo ambicioso que consolida a franquia entre as melhores em termos de games de corrida. Há veículos pra todo gosto e um conjunto de circuitos de fazer inveja a qualquer concorrente.

A parte multiplayer é uma das melhores entre os concorrentes, remetendo a clássicos simuladores como GTR, GT Legends, dentre outros.

Porém o jogo ainda carece de cuidados. Há diversos bugs que realmente atrapalham e alguns me fizeram desistir de algumas categorias no modo Carreira. Quando o jogo foi lançado, a ideia que passou era de um game que faltava os famosos “retoques finais”, o acabamento, devido a quantidade de bugs encontrados. Alguns até bizarros como carros voando do nada. O jogo poderia facilmente obter nota 9 ou mais, mas os bugs não deixaram.

O grande patch 2.0 só chegou semana passada corrigindo uma boa parte dos bugs, mas ao meu ver, os principais ainda continuam acontecendo como os problemas com a Inteligência Artificial tanto da agressividade quanto dificuldade.

Para quem curte jogos de corrida, Project Cars 2 é obrigatório sem sombra de duvidas, mas mesmo assim é bom se preparar para ter um pouco de paciência com ele.

Conclusão

 

Avaliação: Project Cars 2

Gráficos
9.0
Áudio
8.5
Jogabilidade
8.5
Multiplayer
9.5

 

PRÓS
Belos gráficos e suporte a HDR
Variedade enorme de circuitos
Variação climática
Mais opções no modo Carreira
Mais simulador do que o primeiro game
Mais desafiador
CONTRAS
Variação climática exagerada em alguns momentos
Curva de aprendizado é longa
Dificuldade exagerada
IA corre sobre trilhos
Vai afastar quem não possui conjunto de volante e pedal
Faltou polimento
Bugs, muitos bugs
  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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