ANÁLISE: Motorola Moto Z2 Force

Venha pela tela que não quebra, fique pelos Moto Snaps

O Moto Z2 Force é o mais recente topo de linha da divisão Motorola da Lenovo, que traz duas apostas bem distintas e já conhecidas para se diferenciar no meio de tantos caríssimos smartphones high-end. A primeira delas é a tela ultra-resistente contra quedas com tecnologia ShatterShield, que promete proteção contra trincados e estilhaços. A segunda tática se concentra nos Moto Snaps, adições modulares que trazem novas funções aos aparelhos.

Digo que ambas são conhecidas pois a tela ShatterShield já apareceu no Moto X Force, enquanto os Moto Snaps estão presentes em todos os aparelhos da linha Moto Z desde que ela foi lançada em junho de 2016. O que o Moto Z2 Force faz é juntar todos esses recursos num aparelho com as mesmas especificações que se vê nos poderosos topos de linha, incluindo Snapdragon 835 e 6 GB de memória RAM.

Comparativo

Motorola Moto
Z2 Force
Asus Zenfone 3
Deluxe
Samsung Galaxy
S8
Apple iPhone 6s
Plus

Preços

Preço no lançamentoR$ 3.000,00 R$ 3.599,00 R$ 3.999,00 R$ 4.299,00
Preço atualizadoR$ 2.199,00 R$ 2.449,00 R$ 2.649,00 R$ 2.799,00

Especificações

Armazenamento interno64GB 256GB 64GB, 128GB 16GB, 64GB, 128GB
Cartão microSDAté 2 TB Até 256GB Até 256GB
Memória RAM6GB 6GB 4GB 2GB
Número de núcleos8 4 8 2
Portas de conexãoUSB Tipo-C USB Tipo-C USB Tipo-C
Sistema OperacionalAndroid 7.1.1 Android 6.0 Android 7.0 iOS 9.0
Update disponível para o sistemaNão informado iOS 11
ProcessadorQualcomm Snapdragon 835 Qualcomm Snapdragon 821/820 Exynos 8895 e Snapdragon 835 (EUA) Apple A9
Clock2.35 GHz2.4 GHz2,35 GHz1.84 GHz
GPUAdreno 540 Adreno 530 Adreno 540 PowerVR GT7600
Bateria2730 mAh3000 mAh3.000 mAh2915 mAh mAh
Dimensões155.8 x 76 x 5.99 mm mm156.4 x 77.4 x 7.5 mm148,9 x 68,1 x 8 mm158.2 x 77.9 x 7.3 mm mm
Peso145 g172 g155 g192 g g

Recursos

GPSSim Sim Sim Sim
Leitor de DigitalSim Sim Sim Sim
LTESim Sim Sim Sim
NFCSim Sim Sim Sim
Número de cartões SIM2 2 2 1
RadioNão Sim Não
Tipo de cartão SIMNano SIM Nano SIM Nano SIM Nano SIM
TV DigitalNão Não Não
Bluetooth5.0 4.1 5.0 4.0
ExtrasMoto Mods Asus ZenUI 3.0 Proteção contra água e poeira IP68 display always-on 3D Touch, Coprocessador M9, Touch ID 2ª geração

Display

Resolução1080 x 1920 1080 x 1920 1440 x 2960 1080 x 1920
Tamanho5.5 polegadas 5.7 polegadas 5.8 polegadas 5.5 polegadas
TecnologiaSuper AMOLED Super AMOLED Super AMOLED IPS
ProteçãoMoto ShatterShield Corning Gorilla Glass 4 Corning Gorilla Glass 5 Vidro ionizado

Câmera

Vídeos2160p 30 fps 2160p 30 fps 2160p 30 fps 2160p 30 fps
Traseira12MP (wide) e 12MP (preto e branco) 23MP 12MP 12 MP
Frontal5MP 8MP 8MP 5 MP

Design e Tela


Tela de plástico que não quebra, mas enche de riscos

Antes mesmo de seu lançamento, eu já tinha uma ideia muito boa do que como seria o design do Moto Z2 Force. Afinal, desde que o primeiro dispositivo foi lançado em junho de 2016, toda a linha Moto Z teve um design muito parecido. O motivo é que os dispositivos precisam ser compatíveis com os Moto Snaps (ou Moto Mods) já lançados.

Os Moto Mods, inclusive, são o principal motivo para você comprar um Moto Z2 Force ao invés de um outro topo de linha. A saída da Motorola é bastante inventiva, eficiente e funciona sem qualquer problema. Você pode retirar um mod e colocar o próximo sem qualquer dificuldade, com o smartphone ligado mesmo. Na parte do design, pelo menos, o recurso é maravilhoso e funciona muito bem. As funcionalidades e o quanto eles custam é outra história que veremos mais para a frente.

O lado positivo disso tudo é que, para suportar os mods, o Moto Z2 Force é ridiculamente fino. Ele tem 5,99 mm de espessura e quase não dá para senti-lo no bolso — a câmera fica protuberante na traseira, resultando em 8,39 mm de espessura nesta área. Porém, mesmo com a empresa abandonando a traseira em vidro da geração anterior, ainda não senti a pegada muito firme. O corpo em metal é uma ótima notícia pela sua durabilidade, mas fica cheio de marcas de gordura dos dedos do mesmo jeito. Minhas mãos relativamente grandes não me impediram de sentir uma certa falta de segurança com o dispositivo na mão, especialmente porque ele é mais largo que os seus concorrentes de bordas finas, os Galaxy S8 e LG G6.

O lado positivo disso tudo é que, para suportar os mods, o Moto Z2 Force é ridiculamente fino

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Teste mostra como a tela do Motorola Moto Z2 Force risca com extrema facilidade

Mesmo que eu deixasse o smartphone cair com a tela virada para o chão — e eu admito que eu deixei, algumas vezes de propósito (para fins de testes, claro) — isso não seria problema. Sua tecnologia ShatterShield, vista pela primeira vez no Moto X Force, continua tão durável quanto sempre. Você pode deixar o smartphone cair à vontade que ele dificilmente terá seu display estilhaçado ou trincado. O problema é que, para isso, a camada externa da tela é uma película de plástico, que fica cheia de riscos com extrema facilidade. Mesmo mantendo o smartphone longe de chaves e moedas, detalhes da minha calça jeans foram suficientes para riscar todo o display. No final das contas, você vai ter que usar uma película de vidro de qualquer jeito, se quiser evitar isso.

Falando no display, ele já começa com uma enorme desvantagem em relação aos outros topos de linha: suas bordas superior e inferior são bem grossas, longe de algo com o Infinity Display de proporção 18:9 do Galaxy S8. Apesar disso, ainda é uma excelente tela, de 5.5 polegadas, resolução Quad HD (1440 x 2560) e tecnologia P-OLED (sim, OLED plástico). O nome faz parecer algo pior de que realmente é, e a sensação não é muito diferente de uma tela tradicional de vidro. Tirando os riscos... ah, esses riscos. A tecnologia é outra coisa que contribui para o dispositivo ser tão fino, só é uma pena que suas capacidades flexíveis não foram aproveitadas para trazer um design diferente para a tela.


As marretadas a partir de 3min12 mostram que a tela pode até sofrer fortíssimas pancadas que não vai se estilhaçar

Assim como literalmente todos os seus concorrentes no mercado high-end, o Moto Z2 Force exibe 16 milhões de cores diferentes. Isso não quer dizer que ele consiga atingir a mesma taxa de contraste ou a mesma exuberância de cores que um Galaxy S8, por exemplo. Ah, e o dispositivo não tem conexão 3,5 mm (P2 ou P3) para fones de ouvido. Então se prepare para usar fones bluetooth ou depender de um adaptador USB tipo-C (incluso na caixa) para ouvir músicas. Pelo menos o seu alto-falante frontal é bem decente, tem boa potência e clareza para um smartphone e direciona o som direto para o usuário. Outro recurso high-end ausente no dispositivo é certificação IP de resistência à água de poeira. Ele só possui o que a Motorola chama de um "nano-revestimento repelente a água", que não deve servir para mais do que alguns respingos.

Performance


Snapdragon 835 e 6 GB de RAM: o melhor desempenho do mercado hoje

O Moto Z2 Force é um verdadeiro topo de linha quando o assunto é performance, afinal ele utiliza o Snapdragon 835. Não tem outro jeito de colocar isso: é o chipset mais poderoso do mundo para smartphones. Ele mostra isso em todas as tarefas do dia a dia, que são feitas de maneira instantânea. Não há a menor margem reclamar do seu desempenho para os padrões de hoje. Os jogos mais pesados rodam em 30 fps ou até mesmo 60 fps constantes e sem esquentar. Desde que esses títulos sejam bem otimizados, claro.

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Os exagerados 6GB de memória RAM garantem que você possa alternar tranquilamente entre vários aplicativos sem o smartphone ter que carregá-los novamente. Abra quantas abas do navegador quiser, alterne entre Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat e o que mais for. Até o mesmo o modo de tela dividida do Android 7.1.1 Nougat funciona sem qualquer problema ou travamento. Não existe a menor necessidade de você ficar fechando os últimos aplicativos abertos. Ou melhor...

Autonomia


Autonomia abaixo do esperado, como em quase todos os topos de linha

Pois é, se você quiser que os 2730 mAh do Moto Z2 Force te levem até o final do dia, talvez seja necessário gerenciar um pouco o que você deixa aberto. O Android até pode ajudar nisso, mas não tem jeito mais eficiente do que fazer você mesmo. Só por essa frase, já dá para entender que a autonomia do smartphone da Motorola está abaixo do esperado. Mas, para ser sincero, o mesmo acaba se repetindo em quase todos os seus concorrentes.

Em nossos testes, o high-end da Motorola ainda ficou na frente do Galaxy S8 e do LG G6, aparelhos que possuem 3000 mAh e 3300 mAh de bateria, respectivamente. Isso mostra que a companhia segue otimizando bem sua build quase pura do Android. Mesmo assim, o Moto Z2 Force fica longe de outros topos de linha como OnePlus 5 e Xiaomi Mi 6, dois aparelhos que possuem apenas 500 mAh a mais de bateria. Dito isso, se duração de bateria é sua prioridade número 1, aparelhos mais intermediários como o Zenfone Max, Motorola Moto Z Play e Samsung Galaxy A7 (2017) são a melhor pedida. Os dispositivos topo de linha trazem chips muito poderosos e telas cheias de definição e recurso, duas coisas que gastam muita energia. Sem contar que, invariavelmente, o design de aparelhos high-end é bastante fino, impedindo as empresas de colocar baterias muito grandes.

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Funcionalidades


Moto Snaps são sensacionais, mas custam caro

Se em aparelhos como Moto Z Play e Moto Z2 Play o Moto Snap Power Pack com bateria extra não fazia muito sentido, no Moto Z2 Force ele vira uma boa pedida. E foi exatamente esse Snap que a Motorola nos enviou com o dispositivo para análise. Com seus 2220 mAh de bateria extra, ele complementa os 2730 mAh smartphone para chegar a um total 4950 mAh. Isso dá uma versatilidade bem interessante para o smartphone, que vira, de longe, o mais duradouro dos modelos com Snapdragon 835.

É mais barato e, dependendo da sua preferência, até mais prático usar um power bank

Mas isso não quer dizer que seja uma experiência totalmente sem falhas. Em primeiro lugar, o Power Pack tem 4,99 mm de espessura. Quando conectado ao Moto Z2 Force, ele o transforma num monstro de 10,98 mm de espessura, que é pesado, difícil de segurar e ruim de levar no bolso. Além disso, este Snap em particular custa R$ 399, então eu só recomendaria para quem consegui-lo numa promoção ou com um desconto especial junto com o aparelho. É mais barato e, dependendo da sua preferência, até mais prático usar um power bank.

Por outro lado, a Motorola hoje comercializa uma lista impressionante de Moto Snaps. Com o lançamento do Moto Z2 Force no Brasil, chegaram dois novos: a Moto 360 Câmera, para gravar vídeos em 360º. e o controle para games Moto Gamepad. No momento que esta análise foi escrita, os novos Mods ainda não possuem preço. O resto dos adicionais modulares incluem o projetor Insta-Share Projector, o alto-falante JBL Harman Soundboost 2 e a câmera Hasselblad com Zoom óptico de 10 vezes. O grande problema é que esses Mods custam muito caro, chegando a R$ 1,5 mil pelo projetor. No final das contas, comprar aparelhos separados para suprir essas necessidades pode acabar sendo mais barato.

O sistema Android é o 7.1.1 Nougat, com promessa de upgrade para o Android 8.0 Oreo. Ele é tão puro quanto estamos acostumados por parte da Motorola. As modificações notáveis da empresa no sistema estão todas reunidas no aplicativo Moto e no suporte a Snaps. Isso inclui as Moto Ações, que são nada mais do que uma série de movimentos que ativam funcionalidades do smartphone. Pessoalmente, eu acho horrorosa a "navegação em um toque", que usa o sensor de digital para substituir os botões home, voltar e multitarefa. Ela é imprecisa e os gestos não são distintos o suficiente para torná-la intuitiva. Por isso, preferi utilizar os botões virtuais que roubam espaço da tela mesmo. As outras ações são bem legais e úteis, especialmente girar o pulso para abrir a câmera e dar golpes de caratê para ligar a lanterna. Os outros recursos são a precisa e eficiente Moto Tela, que funciona como um display Always-on, e o Moto Voz, que ativa a Google Assistant.

Câmera


A excelente câmera peca no mau uso das duas lentes

O smartphone tem câmera traseira dupla de 12 MP com abertura f/2.0 e captura de vídeos em até 4K30fps, 1080p120fps ou 720p240fps. Diferente do que você possa imaginar, porém, a lente extra não é nem grande angular — para caber mais gente na foto — ou telefoto para trazer zoom adicional. Ao invés disso, o segundo sensor captura imagens em preto e branco, algo que sinceramente não é tão útil. Mesmo assim, isso já é o suficiente para ter um "Modo Profundidade" no software do dispositivo.

   

   

 

Ao invés disso, o segundo sensor captura imagens em preto e branco, algo que sinceramente não é tão útil

via GIPHY

Com ele, você pode alterar o foco da imagem depois dela ser capturada. Ainda há dois recursos que estão em fase beta: preto e branco seletivo — onde apenas uma parte da foto segue colorida — e trocar o plano de fundo. É necessário ter ao menos dois planos de imagem bem definidos, como um objeto claramente destacado na frente da câmera, para que os recursos funcionem bem. Os resultados podem ser belíssimas edições ou, mais frequentemente, algumas palhaçadas engraçadinhas. Só é uma pena que o dispositivo não possui qualquer tipo de estabilização ótica, deixando todo o trabalho de corrigir tremidas e mexidas indesejadas para o software.

Tanto a câmera traseira quanto a frontal (de 5 MP) possuem dual-LED dual tone, que possibilita fotos no escuro de boa qualidade e sem comprometer as cores. Mas você muitas vezes nem vai precisar utilizar o recurso, pois o dispositivo tira boas fotos em situação de pouca luz. Não chega no nível de um Samsung Galaxy, mas ainda está num nível excelente, superando outros topos de linha. Em termos de hardware, a câmera do Moto Z2 Force está muito próxima de seus principais concorrentes. Só fica devendo no melhor uso de suas 2 lentes e no software, que não tem nada no nível do modo Retrato dos novos iPhone, por exemplo.

Comparativo: fotos em boa luz

   

Comparativo: fotos com pouca luz

   

Comparativo: fotos com flash LIGADO

   

O Moto Z2 Force traz muito do que um topo de linha precisa em 2017. Seu chipset é o mais recente da Qualcomm, o poderoso Snapdragon 835. Ele tem 6GB de memória RAM e 64GB de armazenamento. São especificações que garantem a melhor e mais rápida experiências de uso possível. Mas isso é algo que todo topo de linha traz, e não chega a ser um diferencial neste categoria.

Os verdadeiros diferenciais do aparelho da Motorola são a tela à prova de trincos ShatterShield e o suporte aos Moto Snaps. Só que mesmo esses recursos trazem seus problemas: a camada superior do display é de plástico e trinca fácil, enquanto as modificações modulares são muito caras para o que oferecem.

Se continuar custando o mesmo que aparelhos como o Galaxy S8, a vida vai ser difícil para o dispositivo da Motorola

O design do Z2 Force é um dos mais finos do mercado em termos de espessura. Só que os dispositivos high-end atuais têm se diferenciado por trazer displays com bordas extremamente finas, que ocupam quase toda a parte frontal dos smartphones. Isso é algo que o topo de linha da Motorola não traz e acaba prejudicando seu design, ainda mais por custar o mesmo que os outros.

Em suma, para quem já tem Moto Snaps ou acha sua praticidade vale o quanto custam, o Moto Z2 Force merece ser considerado. Para todos os outros, há opções melhores no mercado, que correspondem ao que um topo de linha deve ser hoje em dia. Se continuar custando o mesmo que aparelhos como o Galaxy S8 — como é o caso no momento — a vida vai ser difícil para o dispositivo da Motorola.

Conclusão

 

Avaliação: Motorola Moto Z2 Force

Tela
9
Performance
10
Câmera
9
Autonomia
7
Preço
7
Design
8

PRÓS
Um dos melhores desempenhos do mercado
Tela realmente não estilhaça de jeito nenhum
Moto Mods são bem executados
Excelente câmera
CONTRAS
Tela de plástico arranha fácil
Design perde em comparação com concorrentes de bordas finas
Lentes duplas são oportunidade perdida
Preço dos Moto Mods tira principal apelo
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  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation 1. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia. Formado jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.

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