ANÁLISE: Motospeed CK103

Um teclado melhor que o CK104, mas...

Motospeed, uma marca que cresceu de uma forma insana nestes últimos dois anos. Antes era apenas uma fábrica pouco conhecida usada por diversas marcas, hoje é uma das principais marcas quando se fala sobre teclados mecânicos de baixo custo.

Agora em 2017, a empresa lançou o teclado Motospeed CK103, um teclado com um visual mais trabalhado que seu irmão CK104 e que possui um software:

Será que ele é melhor do que o Motospeed CK104? Quais são estas melhorias? Como se compara com o resto do mercado atual? É o que veremos a seguir.

Construção Externa

Logo de início vocês vão notar algo bastante diferente: o Motospeed CK103 é o primeiro teclado branco que fazemos análise:

Já esclarecendo a questão mais importante: sim, as teclas brancas sujam facilmente, mas devido ao fato destas serem teclas do tipo Double-Shot, pode-se fazer a limpeza destas sem nenhum medo de desgaste, ao contrário do que aconteceria caso as keycaps fossem brancas e impressas a Laser.

Sério, pode até colocar elas na água e usar um Corega® Tab (funciona!) para limpar elas e não vai ter problema, só por favor não mergulhem elas em acetona ou algum solvente forte demais.

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Mas para quem não tiver paciência para limpar o periférico ocasionalmente, o Motospeed CK103 é vendido também na variante escura:

A aparência do Motospeed CK103 é um pouco mais trabalhada do que o Motospeed CK104, certamente copiando a estética do concorrente Corsair Gaming Strafe, mas inserindo os dizeres "MOTOSPEED" no topo, o que na minha opinião não ficou tão legal.

Minha única reclamação é que a versão branca deveria usar uma backplate (a placa de alumínio) mais clara, o que acabaria combinando melhor com as keycaps brancas e outros periféricos claros que achamos no mercado:

Conforme já falei, o Motospeed CK103 assim como seu irmão CK104, utiliza keycaps (o plástico com algo escrito por cima) com impressão do tipo Double-Shot, onde duas peças de plástico são prensadas para criar a tecla e as inscritas, sendo um método muito mais duradouro que o processo de Laser utilizado por diversas outras marcas.


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Estas keycaps continuam com a mesma fonte "gamer" exagerada que o Motospeed CK104 e muitas das funções tiveram seus nomes encurtados para caberem no teclado, o que pode desagradar alguns:

No verso do teclado há dois grandes pés emborrachados, assim como também ajustes de altura emborrachados.

A construção do Motospeed CK103 é bastante sólida, ele é um pouco mais pesado que o Motospeed CK104 e a placa de suporte exposta dá uma impressão de maior durabilidade, mas é só uma impressão, a qualidade da construção externa é a mesma.

Para sua faixa de preço, a construção externa do Motospeed CK103 está de parabéns. Embora o material usado em seu acabamento não seja tão caprichado quanto o concorrente Corsair Strafe, a utilização de keycaps de melhor qualidade o torna superior a ele e vários outros teclados mais caros em termos de construção externa.

Construção Interna

Um dos principais diferenciais entre a Motospeed e marcas mais populares é que ela mesma realiza a fabricação de seus próprios teclados, pois é uma OEM (Original Equipment Manufacturer).

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Isto permite que a Motospeed trabalhe com valores bastante próximos ao Custo de Produção, o que seria impossível para marcas como a CorsairCooler MasterLogitechRazerSteelseries, e outras que dependem de fabricantes como a iOne e Solid Year. Vamos então depenar ele:

A PCB do Motospeed CK103 é muito parecida com a do CK104, especialmente devido à PCB vermelha de ambos, mas há alguns detalhes que tornam ele bastante diferente do Motospeed CK104 que analisamos.

A começar, pela controladora BYK816, a mesma que o concorrente Havit HV-KB366L que já analisamos e também a mesma que o Alfawise V1, que é apenas uma modificação do mesmo teclado que o Havit.

Esta controladora permite um número maior de efeitos e até suporte a software, o que é estranho, pois os concorrentes Havit HV-KB366L e Alfawise V1 não possuem isso... Será que é possível usar o mesmo software neles?

SIM! FUNCIONA!


Créditos do vídeo para José Marques do grupo "Periféricos High End"

Fora isso, há um conector removível idêntico ao que há no Motospeed CK104:

Agora, chegando finalmente ao que está completamente diferente do CK104 que analisamos: as soldas.

O Motospeed CK104 que analisamos há um ano atrás tinha soldas brilhantes e bem feitas, o que certamente não é o caso do CK103 que recebemos. As soldas frias e soldas quebradas presentes no teclado apresentam um risco à durabilidade das teclas, as quais podem apresentar problemas por dilatação térmica ou simplesmente pela ação do tempo, e não é apenas um ponto que está com problema, e sim vários:



Motospeed CK103 utiliza switches feitos pela Outemu, uma submarca da Gaote, uma empresa já conhecida no ramo de switches para mouses, assim como também conhecida pela fabricação dos switches Matias.

Falar sobre os switches Outemu está complicado. Há quem possua teclados com estes switches há mais de um ano sem problemas, eu mesmo tenho um, o problema é que lotes mais recentes estão tendo problemas, especialmente com teclas tendo "Double-Click" (acionando múltiplas vezes quando você pressionou apenas uma vez, por exemplo, quando você for escrever "apenas", na tela aparece "aapenaas", pois a tecla "A" está com problemas).

Não é o caso do Motospeed CK103 desta análise, mas tenho um Redragon Kumara com Outemu Brown cheio de problemas, e há vários relatos similares de pessoas com outros teclados Outemu, incluindo o CK104 e CK108. A situação da Outemu realmente não está boa e a ausência de suporte técnico para teclados comprados da China está tornando a compra destes teclados em uma verdeira "roleta russa".

O Motospeed CK103 mostra uma decadência em sua qualidade em comparação ao antigo Motospeed CK104 que havíamos analisado. Além das soldas estarem mal feitas, o que compromete a durabilidade de certas teclas do teclado, os próprios switches da Outemu vem apresentando problemas em certos lotes...

Recursos e Extras

Uma das maiores reclamações do Motospeed CK104, é que este era um teclado bastante limitado em seus recursos. Além do teclado não possuir software, maioria dos efeitos de iluminação são limitados em 8 cores, e isto ocorre devido à baixa potência da controladora BYK870, que não possui a capacidade de processamento para suportar mais do que o sistema RGB 3 bits.

O Motospeed CK103, assim como seu irmão Motospeed CK108, tem um upgrade. A controladora BYK816 permite que sejam alcançadas 16.8 milhões de cores, efetivamente colocando ele "quase" no mesmo patamar que teclados RGB da Corsair, Logitech e Razer em termos de iluminação.

O "quase" ocorre pelo simples fato que embora seja possível em alguns efeitos, nem todos são capazes de alcançar mais do que 8 cores, especialmente efeitos mais complexos. Novamente, isto ocorre pela limitação de sua controladora. Mas, para muita gente isso é mais do que o suficiente, pois pode-se escolher cores que o CK104 não permitia, tal como Laranja, Roxo e tons mais escuros de Verde.

Mas fora isto, o que o Motospeed CK103 acrescenta, é um software bastante similar ao do Motospeed CK108, embora com uma interface gráfica um pouco diferente. São 15 efeitos de iluminação, sendo possível escolher as configurações destes efeitos e também as cores de cada uma de suas teclas.


Há a possibilidade de trocar a função de suas teclas, sendo possível, por exemplo, trocar a função das teclas "F9, F10, F11 e F12" por teclas multimídia ou por outras funções.

Além disso, há uma interface de macros bastante simples, a qual é capaz de registrar apenas as teclas do teclado e o atraso entre teclas. Nada tão complexo quanto alguns concorrentes mais caros, mas é o básico e para muitos é o suficiente.

O software do Motospeed CK103 é bastante simples e não é nada especial, mas é mais do que o necessário para um teclado mecânico de entrada de apenas US$ 50. Ele pode não ter funções como "reagir a músicas e jogos" tal como teclados do triplo do preço, mas para o quanto ele custa, é mais do que o adequado, só gostaria que a marca tirasse o Google Translate da lista de funcionários e contratasse um tradutor, pois há muita bobagem escrita neste software.

Custando na faixa do US$ 45~50 importado da China ou R$ 284 na única revenda oficial da marca no Brasil, o Motospeed CK103 é um teclado mecânico tecnicamente bem feito para seu preço, com uma construção externa caprichada, componentes de alta qualidade, keycaps excelentes e um software para configuração.

O Motospeed CK103 custa apenas um pouco mais que seu irmão CK104 e oferece software e RGB 16.8 milhões como diferenciais por uma pequena diferença de preço, a qual sinceramente vale à pena pagar.

O projeto do CK103 é excelente e seu preço extremamente competitivo. Se este teclado tivesse sido lançado ano passado, com o mesmo nível de qualidade que o Motospeed CK104 que analisamos, eu daria para ele o selo diamante.

Mas... Há problemas, embora não com projeto do teclado em si, e sim com a própria Motospeed.

O Controle de Qualidade da Motospeed e da Outemu parece estar decaindo. Neste último ano, os casos de problemas de Double-Click, teclas falhando ou LEDs com problemas multiplicaram exponencialmente, eu mesmo recebi um teclado com switches Outemu (Redragon Kumara) cheio de problemas, com mais de 10 teclas falhando.

Não é o caso do Motospeed CK103 desta análise, todas as suas teclas funcionam perfeitamente, mas não duvido que há lotes de switches problemáticos em circulação, seja do CK103 ou do CK104. Daqui a pouco os teclados vão começar vir com um tubo de álcool isopropílico de brinde dentro da caixa...

A Motospeed está tomando medidas contra isto, especialmente nos novos lotes do CK104, mas as medidas da marca são utilizar switches "próprios", os switches "MS" (de Motospeed), feitos por outra fabricante (remarcados), a qual pode inclusive ser pior do que a Outemu, especialmente se a fabricante destes switches for a Xinda, com a qual a Motospeed tem relações e usa para seus combos CK666 e CK888.

A medida correta e cabível, seria cobrar da Gaote (dona da Outemu) melhorias em seu controle de qualidade, ou então trocar estes switches por modelos da Gateron, Trantek ou até mesmo Kailh, por incrível que pareça. Trocar por switches "próprios" (que nunca são feitos pela própria marca) é uma das piores decisões que uma empresa pode tomar, pois normalmente serve apenas para mascarar a utilização de switches de baixa qualidade ou de procedência duvidosa.

E como pudemos ver, as soldas do Motospeed CK103 estão muito piores que as do Motospeed CK104 que analisamos, mas acontece que os novos lotes do CK104 também podem estar com soldas ruins assim, o que pode causar problemas futuros com teclas falhando ou parando completamente de funcionar.

A Motospeed possui produtos de alta qualidade, mas está tendo problemas em manter a qualidade destes produtos por pura incompetência.

Ações como trocar componentes internos por modelos inferiores (Motospeed V30), remover recursos essenciais de seus produtos (Motospeed V30 vermelho) e lançar combos com componentes e recursos muito inferiores aos originais (Motospeed CK888) me fizeram desanimar bastante da marca, e as soldas mal feitas do CK103 só acrescentam à lista.

O Motospeed CK103 pode ser "tecnicamente" superior ao Motospeed CK104 que analisamos, mas a decadência da Motospeed, evidenciada pelas soldas mal feitas, faz ele levar uma nota inferior, assim como o CK104 provavelmente teria uma nota pior caso fizéssemos a análise hoje...

AVISO: Este teclado foi enviado pela Motospeed Brasil. Incluirei estes avisos em próximas análises também, informando se o produto foi cedido pela marca, emprestado de outra pessoa ou comprado pela equipe do Adrenaline. Lembrando que o fato de recebermos produtos de representantes não afeta em nada o resultado da análise. Para quem gostaria de saber a origem de outros produtos que já analisamos, vou incluir a lista nos comentários.

Conclusão

 

Avaliação: Motospeed CK103

Construção Externa
9.5
Construção Interna
5
Recursos e Extras
9
Preço - US$ 50
9

PRÓS
Excelente Custo x Benefício
Excelente Construção Externa
Keycaps Double-Shot
Possui software, macros e RGB 16.8 milhões de cores
CONTRAS
Só Deus sabe até quando a Motospeed vai continuar usando Outemu ou trocar para algo inferior
Pontos com soldas frias e soldas quebradas
  • Redator: Wellington Diesel

    Wellington Diesel

    Formado em Redes de Computadores, o "wetto" é um entusiasta do ramo de Periféricos. Autor do Guia do Teclado Mecânico, ele carrega consigo mais de 200 análises de mouses, teclados e headsets publicadas, além de diversos Guias e Artigos sobre teclados, mouses e headsets. Respeitado pela comunidade do Adrenaline, ele trabalha à distância como colaborador.

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